Wont You Save Me?

29 Capítulo 27 - Leve-me com você


Notas iniciais
Vamos começar pela pessoa responsável por me dar inspiração e coragem suficiente para escrever? Sim, vamos começar por ela. Ela se chama Gabriela Mota e eu a conheci em março de 2010. A primeira fanfic que eu li na minha vida é dela e é uma fanfic do Justin. A fanfic chama-se Everybody Says That We Look Cute Together e é postada aqui no Nyah, o user da Gabi aqui no Nyah é Lovesick, caso queiram ler a fanfic. Enfim. Gabi, o que eu sinto por você tá longe de ser expressado como gratidão, carinho e/ou amor, sério. Se não fosse por você eu talvez não escrevesse, ou seja, parte da minha vida não teria sentido, pois foi graças as histórias lidas e escritas que eu pude conhecer pessoa tão maravilhosas quanto você e minhas leitoras. Sua recomendação foi a mais inesperada. Por que tipo, minha escritora recomendando uma fic minha? Eu fiquei tipo '-'. Muito obrigada mesmo, por tudo que você fez e faz por mim mesmo sem saber.
Agora vamos a outros assuntos relacionados a WYSM. Comecei a responder aos reviews do último capítulo postado e talvez não terminei de respondê-los ainda hoje, mas fiquem despreocupadas que eu vou responder a todos, mesmo que minha resposta perca a graça, já que esse é o capítulo final e com ele todas as perguntas serão respondidas.
As leitoras novas. Jura que eu ainda tenho leitoras novas depois de tantas idas e vindas? Sejam muito bem-vindas, hein?
Bom, esse é o capítulo final. Mas terá um "capítulo adicional" após o final. Não é um capítulo, são observações sobre a fic que talvez respondam a algumas dúvidas que vocês tiveram durante a fic, e também a tracklist da fic. As músicas que, com certeza, me ajudaram muito a concluí-la. E caso nessas observações as dúvidas de vocês não tenham sido esclarecidas, por favor, deixem reviews com as dúvidas que farei questão de esclarecê-las.
Se não for pedir muito, deixem review nesse capítulo e no capítulo das obs dizendo o que acham sobre cada um no seu respectivo assunto.
E fica a critério de vocês se a fic ao chegar em seu fim merece recomendações ou não.
E, ah, antes que eu me esqueça, recomendo a vocês ouvirem esta música (http://www.youtube.com/watch?v=7YqYA_rbh1Q&feature=player_embedded) enquanto leem esse capítulo.
Boa leitura ♥

Narrador Onisciente


Lindsay ainda estava desacordada, mas já estava melhor. A cor aos poucos voltava a seu rosto e sua respiração estava tranqüila. Justin estava de pé ao lado dela com os olhos inchados e vermelhos e entre suas mãos ele segurava a mão de Lind. Ele só sairia do lado dela quando ela acordasse. Mas houve um imprevisto.

– Justin, você já deve estar imaginando, portanto minhas notícias não são nada boas. – Disse-lhe Dr. Jackson ao entrarem no escritório do mesmo. Justin não disse nada, apenas o olhou e esperou que prosseguisse. – Infelizmente houve uma rara complicação na LLC da Lindsay que nós chamamos de Síndrome de Richter. A dor que ela sentiu na barriga foi devido ao aumento agressivo das células B que atingiram o fígado dela. E o sangue que ela produziu ao espirrar também é devido a isso. E embora você mesmo tenha dito que durante o dia ela esteve bem, sem nenhuma complicação, isso é normal. Esta síndrome aparece repentinamente. Talvez se ela tivesse feito a quimioterapia as coisas não chegassem a esse ponto. – Lamentou-se.

– Quanto tempo? – Justin foi direto ao ponto. Saber o diagnóstico de Lindsay pouco lhe importava. Ele só queria saber quando tempo lhe restaria para passar ao lado dela.

