Wont You Save Me?
19 Capítulo 19 - Efeitos
Notas iniciais
Tentarei postar o próximo capítulo em menos de uma semana. Pois na primeira semana de outubro não estarei aqui, já que acamparei para o show do Bieber, haha. Alguém daqui vai? E em qual cidade? Eu vou no do Rio :)
De qualquer maneira, me desculpem por isso. Eu não abandonei a fic, nem vocês, e jamais farei isso. Mas é que eu não tinha condições de vir aqui, mesmo. Enfim.
Leitoras novas sejam bem vindas, amores!
Boa leitura, amo vocês ♥
Justin tirou a blusa, ficando de bermuda. Tirou o tênis e deitou. Puxei o edredom e nos cobri. Me pus junto dele, abraçando-o. Justin me apertou bem forte contra seu corpo. Mas não doía. Era bom. Fechei os olhos, sorrindo. Senti sua mão acariciar meu rosto. Sorri mais ainda. Seus lábios juntaram-se aos meus. Justin se mexia. Seu corpo ficou em cima do meu. Abri os olhos. Nos beijamos com mais intensidade. Envolvi meus braços em torno de seu pescoço. Suas mãos desceram pela lateral de meu corpo, abaixando meu short. As mesmas subiram, tirando minha blusa. Justin sentou, me levando junto com ele. Abaixei a cabeça, sentindo as bochechas arderem. Justin me deitou, colocando-se entre minhas pernas. Seus lábios beijavam e mordiscavam meu pescoço, fazendo-me estremecer a todo segundo. Mordi sua orelha de leve, deixando-o arrepiado. Por um minuto ele me deixou, sentando na beira da cama e tirando a bermuda. Sua cueca Box era vermelha. Sorri com meus pensamentos. Sentei e o esperei chegar perto para nos atracarmos. Eu podia sentir que ele queria. E eu também. Não havia escapatória. Aos poucos fomos deitando. Dessa vez Justin ficou por baixo. Ele tirou sua Box e depois a última peça que restara em mim. Sentei, colocando seu corpo entre minhas pernas. Justin encaixou seu membro em mim com cuidado.
- Se doer aperta minha mão. – Sussurrou. Assenti.
Cuidadosamente ele ia me penetrando e cada vez mais eu apertava suas mãos que estavam entrelaçadas as minhas. Foi um logo caminho até ocorrer à penetração completa, mas conseguimos, e então iniciamos nosso amor. Justin mordia meus ombros, meus seios, meu pescoço, mas tudo com carinho. Enquanto eu puxava-o pelo cabelo e mordiscava suas orelhas. Suas estocadas aumentaram, mas logo diminuíram, pois havíamos chegado ao ápice, juntos. Nos separamos e deitamos, fitando o teto. Ambos tínhamos a respiração irregular.
A mão de Justin entrelaçou-se a minha. Virei meu rosto de modo que ficou frente a frente com o seu. Nos abraçamos e Justin afagou meus cabelos, fazendo-me cair no sono.
- Lind, Lind, Lind... – Ouvi Justin me chamar.
Relutante, abri meus olhos. Ele sorriu.
- Preciso ir. – Disse, desfazendo o sorriso. Aparentemente triste.
Assenti e levantei, vestindo meu pijama. Justin já se vestira. Caminhamos até a porta em silêncio. Abri a porta. Pulei no colo de Justin, cruzando minhas pernas em suas costas e quase o sufocando com meu abraço apertado. Pego de surpresa ele deu alguns passos para trás, perdendo o equilíbrio. Mas logo recuperou os sentidos.
- Também vou sentir sua falta. – Disse com a voz rouca, cheirando meus cabelos.
- Não é isso. – Confessei.
- Então o que é?
- Eu não sei explicar. Só não queria me separar de você.
- Você sentiu alguma coisa? – Seu tom era de preocupação.
- Parece que... sei lá. Parece que eu vou te perder.
- Só se for pra morte. – Brincou.
- Não diga isso nem em pensamento. – Repreendi-o.
- Ok, amor. Desculpa. – Justin encheu minhas bochechas de beijos. – Você não vai comigo ao aeroporto, não é?
- Não. Não suporto despedidas. – Respondi.
