Wonderwall
7 I've Just Seen a Face
Notas iniciais
...
– Achei que você já tinha ido trabalhar – comentou Killian vendo sua amiga aparecer na cozinha e pela roupa que vestia não parecia que estava prestes a sair –
– Não vou voltar, vou procurar outro trabalho. – respondeu pegando uma maçã da fruteira e dando uma mordida –
– Como assim? Achei que estava gostando. –
– Eu não fazia nada de importante, e outra, depois que eu aparentemente virei a causadora do sequestro de Ruby, trabalhar com Regina só iria ser ainda mais insuportável. – Emma sentou-se na cadeira esperando o discurso que seu amigo estava para lhe dar –
– Bom, você já é grande o suficiente para tomar suas decisões – Emma arqueou uma sobrancelha com o comentário, esperava uma lição de moral do amigo e não compreensão – Mas, acho que você está sendo precipitada, você estava gostando do que estava fazendo e não se atreva a mentir, você estava mais empolgada e ainda tinha acesso mais rápido com o que acontece na cidade, mas enfim... – Emma deu um leve sorriso e Killian começou a comer seu café da manhã, apreciando o silêncio da manhã em Storyville –
– Killinho?! Ems?! – os dois amigos olharam para trás com um sorriso enorme ao reconhecer a voz –
– Ei bonitinha! – Killian levantou-se e abraçou Ruby – Como está se sentindo? – perguntou trazendo Ruby para se sentar à mesa – E a loirinha? Está melhor? –
– Estou bem, Elsa está melhor. Eu saí do hospital apenas para tomar um banho, depois vou voltar e esperar ela acordar – respondeu. Olhou para Emma que estava calada e terminava de mastigar sua maçã – Hey... – Ruby tocou no braço de Emma chamando sua atenção e Killian sorriu ao ver a cara adorável que a loira estava fazendo ao ver Ruby –
– Tenho que fazer uma ligação, já volto – mentiu Killian, o homem sabia que as duas precisavam de alguns minutos a sós –
– Você tem certeza de que está bem Ruby? Aquela mulher não te machucou? – perguntou, estava preocupada, mas sua voz permanecia serena –
– Não se preocupe Ems, eu estou bem, ela não tocou em mim. Obrigada por ter ido procurar por mim, Cora disse que você não parou um segundo sequer de buscar por pistas de onde eu estava – Emma deu de ombros, como se dissesse que não havia sido grande coisa – Me perdoa? –
– Perdoar? – Emma havia ficado confusa com aquele pedido –
– Naquela noite em que desapareci, eu disse coisas que eu não queria, eu fui rude, egoísta e insensível com você. Eu quero que saiba que eu confio em você, sei que você ainda é muito segura sobre algumas coisas, e eu não tenho o direito de fazer com que você me conte tudo. Eu amo você Ems, espero que possa me perdoar – pediu enquanto fugia dos olhos esmeraldas de Emma, havia momentos em que não conseguia falar e olhar para eles ao mesmo tempo –
– Ei – Emma segurou a mão da amiga sobre a mesa e deu um sorriso, fazendo Ruby olhar para ela – Estamos bem okay? Eu entendo você e sei que às vezes ter que lhe dar comigo pode ser frustrante, mas há coisas... Que eu prefiro manter apenas para mim, mas isso não significa que não confio em você, pelo contrário, você é uma das poucas pessoas em quem eu confio – Ruby sorriu e abraçou Emma sentindo o perfume adocicado dos cabelos loiros –
– Own, abraço grupal! – disse Killian abraçando as duas amigas, fazendo ambas gargalharem –
– Eu tenho que voltar para o hospital, mas o que acham de um jantar hoje à noite? Acho que precisamos colocar as notícias em dia – comentou olhando para Emma e piscando para Killian –
– Posso trazer o Dave? – pediu. Emma girou os olhos e Ruby concordou – E você trás Elsa e Regina. Isso vai ser tão divertido! – comentou batendo palmas em animação –
– Não, hum... Apenas Dave okay? – pediu Emma. –
– Nos falamos depois – disse Ruby pondo um fim naquela conversa, sabia que Killian iria argumentar e Emma rebater, isso poderia durar o dia inteiro – Ah, algum de vocês está com o carro da Regina? Ela pediu para que eu levasse – Killian foi até a sala e pegou as chaves – Está tudo certo não é? Nenhum arranhão nem nada, certo? Regina é muito ciumenta com esse carro – admitiu, Killian e Emma giraram os olhos sabendo bem o quão Regina gostava daquele ferro velho – Até a noite – Ruby despediu-se dos amigos e saiu da casa –
– Então, o que planeja fazer o dia todo, oh filha de Kal-El? – perguntou em uma voz grave, como se estivesse anunciando algo à realeza –
– Como anda seus treinos? – perguntou cruzando os braços, Killian negou com sua cabeça repetidas vezes, sabia o que viria a seguir – Vamos, eu não vou te machucar – Killian correu e Emma sorriu logo indo atrás do amigo –
...
