Wont You Save Me?

22 Capítulo 22 - Desculpas


Notas iniciais
Hum, acho que preciso explicar algumas coisas, né? Vou explicar.
Esse foi meu último ano no ensino médio, ou seja, ou eu batalha pra concluir meu ensino médio, ou eu ficava vagabundando por aí e repetia de ano, rs, é claro que eu resolvi batalhar e sexta é minha formatura, K. Outra coisa: vocês já estão chegando perto do capítulo onde eu parei, por isso que esse demorou tanto. Eu quero que vocês entendam que é melhor esperarem um tempo sabendo que terá um novo capítulo do que esperar, esperar e não ter nada. Por que eu não escrevo um capítulo por dia, na verdade, eu não to conseguindo escrever nem um post por dia. Como eu disse há alguns capítulos minhas inspiração já não existe. Mas mesmo assim eu ainda tento escrever pra ter o que postar pra vocês.
Obrigada as leitoras velhas que decidiram deixar reviews e sejam bem-vindas leitoras novas.
OBS: O segundo Justin P.O.V a parte em que ele tá na casa dele, foi escrita pela minha amiga, mas depois dessa cena eu volto a ação, HAHAHAHA.
Me perdoem pela demora, mas a culpa não é minha se a inspiração não vem.
E como eu não sei se postarei antes do natal e do ano novo (não me matem), que vocês tenham um feliz natal e um MARAVILHOSO ano novo. Obrigada por tudo que fizeram por mim em 2011. Vocês são incríveis, sério.
Boa leitura ♥

Justin P.O.V

- Por que você fez isso?! – Berrei com Selena.

- Os paparazzi. – Tentou justificar.

- E o que, que tem?

- A gente precisa fingir, não é? Daí eu pensei que seria ótimo se eles vissem e tirassem fotos.

- Pensou? Seria ótimo? Não, não fala mais nada antes que eu acabe falando alguma merda.

- Mas eu não sabia...

- Cala a boca, Selena. – Pedi, ríspido. – Eu não disse pra você ficar calada?

- Mas, Justin...

- Qual parte de calar a boca você não entendeu? – Interrompi-a, nervoso por sua insistência.

- Desculpa. – Pediu, baixando a cabeça.

- Desculpa não vai apagar o que houve aqui. – Peguei o celular que estava no bolso de trás da calça e disquei o número de Lindsay. Eu sabia que de nada adiantaria ligar, pois ela não atenderia. Levei a mão à testa, bufando. Nervoso, comecei a andar de um lado para o outro, a procura de algo que fizesse Lindsay voltar.

- Por que você não vai atrás dela? – Sugeriu Sel.

- Por que eu não sei onde ela tá! – Me joguei num sofá que havia próximo dali. Fechei os olhos, massageando as pálpebras.

- Deve haver algum lugar que ela vá. Sempre tem.

- Eu não sei, Sel! Eu não consigo pensar desse jeito. Tudo na minha cabeça tá revirando.

- Você gosta mesmo dela? – Indagou Sel retorcendo o cenho numa expressão desdenhosa.

- Mais do que qualquer outra garota. – Murmurei.

- Então eu só posso desejar que você seja feliz.

- Eu to tentando.

- Quando você conseguir lembrar aonde ela vai, você conseguirá ser feliz. – Sorriu fraco.

- Será?

- Eu tenho certeza que sim.

- Valeu, Sel. – Estendi minha mão esquerda e ela a pegou, sentando em minha perna direita e me abraçando.

- Eu preciso ir. – Falou próxima de meu ouvido, levantando-se. – Não deixe para pensar quando for tarde demais, pode acabar te prejudicando. – Recomendou-me, saindo da gravadora.

Lindsay P.O.V

- Chegou cedo. – Observou Matt, sorrindo.

- Pois é, imprevistos. – Respondi, tomando a garrafa de vodka que havia em sua mão.

- Que tipo de imprevistos?

- Por que não curtimos a festa e deixamos o desnecessário de lado?

- Tá bom, né. Melhorou da “virose”? – Deu ênfase na virose.

- Eu disse para deixarmos o desnecessário de lado.

- Ok, destemida, vamos só curtir. – Gargalhou, passando seu braço por sobre meu ombro. Destampei a garrafa e virei um pouco de vodka, estremecendo quando o líquido passou queimando por minha garganta.

- A festa está só começando. – Sorri com prepotência.

