World Colapse
3 A espada amaldiçoada
Notas iniciais
Adrian estava apenas a acompanhando pelo mercado ao ar livre. Não conseguia parar de pensar em que tipo de feiticeiro poderia ter trazido alguém do futuro. O terreno onde os mercadores se aglomeravam ainda tinha rastros de sangue das criaturas que matou na noite passada junto a Trevor e Sypha. As cabeças dos monstros expostas com orgulho em estacas pelos aldeões que tomaram todo o crédito para si.
Simplesmente não entrava na sua cabeça que as teorias do diário do alquimista Merlin poderiam tornar-se reais, todavia, caminhando ao seu lado feito uma criança deslumbrada estava a evidência que precisava. Quer dizer, se alguém conseguiu chegar no futuro será que ele não conseguiria através do espelho ir para o passado e salvar sua mãe antes que ela fosse queimada? Tomou para si o fardo de proteger a garota não por bondade e sim por ela ser a chave de tudo isso. Contudo, ganhar a confiança dela era necessário.
Apesar de recém saído de seu sono, suas habilidades e reflexos ainda eram bons o suficiente para mantê-los a salvo até chegarem no castelo e talvez até para enfrentar seu pai, quer dizer, Drácula. Pensar na palavra pai agora era um tanto inadmissível considerando que tinha pretensão de matá-lo. Já sabia que Trevor seria contra a ideia da garota ir com eles, apesar disso, tinha certeza de que convenceria Sypha.
Analisando Yumi agora conversando com um ferreiro notou que o peso das costas da jovem saiu completamente e ela parecia estar considerando apenas uma experiência ou sonho. Se perguntava se ela sabia o que ele era, o monstro que também era.
—Olha isso aqui, senhor Tepes... —Começou ela animada e focou-se nela apesar de estar perdido em devaneios. — É uma katana, uma espada japonesa. É mais leve que as espadas europeias e...
—Você a quer? —Foi só o que perguntou.
—Sim. Quer dizer, eu... —Desajeitadamente, pegou a espada a desembainhando e a lâmina brilhava pelo sol que a fez reluzir de uma forma bonita e um rosto refletiu na lâmina sem que eles vissem. Yumi sentiu a espada vibrar fortemente em sua mão como um chamado e um vento sinistro soprou fazendo seus fios escuros voarem, o céu ensolarado tornou-se cheio de cinzentas nuvens. —Eu não sei usar, mas...eu a quero!
—Essa espada é perfeita para uma jovenzinha como você. —O ferreiro persuadiu-a animado de vender aquele objeto que considerava amaldiçoado pelas coisas sinistras que vinham acontecendo em sua casa. Aparições de uma fantasma de kimono e rosto pálido. Seu filho mais velho que matou a sangue frio um rapaz com a katana dizendo que a deusa da carnificina o possuiu e pedia por sangue.—Pertenceu a uma poderosa sacerdotisa pelo que sei. Era uma herança de família, o samurai que a herdou passou por Wallachia e a vendeu para comprar a passagem para o barco de volta ao Japão. Essa espada veio de bem longe. Não precisa afiar, o peso é leve e dá para se defender bem, mesmo que não tenha experiência.
Yumi olhou para Adrian com um olhar de cachorro pidão, entretanto, ele não foi afetado. Era apenas a ideia que tinha que agradá-la para que ela o ajudasse caso precisasse no fututo que o fez cogitar comprá-la.
Alucard percebeu logo a intenção do vendedor.
—Quanto quer por ela? —Foi só o que disse, sem paciência para ladainhas.
— Vou fazer um desconto ao belo casal. Que tal quinze moedas de prata? —O homem corpulento e de dentes podres falou. Em seu íntimo pensava: Dou até de graça se quiserem. Apenas tirem isso daqui.
Adrian estranhou que estivesse tão acessível dado o jeito que o velho falava das qualidades da espada, porém, tirou as moedas do bolso e pagou.
O vendedor sorriu horrendamente por estar aliviado de ter se livrado da assombração.
Yumi apenas fitou o seu protetor estupefata e realmente grata pelo presente. Nunca a haviam comprado nada antes.
Adrian começou a andar, de costas para ela notou que a moça não o seguia , alguns passos a frente parou e disse:
—Você vai ficar parada me olhando feito uma idiota ou vamos embora?
—Ah, claro. Vamos sim, senhor Tepes.
