Wont You Save Me?
20 Capítulo 20 - Notas
Notas iniciais
O problema é que eu ando tão desanimada com a vida e com a fic. Mas NÃO SE PREOCUPEM, eu JAMAIS abandonaria vocês ou a fic.
Eu só preciso de inspiração para me animar. Enfim.
Queria agradecer MUUUUITO a duas pessoas lindas e fofas, nhac. BBBieber e ellennveras obrigada mesmo, meus anjos, pelas recomendações. Como sempre eu fiquei emocionada e surpresa ao lê-las. Obrigada.
Acho que é só, hihi.
Boa leitura ♥
Passei minhas mãos em meus olhos, enxugando-os e fui para o banheiro. Tomei um banho, o que amenizou a tensão do dia. Enrolei a toalha azul escura em volta de meu corpo e voltei ao quarto. Coloquei meu pijama branco com bolinhas vermelha e a toalha enrolei em minha cabeça, para evitar que os fios molhados de meus cabelos pingassem em meu ombros. Decidi fazer outro vídeo. Esse seria dedicado a Matt. Sentei na cama, cruzando as pernas e iniciando outro vídeo.
- Matthew, se lembra de quando a gente se conheceu? – Gargalhei. – O Mike disse: Esse daqui é o Matthew. Aí eu: Oi, Matthew. E você respondeu: Se quiser ser minha amiga não me chame de Matthew. Eu disse ok e a partir desse dia viramos amigos. Ótimos amigos, não é mesmo? – Mexi as sobrancelhas. – Cara, eu nem sei o que falar. Você sabe que é o meu melhor amigo, aquele que sabe tudo o que passei e o que passo. Só não sabe de algumas coisas, mas por enquanto. Cedo ou tarde você vai descobrir. Humm... sabe o que eu lembrei? De quando a gente ficava escondido. Morrendo de medo que o Mike descobrisse. Era boa essa época de romance proibido. Confesso que eu gostava mais de você do que o necessário, mas nós fomos crescendo e percebemos que esse romance não passou de uma fase, que deveríamos ser mesmo melhores amigos. E do jeito que está, tá ótimo, concorda? Eu sei que você ainda tem uma tara por mim. Ok, eu ainda tenho vontade de ficar com você de novo. Você cresceu e ficou mais delícia ainda. Tendo de admitir, Matt, você é um tesão! Mas eu tenho namorado e apesar de tudo ele é o melhor. Tenho que respeitar Justin, mas nem por isso eu devo mentir que você é o que é. Enfim, obrigada por ter entrado na minha vida e ter causado uma reviravolta nela, sem você eu jamais seria a Lindsay de hoje. Você faz parte de mim, Matt. E eu não quero que quando você veja esse vídeo, chore. Entendeu? Eu sei que você é uma manteiga derretida, mas se esforça por mim, falô? Você é o meu rei e eu sou a sua rainha. Lembra de quando a gente ficava dizendo isso? – Sorri com as lembranças, mas logo o sorriso sumiu. – Eu te amo muito, Matt. Sempre. – Fiz um coração com as mãos e encerrei o vídeo. Suspirei, tentando puxar o ar que ainda me restava e prendi a respiração. Mas foi em vão. Mesmo com os olhos fechados e apertados e sem respirar, as lágrimas desceram, descontroladas. Levantei da cama e tropecei em meus próprios pés. Andei até o banheiro de olhos fechados. Odiava chorar. Tateei a torneira e a abri. Lavei meu rosto, esfregando bem os olhos e fechei a torneira. Dei meia volta. Tateei a parada a minha frente e encontrei o gancho onde ficava estendida a toalha de rosto. Pousei-a em meu rosto, secando-o. Funguei e bufei, abrindo os olhos. Devolvi a toalha ao gancho e voltei para o quarto. Meu celular acabara de vibrar.
Entra no Skype. Preciso te ver. Beijos do seu amor, haha.
Sorri como uma boba ao ler a mensagem. Desencaixei a filmadora do tripé e a coloquei na cama. Fechei o tripé, deixando-o no modo compacto e o deixei ali no chão mesmo. Peguei o notbook em cima da escrivaninha e o levei para a cama. Liguei-o, conectei a internet e abri o Skype. Coloquei os fones de ouvido e ajeitei o microfone à frente de minha boca. Justin já estava falando comigo.
