Wonderwall
6 Carry That Weight
Notas iniciais
...
– Snow – disse respirando pesado, os olhos gritando raiva. Snow sorria como se tivesse acabado de ganhar um premio que há tanto tempo queria –
– Por mais que deteste admitir, você fica melhor loira – respondeu apontando para o cabelo de Emma, havia mudado desde a ultima vez que a vira –
– Regina, Ruby saiam daqui – ordenou Emma sem tirar os olhos da mulher a sua frente que parecia alegre por algum motivo –
– Oh claro. Vocês podem ir – respondeu Snow olhando para as três pessoas próximas a jaula – Menos a loirinha, essa fica. – disse apontando para Elsa ainda desacordada – Ela é boa para os negócios – Ruby negou freneticamente e Emma pôs-se na frente das mulheres –
– Snow... –
– Okay, eu irei pega-la de volta mesmo – respondeu dando de ombros, Snow se aproximou mais quando pela primeira vez naquele momento tinha notado a presença de Regina. Snow gargalhou e voltou a olhar para Emma – Sabe qual é seu problema Emma? Você se importa demais –
– Mais um passo e isso termina aqui Snow... – ameaçou olhando diretamente para Snow, queria que ela entendesse bem o que suas palavras queriam dizer. Regina não falava nada apenas observava tudo – Vão embora! – disse Emma virando-se para as mulheres –
– Não Emma, eu não vou deixar você sozinha, essa mulher é louca – disse Ruby negando o pedido da loira, Regina olhou por alguns momentos a mulher de cabelos curtos atrás de Emma, ela parecia ter tudo sobre controle –
– Isso foi um pouco rude – disse Snow cantarolando – Querida, se eu quisesse matar vocês eu faria isso antes mesmo que vocês piscassem – Snow tocou o ombro de Emma e a loira rapidamente virou-se torcendo o braço da morena que apenas gargalhou –
– Eu ficarei bem, vão – pediu dessa vez olhando para Regina, a jornalista pareceu hesitar no primeiro momento, mas concordou com a cabeça –
– Vamos Ruby – disse Regina olhando para a irmã, Ruby então concordou e saiu dali arrastando Elsa com a ajuda de sua irmã –
– Me dê uma boa razão para não acabar com você agora? – sussurrou Emma próximo a orelha de Snow, a mulher ainda estava com o braço torcido, mas sem nenhum sinal de dor –
– Você não pode – e em um piscar de olhos Snow desapareceu dos braços de Emma e reapareceu em cima de uma caixa ao lado da jaula – Você nunca aprende não é mesmo? Você não consegue me matar, ou melhor, não tem coragem para isso – Emma correu em sua velocidade extraordinária para pegar Snow, mas a morena mais uma vez desapareceu antes que Emma pudesse encostar-se a ela, a loira caiu quando tentou pular sobre a caixa –
– O que você quer Snow?! Não foi o bastante o que fez com meus pais? – disse levantando-se e procurando algum sinal de Snow –
– “Seus pais”? Eles não eram seus pais! – Emma sentiu a raiva novamente tomar conta de sua razão, olhou ao redor, mas não conseguia ver onde a mulher estava – Eles só eram um casalzinho que abrigou um monstro –
...
– Ai meu Deus! Regina! – Cora correu assim que viu sua filha e Ruby carregando mais uma pessoa – Você está bem?! O que fizeram com você?! – perguntou aflita. Regina olhou ao redor e viu homens ao chão e depois voltou a olhar para sua mãe –
– Você fez isso? – perguntou. Cora olhou em volta e viu vários homens ao chão, definitivamente não havia sido ela e sim uma certa loira com habilidades extraordinárias, mas ela precisava manter as aparências, então afirmou com a cabeça que havia sido ela –
– Ruby! Você está bem? Está machucada? E quem diabos é essa?! – perguntou Killian aliviado por finalmente ter encontrado a amiga –
– Eu... Eu estou bem, precisamos leva-la ao hospital – pediu. Killian concordou e olhou ao redor a procura de mais alguém –
– Levem Ruby e a garota ao hospital, preciso voltar. Não posso deixar Emma sozinha – respondeu Regina soltando o braço de Elsa e passando para sua mãe –
– Não! Você não irá voltar Regina! – ordenou Cora, mas sua filha não deu ouvidos. Apanhou uma arma de um dos homens e seguiu para o lugar onde havia recuperado Ruby –
– Eu vou atrás dela – respondeu Killian – Vocês precisam ir, agora. – disse olhando unicamente para Cora, a mais velha suspirou e concordou – Eu vou trazer as duas de volta, prometo. – disse logo saindo –
...