Desci de seu colo e pressionei meus lábios contra os dele. Aquele beijo tinha mais gosto de despedida do que o necessário. Interrompi o beijo e pousei minhas mãos em seu rosto.
- Evite beijar a Selena. – Ergui uma sobrancelha.
- Como quiser. – Riu. Nos abraçamos novamente. – Volto o mais rápido que conseguir. Sabe como é, né? Não se pode viver sem ar.
- Não se pode viver sem um coração pulsando. – Completei. Ele sorriu com ternura. Justin apertou-me contra seu corpo, inalando com força o perfume de meus cabelos.
- Só queria manter isso em minha mente e no meu nariz. – Riu. Afastei-me dele, sorrindo. Demos um selinho e Justin partiu, deixando o vazio predominar.
Não era algo que eu chegara a sentir um dia. Desde então fazia exatamente dez dias que Justin estava em turnê. E há nove dias algo mudava extremamente a cada dia, e não mudara para bom. Ao que parecia a ausência de Justin me afetava mais do que eu pensava. Eu não sentia ânimo para levantar da cama. Ia trabalhar me arrastando. Só ia ao hospital visitar Mike porque era o Mike, caso contrário me enfurnaria em casa. Nada me animava e esse estado depressivo estava me prejudicando. Não sentia vontade de comer e eu estava perdendo peso precocemente. Tudo parecia ir de mal a pior. Tive febre alta durante três dias seguidos, porém a febre só surgia durante a tarde e ao anoitecer sumia. Tentei fingir estar bem, mas meu estado crítico me acusava. Matt quis que eu procurasse um médico, mesmo ali na emergência, mas me esquivei. Mas até para uma pessoa como eu que não liga muito para viroses e afins, isso já estava ficando estranho. Decidi ir a uma clínica particular e marcar uma consulta. Na verdade eu menti. Disse à secretária que seria um exame de rotina. Já era tarde da noite. Dei uma última tragada no cigarro que já estava chegando ao fim e o apaguei no cinzeiro. Descruzei minhas pernas e levantei, indo para meu quarto. Desforrei a cama e deitei, me cobrindo. Suspirei e fechei os olhos. Amanhã o dia seria longo.
Acordei com a claridade que batia em minhas pálpebras, impedindo-me de dormir mais um pouco. Abri os olhos, sem vontade. Bufei e levantei. Cocei meu bumbum e depois parei para me espreguiçar, bocejando. Prossegui andando para o banheiro. Tomei um banho rápido e vesti uma roupa qualquer. Nem ânimo para me arrumar e aumentar minha auto-estima eu tinha mais. Sem fome, peguei minha bolsa que deixara em cima do sofá e saí, trancando o apê e indo para a clínica me consultar.
- Mas veja só. O que temos aqui? Uma jovem que parece... não muito bem. – Disse o médico quando entrei em sua sala. – Sente-se, por favor. – Pediu, me avaliando com os olhos. – Bom dia. – Sorriu.
- Bom dia. – Respondi automaticamente.
- Então, o que você tem?
- Não sei. – Respondi com sinceridade.
- Quais são os sintomas que você sente?
- Ah, sei lá... – Dei de ombros. O médico me olhou, inquisitivo. – Que dizer, hã, eu me sinto muito cansada, sabe? – Enquanto eu falava o médico fazia anotações em minha ficha. –Não sinto vontade de fazer nada. To perdendo o apetite. Tive febre durante três dias, mas só à tarde.
- Hum... É só isso? – Indagou desconfiado.
- Acho que sim. – Respondi balando a cabeça positivamente.
- Você já soou desde que esses sintomas começaram?
- Sim.
- Mas por volta de qual horário? Manhã, tarde, noite...
- À noite.
- E por acaso houve alguma situação em que você sangrou, fazendo o que fosse?
Desviei o olhar, desconfortável.
- Eu preciso que você diga a verdade. Só assim poderemos te ajudar e descobriremos o que você tem.
- Sim. Mas pouquíssimas vezes. Algumas vezes aconteceu enquanto eu tossia, outras enquanto eu espirrava.
- Há quanto tempo você vem sentindo isso?
- Quase um mês, eu acho.
