World Colapse

4 Fantasmas do passado


Notas iniciais
A lenda da espada de Yumi terá muita relevância. Por favor, fiquem atentos. Até mais.

666 a.C

O luar pintava com seu brilho prata as planícies com vegetação verde com a grama com respingos de sangue cheia de soldados guerreando e corpos dilacerados com tripas expostas e cabeças decepadas.

Sangue jorrava do peito dela onde a flecha envenenada inimiga a acertou fazendo-a sentir a cada passo que dava pelo esforço tamanho o ar se esvair dos seus pulmões e não regressar mais como se estivesse se afogando aos poucos em sangue.

O líquido rubro manchava o kimono enquanto com a katana em mãos à medida que caminhava dilacerava o exército de vampiros que se desintegrava pela purificação da energia que emanava dela. A mulher chegou por fim até o homem de cabelo prateado cujos fios pareciam moldados em prata,, contemplou-o perdida e sem fôlego por aquela visão sublime daquele demônio que seu coração traiçoeiro considerava um amor. Ele usava uma armadura oriental com o emblema de um dragão. Apontou a lâmina para ele sem conseguir mais respirar.

—Renda-se Koji. —A voz estava falha, mas ainda continha imponência e solenidade. —Renda-se maldito. Renda-se!

O vampiro a estudou com um curvar de lábios de diversão. Sua imponente figura com a armadura vermelha, o longo cabelo prata voando e os olhos lilases que combinavam com a pele pálida.

—Poupe-me. Eu sei que nunca irá me ferir. Não posso dizer o mesmo a você. Não é triste?

—Você morreu para mim no instante em que atacou minha vila! —Conseguiu gritar com suas últimas forças. Os olhos dela se encheram de lágrimas e elas começaram a cair inundando sua face. Caminhou até ele apressadamente, tentando alcança-lo, a katana que emanava seu chi deslizou de suas mãos ensanguentadas e trêmulas pelo frenesi nefasto da batalha. O corpo acabou sucumbindo a ferida, a bela mulher desabou no meio do campo de guerra que essa noite era a ceifa da morte, sem energia, com a morte a abraçando aos poucos como fez com tantos outros.

Koji com uma rapidez sobre-humana se aproximou da sacerdotisa, tomou-a em seus braços como uma noiva. Yukina aceitou o consolo comovida e o beijo dele mesmo que os toques fossem frios como o de um cadáver. Começou a engasgar no próprio sangue.

—Deixe-me transformar você. —Tentou convence-la apesar de seus olhos frios não mudarem.

—Escute, escute... —Pediu-o somente perdendo os sentidos e com a voz suave. —Preciso que saiba de algo... você tem meu coração desde o primeiro momento que te vi. —Os olhos escuros dela se encheram de lágrimas traiçoeiras. —Patético, não é? Eu me entreguei a você sem que você ao menos soubesse. —Riu de si mesma. — Entregue meu corpo a meu povo para que o cremem e na forja dos deuses derreta minha espada. Fui amaldiçoada pelos deuses no minuto em que saí de meu ofício e me entreguei de corpo, coração e alma a você. Eu só espero que exista algum deus que possa perdoar meus pecados.

—Você é inimigo mais forte com quem já lutei, Yukina. Sem dúvida tem o meu respeito.

—Ouvir isso de você significa muito para mim.

...

Acordou de súbito, a franja sobre os olhos de uma maneira obscura e sentiu a pulsação da katana. Nostálgica deixou seus dedos deslizarem pela empunhadura gostando da sensação familiar. A pegou do chão numa ritualística opressora durante o tempo em que Adrian mantinha um olhar atento sobre ela estranhando a atitude.

A carruagem continuava a se mover. Sypha e Trevor estavam compenetrados na estrada e numa conversa só entre eles que eram audível apenas em burburinhos pelo barulho ainda mais forte do vento indicando velocidade nos cavalos.

. O meu povo clamou por mim e eles criaram uma deusa, Koji. A deusa da carnificina. Nesse instante eu estou indo até você.

—O que foi? Por que está chorando? —Sondou-a o dhampir se apiedando e querendo se aproximar e consolá-la. —Sonhou com sua mãe de novo, criança? —Ia tocá-la por compreender esse tipo de dor, contudo a espada bateu na mão dele no ar o impedindo.

Alucard recuou surpreso pelo reflexo rápido dela.

—Não ouse tocar em mim! —A mulher enxugou as lágrimas que caiam com indiferença. —Ah... Quem diria depois de tanto tempo eu sentiria nesta terra amaldiçoada a energia do maldito que me matou. —Murmurou somente e abriu um sorriso gigantesco. —Ótimo. Melhor ainda é que estamos todos indo até ele sem esforço.

—Do que está falando, Yumi?

Os olhos de Yumi se estreitaram e foram aos dourados dele com um rancor de mil vidas fervilhando neles. Não a reconheceu. Parecia outra pessoa. Os olhos perversos. Até a voz tinha uma eloquência sagaz e firmeza perturbadora.