- Oi, amor! – Gritou quase estourando meus tímpanos.
Apertei os olhos enquanto meus ouvidos zuniam.
- Oi, amor. – Minha voz saíra mais desanimada do que o previsto.
- Não agüento mais fazer show. – Reclamou. Tombei minha cabeça para o lado, prestativa.
- São seus fãs, você tem agüentar.
- Não é que eu esteja cansado dos meus fãs. É que seu fedor faz falta. – Fez beiçinho e uma expressão choramingona.
- Entendi, isso foi um “eu estou com saudades”, mas do seu modo. Ok. – Sorri. Meu nariz começou a formigar e as narinas ficaram infladas, fiquei sem ar por cerca de dois segundos e espirrei, levando a mão à frente do nariz, para conter o espirro. Senti um líquido viscoso em minha mão, abaixei-a e mantive meus olhos sobre ela por algum tempo.
- Saúde. – Desejou Justin, brincalhão. Porém continuei a olhar minha mão, calada. – O que aconteceu? – Mudou o tom para algo próximo da seriedade. – Lindsay? – Proferiu, ao ver que eu não o respondia.
- Oi. – Respondi, parecendo acordar de um transe. Levantei os olhos para a webcam.
- Você espirrou sangue de novo? – Indagou aproximando-se da câmera, querendo enxergar o que havia em minha mão.
- Oi? – Indaguei lesa.
- Tá tudo bem? – Juntou as sobrancelhas, formando um vinco em sua testa.
Desviei o olhar. Meus olhos começaram a arder. Tombei a cabeça para trás, olhando para o teto. Aquilo sempre ajudava as lágrimas a voltarem.
- Claro, claro. – Respondi, ainda desviando o olhar da câmera. Tirei a toalha que estava em meus cabelos com a mão esquerda e a pus em meu colo. Disfarçadamente passei a mão direita nela, para limpar o sangue.
- Lindsay, você pode olhar pra mim?! – Esbravejou.
O olhei, arregalando os olhos, devido a sua mudança de humor.
- Calma, relaxa. Tá tudo bem. – Menti.
- Por que você não tava me olhando? E porque tirou a toalha logo depois que espirrou e com a outra mão? Seus olhos estão um pouco vermelho. O que você fez?! – O semblante de Justin assumiu a ira.
- Para de gritar! – Gritei esperneando, fazendo o notbook cair de meu colo. O peguei, colando-o novamente em meu colo. Respirei fundo. – Eu. Não. Fiz. Nada. – Falei pausadamente para que entendesse.
- Então porque seu olho tá vermelho?
- Você acha que eu usei droga? – Rebati.
- Não, não. Claro que não. Eu só queria saber se quando você espirrou saiu sangue. Você ficou tão estranha... – Ponderou.
- Não, não saiu.
- Para de mentir. – Disse, fechando os olhos e respirando fundo.
- Eu não estou mentindo.
- Então porque seu nariz tá com um pouco de sangue? – Ergueu uma sobrancelha, descobrindo minha mentira.
Arregalei os olhos, surpresa. Funguei, tentando disfarçar minha frustração. Passei a mão em meu nariz, esfregando-o para que o pouco de sangue que havia ali saísse.
- Por que você mentiu? – Seu tom não era mais de raiva e sim tristeza.
- Por que... por que eu não queria te preocupar. – Abaixei a cabeça.
- E você acha que mentindo vai resolver alguma coisa?
- Não.
- Você já procurou um médico?
- Não.
- Por que não?
- É uma crise alérgica, oras!
- Não é não! E você sabe muito bem.
- Eu não sei de nada.
- Para de mentir! – Gritou.
- Para de querer me mandar. Você não é meu pai.
- Mas eu me preocupo com você.
- Não precisa perder seu tempo com isso. – Cruzei os braços, fazendo bico.
- Quando eu chegar aí você irá no médico. Seja por bem, seja por mal. Aliás, quando eu chegar não. Amanhã você vai marcar um consulta.
- Não vou não.
- Vai sim.
- Você não manda em mim e está do outro lado do mundo. Perdeu, Justin. – Zombei-o.