– Então, o que vai fazer agora? Ruby está de volta... – perguntou Cora tomando seu décimo café entre a madrugada e manhã, não conseguia sair do lado de sua filha –
– Eu prometi que ficaria aqui até Ruby aparecer. Tenho minha vida em New York, meu trabalho, meus amigos e tudo, porém também prometi uma matéria à Cruella. Depois que conseguir resolver o mistério dessas explosões eu irei embora – respondeu, porém daquela vez Cora não via tanta vontade de sua filha em ir embora, era como se ela estivesse falando apenas para cumprir uma promessa –
– Sabe, você poderia ficar... – disse Cora. Regina olhou para sua mãe e depois negou com a cabeça –
– Storyville não é mais para mim, mamãe. Amo você, mas não há nada que me prenda aqui – respondeu olhando para um ponto fixo próximo a cadeira a sua frente. Essa pequena estadia em Storyville havia sido mais do que ela esperava, e não sabia o motivo para ter esse sentimento de apego àquela pequena cidade que um dia fora seu lar, algo havia mudado e Regina havia gostado daquela mudança, mas ela tinha uma vida em New York, a vida que ela sempre sonhou –
– Talvez tenha algo, você que ainda não percebeu – respondeu Cora dando pequenas batidas na perna de sua filha, Regina olhou para sua mãe e franziu a testa, se perguntando o que ela queria dizer com aquilo –
– Nenhum arranhão – Ruby apareceu e deu as chaves para Regina, virou-se para Cora e tocou seu ombro – Cora, pode ir, Elsa irá acordar a qualquer momento e posso cuidar de tudo daqui para frente –
– Tem certeza querida? Eu posso ficar – insistiu Cora. Ruby sorriu em gentileza, a morena tinha uma enorme admiração e carinho por Cora, esse era um dos motivos no qual ela não queria que Regina dissesse a verdade para Cora, tinha medo de que a mulher a odiasse –
– Tenho, você já fez demais. Obrigada por tudo, significa muito para mim saber que você se importa – respondeu. Regina deixou um sorriso aparecer ao ver sua mãe levantando-se e abraçando Ruby. Ela sabia que era errado esconder aquele segredo de sua mãe, mas se contasse, tudo iria desmoronar e ela sabia que ali em Storyville sua mãe era uma das poucas que se importava com Ruby –
– Você é a melhor amiga da minha filha, já é da família querida. – afirmou Cora depositando um beijo na testa de Ruby – Qualquer coisa que precisar, por favor, me ligue – pediu e Ruby concordou – E você mocinha – Cora olhou para Regina – Acho que você deve desculpas a alguém, não é mesmo? – Cora havia intimado sua filha a falar com Emma e pedir desculpas para tudo o que falou –
– Eu já disse que vou fazer isso, mamãe. Ela deve está no jornal e por falar nisso, eu já estou atrasada – respondeu se dando conta de que já era tarde, olhou para o celular e viu que tinha várias chamadas perdidas de Cruella –
– Tenha um bom dia no trabalho – desejou Cora vendo sua filha sair do local apressada – Eu já vou querida, e qualquer coisa é só ligar – repetiu. Ruby afirmou com um balançar de cabeça e observou Cora ir –
– Srta. Lucas? – Ruby levantou seu olhar para o médico – Ela acordou – Ruby levantou-se e acompanhou o médico, passando pelo o corredor e olhando para os quartos – Depois eu preciso que você assine alguns papéis, já que você é a responsável por ela – Ruby apenas concordou e o médico abriu a porta para a morena entrar – Vou deixa-las a sós – disse logo saindo –
– Ei... – chamou Ruby. Elsa que tinha seu rosto virado para a janela, virou-se para direção da voz que lembrava bem –
– Ruby... – disse com um pouco de dificuldade, porém com um sorriso que poderia dizer muito mais – Você conseguiu, você nos... Nos tirou de lá – continuou quando lembrou que Ruby havia dito que as tiraria daquele lugar –
– Na verdade não fui eu, tenho alguns amigos e eles são bons de briga – Ruby sorriu ao lembrar-se dos quatro que haviam se arriscado para tira-la de lá – Eu só trouxe você comigo – Ruby foi até a cama quando Elsa com um gesto de mão pediu para ela se aproximar –
– Obrigada, acho que se não fosse por você e seus amigos eu não estaria viva –
– Ei, está tudo bem agora. Ninguém vai fazer nenhum mal a você – prometeu sentando-se na ponta da cama e tocando a mão de Elsa –
– Minha mãe, ela ainda... Ela ainda está com eles – lembrou-se sentindo um aperto no peito – Eu tenho que buscá-la, ela é a única pessoa que eu tenho –