– É isso? Vai ficar se escondendo? Achei que fosse mais corajosa que isso – Emma ouviu um barulho se aproximando e virou-se um pouco para esquerda, deixando a flecha acertar algum outro lugar – Precisa melhorar a pontaria, você errou – respondeu desviando de outra flecha, porém não percebeu a tempo quando Snow reapareceu atrás de si e cravou uma flecha em sua perna –
– Eu nunca erro – respondeu vendo Emma tirar a flecha fazendo uma careta – Tantas coisas para você herdar de sua mãe e você herda a fraqueza dela. Patético – disse gargalhando e jogando seu arco no chão –
– O que você quer Snow? Por que pegou Ruby? – questionou voltando a ficar em pé, porém com um pouco de dor em sua perna –
– Ruby? Foi apenas um aviso, você sabe como sou um pouco dramática. – Snow não tinha medo algum de Emma, sabia que o ódio da loira poderia fazer estragos, mas também sabia que ela não teria coragem de mata-la – Foi apenas para atrair você até aqui e eu poder dar um pequeno aviso, a propósito, você demorou demais. Estava começando a achar que teria que machucar Ruby e mandar algum vídeo para você –
– Sabe... – Emma se aproximou de Snow, ficaram frente a frente, os narizes quase se tocando, e só o que Emma conseguia fazer era olhar naqueles olhos que guardavam a escuridão – Você me subestima muito, eu poderia matar você, poderia ter matado você quando vi o que tinha feito com meus pais, mas deixar você morrer seria pouco, e você merece sofrer – Emma levou sua mão ao pescoço de Snow e a morena segurou o braço que a enforcava, o sorriso nunca deixando os lábios daquela pele branca – Mas estou começando a mudar de ideia, talvez a morte seja o suficiente – Snow tirou a mão de Emma com uma facilidade que nenhum humano qualquer conseguiria, continuou naquela posição, frente a frente com Emma –
– Quando eu matei aqueles que você considerava serem seus pais eu vi a dor nos seus olhos, mas depois aqui está você, seguiu em frente, provavelmente ainda deve lembrar dos “pais” mas não dói mais, certo? – Emma observou a mudança na expressão de Snow, antes era uma expressão sarcástica, excitada por está ali, mas agora, o semblante da morena era de dor, ódio, puro ódio – Comigo não foi assim, todos os dias eu acordo e vejo meus pais, os vejo com o medo nos olhos, vejo a dor e isso tudo por culpa do seu pai, POR SUA CULPA! Essa dor que eu sinto é constante, em nenhum momento eu consigo me livrar dela. Eu quero que você sinta o mesmo, quero que você acorde todos os dias e pense que é a pior pessoa do mundo por não ter conseguido fazer nada para salvar aqueles que você ama –
– Snow, se você se atrev –
– Se atrever? – uma gargalhada saiu da morena, mas os olhos continuavam mostrando ódio e uma solitária lágrima saiu dos olhos de Snow – Eu vou acabar com cada pessoa que você ama, com cada pessoa que você se importa, eu vou tirar tudo de você, vou acabar com essa cidade, com essa terra que você tanto ama e depois, depois eu tenho certeza que você vai se sentir como eu me sinto – Emma não demonstrou, mas as palavras de Snow cortaram mais fundo do que qualquer outra coisa –
– Eu não vou deixar você fazer isso, eu não vou! – Emma segurou Snow e sem pensar seus olhos começaram a liberar sua visão de calor sobre o rosto de Snow, Emma não se importava mais em poupar uma vida, ela queria acabar logo com aquilo, foi então que em um passe de mágica Snow havia sumido de suas mãos, fazendo-a cair no chão –
– Nos encontraremos novamente Emma... – foi tudo que ela ouviu enquanto tentava se acalmar para não explodir tudo ali –
...
– Emma irá mata-la! – Regina estava para entrar quando sentiu uma dor insuportável em sua cabeça, caiu do chão apagando por alguns momentos –
– Considere isso como uma vingança, meu braço ainda dói – respondeu Killian jogando o pedaço de madeira com que havia atingido Regina – Não posso deixar você saber do segredinho da minha amiga, Gina – respondeu colocando Regina em seus braços e olhando para frente, a outra mulher havia desaparecido e Emma estava no chão, as jaulas e caixas pareciam tremer e foi quando ele percebeu que era hora de intervir. Deixou Regina no chão e correu para Emma –
...