Eu estava bebendo para ficar realmente ruim. Passaram-se horas desde que pus o primeiro gole de vodka na boca, e desde então eu misturava tudo o que via pela frente. Minha visão estava turva, meus pés tropeçavam um no outro e minhas risadas estavam incontroláveis, mas eu me sentia feliz. E antes que a situação piorasse, eu iria atrás do que realmente queria. Saí do deck e fui para a sala de estar, procurando por Matt.

- Matt? – Chamei-o, pegando em seu pulso e virando-o para ficarmos frente a frente.

- Oi, princesa. – Respondeu risonho.

- É... tem alguma lés-lésbica aqui? – Gaguejei, corando.

- Não me diga que você tá pensando em...? – Não completou a frase, arregalando os olhos e sorrindo com certa malícia.

- Você sabe que eu sempre tive curiosidade.

- Então vamos acabar com essa curiosidade agora. – Matt gargalhou, puxando-me pelo o pulso e me fazendo tropeçar. Saímos dali indo para a garagem. Matt puxou uma garota com os cabelos loiros que beiravam o ombro e nos tirou dali, nos levando para o deck.

- Sidney, eu queria te apresentar uma amiga. – Matt apontou para mim. – Lindsay.

- Oi. – Disse Sidney, sorrindo. Seus olhos azuis estavam envoltos por delineador preto, o que os realçava. E mesmo borrada a maquiagem estava bonita. Seu olhar desceu para meus seios. Ergui uma sobrancelha e olhei Matt. Ele ergueu os ombros num ato de “é o jeito”.

- Oi, Sid. – Umedeci os lábios e sorri. Eu não sabia como funcionava o xaveco homossexual ou bissexual, mas tava arriscando.

- E aí, tranqüilo? – Perguntou.

- De boa e você? – Se o assunto continuasse murcho desse jeito eu me mataria.

- Boa também, mas posso melhorar. – Mexeu as sobrancelhas instintivamente, insinuando algo que eu logo captei.

- Então porque não melhoramos juntas? – Tive que falar logo. Não me contive em vê-la ali me provocando e ficar calada.

Sidney tirou a mão de Matt de meu pulso e me puxou, juntando nossos corpos. Seus braços envolveram minha cintura. Arquei um pouco as costas e sorri maliciosamente para Sidney. Ela gargalhou baixo e beijou meu pescoço, deixando os poros de meu corpo alerta. Subiu lentamente por minha jugular e foi dando beijos estalados até chegar a meus lábios. Nossos lábios se encontraram e então eu beijei Sidney com fervor. Sempre tive curiosidade de beijar alguém do mesmo sexo e talvez fosse esse o motivo pelo o qual estava me apegando tanto a esse beijo. Entrelacei minha mão entre os fios de seus cabelos loiros e puxei para mim. Nossas línguas pareciam duelar e vezes brincavam. Mordi seu lábio inferior e o puxei, soltando-o aos poucos. Sua mão descera de minha cintura e pousara em meu bumbum, apertando um dos lados. Sua outra mão agora apertava meu seio direito. Estava bom, bom demais, mas tive que interromper. Faltava-nos ar.

- Gostosa. – Sussurrou Sidney, ofegante. Apertei sua bunda, gargalhando.

- Ok, porque não trocamos agora? – Perguntou Matt com a voz rouca.

Antes que eu pudesse se quer pensar ele e Sidney já estavam aos beijos. Vendo-os daquele jeito lembrei-me de qual era o próximo passo. Saí dali e andei por toda a casa até achar Mike.

- Mike? – Chamei-o, sorrindo.

- Oi, amor. – Retribuiu o sorriso.

- Vamos lá em cima? Quero te mostrar uma coisa.

- Que coisa? – Perguntou curioso.

- Você só vai descobrir se vier comigo.

- E eu vou gostar? – Riu inquisitivo.

- Eu tenho certeza que sim. – Sorri com meus pensamentos maliciosos aflorando. Peguei em sua mão e subi para o segundo andar, indo para o seu quarto.

- O que você tem pra me mostrar no meu quarto? – Riu, enquanto adentrávamos em seu quarto.