- Nunca tinha sentido isso antes? Nem ao menos uma dessas coisas?
- Não.
- Ok. Perguntas respondidas. Vamos fazer os exames agora?
Assenti. Saímos da sala do médico e ele me levou para fazer um tour pela clínica. Na verdade, um tour de exames.
Por fim, todos os exames foram feitos e o médico me liberou.
Saí da clínica indo para o hospital. Hoje Mike receberia alta e nós iríamos para sua casa, fazer uma festa íntima.
Cheguei ao hospital. Mike já estava arrumado. Como sempre trajava calça e blusa preta. O All Star branco entrava em contraste com toda aquela “escuridão”. Ao me ver, sorriu de uma orelha a outra. Como se quisesse dizer que os dentes continuavam intactos e impecáveis de brancos, mesmo depois de toda a tragédia. Retribuí o sorriso. Mas algo saiu errado, Mike logo voltou a adotar a expressão de seriedade de sempre.
- O que aconteceu com você? – Indagou inquisitivo, juntando as sobrancelhas.
- Nada, ué. – Respondi sem entender o porquê da pergunta.
- Você tá magra, pálida e parece doente.
- Mike eu tenho vindo aqui todos os dias desde que você se internou. Por mais que você dormisse mais do que ficava acordado, você me via. Não tem como eu ter mudado da noite pro dia. – Disse tentando omitir a realidade. Mike já tinha coisas demais para se preocupar. O que ele menos precisava era de uma enferma em sua vida, quando ele já era um enfermo.
- Eu tenho visto você todos esses dias e percebi que a cada dia que passa seu estado só piora.
- Mike, não torra, falô? Preocupe-se com si mesmo. Eu sei me cuidar.
- É o Bieber?
- Ele está em turnê.
- Hum.
- Quanto amor, nossa. – Disse Matt, aparecendo. Ele saía do banheiro. Ao que parecia acabara de tomar banho. Seus cabelos loiros estavam escuros e molhados.
- Pois é. Em vez dela querer me abraçar por eu estar fora da cama ficar brigando comigo. – Resmungou Mike.
- Mas é claro, você fica se preocupando à toa.
- Não é à toa, é você.
- Não interessa, eu não preciso...
- Crianças! Chega. – Proferiu Matt me interrompendo. – Vamos para casa? Lá nós lanchamos e conversamos, como pessoas civilizadas que somos. Afinal, todos aqui já somos bem gradinhos. Concordam? – Sorriu.
Assentimos e paramos com aquela discussão sem fundamento. Arrumamos os pertences de Mike numa mochila e finalmente fomos embora do hospital. Já não agüentava mais aquele lugar cujo cheiro era de morte.
- Tem o que pra comer? – Perguntei quando passávamos pela porta da sala de estar da casa de Mike. De repente meu apetite pareceu aflorar.
- Tudo o que você gosta. – Respondeu Matt.
- Olha só prejuízo. Não quero ficar gorda. – Ironizei.
- Nem comendo muito você conseguiria ficar gorda, Lindsay. Principalmente depois desse emagrecimento maluco que você teve.
Revirei os olhos e me contentei em ficar calada. Rebater Mike iniciaria novamente a discussão infantil que tivemos no hospital.
- E então, o que vocês planejaram? – Indagou Mike jogando-se no sofá de couro preto.
- Vai com calma. – Repreendi-o. – Você ainda não está cem por cento.
- Ai, ai. – Disse Mike abrindo os braços, relaxado. – Se eu soubesse que minha babá seria tão boa assim, me machucaria com mais freqüência. – Sorriu, dando uma piscadela.
- Toma vergonha nessa cara. – Falei, dando um leve tapa em seu rosto. Mike riu, gostando da situação.
- Vamos preparar a lavagem, né? – Disse Matt.
- A única pessoa que come lavagem aqui é você. – Respondi séria.
- Acalma-se, gracinha. – Matt disse apertando minhas bochechas.
- Estou calma, lindinho.
- Tá. Vou preparar o lanche. Comportem-se. – Disse fazendo uma expressão de malícia e foi para a cozinha, nos deixando a sós.