Emma gritou, gritou com todas as suas forças, bateu suas mãos contra o chão e a terra parecia tremer sobre os pés dos outros. Killian parou de andar quando sentiu o tremor, correu para a amiga quando viu que a terra havia parado de tremer.
– Emma! Está tudo bem, estou aqui, estou aqui – disse abraçando a amiga enquanto ela tentava se acalmar – Por favor, não me mate – pediu vendo que Emma o segurava com um pouco mais de força –
– Ela... Ela vai... – Killian beijou o topo da cabeça de sua amiga e levantou-se trazendo Emma com ele –
– Vamos para casa okay? Está tudo bem agora – Emma tentou acreditar em seu amigo e saiu com o homem –
– Regina!? – disse Emma abaixando-se quando viu a colega de trabalho ao chão –
– Eu precisei apaga-la, por pouco ela não viu esses raios vermelhos saindo dos seus olhos – Killian levou suas mãos ao rosto quando achou que Emma iria lhe bater – No rosto não! – pediu ainda cobrindo-se –
– Onde as outras estão? – perguntou olhando ao redor –
– Foram para o hospital – respondeu – Droga! Agora que percebi, perdemos a carona. Eu vim com Cora – disse batendo seu pé e cruzando os braços –
– Eu levo Regina, ela deve ter deixando o carro por algum canto próximo – Killian negou e segurou o braço de Emma –
– Você não vai fazer isso, eu não posso dirigir aquele fusca, não posso ser visto dirigindo aquilo – respondeu negando –
– Sorte a sua por Regina está desacordada, ela iria te matar se ouvisse isso – disse deixando-se sorrir, abaixou e pôs sua mão no bolso de Regina logo sorrindo quando tirou a chave do carro – Cuidado – pediu entregando a chave –
– E Regina? – perguntou olhando para a mulher ao chão. Emma abaixou-se e colocou Regina em seus braços, Killian girou os olhos quando Emma pegou impulso com um pouco de dificuldade por causa de sua perna e voou, deixando Killian sozinho a procura de um fusca amarelo – Isso é o que ganho por ser um amigo fiel, nunca voei com ela. Já Gina, que acabou de chegar já ganha voos de imediato – reclamou enquanto andava a procura da máquina –
Emma olhou por alguns segundos para a mulher em seus braços, parecia está dormindo. Segurou-se ainda mais a ela, para que Regina não escorregasse de seus braços. Sorriu por um momento ao ver o rosto da morena parecer mais relaxado, diferente de quando ela olhava para Emma, sempre com uma expressão de impaciência e tedio.
...
– Ela vai ficar bem? Ela está acordada? – Ruby levantou-se da cadeira na sala de espera e foi até o médico disparando perguntas –
– Não se preocupe Srta. Lucas, não houve ferimentos graves. Ela irá ficar bem, precisará passar a noite aqui apenas para termos a certeza de que ela não terá nenhuma reação aos medicamentos. – respondeu o médico sorrindo ao ver o alivio no rosto da outra mulher – Ela está dormindo, e aconselho a fazer o mesmo. Vá para casa, descanse um pouco, ela não sairá daqui – aconselhou o homem tocando no braço da morena e logo saindo –
– Ele está certo querida, você passou por muita coisa e precisa descansar. Eu fico aqui enquanto você dorme um pouco – pediu Cora segurando delicadamente o braço de Ruby –
– Não, eu vou ficar. Eu apenas fiquei presa e comi uma comida horrorosa, Elsa foi torturada Cora. Acho que posso aguentar uma noite no hospital – Cora suspirou, parecia que estava cercada por mulheres teimosas e com um temperamento difícil –
– Já que ficaremos aqui por um tempo o que acha de me contar o que houve? – Ruby olhou para mulher ao seu lado, foi até a cadeira vazia e sentou-se começando a contar como tudo ocorreu –
...
Emma pôs a mão na maçaneta e empurrou para dentro, fazendo a porta abrir mesmo estando trancada, fez uma nota mental para concertar aquilo antes que Cora percebesse. Entrou na casa e levou Regina, ainda em seus braços, até o quarto de hóspedes. Pôs a morena na cama e deu um longo suspiro, como se tivesse terminado um dia cheio de trabalho. Tirou uma mexa do cabelo escuro que caia sobre o olho de Regina e colocou detrás da orelha da mulher, foi quando Regina despertou, logo ficando sentada na cama e com olhar assustado para Emma, a loira se perguntou se Regina tinha visto algo fora do comum.