Correu até ele.
...
Alucard chegou junto a Yumi que parecia uma criança com um brinquedo novo desembainhando e embainhando a espada na frente da hospedaria, vendo Sypha e Trevor parados lá com a carroça já preparada e respirou profundamente sabendo que ia dar confusão. O loiro arqueou a sobrancelha contemplando o outro casal, porém, nada disse.
Uma leve tensão se espalhava entre o trio principal que era alheia a mais nova e mais baixa deles.
—Você comprou novas vestimentas e uma espada para essa pirralha? O que está pensando em fazer? Não tínhamos combinado que íamos embora ao primeiro raio de sol? Por que ainda estamos aqui, Alucard? —Trevor confrontou-o furioso enquanto a mulher ao lado do moreno estudava os recém- chegados atentamente.
—Não é uma mera espada, é uma katana! —Yumi o corrigiu orgulhosa da cultura de seu pai japonês, apesar de sua mãe ser americana. — Vou precisar de algo para me defender se vou seguir viagem com vocês.
Adrian deu um suspiro sabendo que o assunto ia dor de cabeça.
—Como assim seguir viagem com a gente? Enlouqueceu? Comeu bosta no café da manhã? Nem fodendo você vai. —Trevor riu incrédulo. —Diga a ela, maldito. —Buscou bom senso da parte da aberração. — Diga a garota que ela não vai.
—Ela vai. —Alucard quem tomou a palavra de forma assustadora que fez os outros três estremecerem. —Estará mais segura conosco do que em qualquer outro lugar. Eu me responsabilizo pela menina e a ensinarei a usar a espada.
—Bem, se você irá protegê-la, por mim tudo bem. —A oradora tomou a palavra mediando o conflito. —Espero que tenha ideia de que se ela morrer será culpa sua.
—Eu estou ciente. —Murmurou apenas. —Yumi vá ajudar Sypha com os cavalos!
Sypha notou que Alucard queria conversar a sós com Trevor.
—Venha Yumi. —Sypha tomou a palavra e puxou Yumi deixando os outros dois.
Foi o momento perfeito para Trevor confrontar o ser.
—Por que quer levá-la? Se apaixonou pela garota? —Jogou surpreso pela própria hipótese.
—Ela não me interessa. É uma fedelha.—Desdenhou. —Eu quero apenas a chave que ela tem.
—Que chave?
—Você saberá quando chegar a hora, Trevor. —Alucard informou sério. —Primeiro preciso matar Drácula. Só então poderei contar o resto.
—Quer saber, foda-se. Ela pode servir de distração para os sanguessugas enquanto enfrentamos seu maldito pai.
...
Estava sonolenta. Acabou indo para a parte mais escura da carroça e sentando-se ao lado de Alucard. Enquanto o movimento fazia o estômago dela ficar embrulhado pelo pão e queijo que Sypha lhe deu para comer antes de partirem.
—Você tem presas... —Começou um assunto com a voz baixa e abraçando os próprios joelhos colocando a cabeça neles e com o rosto virado para o de Alucard. —Eu não queria comentar antes porque pensei que seria rude considerando que você está me ajudando, porém, hoje você andou na luz do sol. Eu só estou curiosa.
—Minha mãe era humana. —Iniciou e os olhos ficaram fora de foco repletos de melancolia. —Meu pai é o vampiro que empesteou essas terras com monstros por vingança dos humanos que queimaram minha mãe.
—Eu não tinha pegado essa parte do resumo. Eu só ouvi vocês falando vampiros e monstros, mas estava desnorteada e desmaiada ainda. —Explicou rápido. —Você vai matar seu pai então, pelo bem da humanidade?
—Não, eu vou matá-lo porque ele está escrevendo uma carta suicida basicamente e com certeza quer se juntar a minha mãe. Só vou acabar com a agonia dele. Salvar a humanidade é um bônus.
Foi engraçado de uma forma obscura algo no que ele disse. A maneira que ele contou. Ela não sabia bem.
—Isso é bem triste. —Yumi sentou-se direito novamente e deixou a lateral do rosto repousar no ombro dele, consoladora, afinal, ele estava sendo bom para ela. —Obrigada por me proteger em meio a tudo isso. Sei que deve ser difícil.
Alucard fechou a mão em punho sentindo um aperto no coração chamado culpa.
—Você não tem que me agradecer.
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