Wont You Save Me?
28 Capítulo 26 - Lembranças
Notas iniciais
Bom, o capítulo é curto e é o penúltimo. Mas não tirem conclusões precipitadas só pelo o que haverá nesse capítulo. Não estou dando esperanças a ninguém, mas talvez vocês se impressionem com o final e gostem, ou não. Mas enfim, espero que gostem, haha.
Às leitoras novas, sejam muito bem-vinda meus amores.
Mas e então, será que a fic merece recomendação ou só no final? haha.
Boa leitura ♥
– Seu cabelo cresce rápido. – Observou Justin enquanto tomávamos o café da manhã numa quarta-feira de temperatura média.
– Isso significa que você já pode deixar o seu crescer. – Comentei tomando um gole do café com leite.
– Eu andei pensando nisso.
– Poderia pôr isso em prática.
– Você que manda, chefe. – Ficou rígido na cadeira e fez continência. Rimos de sua palhaçada. Justin levantou-se da cadeira e deu somente três passos longos chegando ao reck e ligando o rádio. O locutor falava alguma piada com os outros funcionários, mas eu não a entendi, já que a escutei quase no fim. A piada acabou, eles riram e a parte instrumental de Right To Be Wrong iniciou-se.
– Eu amo essa música. – Disse Justin, estendendo sua mão para mim, chamando-me para dançar. Estreitei os olhos, hesitante, mas estendi minha mão, concedendo-lhe aquela dança.
Justin segurou a ponta de meus dedos e rodopiou-me. Envolveu minha cintura, colando nossos corpos e passei meus braços por seu pescoço, deixando que ele me guiasse. Na metade na música, depois de muito encarar Justin, caí na gargalhada, sem motivos. E Justin gargalhou junto comigo. O riso nos contagiou. Joguei a cabeça para trás, ainda rindo. Justin aproveitou para dar um beijo em meu pescoço, fazendo-me contorcer e descolar nossos corpos. Mas a música ainda continuava, portanto, a dança também continuou. Passos para lá, passos para cá. Mais um rodopio e a música chegou ao fim. Abracei Justin pela cintura e apoiei minha cabeça em seu ombro. Ele colocou sua cabeça sobre a minha, beijando-a e acariciou meus cabelos.
– Queria que isso durasse até ficarmos banguelas e meio dementes. – Choramingou.
– Dementes nós já somos. E isso vai durar o tempo que tem que durar. – Funguei.
– Eu amo você.
– Eu amo você. – Repeti.
Justin puxou-me até o sofá e sentou-se, fazendo sentar em seu colo e passar meu braço direito por sobre seu ombro. Tombei minha cabeça para a esquerda e o encarei, sorrindo.
– Lind, eu queria reviver os momentos que passamos juntos até agora. Os momentos bons, claro. Inclua nisso os momentos em que nos provocávamos e xingávamos uns aos outros também, ok?
– Ok. Mas como faremos isso?
– Indo aos lugares que nós fomos, ué. – Esclareceu minha dúvida.
– E quando começaremos?
– Daqui a pouco.
– Por onde?
– Pelo o parque. Lembra, aquele parque que nós fomos antes do jantar que você conheceu minha mãe.
– É claro que eu lembro. – Apertei seu nariz, rindo.
– Eu vou em casa. – Avisou. – Toma banho e se arruma que eu passo daqui a pouco pra te pegar. – Deu um beijo em minha testa e levantou-me de seu colo para poder ficar de pé. Acenei enquanto Justin se afastava. Quando não mais ouvi o barulho do carro joguei-me no sofá e fechei os olhos.
Abri os olhos. A luz do sol não batia mais na janela a minha frente. A luz da janela de trás parecia ficar mais forte. Isso significava que já passara de meio-dia e eu acabei dormindo. Só então fiquei assustada o suficiente pra levantar do sofá num pulo e corri para o banheiro.
Já no final do banho ouço alguém me gritando. Justin.
– Oiiii! – Gritei de volta.
– Já tá pronta? – Isso era tudo o que eu não queria ouvir.
– To quase. – Menti.
– To subindo. – Avisou. Outra coisa que eu não queria ouvir. Xinguei.
Fechei o registro e puxei a porta de vidro do Box que deslizava para o lado. Peguei minha toalha no gancho.
– Você ainda tá assim? – Gritou horrorizado.
– É... Houve alguns imprevistos. – Mordi o lábio inferior e deslizei o olhar para a parede ao lado direito. De repente ela me parecia muito interessante.
– Imprevistos? – Repetiu desconfiado.
– É. – Não ousei olhá-lo.
– Do tipo?
– Sono. – Fiz um bico e rapidamente abaixei minha cabeça para segurar o riso. Meus lábios alargaram-se, mas eu controlei o riso.
– Ah, eu não acredito que você dormiu!
– Nem eu. Só percebi quando acordei. – Isso soou muito idiota, mas tudo bem.
– Tá, tá. Vai se arrumar logo.
Assenti e enxuguei-me. Justin estava parado no batente da porta, o que me impedia de passar.
– Eu vou me arrumar se você me der licença. – Constatei.
– Ah, claro. – Disse saindo de sua distração e dando-me licença.
