Wont You Save Me?

23 Capítulo 23 - Vulnerável


Notas iniciais
Oi, meus amores. Eu demorei mais que o previsto, me desculpem. Infelizmente eu tive problemas tanto amorosos quanto familiares e isso fez com que eu ficasse um pouco afastada daqui.
Mas aqui estou eu para postar um novo capítulo.
Obrigada por todos os reviews e...
Renata! Como assim WYSM superou suas expectativas? Meu Deus! Muito obrigada pela recomendação, obrigada pelas palavras. Enfim, muito obrigada!
Leitoras novas, sejam bem-vindas, amores.
E ah, eu preciso de bastante reviews nesse capítulo, hein?
Boa leitura ♥

Chegamos ao hospital e Lindsay foi levada direto para a reanimação. Enquanto isso fiquei na recepção, aguardando notícias. Ansioso por saber o que viria, fiquei andando de um lado para o outro pela recepção, aflito. Uma das secretárias tentou me conter, mas não obteve sucesso. Mike chegou depois, junto com Matt e ambos sentaram-se num dos sofás que havia ali.

- Quem veio junto com a paciente Lindsay, por favor? – Perguntou um médico surgindo ao lado do balcão da recepção.

- Eu. – Respondi-o eufórico.

- Me acompanhe, por favor. – Pediu, seguindo por um corredor.

- Depois eu chamo vocês. – Disse a Mike e a Matt enquanto me afastava.

Andamos por cerca de 3 metros e o médico adentrou numa sala à direita, fiz o mesmo. Fechei a porta e fiquei de pé, olhando-o, sem saber o que fazer.

- Senta. – Indicou com a mão a cadeira do paciente. Puxei a cadeira e sentei, entrelaçando minhas mãos uma na outra em cima de minhas coxas.

- Senhor... – Iniciou a frase, mas não a completou por não saber meu nome.

- Justin.

- Senhor Justin... – O médico esbugalhou seus olhos verdes. – Justin Bieber? – Indagou incrédulo.

- Sim. – Assenti, ficando sem graça.

- O senhor pode me dar um autógrafo? Minha filha é sua fã! – Proferiu.

- Claro. – Sorri nervoso. — Qual é o nome da sua filha?

- Katy.

Assenti, autografando o papel que ele me dera. Entreguei o autógrafo para ele.

- Hã, me perdoe por essa pequena distração, vamos ao que interessa. O que a Lindsay é sua?

- Namorada.

- E onde estão os pais dela?

- Eles já faleceram. – Franzi os lábios, desconfortável.

- Ah, sim, hum. A Lindsay sabe da grave doença que ela tem?

- Não! – Gritei, sem ao menos avaliar sua pergunta. – Quer dizer, sim, ela sabe.

- E você sabe?

- Ela não quis me contar por telefone. Eu estava viajando, voltei hoje. Ela me contaria quando nos encontrássemos, mas houve alguns contratempos.

- Entendi. Eu devo-lhe avisar que essa doença é rara, e no caso da Lindsay mais raro ainda. Em quinze anos de profissão eu nunca vi nada igual e durante os meus tempos de faculdade sequer houve boatos sobre essa doença num adolescente. Indo direto ao ponto, a Lindsay possui o que nós médicos chamamos de LLC, em outras palavras, leucemia linfóide crônica. – Explicou-me cauteloso.

Lindsay tinha leucemia. Isso era altamente ruim, mas se minha medula fosse compatível com a sua não haveria problemas. Era isso. E mesmo minha medula não sendo compatível com a sua eu buscaria uma que fosse compatível, nem que pra isso eu precisasse descer ao inferno.

- Eu posso doar minha medula pra ela, ou achar alguém que doe. Isso é simples.

- Justin, eu disse que essa doença é mais rara ainda por a Lindsay ter ela. E eu também disse que ela se chama leucemia linfóide crônica, não é uma leucemia comum, que você doa uma medula e salva. Com a LLC é diferente, não existe uma cura, não existe salvação. – Disse pesaroso.

- Quanto tempo? – Indaguei, referindo-me a quanto tempo Lind teria para viver.

