Wonderwall
15 Here Comes The Sun
Notas iniciais
...
– Desculpem a demora – Cruella imediatamente olhou para a pessoa que de repente havia sentado à mesa junto com ela e seu sobrinho – Como vai meu amor? – Úrsula beijou o rosto de David e depois olhou para Cruella, na qual ela não falava desde o beijo em seu apartamento – Cruella... – disse em educação –
– David? – Cruella falou mantendo contato visual com o sobrinho que tinha uma expressão culpada no rosto –
– Então, acho que me esqueci de mencionar que tia Úrsula também se juntaria a nós no jantar – disse tocando a mão da detetive e sorrindo para a mesma –
– Ela não é sua tia – Cruella colocou o menu na mesa e olhou para os dois – Quer saber, perdi o apetite – Cruella levantou-se, mas foi impedida de fazer uma saída dramática quando David segurou seu braço –
– Por favor, eu sinto falta disso. Eu não estou pedindo para vocês voltarem, só estou pedindo algumas horas com duas das pessoas que eu mais amo, por favor, tia – Cruella não poderia negar nenhum pedido daquele rapaz, ele era sua fraqueza, era como se fosse um filho. Vendo aqueles olhos pedindo por algo era impossível negar –
– Se não estiver bem com isso eu posso ir, não quero atrapalhar em nada – propôs Úrsula sentindo que seria um incomodo para a editora. Cruella olhou para seu sobrinho e depois para a detetive –
– Tudo bem, acho que algumas horas não irão me matar – Cruella voltou a se sentar e puderam enfim fazer o pedido –
O começo daquele jantar havia sido recheado de tensão, Úrsula se irritava a cada comentário ofensivo que Cruella fazia, David intervia antes que uma discursão começasse. Depois de alguns martini’s que Cruella havia ingerido, o ambiente naquela mesa havia começado a ficar mais agradável. David contou sobre como estava sendo seu relacionamento com Killian, e explicou que ele não pôde está presente naquele jantar porque precisava resolver algo pessoal, Úrsula não acreditou e afirmou que o namorado de David estava com medo de passar por seu questionamento, o que causou gargalhadas em Cruella e ganchos para continuar a conversa com o tópico “namorado de David”. David não se importou muito com os, diversos, comentários maldosos que suas tias estavam fazendo sobre Killian, elas estavam finalmente se dando bem naquela noite e ele não iria destruir aquele momento para defender o namorado. Aproveitou a conversa entre as duas mulheres e mandou uma mensagem para Killian, apenas para checar se estava tudo bem com ele e com Cora, o namorado havia contado para David que Cora estava passando por um momento difícil e precisava ficar com ela.
– Lembra de quando nós pegamos ele no sofá com uma garota? – perguntou Cruella gargalhando ao lembrar de quando David ainda se negava e tentava bancar o hétero –
– Tia! Não! – pediu levando uma mão ao rosto envergonhado –
– Deveríamos ter tirado uma foto – comentou Úrsula fazendo Cruella gargalhar. David sorriu mesmo envergonhado, ele sentia falta de momentos como o que estava presenciando, suas tias reunidas em um mesmo local sem trocar farpas uma com a outra –
...
