Wonderland
1 Cheiro de Adrenalina
Notas iniciais
Eu já não lembrava mais de como era a luz do sol ou o bater do vento no rosto. Tinha passado tanto tempo naquele calabouço que quando ouvi botas batendo no chão, vindas em minha direção, estremeci. O lugar era escuro, e tão fundo na terra que eu jamais teria como ouvir a batalha que era travada acima de mim, então imagine minha surpresa ao ver um soldado de outro reino entrar na carceragem matando os 3 guardas que ficavam ali. Depois disso, passou de cela em cela, abrindo as portas e deixando os poucos presos que sobreviveram sair. Não demorou muito, é claro, para que chegasse na minha.
Eu já podia sentir os efeitos do que quer que tivessem usado em mim. Mesmo sem dizer palavra alguma, ou sequer olhar para mim, pude perceber que era uma mulher e que era muito boa no seu ofício. Ela cheirava a adrenalina. Soava a fúria. Apesar de sentir isso, não podia fazer muito por conta do meu estado. Eu estava completamente sem forças, e o pouco que tinha, usei para falar.
— Senhorita… diga-me. Em que ano estamos?
Ela vira bruscamente para mim. Provavelmente ia passar direto, achando que estava morto, mas com a voz de alguém surpresa balbucia:
— C-como você…?
— Por favor, me perdoe. Eu perdi a noção do tempo e de socialização, mas poderia por favor, responder minha pergunta?
— Eu… bom, estamos em 434 depois da Guerra. — ela diz enquanto me liberta.
— Certo… a que coroa você serve?
— Casa das Rosas.
— Imaginei que hora ou outra esse país de merda ia cair.
Uma vez solto, senti que precisaria de cuidados, repouso, comida, e com sorte, armas novas. Sendo assim, resolvi fazer uso da maior preciosidade que se pode ter em uma guerra.
— Senhorita, você poderia por favor me dizer se o rei deste castelo já foi decapitado? Porque se não foi, eu gostaria de assistir.
— Ele sequer está no palácio. Ele se escondeu em algum lugar.
— Ah! É meu dia de sorte, porque eu sei para onde ele foi. Ele…
Era o momento perfeito para enfim me render a tudo que eu sentia. Dor, frio, cansaço, raiva e muita tristeza. Eu sentia que ia morrer, da pior forma possível, e ali mesmo eu apaguei.
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