– Dias, horas... – Respondeu-o Dr. Jackson tristonho. – O caso dela é instável. Ela pode melhorar e talvez viver durante meses ou pode simplesmente decair e viver por minutos. – A voz de Dr. Jackson virou um sussurro ao final da frase. Ele estava realmente tocado com o caso de Lindsay. Era primeira vez que ele trabalhava com uma LLC numa adolescente de dezesseis anos.


– Justin, eu preciso fazer isso. – Disse Lindsay quase implorando.

– Eu não posso deixar que você faça isso. – Respondeu-a. E pela extensão da conversa Lindsay estava quase desistindo, Justin não parecia amolecer.

– Por favor. – Fez uma expressão pidona.

– Não, Lindsay.

– Se acontecer algo eles vão te ligar, Justin! Pelo amor de Deus. Entende que você não é o único nessa minha vidinha de merda.

– Não fala assim, ok? Eu sei que eles ligarão, mas e se for tarde demais? Eu preocupo demais, Lindsay. Estar ao seu lado nunca é demais.

– Awwwn.

Lindsay abraçou Justin e deu beijos em sua bochecha.

– Se eu quero ir é porque estou segura de que nada vai acontecer, entende? Eu só te peço isso.

Justin contraiu os lábios, indeciso. Até que lembrou-se que ele também precisaria fazer algo.

– Tá, tudo bem. E não volta tarde demais, hein? Não abuse. – Sorriu.

Lindsay assentiu contente e abraçou-o mais uma vez e deu-lhe um beijo.

– Obrigada. Eu voltarei, está bem? Até mais. – Deu um beijo na ponta do nariz de Justin e saiu.

A casa laranja continuava do jeito que Lindsay lembrava. Estava silenciosa como era de se esperar. Não apertou o interfone para não estragar a surpresa. Deu alguns passos passando pelo jardim na entrada da casa e chegou à porta principal. Abriu-a com cuidado. Mas a porta rangeu ao ser fechada. Lindsay xingou em pensamento. Não havia ninguém na sala. O dia estava ensolarado. Provavelmente estaria na piscina. Caminhou a passos lentos até os fundos e como havia imaginado, Mike e Matt estavam deitados em espreguiçadeiras se bronzeando.

Lindsay reparou que Mike havia ganhado alguns quilos e isso o deixou ainda mais lindo.

– Ei, vocês. – Disse em alto e bom som para que eles despertassem. E isso funcionou.

Mike saltou da cadeira e sua expressão era de total surpresa. Retirou o óculos escuro e Lindsay notou com grande alegria que as olheiras que antes insistiam fazer abrigo em seu rosto já não existiam mais. Ele deu um sorriso radiante e lhe sufocou num abraço. Ao se afastaram Lind notou também que os olhos negros de Mike brilhavam.

Matt continuava o mesmo príncipe de sempre. O único diferencial era que sua barba estava por fazer, mas ainda assim estava lindo. Deu um abraço de urso em Lind e sussurrou em seu ouvido: senti sua falta.

– E então, a que devemos a honra de sua presença? – Perguntou Mike quando Lindsay e Matt se afastaram.

– Vim relembrar os velhos tempos. – Respondeu sorridente.

– O que exatamente você veio relembrar? – Mordiscou o lábio inferior e a olhou de forma curiosa.

– Vamos direito ao assunto: eu vim pra ficar bêbada, ok? E ser feliz. – Riu.

– Só pra constar, o Bieber não sabe disso, sabe? – Indagou Matt coçando o queixo.

– Não, não sabe. E antes de beber eu vou cair na piscina.

Antes que Matt ou Mike perguntassem se ela tinha biquíni, Lindsay já havia tirado sua roupa e pulado na piscina. Eles olharam para debaixo d’água e viram que sim, ela estava com biquíni.

– Você já tinha isso planejado? – Matt estava feliz que a amiga estivesse de volta.

– É claro. Eu sou a Lindsay, lembra? – Disse presunçosa.

Matt e Mike pularam na piscina também.

– Quero Sexy On The Beach e Kriptonita, por favor. – Pediu Lindsay deitada no sofá de pernas para cima enquanto Mike preparava os drinks no bar e Matt fazia os aperitivos.