– Você chegou! Graças a Deus! – Ruby correu e abraçou a garota que havia acabado de entrar pela a porta. Elsa havia saído cedo de casa, quando Ruby voltou do trabalho a noite, quase 23h00 e viu que a loira ainda não tinha voltado começou a enlouquecer de preocupação – Achei que você tinha ido de vez – confessou envergonhada. Elsa sentiu-se a pior pessoa quando viu a preocupação e o medo de Ruby em perdê-la –
– Desculpa, acabei me perdendo... – mentiu. Assim que saiu do esconderijo de Snow pensou em voltar para casa de Ruby, mas em meio aos pensamentos resolveu andar um pouco sem direção certa, sentia-se culpada por trair Ruby –
– Eu estava quase indo para a polícia, mil coisas passaram pela minha cabeça, inclusive que aquela psicopata tivesse pegado você de volta – Elsa arregalou os olhos com a menção de Snow, o que a fez sentir ainda mais culpada – Eu estava preocupada Elsa... – Ruby não queria soltar Elsa nunca mais –
– Não se preocupe, estou aqui Ruby. – afirmou soltando-se da morena, Ruby percebeu algo de errado. Apesar do pouco tempo que se conheciam já sabia decifrar quando algo estava errado com a loira –
– Aconteceu alguma coisa –
– Não ac –
– Não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Aconteceu alguma coisa com você – disse certa de suas palavras. Elsa manteve contato visual por tempo demais, deixando Ruby ainda mais preocupada – Elsa... –
– Se sua mãe ainda estivesse viva... – Ruby franziu a testa, Elsa ignorou – Você seria capaz de fazer tudo para protegê-la? Mesmo se seus atos acabassem machucando alguém? – Ruby franziu a testa mais uma vez –
– É minha mãe, se ela estivesse viva não teria nada que eu não fizesse para mantê-la salva. – Elsa esperava que aquela resposta a deixasse mais aliviada, mas não fez efeito algum – Elsa, eu sei que está preocupada com sua mãe, mas não posso deixar você se arriscar indo atrás dela e acabar fazendo algo que se arrependa. Amanhã falarei com Cora, ela foi agente e pode ser que ela nos ajude a achar sua mãe – Elsa estava começando a se arrepender de sua decisão, Ruby era tão boa para ela que doía lembrar que uma faca estava prestes a atingir as costas de Ruby e seria a mão dela que iria fazer esse ato –
– Por que faz isso? Você não precisa –
– Porque eu gosto de você, porque eu me importo com você Elsa – afirmou sentindo suas bochechas formigarem – E é isso que as pessoas fazem quando se importam com outras não é? Elas ajudam umas as outras – Elsa tinha certeza que seus olhos estavam nadando em lágrimas, mesmo que nenhuma se desse o trabalho de sair. Ruby percebendo isso e a abraçou novamente, não tendo a certeza de que um beijo era o certo, já que ainda não tinha conversado sobre –
– Desculpa – sussurrou. Ruby pareceu não ouvir e sentiu Elsa se apertar ainda mais aquele abraço –
...
– Sobrevivemos – disse Úrsula parada ao lado de seu carro com David a sua frente. Cruella já estava no carro do rapaz depois de ter adormecido por conta de tantos drinks –
– Sou muito otimista por achar que ainda podemos ser como antes? Eu sinto falta disso, desses nossos momentos, sinto sua falta – David sempre deixava bem claro seu carinho por Úrsula, a morena sorriu sabendo que eram sinceras as palavras do homem –
– Eu ainda vou provar para sua tia de que eu sou inocente, não a culpo por desconfiar. Naquela época brigávamos muito, eu passava muito tempo no trabalho, mas eu não fiz aquilo Dave. –
– Eu sei que não – David sabia que não passava de alguma armação, só não sabia o porquê ou de quem –
– Eu preciso que você faça algo para mim. Preciso que você traga até mim o notebook da Cruella, tenho certeza que ela ainda guarda essas imagens e gravações. Não sei por que esperei tanto para fazer isso, mas eu vou descobrir quem fez isso, isso eu prometo – David logo concordou em atender ao pedido de Úrsula –
– Fácil não vai ser, aquele notebook dela é tão importante quanto uma vida. Não sei por que tanto apego, mas eu vou dar um jeito – Úrsula sorriu em agradecimento e abraçou o rapaz –
– Ela vai acordar no meio da noite e vai perder o sono, faça um chá de camomila e deixe sobre a escrivaninha. Quando ela acordar no meio da madrugada vai se sentir melhor depois de tomar esse chá – David sorriu, era obvio que Úrsula ainda se preocupava e amava sua tia. Lembrava-se dos mínimos detalhes sobre Cruella –
...
