Woods Of Desolation
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Eram cinco deles, todos se mostravam calmos e distantes, com olhos fechados e mãos atadas frente ao corpo. Estavam dormindo, assim como todo vampiro comum faria ao dia. Desde que sabera da existência deles o do que fizeram a minha família, passara malditos quinze anos colhendo informação, hábitos, costumes sobre eles. Os indomáveis, nome que dei a eles. Seres acima de nós, humanos, que desrespeitavam quaisquer normas de moral e conduta para sua diversão, usufruíam de seus dons para obter o que querem e donos de maldade e desumanidade que nenhum ser vivo poderia imaginar. Eram vampiros, seres que habitavam na noite com tanta familiaridade que pareciam não incomodar-se em serem os únicos. Havia vários deles, matavam e desapareciam com o vento e você sempre se perguntava se eles alguma vez realmente existiram. Mas eles cinco... Eram mais antigos e cruéis que se pode ler nos livros de história, seus nomes estavam lá, eram eles, mas com personagens diferentes. Reis, Imperadores, que assumiam o poder o usavam dele como arma para seu prazer. O principal deles, ou melhor, a principal era Helena Delaux, seu nome de nascença e que era lembrado somente entre eles. Era de beleza incomum, seus olhos violetas contrastavam com sua pele habitual de vampiro e seus cabelos de ceda perto azulados faziam-na parecer mais irreal. Quem olhasse, imaginaria que era somente mais uma garota de dezesseis anos adepta a essa nova coisa de “gótico”, era seu disfarce, sua forma de comunicar-se com o mundo. Tão pequena e aparentemente frágil, era a “mãe” de todos eles, criadora e mentora. Talvez a mais fria e sanguinária deles, ninguém dizia não para ela. Procurei focar-me somente nela pelo motivo da rivalidade que sempre tivera com minha família, ou descendentes, sempre os matando para que nenhum deles algum dia existisse. Mas ela esqueceu-se de mim e da minha irmã menor, Crystal de apenas dez anos. Eu iria me vingar e preservar minha vida, como sempre fizera.
Olhei-os novamente, tremia ao pensar estar tão perto deles mesmo inconscientes, era minha chance de matá-los mesmo parecendo ser covardia. Comecei apontando para o único ruivo, Thierry, o mais quieto e melancólico deles, o poeta de alma perdida apaixonado pelas artes. Era o que menos participava das barbaridades feitas por eles, mas não deixava de matar e destruir por onde passava. Parecia um daqueles anjos de pedra que vemos em praças, sua tristeza sempre evidente até mesmo adormecido. Mas isso não me impediria, ajeitando a única arma que poderia ser utilizada, cravei-a um único e rápido movimento em teu coração e esperei ver teu corpo estremecer-se. Seus olhos abriram-se por completo, fitou-me surpreso e quando se pôs a gritar cortei-lhe sua cabeça vendo-a rolar pelo ar e cair perto da minha mochila depositada no chão. Uma morte passiva e rápida, os outros talvez não tivessem a mesma sorte.
- Oh... – Foi apenas um sussurro. Estava impressionado, imaginava que ao ver um corpo vampiro experimentar a “morte verdadeira” viraria sangue e seria algo nojento... Não foi exatamente assim, todo seu corpo enegreceu-se e pareceu envelhecer e apodrecer séculos até virar um pó negro. Estava mais assustado que feliz, acabara de matar um homem, vampiro ou não, estava desonrando leis divinas... Por um instante pensei se continuaria com aquilo e vi que um deles mexia-se. Não... Não poderia matar apenas um, se não eu seria o próximo a morrer. Meu coração disparou freneticamente e quase senti minhas costelas partirem-se no meio, estava acordando... Travis, o vampiro que apelidara de “boca do inferno”, foi o primeiro que encontrei, sempre com respostas rudes e brutas para qualquer um que fosse, costumava violar garotas e mulheres antes de matá-las. Um tirano, seu cabelo cortado em estilo militar fazia perecer mais serio, seus olhos com o passar do tempo permanecera de um azul pálido e incomum, olhos vampiros. Não se importava com nada e ninguém estava disposto a fazer qualquer coisa contanto que recebesse sangue e um elogio de sua mentora, Helena. Estaria sempre tentando agradá-la com suas atrocidades e competindo consigo em relação a tudo, querendo sempre ser o melhor. Egocêntrico e irracional, não o mais perigoso, mas o que se deixava levar sempre com o primeiro pensamento, sendo ele estúpido ou não. Tinha aproximadamente oitocentos e setenta e cinco anos, o ultimo transformando por Helena. – Oh... – Repeti lentamente quando seus olhos azuis observaram-me e seus dentes tornaram-se visíveis. Seu sorriso denunciava o seu pensamento. Sangue, ele mataria a mim se não saísse dali e com isso corri para a mochila e saí em disparada para algum local da casa onde o sol batesse. Ele não veio atrás de mim, estranho. Mas não voltaria lá para saber por que, e com isso saí da casa.
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