Wont You Save Me?

18 Capítulo 18 - Afazeres


Notas iniciais
To sentindo falta de algumas leitoras, cadê vocês? :(
Dessa vez o capítulo não demorou tanto, né? rs
Leitoras novas, sejam bem vindas, amores!
Boa leitura ♥

- O jantar já está pronto. – Disse Pattie da janela mais próxima onde estávamos.

Assentimos e entramos.

Sentamos a grande mesa de vidro redonda de fibra.

- Ravióli ao molho de cogumelo. – Disse Pattie quebrando o silêncio. – Ouvi dizer que você gosta de comida italiana. – Sorriu.

- Adoro. – Falei.

Um homem muito simpático nos serviu.

- Aceita uma taça de vinho, Lindsay? – Indagou Pattie.

- Ah. Não, obrigada. – Sorri.

- Lindsay é mais nova do que eu, mãe... – Disse Justin.

- Ah, minha nossa. Jura? – Perguntou surpresa.

- Sim. – Respondi. – Tenho dezesseis.

Pattie assentiu, sorridente.

Permanecemos em silêncio enquanto jantávamos.

- Lindsay já resolveu os assuntos para a viagem, filho?

- Não. Resolveremos tudo amanhã.

- E as roupas? – Perguntou Pattie olhando para Justin. – Você tem roupas adequadas para o frio europeu, querida? – Dirigiu o olhar para mim.

- Não muitas. – Respondi olhando para o meu prato vazio e repassando mentalmente as roupas que havia em meu closet.

- Então, será que podemos ir ao shopping amanhã? Para reforçar seu guarda-roupas. – Disse com certa euforia na voz.

- Claro. – Respondi, também ficando empolgada com a idéia. – Claro que podemos.

- Me deixem fora disso. – Resmungou Justin.

- Quem foi que disse que você estava incluído nisso? – Rebateu Pattie.

- Acho muito bom mesmo.

- Esse ravióli tava uma delícia. Quais foram os ingredientes que você a senhora usou no molho, além do cogumelo? – Perguntei curiosa.

- Primeiro lugar: senhora, não. Me chame de Pattie, ou você. Menos senhora. – Sorriu.

- Segundo lugar – Disse Justin interrompendo Pattie. – Minha mãe não sabe cozinhar. – Gargalhou.

Arregalei os olhos, surpresa. Pattie apontou o dedo indicador para Justin em tom de ameaça. Nós três gargalhamos.

- Pois é. Não fui eu que fiz essa delícia. Bastou uma ligação e alguns minutos de espera para ter essa delícia em mãos. Nunca fui boa na cozinha. Sou preguiçosa. Então você já sabe... – Gargalhou.

- Entendi. – Sorri.

Conversamos por mais duas horas. Até que Justin decidiu me levar em casa.

- Que horas eu posso vir te buscar aqui amanhã? – Perguntou Justin ao entrarmos em meu apartamento.

- A partir das 09:00. – Respondi, jogando-me no sofá.

- Então até amanhã.

Justin segurou meu rosto entre sua mão e me deu um caloroso beijo.

- Já vai? – Protestei.

- Infelizmente, sim. Ainda preciso resolver algumas coisas.

- Então tá, né. – Choraminguei.

- Boa noite. – Selou um beijo em minha testa.

- Boa noite. – Desejei.

Justin fechou a porta, deixando-me só.

Me espreguicei e tirei meu scarpin, o jogando do outro lado da sala. Levantei, indo em direção ao meu quarto. Porém o telefone tocou e voltei a sala para atendê-lo.

- Alô? – Perguntei.

- Lind? – Era Matt. Sua voz estava tensa.

- Matt? Matt, o que foi? – Perguntei preocupada com o tom de sua voz.

- Lind... é o Mike.

- O que aconteceu com o Mike, Matt?

Silêncio.

- Matt! O que aconteceu com o Mike? Responde, Matt, pelo amor de Deus.

- Ele foi baleado... e é grave o seu estado. – Respondeu com a voz embargada.

- Como assim baleado? Onde ele tava? Em que hospital ele tá? – Perguntei desnorteada.

- Ele se envolveu numa briga. A gente tava lá na casa dele. Num hospital perto da sua casa.

- Me dá o endereço que eu vou para aí, agora! – Gritei, espalhando tudo o que havia em cima do criado para achar o bloco de notas. – Pode falar. – Disse ao achar um pedaço de papel.

Anotei o endereço e desliguei o telefone. Fui até meu quarto e peguei o primeiro casaco que vi. Voltei à sala, calcei minha havaiana branca e fui para o hospital.