– Ei, vai ficar tudo bem. Eu tenho uma amiga que pode nos ajudar a encontrar sua mãe – Ruby imediatamente lembrou-se de Cora, sabia que ela poderia encontrar alguma pista da mãe de Elsa – Não se preocupe, nós vamos ajudá-la também e olha... – Ruby sentiu seu rosto corar com o que estava prestes a falar, Elsa percebeu a coloração nova no rosto da morena e apertou um pouco sua mão, fazendo-a olhar para ela – Você não tem apenas sua mãe, eu estou aqui agora e você pode contar comigo para o que precisar – afirmou fazendo Elsa sorrir apesar da dor em alguns locais de seu corpo –
– Eu aprendi a olhar as coisas boas, mesmo no meio das ruins. Conhecer você naquele lugar e naquela situação, com certeza foi algo bom – Ruby olhou para Elsa, não sorria, mas também não tinha uma expressão de chateação. Era como se ela estudasse Elsa por um momento, tentando entender se havia algo escondido nos meio das palavras da loira –
...
– É TÃO DIFÍCIL ASSIM?! QUANDO VOCÊS ENTRARAM AQUI ME PROMETERAM ACIMA DE TUDO COMPETÊNCIA, MAS NÃO É O QUE ESTOU VENDO ACONTECER! – Cruella estava em pé sobre uma das mesas de seus jornalistas, gritando com todos – PRESTEM BEM ATENÇÃO, SE EU NÃO TIVER UMA MATÉRIA DE CADA UM NA MINHA MESA ATÉ ÀS QUARTRO HORAS EU IREI COMEÇAR A SUBSTITUIR! – Cruella deu sua mão para David e o homem ajudou sua tia a descer, todos continuavam parados, petrificados de medo com Cruella – O QUE ESTÃO ESPERANDO?! ANDEM! – ordenou e como se estivesse quebrando algum feitiço todos começaram a se mover – Ah, que honra sua presença aqui majestade – comentou vendo Regina pela primeira vez desde do dia anterior –
– Eu não estava me sentindo bem, Cruella, mas prometo que até as quatro sua matéria estará pronta – Regina respondeu sem dar muita importância para a chateação de Cruella, sentou-se em sua cadeira e ligou o computador –
– Olha aqui Mills, você não está em New York, você não está no seu trabalho onde era editora chefe e fazia o que bem entendia. Aqui as coisas são diferentes, mas você será tratada como todos os outros. Mais uma dessas suas escapadinhas e você irá para rua – respondeu batendo uma mão na mesa e depois saindo da visão de Regina –
– O que deu nela? Ela é sempre desagradável, mas hoje atingiu outro nível – comentou Regina com o amigo –
– Problemas pessoais, quando ela está assim acaba descontando em todos nós. Você vai se acostumar com isso – respondeu David dando de ombros e sentando-se na cadeira de frente para Regina –
– Não será preciso, em alguns dias eu irei embora daqui e – Regina parou de falar quando ficou incomodada com algo. Algum homem que ela não reconhecia estava colocando o que parecia ser pertences pessoais na mesa onde era de Emma, a sua frente – O que você pensa que está fazendo? – perguntou levantando-se e pondo as coisas que o homem havia colocando na mesa de volta para a caixa nas mãos dele –
– Estou ocupando o que é meu – disse voltando a colocar os objetos e Regina voltar a retirar –
– Acho que você está confundido os lugares, essa mesa já está ocupada – respondeu. David franziu a testa com a cena e resolveu intervir –
– Não está Regina, esse é seu novo companheiro. Você não sabe? Emma ligou mais cedo e disse à Cruella que não iria trabalhar mais aqui, não explicou bem o motivo – explicou David, o outro homem voltou a colocar os objetos e mais uma vez Regina impediu –
– Me ouve querido, essa mesa não lhe pertence e você não é meu assistente. Agora sai daqui! – ordenou. O homem murmurou algo e saiu do local, deixando David sorrindo com o que acabara de acontecer –
– Ei... Regina, para onde você vai? – perguntou vendo a amiga pegar sua bolsa e ir em direção ao elevador –
– Trazer minha assistente de volta – respondeu antes que o elevador fechasse. David sorriu como se estivesse orgulhoso de algo -
– É... É verdade o que você falou? – David girou sua cadeira e ficou de frente para a mulher que havia lhe questionado – Hum, Emma... Ela, ela não irá voltar? – a ruiva colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e olhou para David –
– Algo me diz que ela irá voltar – respondeu cruzando os braços – Algum motivo em especial para essa preocupação? – perguntou arqueando uma sobrancelha, Zelena sentia-se como se seu corpo estivesse ardendo em chamas e se concentrasse exatamente nas maçãs de seu rosto –
– Não, nada. É só que –
– Wickedgma, preciso de você minha gênia. – um homem apareceu no meio daquela conversa, interrompendo Zelena e segurando seu braço – Preciso que você me ajude a resolver um enigma – pediu olhando para a ruiva e ignorando David –
– Eu tenho que ir – respondeu olhando para David que apenas sorriu achando engraçado como sem graça a colega de trabalho havia ficado com seu questionamento – Me mostre o que tem – pediu a ruiva acompanhando o homem que havia lhe chamado –
...