De volta aos fundos da casa, sentados numa espreguiçadeira, Mike e Matt observavam Lindsay cantar We Found Love e rodar feito uma louca pelo deck. Ela terminou de cantar e parou de rodar. Durante alguns segundos sua cabeça girou, mas a tonteira que permaneceu era devido ao efeito do álcool. Ela olhou para Mike e Matt sentados e caiu na gargalhada. Os dois se entreolharam e chegaram a conclusão de que já era hora de cortar o álcool. Ou tanto Lindsay quanto eles levariam uma bronca de Justin por terem feito isso. Matt levantou-se e foi até Lind. Tentou tirar o copo de sua mão, mas ela o puxou para si e balançou a cabeça negativamente.

– Por favor, Matt. – Pediu. Mas nem esperou para ouvir a resposta dele já que voltou a rodar e cantar novamente, mas dessa vez era Born This Way. Lindsay parou de rodar e começou a dançar a coreografia do clipe. Matt e Mike não queriam, nem podiam rir, mas eles não conseguiram. Lindsay também riu. Ela largou o copo no chão e correu, jogando-se em cima dos dois.

– Vocês sabem que independente do que acontecer comigo nossa amizade será eterna, não sabem? Eu não queria deixar vocês. Eu não queria deixar o Justin. – A voz de Lind começou a ficar embargada e as lágrimas quentes escorreram por seu rosto. Ela saiu de cima dos garotos e ficou de pé, encarando-os. – Eu não queria, mas querer não é poder. – Pigarreou, passou as mãos pelas bochechas e embaixo dos olhos enxugando as lágrimas e se recompôs. – Eu amo vocês. É isso. Eu amo muito vocês. – Abriu os braços e os dois entenderam o que tinha de fazer. Eles levantaram-se e abraçaram-na. Foi o melhor e o último abraço triplo da vida de Lindsay.



Justin ia em direção à cozinha quando viu Lindsay chegar e tropeçar. O curioso é que não havia nada em seu caminho para ela tropeçar.

– Você está bêbada? – Gritou incapaz de crer naquilo.

– Não, estou feliz. E me dá licença que eu preciso tomar banho.

– Lindsay! – Chamou-a autoritário, mas Lindsay fez pouco caso e seguiu seu caminho.

– Lindsay. – Chamou-a novamente assim que Lindsay saiu do banheiro. Ela sorriu e agarrou dando-lhe um beijo e o fazendo calar a boca.

– Justin, eu preciso ficar sozinha.

– Por quê?

– Por que sim. Eu preciso resolver algumas coisas. E não se preocupa, eu não vou sair daqui.

– Não.

– Por favor.

– O que você vai resolver?

– É coisa minha. Por enquanto eu não posso contar.

– Tem a ver comigo?

– Também. – Sorriu.

Justin contraiu a boca e pensou por um momento.

– Ok. Você tem uma hora pra resolver suas coisas.

– Obrigada. – Lindsay lhe deu um selinho e Justin a deixou sozinha mesmo contra sua vontade.

Lindsay esperou que Justin fosse embora e desceu. Sentou-se no sofá e ligou a TV. Ficou a pensar o que ela poderia fazer. Mais um vídeo? Não. Ela precisava fazer algo que levasse Justin, Matt e Mike aos vídeos. Mas o que, por exemplo? Talvez um bilhete ajudasse, mas a criatividade de Lind para escrever era péssima. Porém nenhuma outra ideia lhe parecia tão boa quanto esta. Decidiu fazer o bilhete.

Subiu para seu quarto e vasculhou suas coisas até encontrar um papel e uma caneta. Desceu novamente.

Pôs um banco à frente da bancada da cozinha e sentou-se. Colocou o papel em cima da bancada e levou a caneta à boca, mordendo-a, pensando o que exatamente poderia escrever ali.


Eu não queria escrever isso hoje. Aliás, eu não queria escrever isso nunca. Mas eu preciso. É melhor prevenir do que remediar, pois eu não sei o que poderá acontecer nas 24 horas seguintes.

