Wolfpire.

6 Capítulo 6 — Visão Licantrópica: O Bando.


Notas iniciais
Capítulo escrito por Fred.

— VOCÊ SÓ PODE ESTAR DE BRINCADEIRA, NÃO É? — PERGUNTEI ASSSIM que avistei as pessoas que estavam ali.

Minha chegada onde Derek Hale e seus lacaios estavam foi bastante intenso. Como? Simples, eu tinha que ver a irmã dele — ela era muito gata —, tinha o Isaac — um carinha de cabelos encaracolados, alto e de pele branca, mas eu o conhecia por conta do lacrosse —, o tio de Derek, Tom, Stiles — eu me pergunto o que ele estava fazendo ali — e o McCall... Scott McCall. Eu não acreditei de início, mas Scott McCall estava ali.

Primeiramente, eu pensei que aquilo era uma piada da parte de Derek. Ele não poderia realmente estar falando sério. Scott e Isaac aqui? O que ele estava pensando? Eu nunca notei nada de diferente em Scott e em Isaac na escola, então eles nunca me passaram pela cabeça de serem lobisomens. Jamais pensei em algo como isso. Também poderia pensar que Stiles fosse um de nós.

— O quê? — perguntou Derek indo até uma mesa que tinha em frente de uma enorme janela.

— Cara, como o quê? Como Stiles, Scott e Isaac podem ser lobisomens? — perguntei me juntando a eles e ficando um tanto perto da irmã de Derek.

Como eu disse, ela era gata. Tinha cabelo castanho-avermelhados, o mesmo tom de Derek e parecia estar entediada daquela reunião. Mas eu não prestei muita atenção nela, pois minha cabeça estava voltada em adquirir informações.

Derek riu.

— Stiles não é um de nós. — disse ele.

— Mas bem que ele queria, antes... — ouvi a voz de Tom, tio de Derek, dizer e o olhei.

Ele vestia uma blusa fina de frio branca, calças jeans e estava sentado na escada espiral que tinha ao lado esquerdo do cômodo em que estávamos. Ele deu um riso desdenhoso na direção de Stiles e quando olhei para Stiles, ele pareceu se incomodar com o comentário de Tom.

Eu senti pena. Stiles parecia tão vulnerável ali quanto qualquer outro. Eu não sei se era pelo motivo dele ser totalmente indefeso e humano, mas eu não queria ter a inimizade dele. Ele parecia ser um cara legal.

— Scott é um de nós há bastante tempo. — disse Derek — Isaac está conosco desde o ano passado. Mas Scott não é de minha alcateia...

— Fazia parte da minha. — interrompeu Tom e se levantando da escada, e vindo para perto de nós, se sentando em uma poltrona de couro. — Mas com a ajuda de meu querido sobrinho...

— Isso não vem ao caso, titio! — disse Derek em tom ameaçador e Tom levantou as mãos para o alto em forma de se render. — Isaac é meu. Scott está por conta própria, sendo um Beta e eu um Alfa.

— Beta? Alfa? — perguntei sem entender.

Isaac ruiu e eu não gostei muito disso.

— Você tem que aprender bastante coisa... — disse Isaac.

— Da melhor maneira possível, não é mesmo, Derek? — intrometeu-se Scott.

Derek soltou um risinho abusado.

— Certamente. — falou ele vindo em minha direção, pondo a mão em meu ombro.

Derek conversou comigo sobre esse lance de Beta e Alfa. Eu não entendi muito bem, mas ele me garantiu que eu entenderia depois de um certo tempo. Foi a mesma coisa com Isaac e Erica, seguido de Boyd — ele não gostou muito de mencionar o nome dos dois últimos, mas eu não pedi mais informações sobre eles. Se ele não quisesse falar, eu também não iria perguntar.

O que me intrigou, foi ele ter dito que eu provavelmente ficaria louco e sedento por sangue e morte na próxima lua cheia, o que eu achei parcialmente loucura, pois eu não gostava de... bem, digamos, matar alguém ou tampouco beber o sangue de ninguém. Eu não era um sanguessuga. Eu não me via fazendo isso, mas ele me garantiu que eu iria. Isaac havia me contado que ele teve, juntamente com Erica, mas eles conseguiram se controlar. Mas eu me lembrei de mim mesmo no dia em que lambi o sangue daquele animal... aquilo me fez querer mais e a vontade de matar surgiu em mim. Eu sabia que no fundo, no fundo, eu não poderia negar. Eu realmente iria querer matar. E isso me dava certo medo.

