WolfHill
9 Capítulo 8 - Troubles
Notas iniciais
P.O.V Nico
Já faziam algumas horas que nós estávamos no hospital. Mesmo que Apolo tivesse dito que a Bianca ficaria lá por pelo menos mais um dia, e que estava tudo sobre controle. Eu estava preocupado e sentia que algo ruim iria acontecer.
A Grace continuou no hospital conosco, e aquilo estava me deixando mais inquieto. Ela já estava vestida, a Annie havia dado o blazer a ela. Mesmo com toda a preocupação com a minha irmã eu não conseguia tirar da cabeça o que havia acontecido naquela festa. Eu não reconheci a mim mesmo, a Grace despertou uma parte me mim, que nem eu mesmo conhecia. E aquilo me deixava louco. Mesmo que eu me afastasse dela não adiantava, o cheiro dela estava impregnado em mim. E eu não sabia se isso era bom ou ruim.
—Nico. -Eu olhei para o meu primo. -Ela não pode ficar aqui. -Ele sussurrou. O Percy não precisava falar o nome, ninguém estava confortável com a Grace ali. -Seu pai pode aparecer, ou pio,r o meu.
—E você acha que eu já não a mandei embora? -Ele suspirou. -Ela não quer ir.
—Por que?
—Não sei. -Olhei para a morena sentada de braços cruzados. Um cheiro familiar me chamou a atenção, eu sabia que tinha percebido antes de todos, e aquilo não era bom. -Percy, tira ela daqui. -Ele me olhou. -Tira ela daqui agora!
—O que… -Ele parou de falar e olhou para o corredor. -Bianca. -Todos os lobos presentes olharam para o corredor.
—Tira ela daqui. -Eu disse. O alarme de incêndio começou a soar. -Agora, Percy!
Corri em direção ao quarto da minha irmã, esbarrei em um médico no corredor, mas não me importei. Quando cheguei no quarto xinguei até a última geração da Biana. A cama estava vazia, as paredes arranhadas, os aparelhos derrubados no chão, e a porta escancarada. Respirei fundo e senti o cheiro dela. Estava fresco. Ela não poderia estar muito longe.
Fechei os olhos por alguns segundos, respirei fundo e achei o rastro dela. Segui pelo corredor, subi as escadas e olhei em volta. O rastro havia acabado. Praguejei e voltei ao primeiro andar. Corri pelos vários corredores, a procura da minha irmã. Vi algumas enfermeiras correndo e gritando. Só podia ser ela.
A encontrei em um corredor totalmente destruído. Os pelos cinzas refletiam contra a fraca luz do local, ela estava perdida, dava para perceber. Ainda estava sobre o efeito da droga. Vi que tinha uma enfermeira dentro de uma sala e a minha irmã estava de costas para a sala. Fiz sinal para a enfermeira ficar quieta e ela assentiu. Parei de frente para a porta e a abri, puxei a mulher e a coloquei atrás de mim, a Bianca rapidamente virou e rosnou. A mulher atrás de mim gritou e se encolheu. Eu a empurrei para a área livre do corredor e me coloquei entre ela e a Bianca.
—Corre. -Eu disse e assim ela fez. A minha irmã rosnou. -Bianca. -Eu a chamei. -Olha para mim. -Ela ficou em posição de ataque. -Sou eu o Nico. -Ela rosnou e mostrou as presas. Aquilo não estava indo bem. -Bian… -Ela me atacou e eu fui de encontro ao chão, ela rosnou próximo ao meu rosto. -Já entendi. Você está de mau humor. -Ela rosnou novamente. -Você não quer me… -Suas presas cravaram em meu ombro e eu gritei. A joguei longe e me levantei. Podia sentir a ferida arder enquanto fechava. -Tudo bem. -Me ajoelhei no chão e a olhei. -Vamos fazer isso do jeito difícil. -Deixei o meu corpo estremecer, os meus músculos retesarem. Senti as minhas unhas se transformarem em garras, minhas mãos e pés em patas, meu corpo ganhar pelo, minha audição, olfato, visão e todos os outros sentido ficarem aguçados. Rosnei para ela.
“Já chega, Bianca!”
Disse e ela rosnou dando um passo para trás.
“Eu vou matá-la!”
“Não enquanto eu estiver aqui.”
Ela atacou, eu desviei e ela foi de encontro a parede, eu rosnei para ela que rosnou de volta. Fui de encontro a parede quando ela pulou sobre mim. Joguei o meu peso sobre o dela e nós rolamos pelo chão. Quebramos algumas paredes, camas, e equipamentos enquanto rolávamos pelo hospital tentando morder um ao outro.
Joguei-a contra uma perde e ela rolou sobre os carros. Havíamos chegado ao estacionamento. Pulei sobre ela novamente, rolamos novamente, parei sobre ela e rosnei, ela tentou me morder e eu desviei. Rolamos novamente a caímos um de frente para o outro. Ela rosnou e eu também.
“Bianca! Chega!” -Ouvi a voz do Percy.
Senti o cheiro da Annie e da Piper também.
“Vou matar a Grace. Vai ser mais fácil!” -Minha irmã rosnou para o Percy.
“Não!” -Ele respondeu.