Sentei no sofá ao lado de Mike e ele passou seu braço por sobre meu ombro e ligou a TV. Justo na hora em que Mike liga a TV está passando uma matéria sobre Justin e Selena. Argh. Inferno.
- Lindsay, como você se sente vendo o seu namorado andando de mãos dadas e abraçado com outra garota?
- Não sei. Me sinto mal, mas não é algo que eu possa impedir.
- Ele não parece se incomodar em andar assim com ela. – Observou.
- Ele não pode parecer incomodado, Michael. – Respondi com os dentes trincados e chamei Mike pelo seu verdadeiro nome. – Tem que ser super realista. Entendeu? E será que podemos encerrar esse assunto?
- Claro. – Mike me puxou para mais perto de si. Passei meus braços em volta de sua cintura e ficamos abraçados. A posição em que estávamos era desconfortável. – Lind, se você namorasse comigo não teria esses problemas.
- Mike, se eu namorasse com você... eu não seria a Lind. – Levantei a cabeça para olhá-lo. Ele abaixou a sua para me olhar também.
-É tem razão. Não seria a minha Lind. – Gargalhamos.
Mike trocou de canal e, pois num canal de filmes. Matt logo chegou com duas bacias de pipoca. Pediu auxílio a nós para trazermos o que faltava. Pegamos uma pizza de camarão com catupiry, uma tigela com brigadeiro de panela, copos, pratos e talheres e duas Coca Cola de 2 litros.
Passamos o resto da tarde vendo filme, comendo, conversando e gargalhando. Aquilo era o único remédio capaz de me curar realmente.
Já era noite. Despedi-me deles e fui para casa. Amanhã eu teria de trabalhar e depois ir a clínica pegar os exames. Algo dizia que os resultados dos exames não seriam bons.
Olhei o relógio da loja. Já ia dar 16:00. Fui para os fundos da loja, tirando o lenço de minha cabeça e o avental. Tirei minha mochila de dentro do armário e coloquei o avental e o lenço ali. Passei as mãos em meus cabelos rapidamente, só para ajeitá-los. Voltei à loja com a mochila num ombro só e despedi-me das meninas. A clínica não ficava muito longe dali, mesmo estando muito ansiosa para saber os resultados, fui caminhando. Precisava pegar um pouco de sol, minha pele estava quase transparente. Cerca de trinta minutos depois e eu já estava dentro da clínica. A diferença de temperatura era imensa. Enquanto lá fora eu suava devido ao calor, aqui dentro eu tremia de frio. Ou talvez fosse só mais um sintoma estranho. Não poderia fazer tanto frio dentro da clínica. O médico apareceu e fez sinal para que eu o seguisse. O segui. Entramos em sua sala e sentei-me na cadeira para pacientes.
- Boa tarde, Lindsay. – Disse formalmente, sentando do outro lado da mesa.
- Boa tarde. – Respondi.
- Aqui estão os exames. – Ele me entregou um envelope.
Abri o envelope. Eram quatro folhas, todas grampeadas juntas. Levantei meu olhar para o doutor Jackson.
- O senhor não vai explicar o que eu tenho?
- Antes eu quero que você tira suas próprias conclusões sobre o que você tem.
Baixei o olhar para os papéis em minhas mãos. Varri meus olhos por tudo o que estava escrito. Virei para a segunda página. Nada demais. Suspirei. Passei para a terceira página. Nada demais também. Cheguei a quarta e quando iria agradecer a Deus por aquilo ser só mais uma virose, parei. Não agradeci. Fixei meus olhos na última linha da página. A linha que descrevia o que eu realmente tinha. Arregalei os olhos, incrédula. Minhas mãos vacilaram, deixando os papéis deslizarem por elas, caindo no chão. Tudo parecia acontecer em câmera lenta.
- É irreversível. – Murmurou Dr. Jackson por fim.
