Worldwide
41 James.
Notas iniciais
– Mamãe, olha que malavilioso ixo — exultou Sophie ao desembarcarmos nos Estados Unidos.
E lá estava eu, naquele país novamente, naquela cidade novamente. Algumas horas antes de embarcar naquele avião, praticamente implorei por telefone que Thamires e Bruna fossem se casar em Londres, mas o argumento das duas de quê independente de onde fosse o casamento James estaria presente me fez engolir em seco e suportar a idéia de voltar à Los Angeles.
– Você está bem? — indagou Caty à meu lado — Parece que vai desmaiar à qualquer momento.
– Estou tentando manter a calma — respondi.
– James não descobrirá, relaxe.
– Okay.
Agarrei as mãozinhas dos meus pequenos com força, temendo perdê-los em meio a multidão que se localizava no aeroporto naquele dia. Caminhamos por alguns minutos até pegarmos nossas malas e então nos dirigirmos até o táxi que nos esperava. A todo instante, Bryan e Sophie se encantavam com uma coisinha aqui e ali, e eu não deixava de sorrir pela animação deles, embora a preocupação me corroesse por dentro.
"You wanna play, you wanna stay..."
Quando entrei no táxi e dei o endereço do nosso destino ao taxista, ouvi meu celular tocar e imediatamente o atendi: — Alô?
– Caramba nem meu número você tem mais? É uma vaca mesmo.
– Desculpa, mas não reconheço sua voz — ironizei, rindo do drama de Logan.
– Samantha, vá se lascar.
– Também te amo Logan — sorri.
– Nem lembra que tem mais amigos não é? Sua idiota — riu ele do outro lado da linha.
– Dá para parar de me xingar seu imbecil?
– O que é imexiu, mamãe? — indagou Bryan ao meu lado.
– O que foi isso? — perguntou Logan.
"Me ferrei", foi tudo o que consegui pensar naquele momento. Logan não sabia sobre meus filhos, apenas Bruna e Thamires sabiam sobre eles, e eu não sabia o que diria a ele? "Ah, foi meu filhinho Logan, a propósito, você é titio".
– Samantha?
– Sim — minha voz tremeu.
– Quem te chamou de mamãe?
"Vamos lá Sam, dê uma resposta inteligente à ele", pensei.
– Ah, é meu sobrinho — respirei fundo.
– Como assim?
– É que eu moro com uma amiga que tem filhos gêmeos — De onde tirei isso?
– E porquê eles te chamam de mamãe?
"E agora? Pensa, pensa"
– Quem sempre cuidou deles fui eu, e eles me chamam de mamãe — bati em minha própria testa.
– Ah, entendi, enfim, onde você está?
"Me safei", respirei aliviada.
– Estou fazendo compras — enrolei-me em minhas próprias palavras, já que queria que minha chegada fosse surpresa.
– Está bem, só liguei para matar a saudade.
– Também estou com saudade Loggie.
– Apareça logo para me ver — implorou ele com a voz um pouco embargada.
– Vou aparecer, afinal, soube que finalmente pediu Bruna em casamento — sorri.
– Você soube? — animou-se.
– Claro que sim, estou tão feliz e orgulhosa de você Bear, de verdade.
– Se eu soubesse que para você voltar era só me casar com Bruna, teria feito isso antes — brincou ele, entusiasmado.
– Deixe de bobagens — ri.
– Tenho que desligar, Kendall chegou aqui e parece que vai atacar minha geladeira.
Eu ri um pouco mais, sentia tanta falta desse tipo de brincadeira com os meninos: — Mande um beijo para ele.
– Eu não, nem morto eu beijo aquele palito.
– Vá logo — ordenei, sem parar de rir um único instante — Eu amo vocês.
– Também te amo Sam, tchau.
– Tchau — sussurrei, tentando não chorar.
Meus olhos marejados pela emoção fitaram meus filhinhos, que penduravam-se juntos na janela do carro, querendo ver cada pequeno detalhe daquela cidade desconhecida para eles. Caty à meu lado acariciou meu ombro, demonstrando sua amizade comigo, principalmente em momentos difíceis como aquele. Respirei fundo, me aconcheguei à meus filhos e observei-os até chegarmos ao hotel.
Quando abri a porta do nosso quarto, Sophie e Bryan competiram para chegar primeiro até a cama, onde começaram a pular alegremente, aproveitando seus momentos infantis. Minutos mais tarde, quando eu saia do banho, Caty bateu em nossa porta. Expliquei à ela a mentira que criei para Logan, e que teria que chegar até os outros, torcendo para que não descobrissem que na verdade, aquelas crianças eram meus filhos. O jantar de noivado seria naquela noite, meu coração pulsava de forma irregular, e parecia querer saltar de meu peito à todo custo.
– Mamãe, voxê tá palaxendo uma plincesa! — exclamou Sophie, encantada ao me ver arrumada para o jantar.
Eu sorri para ela, observando seus olhinhos admirados. Na verdade, a princesa ali era ela, com um vestidinho vermelho que acentuava ainda mais a cor viva de seus cachinhos dourados, soltos em cascata por suas costas delicadas. Ela parecia de porcelana, tão branca, tão perfeita, tão parecida com o pai. As maçãs de seu rostinho estavam coradas, e seus cílios enormes estava com rímel — obra de Caty, com certeza.
– Obrigado meu amor — sentei-me na cama para ficar um pouco mais baixa e poder observá-la melhor — Mas você também está parecendo uma princesinha — disse tocando a pontinha do seu nariz.
– Tô plonto, mamãe — disse Bryan chegando perto de nós duas.
Ele vestia um terninho preto, com um sapato social. Seu cabelo dourado igual ao da irmã, estava penteado de lado e seus olhos castanhos esverdeados brilhavam exuberantemente. Tive que respirar fundo várias vezes, para controlar a vontade enorme que tive de chorar ao ver uma réplica perfeita de James.
– Está perfeito, meu homenzinho.
– Estou pron... — Caty paralisou junto à porta e escancarou a boca — Meu Deus, Sam você está maravilhosa!
– Obrigado Caty, você também está — sorri.
– A zente zá pode ir mamãe? — indagou Sophie.
– Podemos, e vamos, já está na hora.
Alguns minutos mais tarde, chegamos até à casa de Carlos, onde seria o jantar. Respirei fundo mais cem vezes, pelo menos, antes de tocar a campainha. Sophie e Bryan seguravam firme em minhas mãos, o que para os outros seria estranho, mas eu não me importava, queria apenas sentir eles o mais próximo de mim quanto fosse possível.
– Está faltando alguém? — ouvi a voz de Carlos perguntar logo depois que toquei a campainha.
– Acho que sim amor, vá ver quem é — ordenou Thamires com a voz um pouco animada. Com certeza ela sabia que era eu, e provavelmente ela e Bruna estavam trocando olhares cúmplices.
– Abra a porta, por favor — Carlos pediu à alguém.
Ouvi passos se aproximando e logo depois a porta se abriu abruptamente. Eu podia esperar qualquer um que fosse abrir àquela porta menos quem estava na minha frente. Senti o suor frio percorrer minhas mãos e as deixarem escorregadias, o que fez com que eu apertasse ainda mais as mãozinhas dos meus filhos.
– Sam? — perguntou com a voz trêmula.
– James — suspirei tentando conter o choro que estava por vir.
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