– Eu sei que está acordada... – sussurrou Regina ainda com a cabeça sobre o peito de Emma, não conseguia ver o rosto da loira, mas sabia que ela estava acordada mesmo elas estando há horas sem dizer uma palavra – Emma... – Regina levantou seu rosto para poder finalmente ver Emma –
– O que foi? – perguntou como se estivesse acabado de voltar à realidade –
– O que aconteceu, o que sig – Regina parou de falar quando ouviu um barulho enorme vindo de outro cômodo da casa. Emma imediatamente levantou-se –
– Não saia daqui Regina, pode ser algum ladrão – ordenou Emma vestindo sua roupa que estava espalhada pelo chão, Regina guardou em sua mente a imagem de Emma nua e depois balançou a cabeça –
– Eu vou com você – disse fazendo o mesmo movimento de Emma e vestindo-se –
– Não, você fica aqui – Regina apenas girou os olhos e observou Emma sair do quarto, continuou a se vestir, não iria deixar Emma sozinha –
**
Emma saiu do quarto, cautelosamente andou pelo corredor, ouviu o barulho se repetir e ouviu uma voz de outra pessoa, então reconheceu a voz, respirou aliviada e foi de encontro com o barulho que continuava. Chegou à sala e viu que Cora estava fazendo faxina, sobre a mesinha central da sala havia uma garrafa de whisky quase vazia, Emma olhou para o relógio e viu que marcava 01h27, estranhou aquela cena. Cora era de está na sua cama às 21h00 em ponto, ela só quebrava esse ritual quando algo sério acontecia.
– Cora? – chamou Emma em um tom baixo, Cora não pareceu ouvir e Emma se aproximou – Cora? – dessa vez a loira segurou o braço da mais velha –
– Que susto! – disse Cora soltando-se de Emma e colocando sua vassoura de lado, apesar de sentir o cheiro de whisky saindo da boca de Cora, ela não parecia bêbada – O que você está fazendo aqui Swan? – Emma estranhou a forma como Cora se referiu a ela, era sempre “Emma” ou “querida”, nunca Swan –
– O que houve? O que foi aquele barulho? Porque está bebendo? – disparou perguntas e Cora girou os olhos –
– Isso não é da sua conta, agora o que você faz na minha casa há essa hora isso sim é da minha conta – retrucou enchendo seu copo com o resto de whisky que estava na garrafa –
– Eu –
– Mamãe? – Regina apareceu na sala dando um laço em seu hobby e olhando para sua mãe – O que aconteceu aqui? – perguntou apontando para o vaso quebrado ao chão, a garrafa de whisky vazia sobre a mesa e o copo cheio na mão da mulher. Cora em apenas um gole tomou todo o liquido do copo –
– Ora, ora, se não é minha filha perfeita! – Regina sentiu o sarcasmo nas palavras da mãe, o que era estranho, sua mãe não era assim com ela – Saiu de casa aos dezenove, se formou como primeira da classe em uma universidade de renome em New York, é reconhecida por seu trabalho. Ela não é perfeita Emma? – Regina e Emma trocaram olhares, ambas tendo certeza de algo havia acontecido com a mais velha –
– Acho que já está na hora de dormir, mamãe – Regina e aproximou da mulher e segurou seu braço, Cora soltou-se bruscamente do toque de sua filha, seus olhos mostravam o quão furiosa ela estava –
– Mas isso de filha perfeita não passa de um consolo, não é querida? – respondeu não desviando dos olhos da filha –
– Cora... – chamou Emma percebendo que as coisas estavam para piorar –
– Você saiu daqui quando seu pai morreu por culpa! Você se tornou no que é hoje por culpa, você queria mostrar que era a filha perfeita, você queria que eu tivesse orgulho de você pelo o que você se tornou. Você fez tudo isso não por você mesma, você fez isso porque queria de alguma forma compensar o que fez comigo por todo esse tempo! – Regina nunca havia presenciado sua mãe falar com ela daquele jeito, ela parecia desapontada, furiosa, se ela não fosse sua mãe ela diria que até ódio estampava a expressão de Cora –
– O que eu fiz?! O que diabos eu fiz com você mamãe?! – perguntou sem tirar os olhos da mulher, ela não iria abaixar a cabeça –
– Você me traiu... – Regina abriu a boca, não como se estivesse extremamente surpresa, mas sim como se as palavras estivessem presas em sua garganta. A jornalista olhou para Emma que parecia bem surpresa –
– Cora, você não está em seu estado normal. Vamos, eu levo você ate seu quarto – ofereceu-se Emma. Cora virou-se e gargalhou –
– Acho melhor você ir querida, daqui a alguns minutos nenhum segredo estará mais a salvo... – disse Cora gargalhando. Emma pareceu assustada, mas não se moveu do local –
– Emma, acho melhor você ir – pediu Regina – Conversamos depois – Regina foi até a loira e plantou um beijo em seu rosto. Cora girou os olhos e limitou-se a cruzar os braços e esperar Regina deixar Emma até a porta para depois voltarem a conversar -