– Está tudo bem, você está segura – afirmou Emma ainda vendo Regina levantar da cama, mas continuar parada em seu lugar –
– Ruby... – disse ainda sem se mover –
– Ela está bem e –
– Ruby! Você é a culpada disso, você foi a culpada da minha irmã ter sido sequestrada! – e de repente a paralisia de Regina deu lugar a uma rápida e furiosa mulher indo até a loira – ELA PODERIA TER MORRIDO POR SUA CULPA! – Regina começou a bater em Emma, suas mãos fechadas acertando a mulher. Emma parecia não se importar muito com aquilo e deixou Regina extravasar sua raiva por alguns momentos –
– Ela está bem Regina, eu a salvei! – respondeu segurando os braços de Regina fazendo-a parar — Eu também salvei sua vida, você deveria ser mais grata por isso. Achou que conseguiria enfrentar aqueles homens com uma simples arma? – a voz de Emma havia se elevado e suas mãos continuavam segurando firme os braços de Regina –
– Se não fosse por você, isso não tinha acontecido. Você conhece aquela maluca, ela sequestrou Ruby por sua culpa. Se algo tivesse acontecido com ela eu iria acabar –
– Comigo? – Emma gargalhou e soltou os braços de Regina, se aproximou o bastante para que Regina não tivesse outro lugar para olhar a não ser seus olhos – Eu gostaria de ver você tentar – respondeu saindo do espaço pessoal da jornalista – Sua mãe e Ruby estão no hospital, acha que vai ficar bem sozinha? – perguntou dessa vez sem olhar para morena –
– Sai daqui – ordenou. Emma não esperou mais nada e saiu do quarto, deixando Regina ainda com a mente borbulhando sobre o acontecido –
...
– Emma. – Killian levantou-se do sofá e foi até a amiga –
– Não é uma boa hora, Killian – disse tirando sua jaqueta e botas, foi até seu quarto com o amigo acompanhando-a –
– Não acha que precisamos conversar? Aquela – Killian parou quando viu a porta se fechando, impedindo-o de continuar qualquer tipo de conversa com Emma. A loira deitou-se na cama e logo fechou os olhos –
...
– Regina? O que faz aqui? – Cora levantou-se e foi até a filha que havia aparecido no hospital –
– Não poderia ficar em casa sem noticias de vocês. Aliás, alguém sabe onde meu carro foi parar? – respondeu beijando o topo da cabeça de sua mãe e depois olhando para Ruby – Como você está Rub? E a garota? – perguntou sentando-se ao lado da irmã –
– Ela está bem, precisa passar a noite aqui, mas vai ficar tudo bem – respondeu em um semblante cansando – E Emma? Como ela está? – perguntou imaginando que as duas estavam juntas –
– Ela está bem, não sei exatamente o que aconteceu. Eu estava para entrar no galpão quando algo me acertou na cabeça – comentou lembrando-se. Cora sabia exatamente o que provavelmente havia acontecido, Killian – Depois eu acordei no meu quarto e Emma estava lá, ela foi para casa e eu vim procurar por vocês – respondeu segurando a mão de Ruby –
– Obrigada, obrigada por ter me procurado. Todas vocês – disse olhando para Cora também – Eu não entendo, eles não fizeram nada comigo, absolutamente nada. Apenas me deixaram presa, aquela louca sempre cheia de mistérios aparecia e dizia que logo eu estaria em casa – respondeu lembrando-se das vezes que Snow aparecia –
– Isso foi por culpa da Emma! – afirmou sem paciência, Ruby e Cora olharam confusas para Regina – Você não viu Ruby? Ela conhece Emma e deixou bem claro que havia sequestrado você apenas para atrair Emma – explicou –
– Não foi culpa dela Regina – afirmou Ruby defendendo Emma –
– Não foi culpa dela, querida. Você não pode acusa-la disso. Ela ajudou você, ajudou Ruby. Deus sabe o que poderia ter acontecido se ela e eu não tivéssemos aparecido na hora, você não poderia ter vencido sozinha – respondeu Cora incomodada com a atitude de sua filha –
– Essa tal de Snow não me parecia normal, deve ser alguma louca – comentou Regina lembrando-se de como a mulher estava calma e fazia piadas sobre a situação –
– Snow? O nome da mulher é Snow? – perguntou Cora lembrando-se exatamente daquele nome em uma de suas conversas com Emma –
– Sim, é o nome dela. Por quê? Você a conhece? – perguntou Ruby curiosa –
– Não pessoalmente, mas Snow é o nome da mulher que matou Cuddy e Gregory Swan – respondeu olhando para as duas mulheres, Ruby levou uma mão à boca em surpresa enquanto Regina não parecia entender nada do comentário –
– Quem? – perguntou Regina confusa e curiosa –
– Cuddy e Gregory Swan, os pais de Emma – respondeu Ruby. Regina então ficou sem palavras, em sua mente se amaldiçoava por ter sido tão rude com Emma, mas também algo lhe incomodava, queria saber o motivo da mulher que matou os pais de Emma está de volta –
– Vou pegar café, alguém quer? – perguntou Cora levantando-se, as duas negaram e Cora saiu –
– Posso perguntar algo? – pediu Regina olhando para sua irmã – Você e Emma, vocês são... – Ruby gargalhou –
– Apenas amigas, Emma e eu tivemos algo no passado, nada sério, mas acabamos no tornando grandes amigas. Sinceramente, não sei o que faria sem Emma... – Regina não sabia ao certo como reagir, na verdade não sabia como interpretar o alivio que sentiu com a resposta, ou até mesmo o leve incomodo –
...