Matt me aguardava na entrada do hospital. Corri em sua direção.

- Mike. Onde está Mike? – Perguntei afobada.

- Está no quarto. – Respondeu juntando as sobrancelhas ao ver meus trajes. – Onde você estava?

- Não é hora de fazer perguntas, Matt. – Repreendi-o.

- Enquanto nós andamos até o quarto podemos conversar.

- To sem cabeça pra conversar. – Disse nervosa.

- Diga só onde você estava. – Insistiu.

- Jantando com o Justin. Satisfeito?

- Esqueci que você tem um namorado famoso.

- Mas nem por isso eu abandonei meus amigos.

- É. Nisso eu concordo com você.

Entramos no elevador e ficamos em silêncio. O elevador abriu ao chegar no 4º andar e saímos, andando pelo corredor a procura do quarto de Mike.

Matt parou em frente ao quarto 405. Meu coração doía como se uma mão o estivesse esmagando.

Ele abriu a porta e eu corri adentrando no quarto.

Mike estava na maca, desacordado. Ele respirava com dificuldade, mesmo com a ajuda de aparelhos.

- O que fizeram com você? – Perguntei a ele, mesmo sabendo que não obteria uma resposta. As lágrimas transbordavam de meus olhos. Doía tanto vê-lo daquele jeito. – Por que fizeram isso, Matt? – Minha voz soou rouca.

- Ele brigou com um cara na festa que estava tendo na casa dele. Aí o cara pegou a arma e atirou...

- Ele tá dopado?

- Não. Só dormindo.

Pus minha mão sobre a mão de Mike e apertei de leve. Nenhuma reação.

- Vou pegar um copo d’água. Qualquer coisa estarei lá fora. – Avisou.

- Ok.

Ouvi o barulho da porra se fechar atrás de mim.

- Mike, você pode me ouvir?

Nada.

- Mike? – O sacudi devagar, sabendo que não deveria fazer aquilo.

Aos poucos pude ver o preto de seus olhos ganharem um pouco de cor. Ele abriu os olhos com dificuldade, me fitando.

- Oh, Mike. – Soei pesarosa. – Por que?

Ele ergueu a mão com muito esforço e a posou em meu rosto.

- Você não vai me abandonar, não é? Você não pode. Você prometeu depois que meus pais morreram que ficaria comigo, que cuidaria de mim. Você precisa melhorar. Eu quero você ao meu lado, me protegendo. Você não vai me deixar, não é?

Mike sacudiu a cabeça devagar, afirmando que não me deixaria.

- Eu amo você, Mike. – Ele assentiu. Selei um beijo em sua testa. – Pode voltar a dormir, ok? Ficarei aqui até quando for preciso, não se preocupe. – Apertei sua mão. Mike assentiu novamente e deixou seu braço cair, voltando a dormir.

Meu celular tocava. Era Justin.

- Oi. – Sussurrei.

- Por que está falando tão baixo?

- Hum. De manhã eu te explico, pode ser?

- Ok. Mas tá tudo bem?

- Sim. – Menti para não preocupar Justin.

- Então tá. Até amanhã.

- Até. Beijos.

- Beijos.

Encerrei a ligação. Ouvi a porta ranger. Olhei para trás, Matt entrava no quarto.

- Ele acordou? – Perguntou. Assenti.

- Mas já voltou a dormir. Ele não está em condição de falar muito.

Matt assentiu e me entregou um copo d’água. Bebi.

- Você vai dormir aqui? – Perguntou.

- Sim. De manhã vou pra casa, mas depois eu volto. – Respondi.

- Eu também vou. No armário tem duas cobertas. Isso é bom, né? – Sorriu fraco.

- Sim, Matt. Ele vai ficar bem, não vai? – Perguntei olhando para Mike.

- Com você aqui é claro que vai.

Ri pelo nariz e fui até o armário. Peguei as duas cobertas. Joguei uma para Matt, ficando com a outra.

Havia uma poltrona e um sofá. O sofá ficava do outro lado do quarto, junto da janela, e a poltrona ficava ao lado da porta. Matt disse que ficaria com a poltrona. Assenti já cansada e caminhei até o sofá. Deitei de qualquer jeito e me cobri. Enquanto o sono não vinha fiquei observando Mike naquele estado deplorável. Era tão triste ver alguém com quem você viveu a maior parte da sua vida, morrendo. Lágrimas caíram de meus olhos quando eu pensei na palavra morrendo. Fechei os olhos, embarcando no sono.