Bom, assim que eu descobri minha doença eu criei 3 vídeos. E cada um é dedicado a vocês: Justin, Matt e Mike. Sim, os vídeos estão nessa ordem e guardados na primeira gaveta do criado-mudo.

Eu não sei quando vou morrer, por isso não tem como eu me despedir de uma maneira mais decente.

Matt, talvez você devesse deixar sua barba assim por fazer por um tempo. Te deixou ainda mais lindo e você parece mais maduro.

Tenha em mente que nada além de nossa personalidade dura para sempre. Por isso para de dizer não ao destino e arrume alguém que te faça feliz, ou será tarde demais. A pessoa ideal pode estar perto demais, por isso esfregue seus olhos e os abra com vontade de achá-la que rapidamente você a enxergará.

Mike, fico feliz por ter te visto tão bem antes do meu fim. Era tudo o que eu precisava para me sentir completa: te ver bem. Você não tem ideia do quanto foi bom pra mim te ver com alguns quilos a mais e sem aquelas malditas olheiras. Você não tem ideia do quanto está lindo. Guardarei comigo a imagem de você sorrindo tanto com os dentes quanto com os olhos. Espero sinceramente que você encontre alguém capaz de te fazer bem, e que se assim for, que dure o suficiente. Mas, por favor, não cante Your Song para ela, ok? Essa música nos pertence.

Justin, no vídeo que eu fiz para você eu não disse que te amava. Mas agora eu digo: eu te amo. Eu te amo pelo o que você foi, pelo o que você é e pelo o que você me tornou. Eu não poderia ter recebido presente melhor da vida. Que outra pessoa me aceitaria de tão bom grado como você me aceitou? Que outra pessoa deixaria parte das coisas boas de sua juventude para trás para cuidar de uma pessoa que tinha seus dias contados? Que outra pessoa rasparia a cabeça em consideração a enferma que perdeu seus cabelos e diria ao beijar sua cabeça careca: você é linda.

Eu sinceramente não sei, nem conheço, mas eu sei que você fez tudo isso por mim e continua fazendo. Sua preocupação é tão linda e admirável.

Sabe, Justin, talvez se eu não tivesse a LLC, nós pudéssemos morar juntos, mas não casar. Por que eu nunca quis casar. Juntar os trapos pra mim é suficiente. E talvez nós tivéssemos um casal de filhos. Não sei qual nome poderia dar a eles, mas eu sei o quanto nós os amaríamos e o quanto seríamos felizes. Mas já que eu tenho a LLC, eu fico só contigo, que é mais que o suficiente e saiba que se estou viva até hoje é graças aos seus cuidados e ao seu amor. Acredite ou não, o amor é capaz de salvar vidas. E por mais que eu não sobreviva, sou sincera quando digo que o seu me salvou. Obrigada por me mostrar o quanto é bom amar e ser amada e devo agradecer também por eu ter me sentido a mulher mais incrível e especial em todos os momentos que estive ao seu lado, embora alguns deles tenham sido de desavenças, contudo foram essas desavenças que nos fizeram chegar aonde chegamos.

Eu te amo com todas as forças que me restam, Justin.

Vou encerrar esse bilhete clichê com uma frase que minha mãe costumava dizer: A morte encerra algumas coisas em nossas vidas, mas nunca um amor sem fim.

E é isso que eu sinto por cada um de vocês: um amor sem fim. Portanto eu continuarei amando vocês estando nesse mundo ou em outro.

Eu amo vocês.

Com amor, Lind.


O bilhete ocupara frente e versa do papel. E em algumas partes do bilhete que mais parecia uma carta havia manchas que foram provocadas pelas lágrimas que Lindsay derramara ao longo do bilhete. Ela pegou um pedaço de fita durex e levantou-se. Caminhou até a TV e a desligou. Pôs o pedaço de durex no papel e o grudou à frente da TV. Ela esperava que alguém o visse ali.

Voltou ao quarto e vestiu um grande blusão branco com um Mickey sorridente estampado. Ouviu um barulho ao longe e deduziu que Justin havia voltado. Desceu até a sala.