“Emma sorriu animada para contar aos seus pais a grande novidade, havia entrado em uma universidade conceituada de New York e não poderia está mais feliz, iria começar uma vida nova, onde ela e os pais sempre sonharam. Emma chamou pelos pais, mas ninguém respondeu, subiu até os quartos, foi até a sala e passou pela cozinha, não havia ninguém por ali. Deu uma volta pelo quintal enorme, mas nenhum sinal de Gregory ou Cuddy, bufou em frustração e decidiu voltar para casa e esperar por eles, assim que colocou a mão na maçaneta algo acertou a porta passando próximo de sua pele quase arrancando uma lasca de sangue. Uma flecha com um papel havia acertado o material de madeira, Emma leu o simples recado “Tudo acaba onde começa”, a loira continuou a olhar o papel por alguns minutos quando finalmente conseguiu decifrar, correu mais rápido que o vento até o lugar onde sua nova vida havia começado, no meio da plantação próximo a casa de seus pais.
Emma gritou o mais alto que conseguiu quando se deparou com aquela cena, Cuddy e Gregory no chão, sangrando tanto pela boca quanto pelo peito. Emma caiu no chão abraçando os dois, a loira chorava, chorava como nunca havia feito antes, chamava seus pais, mas aquilo não era um sonho, era real, seus pais estavam mortos em seus braços e ela não poderia fazer nada. Já estava toda ensanguentava quando percebeu a presença de mais alguém por ali.
– Feliz aniversário Emma, gostou do meu presente? – Emma olhou para trás e franziu a testa, reconhecia aquela mulher, mas não era possível que ela estivesse ali –
– Não pode ser, você não pode está viva, você morreu! Todos morreram! – gritou Emma se aproximando da mulher –
– Você não foi a única que sobreviveu – disse sorrindo. Emma deixou sua fraqueza de lado e foi até Snow, lhe deu um soco e quando a morena caiu no chão saiu correndo pela plantação arrastando Snow contra o chão, rasgando a pele da mulher, então de repente Snow não estava mais em suas mãos, foi quando Emma parou –
– ESSE É SÓ O COMEÇO EMMA, EU VOU ACABAR COM TUDO QUE VOCÊ AMA, NEM QUE SEJA A ULTIMA COISA QUE EU FAÇA! – Emma apenas conseguia ouvir a voz da mulher em sua mente, ela havia desaparecido como em um sonho, mas ali estavam seus pais, mortos e aquilo era a realidade –
– Desculpa papai, desculpa mamãe – pediu Emma voltando a chorar sobre os corpos ensanguentados –”
Emma abriu os olhos mecanicamente, como se fosse um daqueles bonecos onde se aperta um botão e de repente seus olhos abrem, a loira estava suando, a respiração pesada e necessitada, como se tivesse acabado de correr uma maratona. Há tempos não sonhava com aquele fatídico dia que seus pais morreram, depois de tanto tempo aquela imagem voltou a lhe atormentar e ela tinha quase certeza de que ainda teria noites como aquela. Levantou-se da cama e olhou para o relógio que marcava 01h13min, saiu do quarto sabendo que não iria conseguir dormir tão cedo, foi até a sala e se assustou um pouco quando viu Killian sentado assistindo algum programa de tv.