– Você tem certeza de que não quer que eu fique? – insistiu Emma mais uma vez, já do lado de fora da casa, Regina afirmou e depois que Emma tomou distância de sua porta ela fechou –
– Mamãe? –
– Como você pôde?! – Cora que agora estava sentada no sofá tinha suas duas mãos cravadas em seu cabelo, como se buscasse uma resposta para uma pergunta impossível de se responder – Seu pai não era santo e eu sabia disso, céus sabe o quanto eu tive que aguentar, o quanto eu tive que sufocar toda a dor que ele me causou quando eu soube dos casos dele – Regina buscava o olhar da sua mãe, mas ela parecia mais focada na garrafa vazia sobre a mesa. –
– Casos? – Regina indagou, achou que seu pai só havia tido caso com uma mulher, a mãe de Ruby –
– Diversos casos – Cora tirou as mãos do cabelo e enxugou o líquido que saia do nariz – Ele não fazia ideia de que eu sabia de tudo, mas eu não trouxe isso a tona porque eu amava você demais para fazer isso. Eu não queria que você odiasse seu pai, eu não queria que você nos visse discutindo, eu não queria que você pensasse que éramos uma família infeliz. Eu fiz isso por você – Cora então fixou seus olhos marejados na filha, lágrimas de decepção caiam de seus olhos como leves gotas de chuva em uma janela de vidro –
– Mamãe, eu não tinha ideia de –
– Há quanto tempo?! Há quanto tempo você sabe? Porque não adianta mentir Regina. Foi você que trouxe Ruby para nossas vidas, é você quem se preocupa com ela, é você que faz tudo por aquela garota. Quer que eu acredite que é coincidência vocês serem tão importante uma para outra e não saberem que são irmãs?! Há quanto tempo?! –
– Desde meus onze anos – confessou como se fosse o pior crime. Cora segurou seu olhar um pouco mais em Regina, esperando que ela negasse aquilo. Abaixou a cabeça e levantou do sofá – Mamãe, você tem que entender que eu só guardei esse segredo para proteger você. Eu não queria que você se sentisse mal. Eu queria proteger você da decepção –
– Olha bem para mim Regina! Seu plano não deu certo, não consigo olhar para você sem sentir decepção. Achei que você era a única pessoa na qual eu poderia confiar... mas você é exatamente como seu pai – Se fosse alguns dias atrás Regina iria levar aquilo como um elogio, mas ao saber de como seu pai realmente era e o quanto ele feriu sua mãe, ela sentia desgosto – Aposto que vocês riram muito de mim não é? – Cora gargalhou ao mesmo tempo que as lágrimas continuavam a descer – “Olha lá a idiota, papai” era isso que vocês falavam pelas minhas costas?! –
– Mamãe! Por favor, me ouve. Eu jamais fiz isso para machucar você, por favor, acredita em mim. Eu achei que isso havia sido só um erro do papai, quando ele me confessou isso eu imediatamente pensei em você e em como você ficaria se soubesse, e na minha mente veio você devastada e eu não queria isso, eu não queria isso para pessoa que eu mais amo nessa vida – Regina também já havia se rendido as lágrimas, era difícil se conter quando sua mãe estava em sua frente desmoronando e sentindo desgosto de você –
– Sabe, na minha vida eu fui traída por muitas pessoas, pessoas que eu amava, pessoas em quem eu confiava, no meu trabalho principalmente, mas quando eu voltava para casa e você me abraçava... – Cora sentiu um nó se formar na sua garganta, a voz ficar mais difícil de sair e o aperto no peito começar a latejar – Quando você me abraçava eu me sentia em paz, porque sabia que você era a única nesse mundo que nunca iria me decepcionar. Quando eu olho para você agora Regina... eu só quero que você suma da minha vida como todos os outros – aquelas ultimas palavras doeram em ambas, muito mais em Cora, ou talvez muito mais em Regina por ouvi-las. A jornalista se aproximou de Cora, mas a mais velha deu a volta no sofá saindo. Parou e voltou a olhar para a filha que não sabia como proceder depois daquilo – Vou tomar um banho, quando sair eu não quero ver você aqui. Não quero ver seu amigo, não quero você ou aquela garota batendo na minha porta pedindo meu perdão. –
– Mamãe, por favor, por favor – pediu Regina correndo e se agarrando a mãe, o abraço apertou a mais velha que parecia sentir mais pressão no coração do que em seus próprios ombros. Regina chorava deixando as lagrimas molharem a blusa escura de Cora, a mais velha tentava não se render aquela cena. Cora puxou Regina para tirá-la de si –
– Eu quero que você faça a mesma coisa que fez quando tinha dezenove anos. Vá embora e dessa vez não tenha o trabalho de voltar – alertou Cora saindo da sala e deixando Regina quebrar quando se sentou ao chão –
...