– AI EMMA! – gritou Killian caindo no chão e limpando o sangue no canto de sua boca – Você disse que não iria bater muito forte – choramingou enquanto se levantava –
– Eu não usei minha força com você. Você precisa melhorar seus reflexos e movimentos – respondeu jogando uma toalha para o homem enxugar o rosto suado. Emma estava usando shorts e um top para aquele treinamento com o amigo –
– Que seja. Não vou mais fazer isso com você, você é rude e má! – respondeu colocando a toalha em seu ombro, Emma apenas sorriu enquanto tomava um gole de água –
– Vai atender a porta – ordenou – Eu vou continuar aqui – respondeu enxugando sua testa na toalha uma ultima vez e começando a socar o saco de areia que estava suspenso, a loira não usava luvas o que não era preciso –
– Não sei por que você insiste em fazer isso, já é forte o suficiente – Emma ignorou o comentário e continuou a descontar sua chateação no saco – Já que não vai mais trabalhar deveria está na rua, aposto que há pessoas indefesas precisando de você – o homem saiu quando não recebeu nenhuma resposta da amiga, a campainha continuava a tocar irritantemente – JÁ VAI! – gritou chegando à porta. Assim que abriu a porta Killian caiu de joelho e abraçou as pernas da mulher – ME PERDOAR, POR FAVOR, NÃO ME BATE DE NOVO, EU FIZ O QUE ACHEI NECESSÁRIO – pediu antes que Regina tentasse lhe bater –
– Mais o que diabos você está dizendo?! Me larga! – ordenou tentando andar – Killian! – Killian soltou-se da mulher e se afastou – Eu não vou bater em você, porque faria isso? –
– Não vai?! Hum... Por nada, nada mesmo, eu só estava treinando minha atuação – respondeu dando espaço para Regina entrar – Então, a que devo a honra? –
– O que aconteceu com seu lábio? – perguntou percebendo a vermelhidão no canto do lábio do homem –
– Nada de mais, mas então... Você está aqui porque... –
– Preciso falar com sua amiga – respondeu evitando o nome da mulher, Regina parecia um pouco desconfortável o que deixou Killian curioso –
– Ela está um pouco ocupada agora, quer deixar algum recado? – perguntou o homem bloqueando Regina a cada passo que a jornalista dava. Regina grunhiu algo e olhou para o homem que não a deixava dar um passo sem acompanhá-la –
– Você é o quer? A secretária dela? É melhor me deixar passar antes que eu faça você sentir a mesma dor de ontem – Killian deu um passo para trás dando passagem para a mulher que sorriu vitoriosa – Foi o que eu pensei, agora, onde ela está? –
– Final do corredor – respondeu apontando e mantendo distância de Regina, definitivamente aquela mulher lhe intimidava –
Regina seguiu a informação de Killian e foi até o final do corredor, não sabia exatamente o que a fez ir até ali. Regina podia ser orgulhosa, mas ela sabia admitir quando estava errada e ter falado que Emma era a culpada havia sido um erro, era perceptível que Emma se importava com Ruby e não deixaria que nada acontecesse com sua irmã. Mas esse não era o motivo que a fez vir até a casa da loira, saber que ela havia se demitido também não, e isso incomodava Regina, ela não sabia ao certo a necessidade de vir até Emma.