Boy you got my heartbeat runnin' away

Beating like a drum and it's coming your way

Can't you hear that boom, badoom, boom, boom, badoom, boom, bass

Yeah that's that super bass

Got that super bass boom, badoom, boom, boom, badoom, boom, bass

Yeah that's that super bass

Aquele era o toque do meu celular. Abri os olhos e levantei do sofá com pressa, deixando a coberta cair no chão. Peguei meu celular que estava no armário e o atendi.

- Oi. – Falei. Era Justin.

- Aonde você tá? – Grunhiu.

- Hã... – Pensei antes de responder. – Eu falei pra você ir a minha casa depois das 09:00.

- Acontece que eu já estou aqui e você NÃO TÁ AQUI. – Gritou e eu tive que afastar o celular do ouvido. Encostei o celular em meu ouvido novamente.

- Escuta...

- O que você tá fazendo, Lindsay?

- Posso falar?! – Me alterei.

- Fala.

- Eu preciso que você me encontre nesse endereço. – Dei o endereço do hospital a Justin e encerrei a ligação.

Fui até Mike. Ele ainda dormia. Baguncei seus cabelos e depois fiz cafuné. Bocejei, voltando para o sofá.

- O Bieber não te dá folga, né? – Perguntou Matt.

Eu esquecera que ele havia dormido na poltrona.

- Nem você. – Respondi.

- É melhor ele não subir...

- Ele não vai. – Dobrei a coberta e coloquei-a no armário. – Matt, se Mike acordar diga que eu volto mais tarde.

- Você vai em casa?

- Sim. Preciso tomar um banho e comer alguma coisa.

- Ok. Até mais tarde, então.

Assenti e peguei meu casaco. Dei uma última olhada em Mike antes de ir embora.

Não demorou muito para Justin chegar. Eu o esperava na entrada da recepção.

- Tá tudo bem com você? – Perguntou passando as mãos pelo meu rosto, preocupado.

- Sim e não.

- O que você teve? Por que não me ligou? – Disparou as perguntas rápido demais.

- Eu to bem, relaxa. E tire as mãos de mim. – Disse, desvencilhando-me de seus toques. – Estamos dando bandeira demais.

- Hã, certo.

- Vamos. No caminho eu explico o que aconteceu.

Procuramos por seu carro e o achamos. Entramos e Justin deu a partida.

- Conta. – Exigiu.

- Mike levou um tiro e está gravemente ferido. – Contei com um bolo se formando em minha garganta.

- Como assim levou um tiro? – Perguntou sem tirar os olhos da estrada.

- Ele brigou e o cara que tava brigando com ele atirou nele. – Ergui a cabeça para as lágrimas não caírem.

- Mas como ele tá? Consegue respirar normal, falar, se movimentar?

- Ele tá respirando com ajuda de aparelhos, e até agora não disse nada. Pelo menos os braços ele consegue mexer.

- Hã. Ai, cara. Eu nem sei o que te dizer, sei lá. Ele vai ficar bem, tenha fé. – Justin posou sua mão sobre a minha.

Assenti esperançosa.

- E depois disso como fica a turnê? – Virou-se para me olhar.

- Eu não posso mais viajar. Não enquanto Mike não se recuperar.

- Mas porque? Que loucura é essa, Lindsay? – Exaltou-se.

- Por que quando meus pais morreram, quem ficou do meu lado foi ele e o Matt. Eu não posso deixá-los na mão. Desculpa.

- Lembre de que ele tem um terço de culpa na morte dos seus pais. – Sua expressão ficou sombria.

- Mas ele ficou do meu lado. E ele também não tem mais ninguém! As únicas pessoas que ele pode recorrer sou eu e o Matt. Não existem outras. Eu não vou abandoná-lo na hora que ele mais precisa. Você precisa entender mais sobre amizade.

- Eu não aceito isso! – Berrou como um menino mimado. – Você tinha um compromisso comigo e com a minha mãe.

- Eu posso explicar a ela o que houve. Tenho certeza de que entenderá. – Tentei contrapor.

- Chega, Lindsay. Não quero ouvir mais nada. Fique com o Mike.

Olhei para ele, perplexa. Parecia que o Justin de antigamente havia voltado.

Abri a porta de meu apartamento e Justin no meu encalce. Sinceramente eu não sabia o que ele ainda fazia ali. Deixei a porta aberta para que ele fechasse. A porte foi fechada e depois sua mão segurou meu pulso com força.