– Fiz para você – disse Killian sem tirar os olhos da televisão e erguendo uma xícara sobre sua cabeça para que Emma pudesse ver, Emma aproximou-se e sentou ao lado do amigo –
– Como sabia? –
– Emmy, conheço você há mais de dez anos. Quando você vai dormir do jeito que estava, é certeza você acordar de madrugada porque teve algum pesadelo – Emma deu um leve sorriso e olhou para o amigo que gargalhava por alguma estupidez que Homer Simpson aprontava – Adoro esse gordinho – disse gargalhando e apontando para televisão – Toma, coloquei até um pouco de canela no leite, só está um pouco frio, se importa? – perguntou apontando para o líquido na xícara de Emma, a loira olhou fixamente para o leite e com o olhar esquentou –
– Obrigada – agradeceu a loira e pegou seu leite. Killian pausou o programa e olhou para sua amiga –
– Agora é uma boa hora? – perguntou virando-se totalmente para ficar de frente para sua amiga, Emma tomou mais um gole e continuou segurando a xícara como se estivesse bastante interessada nos dizeres que havia no objeto –
– Ela voltou, a mulher que matou meus pais. Ela voltou – disse lembrando-se automaticamente das palavras de Snow – Você acredita que ela sequestrou Ruby apenas para que eu pudesse encontra-la e ela me dizer que vai tirar tudo de mim? – Emma pôs sua xícara sobre a mesa próximo ao sofá e voltou a olhar para o amigo que parecia preocupado –
– Como assim? Já faz seis anos desde a morte de seus pais Em, porque agora? O que ela quer? – Killian estava mais preocupado como Emma iria lidar com isso, quando os pais da loira morreram Emma parecia completamente perdida, fazia coisas sem pensar, estava no fundo do poço, sentia-se como se não valesse a pena –
– Eu não sei por que demorou tanto, mas ela está de volta. Disse que iria tirar as pessoas que eu amo de mim, que eu iria sofrer por não ter sido capaz de salva-los –
– Ei, pode tirar tudo isso da sua cabeça okay? Tenho certeza que você está pensando em se afastar de tudo e de todo mundo, mas isso não vai acontecer, nem que para isso eu tenha que me amarrar a você. Ela só veio aqui para colocar medo, não entra na dela – pediu segurando a mão de Emma, sabia que isso era um assunto delicado para Emma, ela demorou tanto para entender que ela também pertencia aquele mundo e Killian não iria deixar que sua amiga voltasse a se afastar de tudo –
– Você não a conhece Killian, ela foi capaz de matar meus pais, eles pagaram por algo que não tinham culpa, ela sequestrou Ruby apenas para me dar um susto. Ela é capaz de tudo – respondeu irritada por seu amigo não entender o perigo que Snow era –
– Eu não me importo. Você não irá surtar novamente, não irá desaparecer e se essa mulher quiser guerra, pode vir. Eu, você e Cora podemos enfrenta-la – Emma sorriu com a inocência de Killian – Mas algo que eu não entendo e você nunca me explicou, de onde essa mulher apareceu e porque ela tem tanta raiva de você? – Emma olhou para o amigo por alguns momentos, respirou fundo, precisava contar a historia do começo, Killian merecia saber –
– O que você sabe sobre mim Killian? – perguntou –
– Cuddy e Gregory Swan encontram você no meio de alguma plantação quando você tinha seis anos, eles adotaram você. Nos conhecemos desde os dez anos, quando nos conhecemos você tinha o cabelo castanho, mas está muito melhor agora de loira, seus pais morreram quando você tinha vinte anos, depois disso você desapareceu por alguns meses, voltou e foi sincera comigo dizendo que tinha poderes, eu desmaiei quando vi você voando, depois nos abraçamos e viramos uma espécie de irmãos – respondeu, levou uma mão ao queixo tentando se lembrar de algo mais – Só isso –
– Certo, mas eu não contei a você algo. Não contei de onde eu vim – Emma parecia culpada por algo, olhou para suas mãos tentando pensar em como diria aquilo sem parecer louca, voltou a olhar para o amigo e mordeu o lábio inferior -
– Emma Swan, é melhor você falar logo antes que eu tenha um ataque aqui. – pediu curioso e sentando-se no braço do sofá –