– Gold, onde estamos? – perguntou Belle não enxergando nada, conseguiram sair da floresta e no meio da madrugada Gold havia direcionado Belle e ele para um local que ela não reconhecia no escuro –
– Só mais um pouquinho querida – respondeu dando uma leve gargalhada –
– Espera – Belle parou quando finalmente percebeu onde estava, era um local onde parecia abandonado. Talvez uma explosão tivesse acontecido e os restos ainda estavam ali, metade de muros quebrados e pretos por causa de algum incêndio – Essa é a universidade que você explodiu e que você trabalhava! – exclamou tendo certeza de que era aquele lugar – O que estamos fazendo aqui? – Gold sorriu e levantou as duas sobrancelhas sugestivamente -
– Você me disse que foi mandada para Briarcliff porque queria ajudar uma amiga que estava lá e com isso começaram a tratar você como de fato uma paciente deles – Belle estava começando a se arrepender de ter contado sua estória – Eles torturaram você, deixaram você não louca, e sim lucida – Belle sorriu em agradecimento – Veja só você, conseguiu sair daquele lugar, conseguiu convencer a todos que estava melhor, virou uma médica, mas isso não faz você ser livre não é mesmo? Você achou que havia recomeçado sua vida, mas não é isso que aconteceu não é mesmo? – Gold falava sempre com um sorriso nos lábios, em outras pessoas causaria pavor, mas em Belle causava uma certa fascinação. Gold pegou a mão de Belle e correu com ela, entraram na universidade, ou o que sobrou dela depois da explosão, Gold entrou em sua antiga sala onde dava aula, puxou uma pequena porta que ficava ao chão dando abertura para uma espécie de porão. Belle desceu junto com o homem, quando Gold chegou ao local e acendeu a luz que milagrosamente ainda funcionava. Belle então percebeu que não era um porão, era uma sala subterrânea, havia vários equipamentos de química, provavelmente onde Gold mostrava algumas experiências para os alunos. Gold andou com a mulher até um certo ponto onde se encontravam uma espécie de recipiente retangular que poderia abrigar muitas pessoas – Eu também era assim minha querida, eu recomecei a minha vida no momento em que eu me transformei – Gold correu e pegou alguns frascos químicos com líquidos desconhecidos e jogou todos no recipiente que já estava cheio de desperdícios químicos cheio o suficiente para transbordar qualquer outra coisa que fosse jogado ali –
– Não... Eu não... Eu não vou – respondeu Belle com medo. Gold inclinou a cabeça para o lado e suspirou, depois voltou sua cabeça a posição normal e correu até Belle. Sem avisar beijou a mulher que logo se perdeu nos braços do homem, respondendo na mesma urgência o beijo. Gold levantou a mulher em seus braços e caminhou com ela. Quando abriu os olhos e viu que estava perto o bastante quebrou o beijo e jogou a mulher no mesmo recipiente de desperdícios químicos que havia o deixado daquela forma – Ops! – disse gargalhando e observando a água de substâncias químicas borbulhar e Belle desaparecer –
...