- Por só ter feito um exame de sangue, eu não posso te dizer os meses exatos que ela terá de vida, mas mesmo que o prognóstico seja bom, serão no máximo 120 meses, dez anos para ser mais preciso.

- Não tem outro jeito?

- Existem os tratamentos, mas nós só podemos apelar para eles se houver vantagem, por exemplo, se pudermos retardar a doença, você me compreende?

- Sim, mas e não houver vantagem?

- Teremos então de deixar por conta do tempo e entregar nas mãos de Deus.

- Hã, eu preciso pensar um pouco sobre isso. Quando a Lind vai ser liberada?

- Ela ficará em observação aqui, pelo menos até amanhã. Ela ingeriu uma grande quantidade de água e estando no estado em que ela está, é sempre bom estar próxima de um hospital, e ela precisará ingressar numa rotina de exames.

- Tudo bem, na verdade, não. Não consigo aceitar nada disso. – Disse fazendo gestos de incompreensão com a mão.

- Caso o senhor queria vê-la, ela está no quarto 314.

Assenti, levantando da cadeira, abrindo a porta e saindo da sala. Procurei pelo banheiro masculino, não ficava muito longe dali. Fiz minhas necessidades e procurei pelo elevador, indo para o terceiro andar. Andei pelo corredor até encontrar o quarto de Lind. Abri a porta vagarosamente. Ela dormia como um anjo. Andei até a janela do outro lado do quarto. Apoiei-me no parapeito, observando Atlanta. Meus olhos ardiam, incapaz de não poder mais controlar as lágrimas deixa-as vir a tona. Em minha mente passava-se um pequeno filme.

Eu conhecera uma garota, cuja qual me senti enojado por estar em sua presença nos primeiros momentos. Aos poucos fui me acostumando e percebi que poderia conviver com ela sem sentir nojo de vê-la. Apesar de muita coisa não soar a nosso favor, era bom estar com ela, sua amizade me aliviava. Nós demos uns beijos, mas como a paz não fazia parte do nosso relacionamento conturbado, discutimos. Nos afastamos por dias. Perturbado comigo mesmo, resolvi procurá-la, queria espairecer. Aconteceram coisas imprevisíveis, mas de todas o pedido de namoro fora o mais surpreendente.

Daí então nossas histórias de fundiram. Nós não éramos o que as pessoas chamam de alma gêmeas, mas Lindsay encaixa-se em mim, era o que parecia. Viajar sem levá-la comigo foi um erro. Eu ainda não a amava, mas a queria perto de mim. Vê-la via webcam fez meu coração ficar apertado, a vontade de passar pelo computador só para abraçá-la era maior que qualquer coisa, no entanto, impossível. Descobrir que ela estava adoecendo, me fez ficar ainda pior. Mas o tempo parecia estar ao meu favor, ele não se arrastava. Voltei a Atlanta, ansioso por vê-la. E então o que eu vi foi uma Lindsay decepcionada e enfurecida por algo que eu não fizera querendo, eu mesmo fui pego de surpresa. A partir daí tudo se complicou. Selena foi à minha casa me provocar e eu cedi, mas isso era errado, eu não devia desejá-la. Cansado e com raiva, pois tudo estava fora do seu devido lugar fui à procura de Lind, chegando à casa de Mike. Houve uma pequena briga. Procurei por Lindsay, mas o que achei foi um corpo entregue a redenção no fundo de uma piscina. Retirei-a dali. Ver Lindsay tão frágil quanto uma porcelana era indescritível. Mas saber que ela morreria sem ao menos ter uma chance de ser salva, acabou comigo, literalmente. Nunca me senti tão cabisbaixo assim. Não era algo que pudesse ser descrito, eu simplesmente estava mal, pior do que Lindsay. Afinal, ela acabaria morrendo e descansaria em paz, mas e quanto a mim? E quanto a mim que continuaria vivo sem a sua presença? Era doloroso demais pensar nisso, meu coração parecia estar sendo torcido junto com todos os outros órgãos. O chão parecia ruir abaixo de meus pés, sem ao menos ter uma rachadura. Mas quem estava ruindo era eu e o chão era quem me amparava. Eu não conseguia mais imaginar como seria viver sem ter aquela fedorenta ao meu lado. Sem poder ver o brilho dos seus olhos verdes, sem poder ouvir e ver sua risada, sabendo que eu era o motivo de seus sorrisos, sem poder sentir aquele cheiro único que vinha de seus cabelos, sem poder entrelaçar sua mão a minha, sem poder colocar uma mecha de cabelo atrás de sua orelha. Eu não viveria, eu simplesmente sobreviveria, respiraria por obrigação. A cama fez um barulho, dei meia volta e vi Lindsay se mexendo, mudando de posição, mas ainda dormindo. E foi naquele momento que eu tive certeza de que realmente a amava. Lindsay não era a mulher mais linda do mundo, nem a que tinha mais qualidades, nem a mais agradável, muito menos a que cometeu poucos erros, mas ela era ideal pra mim, minha perfeita imperfeita, era com ela que eu queria estar, independente da restrição existente. Nunca tive vontade de ter filhos, tão pouco casar, mas por ela eu faria esse esforço, construir um lar repleto de amor, isso soava clichê, mas era relevante com Lindsay estando ao meu lado.