Assim que entrava no quarto de Mike se via a cama ao lado esquerdo e acima da cama algumas prateleiras com DVDs. A cama estava forrada por um edredom azul marinho. A frente da cama havia uma TV de LCD sabe lá de quantas polegadas, só sei que era enorme. A TV ficava presa a parede e abaixo dela havia um rack simples com um aparelho Home Theater. As paredes eram vinho claro. Nunca entendi porque uma pessoa jovem tinha a parede do quarto daquela cor, mas sempre achei muito refinado. Ao lado direito da cama havia o banheiro e do lado do banheiro ficava o closet. O closet ficava ao lado da sacada que dava para os fundos da casa. Já a cama ficava perto da sacada da frente da casa. Nunca me acostumei em ir ao quarto de Mike e não ficar impressionada. Seu quarto era lindo, surpreendentemente arrumado.

- Eu tenho muitas coisas pra te mostrar, mas vamos aos poucos. – Respondi, o empurrando pelo peito e fazendo-o cair sentado na cama. Sentei por cima de Mike, deixando suas pernas entre as minhas pernas. Ele abriu a boca, espantado.

- O q-que você tá fazendo, Lind? – Perguntou gaguejando.

- Uma coisa que eu sempre tive vontade. – Calei-lhe com um beijo. Instantaneamente Mike desceu suas mãos para meu bumbum, apertando-o. Puxei-o pelos cabelos e parei o beijo, descendo para o pescoço e beijando-lhe ali. Mike levantou os ombros e se contorceu. Eu sabia que aquele era o seu ponto fraco. Sem equilíbrio, ele caiu, me levando junto. Seus dentes estavam juntos da cartilagem de minha orelha, mordendo-a, e passando de leve a língua ali. Encolhi-me. Mike desceu os lábios, encontrando os meus. Beijei-o sedenta. Eu não podia imaginar que beijar Mike seria tão bom e que me deixaria com tanto prazer. Suas mãos subiram aos poucos e foram tirando minha blusa. Ergui os braços para facilitar. Já sem a blusa, suas mãos agora iam para minhas costas, abrindo o sutiã. O sutiã fora tirado. Me remexi em cima do sexo de Mike e o senti ereto. Com toda a velocidade, Mike virou-se, ficando por cima de mim. Uma de suas mãos desabotoou meu short e parou por dentro da calcinha. Seus dedos massageavam meu clitóris, deixando-me excitada. Sibilei um gemido.

- Mike? – Alguém o chamou, batendo na porta. A voz era feminina. Interrompemos o beijo e arregalamos os olhos na mesma hora. Três batidas na porta. Mike passou a mão nos cabelos, ajeitando-os. Quem é? Perguntei em silêncio, apenas movimentando os lábios.

- Um rolo. – Sussurrou próximo de meu ouvido.

Mike saiu de cima de mim, descendo da cama. Vasculhei o quarto com os olhos rapidamente. Meu sutiã estava em cima da cama. O coloquei. Levantei da cama. Minha blusa estava no chão ao lado esquerdo da cama. Agachei para pegá-la e a vesti. Abotoei o short e umedeci os lábios.

- Eu vou ter quer ir. – Disse, lamentando-se. Percebi que Mike tirara sua blusa cor framboesa e agora usava uma branca. Não entendi o porquê de trocar de blusa, quando o que ele deveria trocar eram a cueca e a calça.

- Tudo bem. – Respondi não muito contente.

- Eu te amo. – Pousou suas mãos em meu rosto e me deu um selinho. Afastou-se, abrindo a porta, mas não muito. Ele saiu e fechou a porta.

- Tá tudo bem? – Ouvi a garota perguntar.

- Sim. É que eu sujei minha blusa e vim trocar.

- Ah, ta. – Os passos se tornaram distantes até eu não ouvi-los mais.