Revirei os olhos e ri. Escolhi um vestido azul com detalhes branco e vermelho e o vesti. Passei o pente rapidamente por meus cabelos e como toda vez que os penteava senti falta de quando ficava mais de minutos passando a escova para desembaraçá-los. E embora eu sentisse isso era grata por ainda ter o que pentear. Peguei minha bolsa tira-colo e a dei para Justin segurar. Curvei-me para calçar os sapatos que combinavam com a bolsa. Voltei ao banheiro para escovar os dentes e devolvi a toalha ao gancho. Puxei Justin pela mão que estava livre e descemos a escada. Enquanto fechava uma janela Justin fechava a outra. Tranquei a porta da entrada e entramos no carro rumo ao parque.
Dessa vez não ficamos sentados no banco e evitando muito contato para evitar fofocas caso algum paparazzo aparecesse.
Andamos pelo parque, abraçados e rindo das besteiras que um ou outro dizia. E como da outra vez compramos uma casquinha de baunilha pra mim e uma de chocolate para Justin.
Já se passava das seis quando Justin disse que ainda tínhamos outro lugar para ir. Perguntei qual era, mas ele disse que só saberia quando chegássemos ao local. Concordei relutante e partimos rumo ao desconhecido – pra mim.
– Já chegamos, curiosa. – Anunciou sorrindo. O olhei de má vontade e depois olhei para o lugar misterioso. Meu queixo caiu. Estávamos no Angolo d'Italia, o restaurante em que Justin me levara quando ainda nos estranhávamos. Voltei a olhá-lo, dessa vez sem má vontade, e o abracei.
– Qual a próxima parada? – Indaguei ao pé de seu ouvido, ainda abraçada com ele.
– A eternidade, eu espero. – Respondeu-me carinhoso.
Já dentro do restaurante, fui informada que a sacada toda fora reservada para nós. Sorri ao vê-la novamente.
– Sem insultos dessa vez, não é? – Disse Justin ao sentarmos no grande sofá preto que contornava a sacada. Nada mudara. Tudo continuava da maneira como eu me lembrava.
– Claro.
Não fizemos como da outra vez, que fomos embora sem ao menos ter comido. Ficamos e comemos. Comemos tanto que não agüentamos andar até o carro sem parar para descansar, embora o carro estivesse no estacionamento do restaurante e o estacionamento ficasse a metros de nós.
Justin não dormiria comigo esta noite. Ele teria shows na próxima semana e tinha de resolver os últimos detalhes.
Despedi-me dele, com certo aperto no peito e tristonha. Esperei até que seu carro sumisse de vista para entrar em casa. Fechei a porta e deixei a luz da sala acesa. Subi para o quarto. Fiquei descalça, joguei a bolsa num canto qualquer e tirei o vestido. Vesti um blusão branco que tinha estampado um Mickey sorridente. Abri a janela que ficava de frente para a cama e deitei. Cruzei um braço sob minha cabeça e fiquei a fitar o teto. Algo estava me deixando desconfortável e eu não sabia o que exatamente era. Hoje especialmente eu queria que Justin dormisse comigo. Apesar do dia e parte da noite ter sido completamente feliz, minha noite não estava tendo um desfecho legal. O aperto no peito era realmente desconfortável e eu me sentia triste, embora não existissem motivos para isso. Acabei dormindo.
Durante a madrugada senti algo me incomodando enquanto dormia. Acordei, sentando-me. Minha respiração estava desregular e meu corpo completamente suado. Passei as mãos por meus cabelos e os mesmos estavam úmidos. Alguns fios estavam grudados na testa. E quando afastei os fios de minha testa a senti pelando. Parei por um momento e pensei no que estava acontecendo. A ideia que me ocorreu deixou-me nervosa. Engoli a seco e isso me deu vontade de tossir. Levei minha mão à boca e tossi. Apesar da luz desligada, a luz da lua iluminava fracamente o quarto e pude distinguir pingos de sangue em minha mão. Tudo pareceu acontecer de uma só vez. Espirrei e senti algo viscoso escorrer pelas minhas narinas e não era catarro. Uma forte dor abdominal atingiu-me, fazendo-me deitar e rolar na cama de agonia. Como se não bastasse a dor abdominal, minha cabeça começou a latejar.
Gritei em socorro, mas não havia ninguém ali. A dor aumentou e abracei minha barriga como forma de controlá-la, mas nada mudou. Minha respiração estava enfraquecendo e minha visão estava turva. Urrei de dor e antes que o pior acontecesse saí da cama, arrastando-me pelo chão à procura de meu celular. Eu não tinha forças para ficar de pé. A bolsa estava próxima do banheiro. Abri-a e peguei o celular. Digitei o número de Justin. No quinto toque ele atendeu com a voz completamente tomada pelo sono.
– Oi, Lind. – Disse rouco.
– Justin – disse entre um soluço – eu, eu não to bem.
– O que você tem? – De repente ele pareceu acordado.
– Minha barriga. – Reclamei. – Justin, tá doendo muito. – Sussurrei. A dor estava tornando-se tão forte que sua força parecia crescer da minha fraqueza. Quanto mais minha voz ia sumindo, maior a dor ficava. – Eu. Espirrei. Sangue. – Disse pausadamente, pois a cada pausa eu tentava respirar. – Justin. Eu. Não. Eu. Não. – Gaguejei e sem mais nenhuma força senti o celular deslizar por minha mão. Logo após apaguei.
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