- Escuta. Me desculpe, ok? Eu não quero te deixar mais triste do que você já tá. Mas é que eu também estou triste. Eu queria que você fosse comigo. É importante pra mim. Isso fortaleceria mais nosso namoro, sabe? – Disse Justin num tom que derreteu meu coração.

- Ela também seria importante pra mim. Eu também quero que nosso namoro se fortaleça. Mas pensa bem, ainda tem muito tempo pela frente. Nós não vamos viver pra sempre, mas podemos eternizar o tempo enquanto estivermos juntos. – Sorri afetuosamente.

Justin me abraçou tão forte que me deixou sufocada.

- Eu gosto de você. – Sussurrou em meu ouvido.

- Eu também gosto de você, seu bobo. – Sussurrei em seu ouvido. Gargalhamos baixo.

- Sabe? Até hoje eu não encontrei nenhuma fedorenta que me agradasse tanto.

- Nem eu encontrei um imbecil prepotente que me completasse tanto. Apesar dos pesares.

Gargalhamos alto.

- Vida, preciso ir. Assuntos pendentes, sabe? – Disse Justin.

- Vida? Será que eu ouvi direito? – Indaguei não crendo no que ouvira.

- Vida sim. Algum problema, Lindsay? – Deu ênfase em meu nome.

- Nenhum problema, vida. – Sorri.

- Ótimo. Posso vir à noite?

- Pode.

- Então até mais.

Demos um beijo e Justin foi embora.

Tomei banho e instantaneamente fiquei mais aliviada. Ir ao hospital sempre me deixava muito sobrecarregada. Comi uma lasanha já pronta que havia no congelador e escovei meus dentes. Vesti uma regata verde abacate, um short jeans escuro, calcei o primeiro chinelo que vi e desci. Mas antes de ir ao hospital fui numa loja de conveniências que tinha ali perto. Não dava para agüentar aquela pressão toda sem ao menos dar um trago. Comprei o cigarro e o acendi, indo para o hospital.

A tarde passou rápida. Mike já conseguia dizer algumas coisas com esforço.

Disse a Matt que não ficaria hoje para dormir, mas que amanhã voltaria bem cedo. Fui embora pra casa.

Vesti um pijama azul de flanela e calcei minhas pantufas lilás. Justin já estava chegando para vermos filme.

Sentei no sofá ligando a TV e logo em seguida a campainha toca. Levantei, revirando os olhos e abri a porta. Justin trazia duas pizzas e uma Coca.

- Por que não usa a sua chave? – Perguntei chateada.

- Por que não para de ser preguiçosa? – Ele foi para a cozinha e colocou as caixas com as pizzas e a Coca no balcão. Peguei dois pratos no armário e dois copos. Agachei e os coloquei-os na mesinha de centro.

- E então, qual filme veremos? — Perguntei distraída, arrumando os pratos e os copos.

- O Livro de Eli. – Respondeu.

- Esse filme é velho. – Reclamei de sua escolha.

- É do ano passado. – Contestou.

- Continua sendo velho.

- Velha coroca, existe alguma coisa que te agrade? – Disse Justin chegando ao meu lado. Levantei e fiquei de pé a sua frente.

- Existe. – Respondi risonha, olhando em seus olhos.

- E o que seria?

- Justin Bieber.

- Hummm... – Ergueu uma sobrancelha. – Disso eu já sabia. – Gabou-se.

- Prepotente. – Revirei os olhos.

Sentei e ele pôs as pizzas e a Coca na mesinha.

- Só tem esse filme? – Indaguei esperançosa.

- Tem também Alice no País das Maravilhas.

- Cara, em que século você vive?

- Século dois. – Respondeu irônico.

- Acho que nem tinha século na sua época. – Zombei.

Justin bufou e ficou calado. Colocou o DVD e veio sentar ao meu lado. Passou seu braço por sobre meu ombro e apoiei minha cabeça em seu ombro. Dei play no filme. Virei meu rosto, vendo apenas o pescoço de Justin. Mordisquei-o de leve, fazendo Justin se mexer de leve. Mordi mais uma vez, fazendo-o encolher os ombros. Mordi novamente. Justin afastou-se.

- Não quer ver o filme? – Me olhou. Balancei a cabeça negativamente. – Então vamos comer, pelo menos.

Assenti e comemos. Assistimos a um programa qualquer. Já estava ficando tarde.

- Dorme aqui? – Pedi.

- Eu faria isso, mesmo sem você pedir.

- Então vamos dormir. – Levantei e o puxei pela mão. Justin levantou e fomos para meu quarto.

Notas finais
Dessa vez não tem nota final. Vou deixar a critério de vocês. O que haverá no próximo capítulo? haha