– Ponha sua roupa de dormir. – Lindsay disse misteriosa.

– Por quê? – Perguntou Justin curioso.

– Por que eu to pedindo e você não vai recusar isso. – Sorriu ao lhe dar a resposta.

Justin revirou os olhos e subiu.

– Mas antes eu preciso tomar banho. – Gritou.

– Tenho todo o tempo... – Lindsay não concluiu a frase. Ela se tocara que a frase não fazia sentido, afinal ela não tinha todo o tempo do mundo. Aliás, ninguém tinha, mas ela tinha menos ainda.

Minutos depois Justin desceu com uma samba canção escrita swag por toda a parte. Lindsay riu.

– Vamos. – Disse ela pegando sua mão e o levando para fora.

Eles contornaram o lado esquerdo da casa e pararam no gramado que ali havia. Lindsay soltou a mão de Justin e ajoelhou-se, deitando em seguida na grama úmida pelo sereno. Justin franziu as sobrancelhas, estranhando o comportamento da amada e continuo de pé.

– Anda – disse ela indicando com a mão direita o espaço ao seu lado – deita logo.

Justin continuou com as sobrancelhas franzidas, mas fez o que ela pediu.

– À noite o céu é mais bonito. – Comentou Lindsay admirando as estrelas.

– É. – Concordou Justin. Ele observou Lindsay primeiro. Ainda não sabia o que ela pretendia com aquela coisa de deitar na grama e falar sobre o céu. Depois ele olhou as estrelas, e ficou encantado.

– Justin, o que você sonhava ser quando era pequeno? – Perguntou ainda fitando o céu.

– Por que isso agora? – Respondeu-a com outra pergunta, desconfiado.

– Nós nunca conversamos sobre isso e eu queria saber. – Deu de ombros.

– Hum. Bom, eu gostava de jogar xadrez. Pensava em ser arquiteto e sempre toquei instrumentos e cantei. É isso. E você?

– Lá em casa tinha um piano e meu pai era pianista por hobby, então ele me ensinou, sabe? Eu era uma boa pianista. Mas depois que meus pais faleceram eu não vi o porquê de continuar a tocar. Não tinha sentido sem eles.

– Hummm. Então quer dizer que eu tive uma pianista todo esse tempo do meu lado e nunca soube? Por que você nunca me disse? E porque falou só agora?

Lindsay desviou sua atenção das estrelas e virou de lado, ficando de frente para Justin.

– Como eu disse, nós nunca conversamos sobre isso e eu achei conveniente essa conversa.

– Hum. Que tipo de música você tocava?

– Tchaikovsky.

Justin virou de lado também, ficando de frente para ela.

– Você gosta de música clássica? – Riu com escárnio.

– Parece estranho, mas sim.

Justin arregalou os olhos, surpreso e balançou a cabeça positivamente.

– Minha namorada rebelde gosta de clássico. Ok. O que mais você tem pra me dizer? – Sorriu.

– Você acredita em reencarnação?

– Sim. – Respondeu com incerteza. – Por quê?

– Então você acredita que após a morte as almas vão para um certo lugar e se encontram?

– Mas isso aí não é reencarnação. – Ponderou.

– Não, mas quem crê em reencarnação crê em desencarnação, obviamente. E quando a gente desencarna nós vamos para um lugar e neste lugar existem outras milhões de almas. Possivelmente lá nós podemos encontrar com conhecidos, amigos e familiares.

– Você acredita que quando... hum – Justin não conseguiu dizer a palavra morrer – desencarnar encontrará seus pais?

– É, também. Eu espero encontrá-los, mas eu não comecei esse assunto por causa deles. Eu comecei esse assunto por nossa causa. – Explicou-lhe.

– Nossa causa? – Justin pareceu interessar-se mais no assunto.

– É. Eu acredito que, embora demore, eu possa te encontrar novamente. Mesmo que não seja aqui.

– Você acha possível?

– Sim, eu acredito.