O que eu posso fazer pra fechar a noite com chave de ouro? Pensei. Nada veio de início. Decidi descer e ir para o deck. Lá eu pensaria com mais clareza. Menos de um minuto e eu já estava no deck. Sentei-me em uma das espreguiçadeiras. Olhei para meu lado direito. Lá embaixo as luzes noturnas brilhavam incansavelmente na cidade de Atlanta. Tudo estava tão bom, tão lindo. Mas me faltava algo. Justin. Era isso que me faltava, mas eu não me permitia sentir sua falta, não hoje. Uma idéia surgiu. E que tal eu o fazer sentir minha falta? Sim, ou não. Eu não estaria aqui pra ver, mas talvez ele sentisse. Levantei e dei três passos. Parei a beira da piscina. Olhei para baixo. O vento fraco batia na água, fazendo-a criar pequenas ondas. Olhei para todos os lados. Não havia ninguém ali, exceto por mim. Fechei os olhos e dei mais um passo, caindo na piscina. A água estava morna, uma delícia. Sendo puxando pela água para o fundo, permiti-me abrir os olhos. Acima da água havia um lindo céu azulado e estrelado. A lua aquecia a noite com a sua luz prateada. Sacudi os braços, mas por instinto. Eu não tinha a mínima vontade de voltar à superfície. Minha respiração já estava ficando descompassada. Meu pulmão implorava por ar, mas não dei atenção. Sorri, admirando aquela bela noite. Meu corpo flutuava. Abri os braços, sentindo-me completamente livre. À noite o céu é mais lindo. Observei, do fundo da piscina. Meu sorriso alargou-se, enquanto meus olhos iam fechando-se aos poucos. Mesmo com os olhos fechados e já sem ar a impressão era de que eu ainda sorria. Um bonito fim para a vida, por sinal.

Justin P.O.V



Eu estava em casa, encarando as bordas prateadas de meu celular e esperando que ele vibrasse a qualquer segundo com o nome “Lindsay” no visor.
Tudo bem, eu devia admitir pra mim mesmo que isso era impossível. Mas eu não podia fazer nada além de ligar pra ela a cada dois segundos e ouvir aquela maldita caixa postal. Porque ela tinha de ser tão complicada?
Agarrei meu celular e me sentei no sofá, me odiando pela milésima vez. Eu não sabia onde ela estava. Com quem estava e o pior... O que estava fazendo.
Imaginei em quanto tempo esperei pra vê-la e em como as coisas caminharam sob as linhas erradas. Lind devia estar comigo, embora eu sentisse que talvez não fosse por muito tempo.
Mas o que eu estava fazendo, afinal? Agindo como um idiota?
— Droga! – Praguejei, me levantando nervoso. Andei de um lado para o outro, sacudindo meu cabelo com os dedos. Até que me virei no exato minuto em que minha campainha tocou. Senti meu coração acelerar e sorri quase por instinto. Lindsay havia me perdoado?
Guardei meu celular no bolso de trás e caminhei até a porta em passos rápidos. Baguncei meu cabelo mais um pouco e lambi os lábios, tocando a maçaneta. Fiz uma expressão de arrependimento, mas assim que abri a porta o vulto de Selena passou por mim.
— O que... O que está fazendo aqui? – Indaguei, irritado pela presença de Selena nas piores horas. Ela colocou a bolsa no sofá em que eu estava deitado a um minuto atrás e voltou até mim, me fitando de uma forma estranha.
— Eu preciso fazer uma coisa.
— Você já fez. Destruiu tudo. – Abri a porta ainda mais e tentei parecer calmo, enquanto indicava a saída.
— Justin. – Sussurrou sorrindo, dando um passo em minha direção. – Você sabe que podemos mudar isso. – Ela colocou seus dedos sobre os meus e empurrou a porta.
Pisquei quando ouvi o barulho da porta se fechando.
— Eu quero mudar o que você fez e não consigo. É só isso que eu quero mudar. – Admiti, lhe dando as costas.
— Eu sei, eu sei. – Ela interrompeu meus passos, se colocando a minha frente. – Eu sei o que você sente por ela.
— Então porque insiste?
— Porque eu não quero ir embora.
— Mas eu não te pedi pra ficar. – Ergui a sombra celha e ela deu um sorriso divertido, puxando o cabelo inteiro para o ombro esquerdo. Entre abri os lábios quando senti o cheiro doce que seus fios exalavam.
— Selena... – Comecei, fechando os olhos.
— É só isso. – Se aproximou, a respiração tocando minha pele. – Só isso e mais nada.
— E-Eu...
— Não precisa dizer nada. – Sussurrou, tocando meus lábios com os seus rapidamente. – Você não precisa falar. – Repetiu, me beijando sem que eu ao menos pensasse em me afastar. Esmagou meus lábios, lutando pra que eu cedesse. Levei uma de minhas mãos até sua nuca e aprofundei o beijo sem pensar nas conseqüências. Eu não queria entender qual era o meu problema, mas eu matinha Lindsay em meu subconsciente o tempo inteiro.