Regina tocou na maçaneta e a girou, quando abriu a porta seus olhos piscaram algumas vezes mais do que o normal, a sua frente estava Emma, a loira tinha uma expressão rígida enquanto socava o saco de areia, o cabelo preso em um rabo de cavalo e usava um top que deixava bem visível o abdômen definido de Emma. Regina não se deu conta do quão boba estava parecendo, olhando para Emma como se fosse um objeto de desejo.
– Quer tirar uma foto? Irá durar mais – perguntou Emma sem tirar sua atenção em socar o objeto. Regina então balançou a cabeça com se estivesse voltando à realidade –
– O quê? – perguntou sentindo sua boca de repente ficar desidratada –
– Você está olhando demais, perguntei se queria tirar uma foto, iria durar mais – implicou Emma com um sorriso cínico, Regina girou os olhos e se aproximou de Emma –
– Idiota. Eu vim aqui para –
– Para me culpar pela guerra que está acontecendo em outros países? Pelo o terrorismo? Pela pobreza e problemas ambientais? Okay Regina, confesso que sou culpada por tudo isso – Emma parou o que estava fazendo quando Regina empurrou o saco para o lado oposto em que Emma estava treinando –
– Você é uma idiota mesmo – afirmou ficando de frente para Emma e tentando não olhar para seus músculos definidos – Você pode vestir-se? É desconfortável conversar com alguém que veste isso – respondeu apontando para as roupas mínimas que Emma usava, a loira arqueou uma sobrancelha, mas não desviou dos olhos de Regina –
– Você já me viu com bem menos – respondeu dando de ombros e indo até uma mesa para pegar sua garrafa d’água – O que veio fazer aqui? –
– Quero me desculpar pelo o que disse, não foi culpa sua o que aconteceu com Ruby. Eu falei sem pensar – Emma imediatamente parou de beber a água e observou Regina por alguns momentos. Conhecia Regina há pouco tempo, mas já poderia dizer com certeza algumas coisas sobre a morena, e admitir que estava errada parecia algo que Regina não fazia com tanta frequência, em partes porque na maioria das vezes ela estava certa, e em outras porque ela era orgulhosa, muito orgulhosa – Estou falando sério Swan, mas enfim, não vou ficar implorando por seu perdão, se quiser aceitar ótimo, senão, ótimo também – Regina virou-se para sair e Emma segurou seu braço, impedindo-a de ir –
– Tudo bem, eu faria o mesmo se estivesse no seu lugar. – respondeu e soltou o braço da morena –
– Ótimo, agora vai tomar um banho porque já está atrasada para o trabalho –
– O que? Eu não vou voltar –
– Ah você vai sim, se eu tenho que aguentar Cruella você também tem. – afirmou e Emma negou com a cabeça – Você vai de um jeito ou de outro –
– Estou esperando você me obrigar – disse dando as costas para Regina e pegando uma toalha para enxugar seu rosto. –
– Não diga que não avisei – Regina aproveitou que Emma estava de costas e tentou pegar seu braço, porém Emma foi mais rápida e deu um passo para sua esquerda, fazendo Regina se desiquilibrar e cair no chão. Emma gargalhou e observou a morena irritada sobre o chão –
– Você se acha tão esperta que – Emma não terminou de falar, a perna de Regina bateu nas pernas firmes de Emma fazendo a loira também cair no chão, porém por cima de Regina. Estavam com os rostos tão próximos que imediatamente seus olhos se conectaram, o corpo de Emma sobre Regina fez a morena sentir algo estranho, algo novo, algo inexplicável e Regina odiava ser deixada sem explicações. Emma não sabia o porquê de ainda não ter se levantado, parecia presa aos olhos daquela mulher, por uma fração de segundos seus olhos desceram para o lábio da morena e pela primeira vez havia notado a cicatriz sobre o lábio, Emma olhou para boca de Regina e em sincronia ambas fecharam os olhos, não sabendo ao certo o que iria acontecer no próximo segundo –
– Emma WOW! – Emma imediatamente levantou-se quando ouviu a voz masculina, Killian tinha sua boca aberta e os olhos bem crescidos, ele parecia congelado próximo à porta –
– Acho melhor eu esperar na sala, você... Seja rápida Swan – respondeu Regina nervosa, ainda pensando na cena que viveu segundos atrás, Killian não se mexia e Regina agradeceu por isso, sabia que ele iria soltar alguma piadinha se não tivesse em estado de choque –
– Nem uma palavra sobre isso! – respondeu Emma passando pelo o amigo ainda paralisado, a loira entrou em seu quarto para tomar um banho, bem frio, para voltar ao trabalho –
– AI MINHA SHONDA RHYMES, O QUE ACABOU DE ACONTECER?! – perguntou-se Killian ainda sem conseguir tirar aquela imagem de Regina e Emma naquela posição de sua mente –
...