– Então eu espero que realmente seja verdade, porque quando você desencarnar não vai demorar muito para eu desencarnar também. – Bieber parecia distante ao dizer aquelas palavras, talvez por lembrar-se do que havia no bolso de sua samba canção.

– O que? – Sobressaltou-se Lindsay. – Justin, você não está pensando em fazer nenhuma besteira, não é? – Olhou para Justin e o viu desviar o olhar. – Ou está? Justin, você tem mãe e pai, amigos e milhares de fãs. Você não pode fazer nada quanto ao meu estado. Vê se entende isso! Infelizmente eu vou ter que partir, pois minha saúde tá com os dias contados. Mas você é cheio de saúde, cheio de vida. Tem muito o que conquistar ainda e não vale mesmo a pena acabar sua vida por tão pouco.

– Lindsay, você que parece não entender – dizia enquanto fitava o céu – não tem graça eu conquistar qualquer coisa que for se eu não tiver com quem dividir minha alegria. E não vem dizer que eu tenho com quem dividir porque não tenho. Aliás, eu tenho você pra dividir minhas alegrias, mas eu vou te perder e tudo vai perder a graça, portanto não vai ter sentido continuar sem você. Mas vamos esquecer isso por enquanto.

Apesar do silêncio de Lind não parecia que ela iria esquecer aquele assunto.

– Justin, eu tenho algo pra te contar.

– Mais surpresas? – Perguntou feliz.

– Surpresa indesejável, digamos.

Justin estreitou os olhos, desconfiado.

– Tá, pode falar.

– Antes de você descobrir que eu tinha LLC, eu te vi beijando a Selena, lembra? – Justin assentiu e ergueu uma sobrancelha imaginando onde Lindsay chegaria com aquela conversa. – Então, eu fui pra casa do Mike. Eu enchi a cara como você sabe e quando nós estamos bêbados eu creio que você sabe que nós revelamos quem realmente somos e geralmente fazemos o que sempre tivemos vontade de fazer, mas não fazemos por falta de coragem e por estarmos sóbrios, enfim. Eu beijei uma garota.

Se os olhos de Justin pudessem eles escapariam de seu rosto. Justin sentou-se completamente chocado e ficou olhando Lindsay como se não a conhecesse de verdade.

– Você é bi? – Tentou dizer o mais audível possível, mas o que saiu foi apenas um sussurro.

– Não, não. Claro que não. – Lind gargalhou. – Eu sempre tive curiosidade e nesse dia resolvi acabar com a minha curiosidade. Vou ser bem sincera, não tem nada de mais. É como se eu tivesse beijando um garoto, a única diferença era que não, eu estava beijando uma garota, mas não tem nada de extraordinário nem diferente.

Justin assentiu devagar repetidamente.

– Tá. – Conseguiu dizer. – Vai demorar um pouco pra eu associar tantas confissões assim, mas pode ficar tranquila que um dia eu consigo.

– E tem mais uma coisa...

– O que? – Perguntou e por mais surpreendente que fosse Justin não parecia muito a fim de ouvir o que viria a seguir.

– Eu beijei o Mike. – Confessou constrangida. Lindsay sentou-se também e ficou observando a reação de Justin.

Ele respirou fundo e entendeu porque não estava a fim de ouvir o que Lindsay tinha a dizer.

– Acho que no fundo eu já sabia disso. – Disse de cabeça baixa.

– Justin, isso não mudou em nada o que eu sinto por você. Pelo contrário, só me fez perceber o quanto eu te amo. E minha amizade com o Mike continua a mesma, nada mudou. – Admitiu esperando que de alguma forma aquilo servisse de consolo.

– Antes de eu ir atrás de você na casa do Mike a Selena apareceu lá em casa. Ela tentou fazer com que acontecesse algo entre nós, mas eu fugi. Estou contando isso só pra você ficar ciente do que aconteceu, mas não quero que se sinta culpada por ter beijado o Mike e eu ter me controlado e não a beijado. Mesmo que ela tenha me beijado a força lá na gravadora eu a deixei me beijar, entende? Eu poderia tê-la afastado, mas não. E você acabou vendo isso. Mas se a Sel fez isso é porque eu dei a entender que ela podia. Acho que dei liberdade demais pra ela. E eu tenho certeza que você só beijou o Mike por vingança, estou certo? – Ergueu a cabeça e procurou pelos olhos de Lindsay.