As mãos de Selly agarraram meus cabelos como se ela estivesse queimando. Apertou minha camisa com tanta força que minha pele pareceu distorcida. Entrelaçou seus dedos nos meus, sugando todo o meu gosto e me levando até o sofá de couro que permanecia atrás de mim até o momento.
Me jogou ali sem partir o beijo, complicando as coisas ainda mais pra mim.
— Selena. – Me afastei um pouco, balançando a cabeça.
— Eu sei que você quer. – Sorriu, me jogando um olhar repleto de luxúria.
— Não. – Afirmei, sincero. – Não quero você.
— Quer a Lindsay? – Fez uma expressão debochada.
— Mais do que qualquer outra.
— Eu sabia. – Bufou, saindo de cima de mim.
— Você não vai servir pra ninguém se continuar agindo desse jeito. – Comentei.
— Ah. E você acha que eu não sei que você me desejou a um segundo atrás? – Minha expressão mudou.
— Você não devia ter vindo. – Me levantei, desamassando minha blusa. – Vou procurar por ela. – Sussurrei pra mim mesmo, me sentindo um idiota.

- Eu queria ter feito isso porque sabia que você estava decidido em ir atrás dela. – Tentou se explicar. Respirei fundo, tentando ignorar o ódio subindo por minhas veias.
— Entenda uma coisa, Selena. – Comecei, procurando seus olhos. – Eu não quero mais ninguém além dela. Porque você e ela... São diferentes.
— Você sente algo por mim. – Ela sorriu.
— É. Eu sinto... Eu amo a Lindsay e tenho pena de você. Pena. É tudo o que eu sinto por você. – Me virei, dando um fim a conversa.
— Pena. – Ouvi ela sussurrar, enquanto pegava sua bolsa. – Vocês foram feitos um para o outro. – Passou por mim como um foguete, abrindo a porta. – Escuta, Justin...
— Não.
— Como você sempre acha que vou acabar com tudo pra você, porque não procurou ela na casa daquele tal Mike? – Sugeriu, pensativa. Como não pensei nisso antes?
— E porque não me disse isso antes? – Perguntei irritado, procurando pelas chaves com pressa. Ela soltou uma risada.
— Porque eu pretendia me envolver antes e te ver se rendendo. – Piscou, sumindo de minha vista.

Passei minhas mãos em meus cabelos, parando-as em minha nuca. Mordi meu lábio inferior. Peguei o mói em cima do criado-mudo e fui para a garagem, pegando o carro e seguindo para a casa de Mike.

Pedi informação a um grupo de pessoas que andavam próximas da praça e logo descobri o endereço de Mike. Segui a instrução que me deram e parei à frente de uma grande casa laranja. Fiquei espantado, esperava encontrar um casebre. Não havia muros para separar a casa da calçada, por isso desliguei o carro e saí, ativando o alarme e trancando-o. Havia pessoas por todo o lugar da casa e algumas me lançavam olhares desconfiados e surpresos ao mesmo tempo. A maioria delas estavam alcoolizadas. O fedor de álcool misturado com drogas era nauseante. Entrei numa espécie de sala de estar. Mike estava lá, rindo à toa. Apressei meus passos, indo em sua direção. Cerrei os punhos ao aproximar-me dele. Relaxei minhas mãos e o empurrei pelo peito, fazendo-o andar pra trás, mexendo os braços apressadamente para recuperar o equilíbrio. Mike se recompôs, me lançando uma expressão de fúria.

- Qual foi, Bieber, perdeu a noção do perigo? – Perguntou, empurrando-me pelo peito também.

- Eu não tenho medo de você. – Ralhei.

- Pois deveria.

- Eu quero saber onde a Lindsay tá. – Exigi.

Mike riu, desdenhoso. Respirei fundo, me controlando para não voar em cima dele.

- Responde! – Gritei. Mas mais uma vez ele riu. Impulsivo, cerrei meu punho esquerdo e lancei-o contra o olho direito de Mike, fazendo-o perder o equilíbrio e esbarrar violentamente contra as pessoas que estavam as suas costas. Mas ele não perdeu tempo e logo partiu pra cima de mim, me dando uma rasteira. Caí de costas, batendo minha cabeça. Fechei os olhos, sentindo-a latejar. Abri os olhos e olhei para abaixo de meu nariz, vendo a mão de Mike acertar em cheio minha boca e sentindo minha língua ser pressionada contra meus dentes. Levantei meu braço esquerdo que há pouco estava inerte no chão, e redirecionei novamente minha mão esquerda na direção de Mike, dessa vez acertando-lhe o nariz.