Graças ao imprevisível e astuto destino, eu acabei esbarrando em Lindsay e encontrando nela a peça que faltava para completar o difícil quebra-cabeça. Dei alguns passos, parando ao lado da cama e colocando sua mão entre as minhas. Com o meu polegar direito acariciei as costas de sua mão. Lindsay deu um resmungo baixo, abrindo os olhos com dificuldade.

- Justin... – Sussurrou, focalizando-me.

- Shh. – Silenciei-a, sentindo as lágrimas escorrerem por minhas bochechas.

- Você vai ficar comigo? – Indagou com a voz rouca.

- Até o último suspiro. – Respondi-a tendo absoluta certeza de que assumira um compromisso ao pronunciar essas quatro palavras.

Curvei minhas costas para dar um beijo na testa de Lind. Saí do quarto, indo chamar Mike e Matt. Os encontrei na recepção e pedi que ficassem com Lindsay até eu voltar.

Lindsay P.O.V

Ao ver tudo branco eu imaginei que estaria no céu depois da queda na piscina. Porém vi o rosto de Justin acima do meu. Minha visão estava embaçada, o que me impedia de focar tudo aquilo que estava ao meu redor.

No entanto, pude ouvir bips. Baixei o olhar para o meu braço direito. Havia uma espécie de borracha fina que levava soro para meu corpo. Pisquei por diversas vezes até aprimorar minha visão. Chamei por Justin, feliz por ele estar ali. Ele me silenciou, mas eu precisava perguntar se ele ficaria comigo. Eu não poderia ter recebido resposta melhor. Suas mãos afagavam a minha. Justin abaixou-se para dar um beijo na minha testa e saiu do quarto. Seus olhos estavam perturbados. Isso me preocupou. Fechei os olhos, descansando.

- Lind? – Mike me chamava.

- Hm? – Gemi.

- Você tá me ouvindo?

Abri os olhos. Mike estava acima de mim com os olhos pregados e loucos.

- O que você tem? Por que Justin está daquele jeito?

- É complicado. – Respondi apenas.

- Eu só quero saber uma coisa: você vai ficar bem, não é?

Virei o rosto para não encará-lo.

- Lind, eu te perguntei se você vai ficar bem.

Não o respondi.

- Lindsay, eu to tentando ficar calmo, mas tá difícil.

Como eu diria a Mike que não ficaria bem? Depois de tudo pelo o que passamos, dizer a ele que eu morreria seria tão... banal e fatal. Mas ainda assim eu tentei falar a ele o que aconteceu, sendo que nenhum som saiu de minha boca. Olhei com mais avidez em seus olhos. A dor fazia moradia ali.

- Você vai... morrer? – A última palavra foi sussurrada.

- Todos nós um dia morreremos. – Tentei esquivar de sua pergunta.

- Eu não quero saber de todos, eu quero saber de você.

- Está óbvio, não está?