- Eu não sei se você percebeu, mas eu não estou brincando. Olha bem pra minha cara. – Olhei para Justin. Ele estava sério.
- Pra que se incomodar tanto?
- Por que eu gosto de você. Você... sei lá, cara. Não sei mais como seria sem você.
- Se eu fosse você começaria a viver sem mim. – Sussurrei.
- O que você falou?
- Eu também gosto de você.
- Não foi isso.
- Então porque perguntou?
- Você vai procurar um médico?
Eu queria poder dizer a Justin que eu já havia procurado o médico há algumas horas e que não teria mais volta.
- Eu já procurei. – Decidi falar a ele alguma parte.
- E então? O que você tem? É crise alérgica mesmo? Tem cura né? Quanto custa o remédio? Me diz que eu pago. Sim, tem cura! Afinal, é uma crise alérgica. – Tirou sua própria conclusão devido ao meu silêncio.
Era lindo ver que ele tinha esperança em mim. Que ele tinha fé de que haveria uma cura. Mas era torturante saber que não havia esperança. De que a cura não existia. Olhei-o pela câmera. Mesmo a qualidade da câmera não sendo uma das melhores, havia excitação em seus olhos. Eles estavam felizes. Não seria eu que tiraria aquilo dele, mas não dava pra disfarçar por muito mais tempo. Paralisei, me perdendo naquela imensidão dourada. As lágrimas caíram de meus olhos brutamente. Balancei a cabeça negativamente. A felicidade de seus olhos se perdeu. Justin estava boquiaberto. Ele percebera que algo não se encaixava. Estendi minha mão, tocando o monitor com ela. Justin estendeu a sua também. Era só minha imaginação criando aquilo, mas eu pude sentir seu toque. O choro aumentou e os soluços vieram.
- Lind...
Abaixei a cabeça, mas com a mão ainda no monitor.
- Lind, o que você tem?
- Desconheço. – Respondi.
- Eu preciso saber! Como você pode me deixar assim. Me fala, por favor. Eu não posso conviver com isso. – Suplicou.
- Eu não posso falar. Não por aqui.
- Eu te ligo.
- Justin. – Chamei-o. – Não é algo que se fale sem ser pessoalmente. Me desculpe, mas não dá.
- Eu vou cancelar os shows.
- NÃO! – Berrei. – Você não vai cancelar nada. Você vai encerrar essa parte da turnê. Eu vou viver até que você volte, não se preocupe.
- Lindsay...
- Não. – O interrompi. – Quando você voltar eu prometo te explicar tudo. Mas não agora. Entenda.
- Eu não vou agüentar...
- É claro que vai. Eu estou agüentando.
- Por que você não tá perdendo parte de si.
Não respondi.
- Eu te amo. – Disse atropelando as palavras.
- Eu te amo. Preciso desligar.
- Não.
- Outro dia a gente continua.
Justin gesticulou com as mãos, porém antes de conseguir falar eu já havia me desconectado.
Fui deitando devagar. A toalha úmida eu empurrei para fora da cama com os pés. Peguei um travesseiro e o abracei com força. As lágrimas saíram novamente, como se soubessem que já poderiam sair. Fechei os olhos, sentindo minhas bochechas molhadas. Mas logo peguei no sono. Talvez a morte não fosse tão ruim quanto parecia.
O dia passou se arrastando. As horas pareciam congelar enquanto eu estava no trabalho. As meninas perguntaram o que dera nos resultados e eu menti, dizendo ser apenas uma virose e que logo passaria. Finalmente meu expediente fora encerrado e pude ir para casa. Estava ansiosa para gravar o próximo vídeo.
Tomei um banho relaxante e fui para o quarto. Arrumei a filmadora no tripé e tirei a toalha que cobria meu corpo. Andei até o closet, vestindo a roupa certa para aquele vídeo. Vesti um short azulado de algodão e uma blusa branca grande e larga, que tinha os seguintes dizeres em preto: Mike é gostoso. Gargalhei sozinha a frente do espelho. Prendi meus cabelos num coque. Alguns fios pretos ficaram presos entre meus dedos. Seria possível eu ficar careca também? Suspirei, revirando os olhos. Joguei-me na cama e me ajeitei à frente da filmadora. Liguei-a.