– Que susto! – disse Killian pulando do sofá, o cabelo assanhado, o rosto sonolento. Havia adormecido no sofá esperando por sua amiga – Você está bem? Deixa eu ver esse olhos?! – Killian pegou o rosto de Emma e olhou bem procurando algum indicio do efeito da kryptonita –
– Desculpe – pediu Emma inquieta. – Acho que deveria ter falado desse meu problema com kryptonitas – respondeu imaginando que Killian havia descoberto que ela havia estado sobre efeito do feitiço –
– Há quanto tempo o efeito passou? –
– Há algumas horas – disse Emma lembrando que o efeito havia passado no momento em que Regina tirou sua roupa, ela não poderia culpar a kryptonita, o tempo todo ela estava ciente do que havia feito com Regina –
– Você estava com Regina? – perguntou o rapaz curioso para saber o que tinha acontecido com Cora e a filha –
– Estava, Cora também e ela estava furiosa. Acho que algo vai acontecer –
– Cora descobriu que Ruby e Regina são irmãs e está enlouquecida. Mas também ela tem o direito, engaram ela esse tempo todo, logo a filha. Não foi justo com ela, Regina pisou feio na bola – Emma arregalou os olhos com a confissão do amigo, não sabia que ele sabia –
– Ela só queria protegê-la. Ela só faz o que eu faço Killian, ela escondeu o segredo para não machucar os outros – Emma se jogou no sofá, tanta coisa havia acontecido naquele dia que ela não sabia por onde começar a pensar –
– E você também sabia desse segredo. Claro – retrucou Killian se perguntando quando ele iria passar a ser o primeiro a saber das coisas –
– Regina me contou quando estávamos à procura de Ruby, ela não teve muita escolha. Eu a pressionei, mas enfim, você acha que elas podem resolver? –
– Claro, são mãe e filha, mas acho que isso vai levar um tempo. Cora ficou muito decepcionada com tudo, se você visse como ela ficou quando descobriu tudo... Céus! Eu não queria nunca que alguém me olhasse daquela maneira – Emma guardou as palavras de Killian e se perguntou como Regina deveria está –
...
– Já vai! Já vai! – Ruby gritou andando sonolenta até a porta. Olhou para o relógio da sala e marcava 03h13 da manhã, assustou-se com o horário e antes de abrir a porta pegou um jarro para se defender caso fosse algum ladrão ela jogaria em sua cabeça. Levou uma mão a maçaneta e abriu a porta – Graham?! – disse surpresa. Conhecera o rapaz nas vezes que havia ido a New York para ficar com Regina por uns dias, acabou criando uma amizade com o rapaz – O que faz aqui? – perguntou deixando o rapaz passar com três malas e uma bolsa –
– O que acha de um chá e eu lhe contar uma estória? – Ruby deu espaço para o rapaz entrar e deixar as malas na sala –
Ruby e Graham foram até a cozinha, a única luz da casa acesa era a de onde eles estavam. Graham contou que Regina havia pedido para ele ir até a casa de Ruby enquanto ela tomava um tempo para ela, Graham contou tudo o que havia acontecido naquela madrugada de turbulências. Contou que Cora descobriu o laço entre Regina e ela, contou que Cora afirmou que não queria nunca mais ver as duas novamente, contou o quanto Regina estava destruída com tudo o que havia acontecido, contou que Cora queria distância das duas e que não adiantava pedir perdão. Pela segunda vez naquela madrugada Graham consolou uma linda morena, conforme o rapaz descrevia com detalhes o que Regina havia lhe contado, Ruby parecia chorar cada vez mais. O rapaz com um sorriso nos lábios passou sua mão sobre os cabelos de Ruby em tentativa de fazê-la se sentir melhor.
– Alguém contou para ela! É a única explicação. Conseguimos manter esse segredo por tanto tempo, alguém contou! – disse enxugando as lágrimas –
– Eu acabei de descobrir querida, Regina me contou enquanto fazia as malas para sair de casa – mentiu para tirar seu nome do alvo – Regina não confiou em mim para contar esse segredo, e olha que nos conhecemos há muito tempo. Há alguém mais que saiba e que não seja tão confiável? –
– Apenas Emma e Elsa, mas eu confio nas duas... – disse certa de suas palavras –
– Elsa? A garota que Regina disse que você salvou? – Ruby afirmou – Querida, por quais motivos essa pobre garota faria isso? Ela não tem nada a ganhar com isso, é uma perdida nessa cidade, e você é a única que deu a mão para ela e oferece isso tudo. – Ruby concordou, Elsa não seria capaz, não tinha nada a ganhar e muito menos faria esse mal a Ruby – Agora essa Emma... – Graham fez uma cara de que não estava muito confiante – Não sei, você e Regina confiam demais nela. Pelo que eu sei apesar de todo esse tempo vocês não a conhecem direito, principalmente você. Ela e Cora estavam muito juntas por esses dias, e digo isso porque eu estava na casa da Cora o tempo todo e sempre ouvia as duas cochichando... mas enfim, eu devo está errado – Ruby pareceu então ter tomado consciência de algo –
– Emma! –
...