Mike balançou a cabeça negativamente, sem crer. Ele estava perturbado, parecia o Mike de alguns meses atrás. Cerrou o punho e socou a parede, me deixando assustada.

- Eu não posso te perder, entendeu? – As lágrimas caíam violentamente. – Não há vida sem você, Lindsay, não há.

Abaixei minha cabeça, pousando meu olhar no lençol que me cobria. Mordi o lábio inferior e apertei os olhos, deixando as lágrimas caírem.

- É claro que há e você vai ter que se acostumar com isso. A vida é feita de escolhas e perdas, Mike. – Disse ainda com os olhos fechados.

- Eu nunca vou me acostumar com isso, você não entende?

- Mas você precisa.

- EU NÃO VOU! – Gritou, alterado.

- Mike, não grita! Isso aqui é um hospital. Podem te expulsar. – Adverti-o.

- FODA-SE!

- PARA! – Gritei também me alterando. – Isso dói tanto em você quanto em mim. E eu não estou triste porque vou morrer. Eu estou triste porque eu não poderei mais implicar com o Justin. Não vou mais ser tratada como uma rainha pelo Matt e... eu não sei por quanto tempo eu ainda poderei ver o sorriso mais lindo do mundo.

Mike instantaneamente parou de andar de um lado para o outro. Seus ombros pareceram encolher e suas costas ficaram curvas. Ele andou até a mim, me sufocando num abraço.

- Eu te amo. – Disse próximo de meu ouvido.

- Eu te amo. – Repeti, fechando os olhos e voltando a chorar. – É possível que você me dê uma dose do sorriso mais lindo do mundo? Só pra noite ter valido a pena, entende?

Demos uma pausa no abraço e Mike sorriu pra mim. Seus olhos estavam vermelhos, o sangue por trás de sua face ferveu, deixando suas bochechas enrubescidas, sua expressão não era de felicidade, mas seu sorriso escondia tudo e fez minha noite ficar iluminada.

Matt não quis entrar no quarto. Ele dissera a Mike que não conseguiria me ver daquele jeito.

Já passara da hora do almoço. Justin guardava a roupa suja na minha mochila que ele fora pegar ontem quando deixou Mike comigo, enquanto eu escovava meus dentes e prendia meus cabelos num rabo de cavalo. Saí do banheiro e guardei tanto a escova de dente quanto a de cabelo no bolso pequeno da frente. Justin me abraçou e beijou minha testa. Fechei meus olhos e sorri enquanto seus lábios ainda estavam presos a minha testa. Nos afastamos, mas Justin passou seu braço por sobre meu ombro e com o braço livre ele carregava a mochila. Saímos do quarto assim, abraçados. Durante a caminhada que fizemos pelos corredores pude ver pais sentados em poltronas com seus filhos enfermos no colo, outros pareciam ter recebido alta, assim como eu. Lembrei-me da noite passada, depois que Mike se foi, um vazio imenso tomou conta de mim. Todos no hospital que eram menores pareciam ter seus pais para passaram a noite ao seu lado, preocupados se os filhos melhorariam, menos eu. Eu não tinha pais para se preocuparem com a minha saúde, muito menos tinha pais que passassem a noite numa poltrona desconfortável de um quarto de hospital, enquanto eu dormia. Justin notou meu descontentamento.

- O que aconteceu? – Perguntou juntando as sobrancelhas, preocupado.

- Senti falta dos meus pais. – Respondi-o olhando janela afora. Já estávamos no Range Rover e o mesmo estava em movimento. Justin pousou sua mão sobre a minha.

- Sei que não sou seus pais, mas você tem a mim.

- Ainda bem.

Chegamos a meu apê, mas Justin parecia meio afastado. Resolvi não perguntar nada. Ele provavelmente não se acostumara com a idéia de viver ao lado de alguém que tem um tempo determinado de vida. Eu não o culpava.

O dia passou rápido. À noite Justin teve de ir, mas tentei não ficar triste. A idéia de que ele voltaria ao amanhecer me reconfortava.

Notas finais
Próximo capítulo: Justin dará um presente a Lindsay, mas qual será o presente? Alguém arrisca um palpite? haha.