Regina estava sentada no sofá da sala e olhava para um ponto qualquer na parede da casa. Não conseguia parar de imaginar o que havia acontecido, ou o que haveria acontecido se Killian não tivesse aparecido. Ela não iria beijar Emma iria? Claro que não, Regina balançou sua cabeça negando todas as vozes que afirmavam que ela iria beijar a assistente, ela não poderia fazer isso, e certamente Emma também não queria. Elas eram apenas colegas de trabalho que têm amigos em comum, nada mais do que isso. Regina não a suporta, não fazia sentido concordar com as vozes em sua cabeça. Seu celular tocou tirando-a daquele devaneio desnecessário.
– Estou bem sim. Ruby apareceu – Regina deixou-se sorrir com algo que a outra pessoa falava – Você não imagina o quanto eu quero voltar, mas prometi para Cruella que iria lhe dar uma matéria na qual eu estou trabalhando, depois disso finalmente poderei voltar para New York – respondeu percebendo que pela primeira vez durante aquela estadia em Storyville, voltar para New York não era mais uma necessidade como fora quando chegara à cidade natal – Claro que sinto sua falta, é o que mais sinto falta em New York – Regina gargalhou quando ouviu o comentário do outro lado da linha, nem ao menos percebeu que Emma estava ali na sala – Não precisa, só mais alguns dias e voltarei – Regina então percebeu a presença de Emma e entendeu que era a hora de desligar – Eu preciso ir, nos falamos depois. É, eu também – disse logo desligando –
– Podemos ir? – perguntou Emma. E com aquela simples sentença, o tom que Emma usou, Regina percebeu que não iriam comentar sobre o que acontecera a pouco tempo onde quase se beijaram, e a morena estava bem com isso –
...
– É o David, pode atender? – pediu Regina passando o seu telefone para Emma enquanto dirigia –
– “REGINA?! ONDE VOCÊ ESTÁ?! HOUVE OUTRA EXPLOSÃO, DESSA VEZ NA UNIVERSIDADE DE STORYVILLE, CORRE PARA CÁ, AGORA!” – David apenas deu o recado e desligou, estava uma gritaria e o homem não conseguia ouvir nenhuma resposta da outra linha, então resolveu desligar –
– Se segura! – ordenou a morena. Emma não levou a sério e sua cabeça foi pressionada para trás com a velocidade do carro, não sabia que aquele veículo conseguia ir tão rápido –
...
– Esse é onde você vai ficar, se preferir é claro, tem outros e você pode ficar onde achar melhor – falou a morena um pouco nervosa, odiava parecer assim na frente de Elsa –
– Está ótimo Ruby, obrigada por me deixar ficar aqui – agradeceu Elsa olhando para o quarto aconchegante da casa onde Ruby morava –
– Não precisa agradecer, vai ser bom ter companhia. Depois que minha avó morreu essa casa não foi mais a mesma, eu até considerei vender, mas não consegui. Isso é tudo que tenho além das lembranças, não poderia desfazer disso – Elsa alcançou a mão de Ruby e de algum modo a confortou –
– Prometo não incomodar muito e quando eu estiver melhor eu vou embora – respondeu como se sentindo desconfortável por incomodar Ruby –
– Não. – disse Ruby sem pensar, e deu um sorriso trêmulo para a loira – Quero dizer, você pode ficar aqui o quanto quiser, como eu disse vai ser bom ter companhia e não quero que ache que está incomodando de alguma forma, porque não está. Quero que você se sinta em casa, e vou cumprir o que prometi, vou ajudar você a encontrar sua mãe – Ruby ficou sem ação quando sentiu os braços de Elsa lhe prender em um abraço, depois de alguns segundos Ruby sorriu e retribuiu o ato de carinho –
...