–“Obviamente não estou podendo atender sua ligação. Deixe o recado ou então tente mais tarde, ou se for alguém importante eu retorno para você” – Foi o que Emma ouviu quando tentou ligar para Regina, apenas uma gravação de sua voz –
– Ela não atende! – Emma jogou seu celular na parede sem se preocupar com o dano que havia feito –
– Se acalma okay? Provavelmente ela deve está dormindo – explicou Killian ainda deitado no sofá tentando descansar, mas Emma não ajudava –
– Não. Do jeito que as coisas estavam aquilo não iria terminar nada bem! Se eu a conheço bem provavelmente deve ter saído para esfriar a cabeça, Storyville é um perigo a essa hora! E se alguém a sequestrou?! Ou pior! – Emma começou a andar de um lado para outro, Killian tinha certeza de que mais alguns passos e ela abriria um buraco –
– O lugar favorito dela – disse Killian suspirando e tentando fechar os olhos, Emma parou de andar e o rapaz agradeceu por isso – Ela deve está no lugar favorito, se é que ela tem ess – Killian parou de falar quando sentiu um vento e viu algo levantar as cortinas da sala, quando se levantou percebeu que era apenas sua amiga super poderosa usando sua super velocidade para encontrar sua “amiga” – Que é isso, sem problemas, adoro ajudar – disse com a atitude deselegante de Emma de lhe deixar falando sozinho e nem ao menos agradecer por sua ajuda –
...
Emma empurrou a porta e em uma das pontas do terraço estava a mulher sentada, abraçando os joelhos e escondendo seu rosto entre os braços e joelho. Emma fechou a porta com cuidado e se aproximou, em nenhum momento Regina pareceu se incomodar e levantar a cabeça, a loira estava de frente para a jornalista, se abaixou e sentou-se ao seu lado. Logo seus braços passaram sobre o ombro de Regina e gentilmente a trouxe para si, a jornalista descansou sua cabeça sobre o ombro de Emma enquanto a loira movia suas mãos sobre o braço da morena como se a aquecesse de algum frio.
– Ela me odeia, minha própria mãe me odeia... – Emma não falou nada, sabia que naquele momento Regina precisaria apenas desabafar – Eu só tentei privá-la de uma dor desnecessária, e olha o que eu fiz? Provavelmente teria sido mais fácil e menos doloroso se eu tivesse contado assim que eu descobri. Ela me olhava como se eu fosse um criminoso repugnante – Emma limitou-se a beijar o topo da cabeça de Regina e a trazer para mais perto – Como pude ser tão ingênua? É obvio que esconder isso dela seria uma péssima ideia –
– Você fez com intenção de protegê-la de algo que a machucasse Regina, para mim isso é o bastante para se justificar. – Emma entendia como era guardar um segredo para proteger a quem ama –
– É, mas isso só a destruiu ainda mais. Para ela não tem justificativa... É isso, a pessoa mais importante na minha vida agora me odeia e não quer ver minha cara nunca mais. É isso que eu ganho por tentar privá-la do sofrimento – depois disso houve um momento de silencio, Regina confortável sobre os braços de Emma, e a loira comparava sua situação com a de Regina, se perguntando se no final seria assim com ela, quando todos descobrissem de seu segredo –
– Ela vai falar com você, dê alguns dias para ela assimilar tudo e pensar no que fez. Ela ama você, um segredo não pode destruir o que vocês têm –
– Esse é o problema com os segredos – Regina tirou sua cabeça dos ombros de Emma para poder olhar para ela – Ninguém nunca consegue escondê-los para sempre – Emma sentiu aquelas palavras entrando em seu ser e a fazendo pensar ainda mais sobre os seus próprios segredos –
– Vai ficar tudo bem, eu estou aqui e vou está para o que precisar, não importa o que aconteça – afirmou Emma, fazendo uma promessa à morena – Olha... – Emma apontou para um certo ponto no céu, na direção que seus olhos foram puderam observar o sol nascendo em meio aos diversos prédios no centro da cidade – Lá vem o sol, há sempre um novo dia para recomeçar – Regina ouviu as palavras enquanto mantinha os olhos no nascer do sol, Emma estava mais focada em outra coisa ou melhor pessoa, a linda e agora frágil mulher em seus braços –
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