– Você nunca se perguntou de onde veio os meus poderes? Porque eu os tenho? – Killian fez uma cara pensativa e depois negou – Okay, como eu vou dizer isso... Onde eu morava existia pessoas como eu, não tão poderosas quanto, mas tinha. A maioria possuía alguma habilidade especial. Eu, porém, dominava todas, voar, visão de calor, sopro congelante, força sobre-humana, velocidade extraordinária e outros. Meu pai era um legitimo, porém casou com uma humana, isso explica o porquê de eu sangrar e sentir dor. Essa terra onde eu morava foi reconstruída pelo meu pai, e nossa raça voltou a existir, meu pai tinha muitos inimigos, e muitos moravam em nossa terra. Quando eu tinha seis anos, fomos atacados de uma forma que ninguém poderia sobreviver aquilo, quem fez isso sabia nossas fraquezas, foi quando meu pai me colocou em uma espécie de nave e eu vim parar aqui, Snow também era dessa terra e aparentemente conseguiu ter o mesmo destino que eu. Ela provavelmente me culpa por eu ser filha de quem sou, deve me culpar por seus pais terem morrido naquela guerra que estava, ou talvez ela culpa meu pai, mas como ele não está aqui eu sou seu alvo – Killian levantou-se e andou de um lado para outro por exatos vinte e sete segundos, parou e olhou para Emma –
– Isso me parece familiar... – Killian de repente cresceu os olhos quando lhe veio uma ideia do que Emma estava dizendo – Isso pode parecer absurdo para perguntar, mas... Seus pais são –
– Exatamente – afirmou Emma sem esperar que o amigo terminasse. Killian caiu no chão, desmaiou exatamente como havia feito quando Emma havia lhe confidenciado de seus poderes –
~~~ FLASHBACK ~~~
– CLARK! O QUE ESTÁ ACONTECENDO?! – gritou a mulher enquanto via pessoas gritando e correndo ao seu redor, um barulho ensurdecedor e pedras gigantes e brilhantes caiam sobre a aquela terra –
– TENHO QUE TIRAR VOCÊS DAQUI, VOCÊ E EMMA PRECISAM SAIR DAQUI – Clark pegou sua mulher nos braços e correu levando-a até o lugar onde guardava sua nave –
– O que está acontecendo? – perguntou quando Clark a soltou –
– Eles vão destruir tudo, eu tenho que impedi-los. Essa é minha casa, nosso lar e do nosso povo. – Clark tirou a grande lona que cobria o objeto –
– Papa! Papa! Olha, eu melhorei – Emma correu por todo o local, dando voltas em seu pai o mais rápido que pôde. Clark sorriu e pegou sua filha nos braços –
– Clark... O que vamos fazer? – perguntou Lois deixando algumas lágrimas caírem. Dessa vez não era apenas Lois e Clark, eles tinham uma filha –
– Você e Emma entrarão nessa nave e voltaram para o planeta terra. – disse em um tom firme, conhecia sua esposa e sabia que ela iria bater o pé contra aquilo – Lois... –
– Não! Não Clark, eu não posso deixa-lo aqui enquanto destroem tudo – Lois segurou o braço do homem e foi quando Emma percebeu que algo estava errado –
– Lois, não temos tempo para discutir. Você e Emma entrarão aqui, eu não posso por em risco as duas pessoas que eu mais amo. Você tem que fazer isso por mim – pediu beijando a testa de sua esposa e depois de Emma –
– Papa, eu não vou deixar você. Eu sou forte também, olha – Emma deu um soco no seu pai que fez o homem virar o rosto com o ataque, ela realmente tinha a força do pai –
– KAL-EL! ELES ESTÃO ATACANDO POR TODO O LADO – disse um dos homens apavorado, Clark olhou para sua mulher como se comunicassem por olhar –
– Meu amor... – Lois pegou Emma nos braços e a abraçou, sentindo seu coração partir por está fazendo aquilo – Mamãe e papa precisam ficar, você vai fazer uma pequena viajem e depois nos encontraremos okay? Você confia em nós? –
– Lois... – Clark não poderia fazer aquela promessa, não poderia prometer algo que não tinha certeza se iria cumprir – Você vai com Emma, eu não vou fazer o mesmo que meu pai fez. Eu não vou deixar minha filha sozinha em um planeta que não a pertence – respondeu olhando unicamente para Lois –
– Dessa vez você está errado Clark, Emma é um pedaço de nós dois. Aquele lugar também pertence a ela, e tenho certeza que ela vai fazer dele um lugar melhor, exatamente como você fez enquanto estava lá – as lágrimas de Lois caiam e Emma estava começando a se desesperar com aquela cena –