Entrei em meu quarto e fui direto para o closet. Liguei a luminária e abri a segunda gaveta de cima pra baixo, que ficava ao meu lado esquerdo. Ali havia uma filmadora que há tempos não era usada. Tirei-a dali e caminhei até o quarto. Peguei uma flanela que estava sob a escrivaninha e passei-a por toda a filmadora, limpando-a. Deixei a filmadora na escrivaninha e saí de meu quarto, virando a esquerda e abrindo a porta, adentrando no escritório. Poucas eram as vezes que eu ia ali. Desde que meus pais morreram não vejo motivos para ficar andando e mexendo no que foi deles. Preferia deixar as lembranças intactas. E era isso que eu faria, deixar lembranças, ou lembretes. Agachei-me, abrindo uma das pequenas portas da grande estante branca que havia ali. Tirei dali o tripé da filmadora e fechei a porta. Saí do escritório, trancando-o novamente e voltando a meu quarto. Peguei a flanela, sentei na beira da cama e passei-a no tripé também. Armei-o, posicionando-o à frente da cama, levantei e deixei a flanela sob a escrivaninha, pegando a filmadora. Encaixei-a no tripé. Fui até a sala, peguei minha mochila e voltei ao quarto. Tirei da bolsa a bateria que eu comprara no caminho de volta pra casa. Coloquei-a na filmadora e finalmente liguei a bendita. Fiz alguns ajustes antes de iniciar o vídeo. Ajustes feitos. Chegara a hora do vídeo. O primeiro seria dedicado a Justin. Dei play e me ajeitei na cama. Nunca fui boa em fazer vídeos, tão pouco sou boa com as palavras.
- Oi, amor. – Gargalhei. – Amor ou vida? Acho que amor, porque minha vida ao que parece já tá com os dias contados. Enfim, não estou aqui pra lamentar. Estou aqui pra comemorar. Comemorar por aquele dia. Aquele dia em que te conheci, lembra? – Ri. – Como você tinha nojo de mim, era estúpido e muito mais. Nós nunca falamos como eu fui parar ali, não é mesmo? Resolvi te contar. Naquele dia eu fui na casa do Mike e ele não estava num dia bom. Parte da carga de drogas que ele incomodou foi roubada ou perdida, até hoje eu não sei, e foi por isso que eu fui até lá. Aquela semana estava sendo uma das piores comparando com as semanas em que sofri quando meus pais morreram. Eu estava me sentindo um lixo, não tinha dinheiro nem pra comer direito, estava fumando descontroladamente e me sentia desesperada. Mesmo sabendo que aquilo era errado, que eu não deveria tocar em mais nenhuma droga, eu quis me drogar, confesso. Tava fraca demais e talvez aquilo me reanimasse ou me colocasse ainda mais pra baixo. Eu fui até lá, “seduzi” – desenhei as aspas no ar com os dedos – Mike e quando vi que ele tinha caído no meu papo roubei alguns cigarros de maconha e uns pacotes de cocaína, aí eu fugi. Mas quando saí da casa dele, enquanto andava aos poucos as cenas de quando meus pais morreram foram invadindo minha mente e então eu lembrei que eu perdi meus pais por causa das drogas. Se não fosse por elas eu não teria ficado na casa de Mike. Se não fosse por elas Mike não me forçaria a continuar lá. Se não fosse as drogas Mike seria mais maravilhoso do que já é... – meus olhos ficaram lacrimejados ao lembrar aquele dia – Se não fosse pelas drogas eu teria meus pais aqui... e então eu joguei tudo o que roubei fora. Eu não precisava daquilo. Isso só me destruiria mais e mais. Aí comecei a correr e quando estava perto da praça peguei o cigarro que ainda tinha e o acendi, meio que pra suprir a vontade das drogas, entende? Daí eu cheguei à praça e fiquei andando distraída por ali, fumando e pensando na vida. Então eu vi um garoto sentando na grama, debaixo daquela árvore, mexendo no celular e decidi parar. Minha intenção era perguntar a você se você tinha algum cigarro, mas você todo arrogante não quis me ouvir. Foi então que tudo começou. E mesmo que eu tenha corrido risco de vida naquele dia, eu voltaria e viveria tuuudo de novo. – Sorri. – Por que valeu a pena e você é a única pessoa que me faz sentir viva nesse exato momento. Obrigada por me mostrar que sempre há uma chance quando tudo parece perdido. Eu só queria esclarecer isso – ri – e te agradecer por ser parte de mim. – Dei o meu melhor sorriso, mesmo com os olhos transbordando em lágrimas e me inclinei para frente, parando o vídeo.
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