- Michael, me lembro de quando te conheci como se fosse ontem. Desde a primeira vez que você me viu logo gamou, fazer o que, né? Entrei na sala e lá estava você sentado na última mesa. Você já tinha suas manhas, mas eu era idiota e não me toquei. Você ficou me secando e isso me deixou sem graça. Eu era idiota, mas não tanto, então pra te provocar fui sentar do seu lado. – Sorri ao lembrar da cena, fechando os olhos e balançando a cabeça negativamente. Abri os olhos e voltei ao vídeo. – Foi aí que você gamou de vez. Nós começamos a conversar como se nos conhecêssemos há anos. Você disse que estava ali naquela turma porque tinha repetido a sexta série dois anos. – Gargalhei. – Daí as aulas foram passando e depois nós fomos para o recreio e você me apresentou o Matt. Ai, ai, Mike, sinto tanta falta daquele tempo. Dos seus sorrisos puros. Da nossa falta de conhecimento. Os dias foram passando e nossa amizade só progrediu. Lembra quando você foi lá em casa e minha mãe perguntou na nossa frente porque eu não namorava com você? – Ri, lembrando da situação constrangedora em que ficamos quando mamãe nos perguntou isso. – Aí eu chamei a atenção dela gaguejando e você coçou a cabeça sem graça. Mas depois tudo mudou. Seus pais faleceram, mas deixaram aquele documento dizendo que se acontecesse algo com eles você poderia ser tornar emancipado. Você se tornou emancipado e as coisas começaram a ficar complicadas. Você conheceu as pessoas erradas e se envolveu com as coisas erradas. A partir daí nossa vida se tornou um inferno. O que você sentia por mim virou algo obcecado, doentio. Eu não podia fazer nada que você se achava no direito de me controlar. Vivia me ameaçando... Eu penso que se não fosse por isso, hoje nós poderíamos ser namorados. Você estaria feliz e tenho certeza de que eu também estaria. Mas o destino não quis assim. – Comprimi os lábios para o lado em forma de lamento. – E essa blusa? – Apontei a blusa com ambos os dedos indicadores. – Você lembra dela? Hahaha. Você me deu ela no meu aniversário de dezesseis anos. Foi esse ano. Durante esse tempo você estava um pouco sóbrio. Sabia que eu até pensei em te dar uma chance, mas só pensei, pois é. E eu vou confessar uma coisa que talvez mude algo, ou não. Já estarei morta quando você vê esse vídeo então a única coisa que vai mudar é a raiva que você vai sentir de mim. Ou não. Enfim, Mike, eu sempre tive vontade de ficar com você. Não sinta raiva de mim. – Supliquei fazendo uma careta de hesitação. – Sim, desde a primeira vez que eu te vi senti vontade de ficar contigo. Mas não é sempre que eu sou atirada. E depois que você disse que gostava de mim eu decidi mesmo tendo vontade, não ficar com você. Não quero alimentar algo que não existia. Não queria te fazer sofrer. Eu sabia que pra mim seria só mais um beijo, mas pra você talvez não fosse e... e me desculpe, mas mesmo sendo errado porque você pode acabar se machucando antes que aconteça algo fatal comigo eu ainda vou te dar um beijo, pois é, mesmo namorando. Eu não posso ir em paz sem fazer isso. Acho que já deu, não é mesmo? Você também é outra manteiga derretida então eu pedirei, não chore com esse vídeo patético. Eu quero que você sorria. Sorria mesmo, sabe? Eu ainda não encontrei um sorriso mais lindo que o seu, verdade. E um sorriso tão lindo como o seu não pode ser ofuscado por lágrimas. Eu amo você, Mike. Amo muito, muito, muito. E mesmo que eu esteja longe te quero sorrindo. Eu nunca vou me cansar de te ver sorrir. Seus sorrisos iluminaram mais a minha vida. Hoje à tarde eu ouvi nossa música. Se lembra qual é a nossa música? Mesmo que se lembre é sempre bom reforçar. Your Song será sempre nossa trilha sonora. – Sorri e esfreguei meu olho direito, enxugando uma lágrima. Inclinei-me para frente encerrando o vídeo.
Fale com o autor