– Eu não quero ir, não quero me separar de vocês – Emma agarrou-se a sua mãe, enquanto ouvia os gritos do lado de fora. Clark pegou sua filha, deu um beijo em sua testa e tirou alguns fios de cabelo que incomodava os olhos da pequena –
– Você é forte meu amor, você é muito melhor do que eu. Escuta o papai, okay? – Emma balançou a cabeça e continuou a olhar para o pai — Você será diferente, às vezes você se sentirá rejeitada, mas nunca estará só – Clark olhou para sua esposa, lembrando-se das diversas que se sentia sozinho, porém Lois estava lá para provar o contrario, depois olhou para a filha – Você fará da minha força a sua, você verá minha vida através dos seus olhos, assim como a sua será vista através dos meus. A filha se transformará no pai... E o pai, se transformará na filha. Eu amo você minha pequena – Emma abraçou seu pai e logo Lois entrou naquela despedida –
– Nos encontraremos novamente meu amor, não se esqueça disso – prometeu Lois. Clark suspirou e levou sua filha até a nave, o lugar suportava apenas duas pessoas, o homem colocou sua filha quando ouviu um estrondo e um tremor na terra –
– Está na hora – disse Clark. Emma beijou Clark e Lois e entrou na nave – Não faça nada até que eu volte okay? Estou falando sério Lois – pediu o homem, sabia que sua esposa era teimosa e iria tentar lutar aquela batalha. Clark levantou a nave e voou com ela até um lugar onde pudesse jogar para atingir a terra. Lois levou uma mão ao coração, como se pedisse proteção para sua filha – Você será grande, minha filha. Você será espetacular – Emma chorava dentro da nave quando sentiu como se estivesse sendo lançada como uma bola de baseball. A loira ouviu um barulho vindo da nave e por algum momento pôde jurar que havia mais alguém ali –
~~~FLASHBACK OFF~~~~
– Lois e Clark? LOIS E CLARK? ELES SÃO DE VERDADE? – perguntou Killian quando acordou de seu desmaio –
– Na verdade é Kal-el, mas enfim – respondeu dando de ombros –
– É por isso... Por isso você sangra? Porque sua mãe é humana e teve você? E sua mãe é Lois Lane?! Meu senhor, eu estou presenciando isso mesmo?! – perguntou olhando para o teto de sua casa –
– Pois é, eu tinha que puxar algo dela não é mesmo? – retrucou. Killian voltou a sentar no sofá, pálido com aquilo tudo –
– Ai. Meu. Deus! Isso é surreal – disse olhando para a amiga. Killian de repente gargalhou e Emma franziu a testa –
– O quê? – perguntou confusa com aquela gargalhada –
– Nada, só acho engraçado os ventos da vida... – respondeu sem fazer nenhum sentido para Emma. O homem estava pensando em toda a historia da Emma e de seus pais, e em como algo na relação de Regina e Emma eram similares com a de Lois e Clark –
– Pois é, querido amigo. Esse é o peso que tenho que carregar – respondeu jogando sua cabeça para trás –
...
– Meu amor? O que faremos agora? – o homem alto e de boa aparência beijou o pescoço de sua amada enquanto Snow fechou os olhos ao sentir os lábios contra sua pele –
– Agora procuramos mais aliados, e depois... Depois Emma vai ter o que merece, seus pais mataram os meus, eles foram os culpados por aquela guerra que teve. Agora eu irei fazer o mesmo, irei matar Emma, mas primeiro vou fazê-la sofrer – Snow terminou suas palavras tocando no colar em seu pescoço, fazendo uma promessa. Voltou para o homem e o beijou com voracidade e paixão, logo subindo para deixar suas pernas ao redor do quadril do homem. –
~~~FLASHBACK~~~
– Papai! – gritou Snow –
– Preciso que você fique quieta meu amor, Kal-El vai tirar a filha daqui e você vai junto. Essa é sua única oportunidade de sobreviver – disse beijando a filha –
– Papai... –
– Isso tudo é por culpa dele, os inimigos de Kal-El irá nos destruir. Prometa-me algo, okay? – Snow concordou com a cabeça – Você irá nos vingar, irá destruir a filha daquele monstro, só assim esse legado irá acabar. Tome, isso é para nunca se esquecer de onde veio – o homem entregou um colocar para sua filha, ouviu alguém se aproximando e fez a filha entrar na nave – Amo você – disse fechando o objeto e o cobrindo com uma lona. Saiu dali deixando sua filha para ter sua melhor chance –
~~~FLASHBACK OFF~~~
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