Derek aproveitou para me dizer que eu não conseguiria ficar muito tempo ao redor de meu irmãozinho Ernie. Por quê? Por conta de seu fedor. Ele me disse que esse tipo de espécie é raro de se encontrar em Beacon Hills, mas que houve indícios de vampiros aqui no passado. Num passado muito distante.

Derek me contou que nesse passado, vampiros haviam chegado a Beacon Hills disfarçados como humanos. Não era fácil de reconhecê-los. Sempre estavam bem vestidos, se enturmavam... era realmente difícil reconhecê-los. Mas eles não conseguiam disfarçar uma coisa: o cheiro. Sempre que um vampiro estava perto, o fedor deles sempre contagiava o ar. Sempre. Sem dúvida alguma.

Mas isso não parou por aí.

Derek alertou que era difícil matá-los. Eles eram rápidos, precisos em seus golpes letais e traiçoeiros. Nunca se deve confiar em um vampiro. Por mais que ele aparenta ser um cara amigável, nunca se deve confiar em um vampiro. Sua boa aparência, educação e gentileza sempre enganavam os outros, mas não a nós. O cheiro os entregava. Disso Derek tinha certeza, pois ele falava com convicção.

Ele também me disse que nem Isaac e nem Scott haviam lutado contra um deles, mas foi Tom quem me disse que seu avô já havia encontrado um vampiro no passado.

— Isso aconteceu no ano de 1924. Meu avô Robert o deteve. Foi difícil detê-lo. Meu avô não o matou, mas fez algo melhor. Ele quase estava sem forças. — disse Tom no meio da história. — Ele estava no meio da floresta atrás de recrutas. Sim, ele estava querendo recrutar e não me olhe desse jeito, Derek! — disse um Tom raivoso e Derek estava rindo para ele. — Sempre que ele ia para a floresta, não só recrutar, mas também caçar, ele sentia um cheiro esquisito. Uma mistura sinistra de perfumes com essência de morte. Era totalmente repulsivo. Ele não conseguia farejar direito. A maioria das vezes, ele estava sem respirar e...

— Espere aí! Sem respirar? Quer dizer que não precisamos respirar? — perguntei interrompendo-o e totalmente incrédulo.

Ele fez vista grossa para mim, não gostou de ser interrompido.

— Bom, precisar, precisar, precisamos. Conseguimos ficar bom tempo sem respirar, mas é horrível ficar sem o olfato. Principalmente para um lobo. — disse ele.

— Ah, entendi... — falei balançando a cabeça.

— Bem, como eu ia dizendo... — prosseguiu ele — meu avô ficava a maioria das vezes sem respirar e sempre alerta. Ele não conseguia distinguir qual era aquele cheiro, então ele sempre estava pronto para qualquer coisa.

“Mas isso aconteceu... logo em que meu avô estava correndo atrás de uma caça, ele se esbarrou com algo duro, frio e fedido. Era completamente repulsivo sentir aquele cheiro, segundo ele, mas ele havia encontrado o dono daquele fedor sinistro... e ele estava a sua frente e era um humano. Bem, ao menos era o que ele achava que o dono fosse.

“Ele estava de olhos em meu avô e rindo. ‘Eu esperava que fosse outra coisa além de um humano como você.’, disse ele com um riso perturbador em seu rosto. Mas meu avô não conseguia fazer outra coisa a não ser torcer o nariz quando fungou seu cheiro. ‘Você fede’, vovô Robert disse, mas ele riu diante disso. Ele se aproximou de meu avô com as mãos para cima e, quando vovô Robert baixou a guarda, foi a hora em que ele atacou.

“Eu não digo atacou de maneira certa, ele havia se transformado. Ele virou uma figura de quase dois metros e meio com asas de morcegos esqueléticas e seu rosto era completamente esquisito. Seu nariz havia se atrofiado, ficando uma coisa completamente esquisita e ele continua três coisas que meu avô não conseguia identificar em sua cabeça. Uma perto de cada orelha e uma no ponto atrás de seu crânio. Seu tórax era de uma mistura de ossos marcados, mas ele continha músculos em seus braços. Suas mãos viraram garras do tamanho de um dedo humano e totalmente afiado. Seus pés viraram patas de morcegos, contendo só três dedos esqueléticos e o modelo eram iguais aos de suas mãos. Dois dedos na frente e um atrás. E existia uma espécie de saia longa que cobria suas partes íntimas e isso era bom de ver ali, segundo vovô Robert. Ele era totalmente feio e esquisito. E quando ele realmente se transformou, seu cheiro ficou mais intenso. Meu avô quase vomitou de tanto embrulho no estômago.