– Emma! Você voltou para nós, quero dizer, para o jornal certo? Fico feliz por não ter ido embora – Zelena sorriu quando Emma piscou para ela, Regina que estava ao lado da loira não conseguia tirar os olhos de Zelena –
– Finalmente! Eu já fiz minha parte, agora vai tentar encontrar alguma pista sobre isso. Os estudantes estão enlouquecendo, é uma boa hora para algumas perguntas – respondeu David aparecendo ao lado de Zelena –
– O que ela está fazendo aqui? – perguntou Regina sem entender o que Zelena fazia em seu local –
– Cruella achou que você iria arrumar alguma desculpa e Zelena veio apenas para cobrir seu lugar caso você não aparecesse – Regina foi até Zelena e arrancou de suas mãos o gravador da ruiva, Zelena não deu muita importância – Emma vamos! Emma? – Regina olhou para seu lado e Emma havia desaparecido, David e Zelena também olharam ao redor procurando algum sinal da loira no meio daquela multidão de estudantes, jornalistas, policiais e bombeiros – Onde ela foi parar?! –
– NÃO, EU NÃO VOU ME ACALMAR. ELE AINDA ESTÁ LÁ DENTRO, ELE NÃO CONSEGUIU SAIR E ESTÁ TUDO EM CHAMAS! – uma garota gritava com um dos bombeiros, seu namorado estava na universidade, os bombeiros não poderiam entrar mais lá, tinham certeza de que haviam tirado todos do local, em minutos aquela universidade iria desabar – POR FAVOR... ELE AINDA ESTÁ LÁ – gritava enquanto as lágrimas caíam –
– Swan vive fugindo dos problemas – murmurou Regina indo em direção à garota que gritava com os bombeiros –
...
– OLÁ?! ALGUÉM?! – Emma gritava em meio às chamas que invadiam o corredor da universidade, havia aproveitado a distração dos colegas de trabalho e saiu sem que eles percebessem, queria ter certeza que não havia mais ninguém por ali –
– Ajud... aju... – Emma conseguiu ouvir o clamor de alguém, apesar de ter super audição, a voz estava muito fraca – Por... – foi então que Emma descobriu de onde vinha, empurrou a porta e a fumaça que estava na sala havia tomado conta de sua visão, conseguiu ver um rapaz ao chão, a mesa havia caído sobre a perna do garoto e sobre a mesa havia caído um armário, o garoto gritava em dor –
– Aguenta firme, eu vou tirar você daqui – disse Emma abaixando-se, o garoto piscou algumas vezes e depois segurou a mão de Emma –
– Você tem que sair, a qualquer momento isso aqui vai... – o homem fez uma expressão de dor, fechando os olhos e apertando os dentes, logo depois dando um grito – Eu não vou aguentar, você tem que ir embora... – pediu vendo que era impossível aquela mulher lhe tirar dali –
– Não sem você – Emma foi até a perna do garoto e tirou com facilidade os objetos que esmagavam a perna dele, o garoto não conseguia acreditar em seus olhos. Emma ajudou a levantar o rapaz e viu que alguma coisa cair do bolso da blusa do garoto, a loira imediatamente guardou e colocou o garoto em seus braços – Você vai ficar bem – o garoto olhou bem para aquela mulher, depois tudo parecia um borrão. Emma correu em sua velocidade, passando por todos os empecilhos causados por a explosão na universidade. Emma pôs o garoto próximo à ambulância e correu, era impossível alguém perceber nitidamente quem era, podia-se ver apenas um borrão vermelho passando pelas pessoas –
– Garoto? Você está bem?! – perguntou um dos paramédicos. O rapaz olhava para um canto fixo se perguntando se ele havia tido alucinações ou se ele havia mesmo sido salvo por uma espécie de super herói – Chequem o garoto, ele deve ter sofrido alguma lesão – ordenou para outro companheiro vendo que o garoto ainda estava paralisado –
...