Mike fora tirado de cima de mim e alguém também me puxou, arrastando-me, mas ao mesmo tempo me fazendo levantar. Ergui a cabeça. Matt segurava Mike pelos braços.

- O que você quer? – Rugiu Matt.

- Falar com a Lindsay. – Respondi fanhoso. Algo viscoso atrapalhou minha fala. Umedeci os lábios e senti o gosto de algo enferrujado, sangue.

- Acho que ela tá no deck. Vamos lá. – Disse.

O cara que me segurava soltou meus braços e segui Matt.

Chegamos ao deck. Lindsay não estava ali. Andei pelo deck, olhando tudo ao redor. A vista de Atlanta dali era linda. Dei meia volta e olhei de relance para a piscina ao meu lado direito. Havia uma pessoa no fundo dela. Dei de ombros, dando mais um passo. Uma pessoa. Roupas brancas. Pele branca. Lindsay estava no deck. Arregalei os olhos e sem hesitar pulei na piscina. A iluminação estava precária, mas consegui resgatar Lindsay. Voltei à superfície, com a respiração descompassada. Coloquei seu corpo a beira da piscina, dei um impulso e apoiei-me na borda, saindo da piscina. Engatinhei e ajoelhei-me, colocando com cuidado a cabeça de Lindsay em cima de minha coxa. Seus lábios estavam entreabertos e roxos, a pele gelada e pálida. Peguei em seu pulso. A pulsação estava fraca. Bati em seu rosto de leve, porém não houve reação, exceto que seu rosto estava mole e virava conforme os tapas que levava.

- Lindsay. – Chamei-a. minha voz era apenas audível para nós dois. – Lindsay. – Chamei-a novamente. Nada. – Lindsay... – Sussurrei, sacudindo-a pelos ombros. – Esse não pode ser o fim. – Murmurei comigo mesmo. – Eu não te esperei tanto pra isso. Então é assim que acaba? – Perguntei já com os olhos úmidos. – Lindsay, reage! Minha vida não pode acabar. – Proferi, desesperado. Curvei minhas costas e afastei seus lábios com minhas mãos. Encaixei meus lábios aos seus e puxei todo o ar que pude. Nenhuma água fora jogada pra fora. Coloquei minhas mãos no meio de seus seios e as pressionei seguidas vezes ali. Porém seu peito não estufou e Lindsay não tossiu, como eu esperava. Sacudi-a pelos ombros, seu corpo estava mole como o de uma boneca de pano. Vê-la ali, tão frágil quanto porcelana era torturante. Ela não respondia a nenhum toque meu. Soquei o assoalho abaixo de mim e franzi os lábios, segurando o choro. Ouvi passos chegando ao deck e ergui minha cabeça. Matt estava entre eles.

- Chama uma ambulância. – Implorei, desolado demais para fazer qualquer coisa. Eu apenas queria ficar ali, ao lado dela.

Matt estava em choque, não sabia se vinha ver Lindsay ou se ligava para a ambulância. Mas ele refletiu melhor e voltou para dentro da casa, sabendo que o certo seria ligar para a ambulância.

Após ligar para a ambulância, Matt voltou, pondo-se ao meu lado e observando Lindsay. Mike chegou minutos depois, afobado. Entreabri os lábios e soltei algo parecido com um rosnado, mas ele pareceu não escutar. Estava concentrado demais em Lindsay.

Não demorou muito e a ambulância chegou. Os paramédicos foram até o deck, o que causou um pequeno alvoroço. Colocaram Lindsay numa maca móvel e a levaram para a ambulância, segui-os em seus encalços. Entrei na ambulância e sentei no pequeno banco para acompanhante. Mike me fuzilou com os olhos

- Por que não segue a ambulância? – Sugeri.

- É. – Respondeu apenas.

Um dos paramédicos colocou uma máscara de oxigênio no rosto de Lindsay. Seu peito começou a subir com mais velocidade, porém ainda assim estava fraco, e seus olhos não abriram. O paramédico fechou a porta traseira, deixando-me a sós com Lindsay desacordada. A ambulância começou a se locomover. Dentro de alguns minutos estaríamos no hospital e Lindsay seria curada.

Notas finais
Próximo capítulo: finalmente vocês descobrirão o que a Lind tem, rs.