“Mas meu avô não deixou barato, ele também havia me transformado. Ele não iria deixar aquela luta ser injusta, não é mesmo?

Eu pude ver um sorriso se formar no rosto de Tom. Eu me sentei no sofá bem ao lado dele, seguido dos outros. Eu pude ver Stiles ter alguns tremores e seu coração estava mais disparado do que um motor de carro em meio a uma corrida. Isaac parecia tão fixado na história quanto eu. Scott estava com cara de espanto. Cora se sentara a minha frente, em outro sofá, e Derek parecia normal. Eu o via revirar os olhos certas partes.

— Ele ficou surpreso quando meu avô havia virado um lobo negro de dois metros e meio de altura, com olhos vermelhos flamejantes, uma cauda negra e rosnava para ele. Ele disse que via o vampiro rir dele, mas a batalha não teve graça.

“Ficaram tirando pedaços uns dos outros intensamente e quando eu digo que arrancavam pedaços, arrancavam mesmo. Não tinham perdão. Ele arrancou boa parte de pele de vovô Robert e ele conseguiu quebrar alguns ossos dele e arrancar alguns dedos de sua mão.

“E ficaram nisso, meu avô não conseguia matá-lo por que ele voava, tinha força extrema e era rápido demais, e ele não conseguia matar o velho porque ele tinha suas experiências, rapidez e força ao seu lado, ele sempre conseguia arrancar algo ou quebrar algo dele quando ele fazia o mesmo vovô Robert. Estavam cansados, até que meu avô teve a ideia de fazer uma trégua.

“Meu avô passou para a forma humana e ele fez o mesmo. Ele havia arrancado boa quantidade de pele de costas de meu avô, quebrou uma de suas pernas, um de seus braços e conseguiu arrancar um pedaço da carne de sua panturrilha, mas meu avô conseguiu arrancar três dedos, dois da mão direita e uma da esquerda, quebrar quatro costelas dele e arrancou boa parte de sua carne de seus braços. Meu avô disse que havia ficado satisfeito com isso.

Aquilo fez meu estômago revirar, mas eu vi que não foi só o meu quando eu ouvi Isaac segurar o estômago e engolir o suposto vômito que se formou em sua garganta. Nojo.

— A trégua foi o seguinte: nenhum vampiro iria causar briga com lobisomens e nenhum lobisomem causaria briga com nenhum vampiro. Podíamos conviver em paz, mas nenhum de nós poderia causar tumulto em Beacon Hills. Se causássemos, era carta branca para uma briga entre nós. — Tom olhava o horizonte contente. — De vez em quando eles aparecem por aqui, mas seu cheiro agora é mais difícil de reconhecer. Eu não sei o que eles fizeram, talvez seja alguma coisa referente a novas gerações. Nada é como antes. Até o nosso cheiro ficou diferente. — finalizou Tom.

Todos ficaram em um silêncio mortal.

Aquilo era informação demais. Eu nunca senti o cheiro de morte, mas eu tinha certeza que conseguia sentir um pouco dele em Ernie. Ele estava impregnado com aquele fedor de vampiro sinistro. Era horrível sentir aquele cheiro. Meu nariz queimava quando eu estava com ele na sala e queimava, também, só de lembrar daquilo.

De uma coisa era totalmente certa: eu não conseguiria ficar perto de Ernie. Mesmo quando eu quisesse. Eu teria que sair de casa, ou eu obrigaria Ernie a sair de casa. Mas eu não poderia fazer nenhuma das duas coisas. Matt me mataria e o governo tiraria Ernie e eu de Matt. Eu não poderia fazer isso — mesmo eu não estando nem aí para a Assistente Social, mas eu tinha consideração por meu irmão mais velho. Eu não faria nada disso.

— Esteja preparado, Kevin. — disse Derek e todos olharam para ele. — A lua cheia é esta noite.

Assim que ele disse isso, eu olhei para o lado de fora e vi que começara a escurecer. O pânico tomara conta de mim a partir do momento em que vi o sol começar a se por.