– Sim. Eu tava transtornada e queria me vingar. Beijar o Mike foi a solução.

– Ok. Já podemos esquecer isso também.

– É. Chifre trocado não dói. – Gargalhou.

– Dói quando sua namorada beija uma garota e um homem ao mesmo tempo praticamente. – Gargalharam.

– Minha barriga tá doendo. – Reclamou Lindsay rindo.

– A minha também. – Concordou Justin.

Eles esperaram a crise de riso passar para deitar novamente. Dessa vez abraçaram-se e ficaram fitando o céu que aos poucos clareava.

A brisa da manhã estava mais gélida que a da madrugada. Lindsay aconchegou-se melhor no peitoral de Justin e apertou ainda mais seu braço que estava envolto na cintura dele e ficou olhando dentro de seus olhos. Justin percebeu que ela sentia frio e ficou fazendo carícias em seu braço para tentar aquecê-la.

– Seus olhos são tão lindos. – Comentou. Ele nunca vira os olhos verdes de Lindsay brilhar tanto quanto brilhavam naquela manhã. Pareciam dois cristais a luz do sol.

– Os seus são ainda mais lindos. Eu nunca vi um olhar me transmitir tanta segurança.

Bieber sorriu e lhe deu um beijo na testa.

No horizonte o sol parecia tímido ao sair.

Por volta das 06:00 Lindsay largou um pouco os olhos de Bieber e voltou sua atenção para o céu. Só então ela notou o quanto o dia seria lindo.

– Esse é um lindo dia para estar ao lado de quem se ama. – Disse e voltou a olhar para Justin.

– Por isso nós estamos juntos. – Confirmou.

– E continuaremos juntos se assim Deus desejar. Justin, eu te amo. E eu espero que esse sentimento continue e cresça ainda mais a partir de agora. – Sorriu.

– Hã? – A expressão de Justin era de confusão.

– Te encontro no caminho para a eternidade, meu amor. – Inclinou-se para frente a modo de dar um beijo em Justin. Finalizaram o beijo com um selinho e Lindsay voltou a posar a cabeça no peitoral de Justin, fitando-o nos olhos. Sorriu com paixão e fechou os olhos. O sorriso então se desmanchou e seu braço caiu inerte ao lado seu corpo.

Assustado, Justin percebeu o que acontecera. E acontecera diante de seus olhos. Incapaz de levantar e dar prosseguimento a sua vida, Justin levou a mão até o bolso da samba canção e puxou um pequeno frasco dali. Tirou a tampa do frasco e despejou tudo o que continha ali dentro em sua boca. Engoliu a seco. Virou-se de lado, ficando de frente para Lindsay e abraçou-a apertado. Seus olhos arderam e as lágrimas quentes escorreram por seu rosto, mas ainda assim sorriu. Sentiu todo o seu corpo se corroer por dentro. Era uma dor constante e insuportável. Sentia ânsia de vômito a todo instante e tinha vontade de babar, mas permaneceu forte. Não gritou nem pediu a Deus que aquilo parasse. A dor que sentia nem se comparava a dor de ter a namorada morta em seus braços. Contudo sabia que essa visão de Lindsay morta acabaria em breve. Sentiu-se cada vez mais fraco e com as forças que lhe restavam agarrou-se ainda mais em Lindsay. Beijou-lhe a testa e fechou os olhos. Ele estava confortavelmente bem, pois sabia que não estava longe de conseguir o que queria quando despejou o frasco de veneno pela boca. Justin sentiu-se sonolento e deixou-se levar. Logo, logo estaria junto novamente de sua amada.


FIM

“O amor é a única coisa que vai durar quando você morrer.”

Jason Ma (feat. Bruno Mars) — Love


Notas finais
O agradecimento final estará na NF das observações de WYSM.