– Todos que eu questionei disseram a mesma coisa – Regina colocou suas mãos nos quadris e manteve uma expressão séria – Ouviram gargalhadas, mas não viram ninguém. A gargalhada começou a ficar mais alta e depois houve um silêncio, no minuto seguinte o barulho de bombas e então a explosão. –
– Isso não faz o menor sentido – comentou David. Ouviram um barulho maior que os deixaram assustados, quando olharam para trás viram a universidade caindo causando uma enorme fumaça de poeira e fogo. Os bombeiros correram para acabar com o restante das chamas –
– Olha quem resolveu aparecer, onde raios você estava Swan? – perguntou Regina em um tom impaciente, a veia de sua testa pulsava o que fez Emma engolir a seco –
– Estava procurando por pistas – respondeu coçando a nuca. –
– Você é minha assistente, você não sai do meu lado a não ser que eu diga –
– Você não pode falar assim com ela. – impôs-se Zelena recebendo olhares confusos de Emma e David, Regina se aproximou de Zelena, mas Emma ficou entre as duas – Ela é sua assistente e não sua empregada ou guarda costas – as palavras de Zelena por mais que fossem autoritárias, seu tom de voz continuava neutro –
– Okay, sem brigas – respondeu David impedindo Regina de continuar a discussão –
– Onde você estava exatamente? Seu rosto está sujo – Regina tirou a mancha de cinza do rosto da loira e limpou sua mão na jaqueta da mesma –
– Um dos estudantes deixou cair isso – Emma entregou para Regina. Era uma carta de baralho, havia uma espécie de bobo da corte no centro e atrás da carta um número dois – Lembra que outras vítimas de outras explosões havia números também? – lembrou Emma –
– O que isso quer dizer? – questionou David pegando a carta –
– É o que estamos tentando descobrir – retrucou Emma, Zelena analisou a carta como se fosse encontrar algo a mais naquela simples carta –
– Isso significa que haverá mais uma explosão, a de numero um. Teremos que desvendar isso antes que outras pessoas sejam vítimas de outra tragédia – Regina guardou seu gravador no bolso e olhou ao redor, se perguntando se o culpado ainda estava por ali –
– Não acham que isso é trabalho para os detetives? Nós estamos aqui apenas para relatar os fatos – explicou Zelena olhando para Emma e depois para Regina que apenas girou os olhos –
– Isso é loucura, quem quer que esteja fazendo isso deve ser algum psicopata. Estamos com pistas, temos os fatos, mas não conseguimos resolver esse enigma! Sabe-se lá qual será o próximo local que ele irá atacar – Emma voltou a pegar a carta tentando pensar em algo que fizesse sentido –
– Eu conheço alguém que é muito bom em enigmas, talvez ela possa ajudar – David olhou para Regina e Emma com um sorriso que guardava segredos –
– Killian? Não, Dave. – respondeu Emma imaginando que fosse o amigo –
– Uma ruivinha que trabalha no jornal – David levou suas mãos aos ombros de Zelena que negou de imediato, Emma sorriu e Regina fez o mesmo movimento de Zelena –
– Nem pensar. Eu irei resolver isso sozinha – disse olhando para cada um daquela roda –
– Zelena, você nos ajudaria? – pediu Emma, Zelena corou e afirmou com a cabeça. Emma voltou-se para Regina e segurou seus braços – Regina olha pelo o lado bom. Zelena pode nos ajudar a resolver isso, ai você pode voltar para casa logo. Não é isso que você quer? – os olhos das duas se encontraram novamente, e a sensação de mais cedo havia voltado em ambas, foi quando Emma soltou o braço de Regina e esperou por uma resposta. – Não é? – Regina soltou um suspiro e foi até Zelena -
– Acha que pode fazer isso? Eu quero ver você tentar – Regina falou enquanto encarava aqueles olhos protegidos, Zelena não respondeu, apenas tocou na lateral de seu óculos, uma mania que havia adquirido –
– Okay, então vamos todos voltar e trabalhar nisso. Se vocês conseguirem essa matéria, Cruella beijará até os pés de vocês – comentou David. Regina ainda mantinha sua posição intimidadora olhando para Zelena –
– Regina, vamos. – Emma tocou no braço da morena e foi quando ela pareceu despertar, acompanhou sua assistente. David e Zelena seguiram ao lado das duas –
– O que está acontecendo ali? – indagou Zelena apontando para a ambulância, onde vários repórters estavam cercando –
– Provavelmente alguém que não sobreviveu – respondeu David dando de ombros, ele já havia pegado material suficiente para render matérias, não precisava de um cadáver na sua lente. Emma e Regina seguiram para o fusca, enquanto David e Zelena foram para o carro do fotógrafo –
...
– O que houve? –
– Como conseguiu sair? –
– Você conseguiu ver quem causou a explosão? –
– Você disse que foi salvo por uma mulher. Como ela o tirou de lá se nem os bombeiros poderiam entrar? –
– Como era essa mulher? –
– Onde ela está? –
– Ela me tirou de lá, minha perna estava sendo esmagada e não tinha condições de alguém como ela me tirar de lá, mas ela de algum modo conseguiu. Ela tirou a mesa e o armário que estava sobre minha perna, parecia que ela estava tirando uma pena. Então... Então ela me pegou... E tudo parecia um borrão — os repórters anotavam, gravavam, e ficavam atentos a declaração do herdeiro de uma das empresas mais importantes da cidade –
– O que você viu então? –
– Acabei de ver um rosto – disse o garoto percebendo que uma mulher que passava de jaqueta vermelha era parecida com a que o salvou, mas ele não comentou isso – Eu... Eu só vi um rosto borrado, foi tudo que vi – explicou ao lembrar-se de sua salvadora –
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