—Só posso dizer que estou no lugar certo e na hora certa, meu caro. —Avaliou o campo energético a sua volta com sua percepção espiritual. —É a cria mestiça de um demônio. Que aberração. Nojento até de se olhar. —Desprezou-o com a sobrancelha escura arqueada. —É isso o que se chama de destino, não é? Vaguei por tanto tempo e agora encontrei o receptáculo perfeito nessa pirralha que nem pertence a essa era. —Riu um pouco e Alucard arqueou a sobrancelha aterrorizado. —Essa garota é tão fraca, mas tem algo nela que cheira a magia. O único problema, sinto a submissão dela a você como a de um cão com o dono. Com certeza ela me cederá o corpo se eu prometer protegê-la e a levar para casa como você fez. Mas para isso aquele que ela julga seu protetor tem que morrer.

Alucard tomou a espada da mão da menina antes que esta a desembainhasse e começasse um combate, jogando-a em alguma parte da carroça e longe da adolescente. Num movimento rápido acabou caindo com o corpo sobre o dela.

Sypha e Trevor não escutaram-no pelo som do vento em seus ouvidos.

Yumi abriu os olhos desnorteada.

—Senhor Tepes, hm... eu dormi? —Questionou-o.

—Não se lembra de nada, Yumi? As palavras que disse...

Ela negou com a cabeça sonolenta e confusa. Ficou aliviado que ela não o julgasse uma aberração.

— Você está muito perto. —Recordou-o da situação em que estavam.

—Está com medo que eu a machuque? —A voz dele estava sombria.

—É claro que não... É só... Está calor. —Engoliu em seco. —Muito calor. —Acrescentou. Desviou o olhar do dele tímida. Sentiu seus seios serem esmagados pelo peitoral forte e frio e desesperada quis tirá-lo de cima de si, antes que ele percebesse o efeito que tinha sobre ela.

Alucard segurou-a pelo queixo, fazendo os olhos de ambos se encontrarem num confronto e notou tranquilo apenas a timidez comum de quando se conheceram. Seus olhos dourados foram ao objeto assombrado vendo uma ligeira vibração.

Eu deveria ter sentido seu karma antes de a ter comprado. Fui tão descuidado. Desculpe, Yumi.

—Por que está me olhando assim? Eu fiz algo errado enquanto dormia? —A moça piscou várias vezes confusa.

Adrian escutou o coração descompassado dela como uma música em seus ouvidos.

—Não use seu presente por mais que tenha gostado. —Ordenou-a.

Os corpos dele estavam tão colados. Escutou a respiração descompassada dela e a sentiu se remexer.

—Mas o comprou para mim. Como posso não usar? —Indagou-o amuada e dengosa.

— Te compro outra coisa melhor, meu anjo. —Garantiu na orelha dela a sentindo estremecer inteira. —Prometo...

—Hm... eu... Como vou me defender? Não quero ser um fardo para você. —Tentou ela inutilmente.

—Eu protejo você, não já disse? Confie em mim. Não é como se já soubesse usá-la afinal.

—Mas a katana...Ela... Tem algo nela que.... Eu sinto que sei usá-la.

—Não teime comigo, minha criança, hm?—Alucard pediu manso e sentiu a entrega de Yumi quando ela se calou e apenas assentiu com a cabeça perdida nele, ficou pensativo tocando-a no rosto e tendo os olhos ansiosos dela como resposta a sua investida. —Prometa para mim agora que não tocará nela ao menos que sua vida esteja em risco e eu e os outros não possamos ajudar você.

—Sim, eu prometo. —Foi obediente e sorriu para ele um tanto sem jeito.

Contemplou-a embaixo dele por um bom tempo percebendo o calor do corpo da menina junto ao frio dele.

Seu cheiro está mudando, sabia? Não é mais tão inocente.

—Hm... eu...Você pode sair de cima de mim agora, senhor Tepes? O senhor é pesado, sabe? —Inventou uma desculpa.

Se levantou rápido, vendo-a sentar-se novamente ao lado dele e abraçar os próprios joelhos com o queixo sobre eles, porém sempre perto dele.

—Senhor Tepes...

—Hm... —Tirou-o de seus pensamentos sórdidos.

—Eu gostei dos presentes que me deu. —Ela sorriu um pouco puxando um assunto. —Eu nunca ganhei nada desde que perdi os meus pais. —Confessou tristonha. —Desculpe, eu sou meio sentimental. É só que ninguém nunca tomou para si a carga de tomar conta de mim antes. Estou grata a você por me ajudar e por ter acreditado mesmo que a história seja surreal.

—Nem nos dias do seu nome ganhava presentes?

Ela depois de um tempo entendeu que aquilo queria dizer aniversário levando em conta o contexto.

—Não. Eu fui para um internato... Existe conventos e freiras nessa época?

—Sim. —Respondeu ele, rápido.

—É, foi um lugar parecido com um convento. Chamamos de internato. É uma escola onde aprendemos várias coisas e onde moramos. Minha família não quis me criar depois que meus pais morreram, então me enviaram para lá. É católico e só comemoramos os dias do nome de Jesus. —Comentou.

Mexeu no cabelo dela sentindo o coração pesar, fazendo-a se aconchegar nele e esquecer de vez da katana.

—Entendi, minha criança. Agora escute... Me chame de Adrian, certo?

—Como quiser, Adrian.