Antes que ela pude atacar a Annie parou na frente e começou a murmurar em latim, a Piper a seguiu. Minha irmã se contorceu e caiu no chão. Não demorou muito para ela ter voltado ao normal. Me concentrei e deixei o meu corpo estremecer. Corri até ela quando voltei ao normal e acariciei o seu rosto.
—Desculpa, Nico. -Ela sussurrou antes de apagar. Abaixei a cabeça e suspirei. Limpei o meu sangue de sua boca.
—Não se preocupem. É meu. -Eu disse e os olhei. Ouvi a sirene da polícia.
—Vão. Levem-na daqui. -A Annie disse. Ela ergueu as mãos em direção ao hospital.- Ignis.(Fogo)-Ela sussurrou. No segundo seguinte o local que eu e a minha irmã destruímos estava em chamas. -VÃO!
Coloquei a minha irmã sobre o Percy e ele correu para a floresta. Eu os segui. Mas algo me fez parar. Um cheiro. Olhei para a frente do estacionamento e vi que a Grace tinha os olhos cravados nas chamas. Ela desviou os olhos para mim, porém, eu pulei na mata antes que ela pudesse me ver.
…
Eu fiquei encarregado de cuidar da minha irmã. Apolo a sedou quando nós chegamos na clareira. Poseidon não havia gostado nada do ocorrido, o que só me deixou com raiva. A situação entre eu e ele estava piorando. Eu nunca tive problema com o meu tio, mas quando fiz 18 anos o meu lado Alfa despertou. E aquilo não estava sendo bom para ninguém, principalmente para mim.
De acordo com as regras da matilha o Percy seria o próximo alfa. A nossa geração seria a matilha dele quando ele fizesse 18 anos. O que só aconteceria no ano seguinte. Mas, o que ninguém desconfiava era que o meu lado lobo descendia direto de Cronos, e isso me tornava extremamente valioso e perigoso. E por estar com aquele lado descontrolado eu estava tendo muitos problemas com Poseidon.
—Nico?-Ouvi a voz suave da minha irmã.
—Graças a Deus você acordou. -Ela sorriu. -Como se sente?
—Péssima. -Ela se sentou na cama. -Fisicamente estou perfeita. Mas mentalmente estou péssima. -Ela baixou o olhar.-Desculpa por ter te mordido.
—Não tem problema. -Eu me sentei na beira da cama. Ela automaticamente me abraçou.
—Quanto tempo eu dormi?
—Um dia. -Ela suspirou.-Está tudo bem.
—Eu fiz de novo, Nico. -Senti suas lágrimas molharem a minha camisa.
—Shiiiiii…-Eu acariciei os seus cabelos.
—Poseidon deve estar uma fera. -Ela disse.
—Ele já está mais calmo. -Ela me olhou.
—Brigou com ele?-Eu suspirei.
—Não. -Ela me estreitou os olhos.- Só discutimos.
—Nico!
—Você precisa comer. -Ela suspirou. -Vamos.
…
Eu estava na floresta. Uma parte que eu nunca havia visitado antes. Uma fogueira crepitava dentro de uma caverna, eu podia ouvir. Assim como também podia ouvir três corações batendo, e o choro de uma mulher.
Me aproximei da caverna. O cheiro de carne e sangue me fizeram querer vomitar. Respirei fundo e entrei no lugar escuro.
Um homem encontrava-se sentado próximo a fogueira, a mulher, que eu havia escutado chorar, está encolhida no canto da caverna. Ela estava sangrando e suas roupas estavam esfarrapadas. Eu não conseguia ver o seu rosto, mas podia sentir seu medo.
—Eles me tiraram tudo. -Voltei o meu olhar para o homem que encarava o fogo. -Tiraram o meu poder. Me deixaram fraco. -Suas mãos de fecharam em punhos. -Eu quero matá-los.
—Calma, meu querido. -Uma mulher surgiu das sombras. Os cabelos castanhos longos e ondulados estavam jogados sobre o ombro. Os olhos tão azuis quanto o céu transmitiam puro ódio. As chamas refletiam em seu vestido vermelho longo. Seu rosto era imponente me dava certo medo e fazia com que eu quisesse me curvar perante ela.-Logo você terá a sua vingança. -Ela acariciou o ombro dele. -Por hora, distraía-se com ela. -Ela apontou para a mulher encolhida no chão. -Você precisa estar forte para o que está por vir. -Ela olhou para o fogo. -Nós vamos queimar essas cidade. -O fogo aumentou. -Vamos queimar todos eles.
Abri os olhos e me sentei na cama ofegante. Aquele sonho havia sido tão real, tão intenso. Sentia o meu coração bater rapidamente contra o peito, minha respiração acelerada, o meu corpo suando. Eu estava tendo outra crise. Meu corpo inteiro se contorceu, eu mordi os lábios com força para não gritar. Senti os meus músculos se contraírem, me causando uma dor pungente. Minhas mãos se fecharam nos lençóis com força, podia sentir minhas garras rasgarem o tecido e a carne das minhas mãos.
Rolei para o chão tentando normalizar a minha respiração, parecia que havia ficado horas sem respirar, meus pulmões queimavam. Eu não tinha controle sobre mim mesmo. Era como se alguém estivesse me forçando a virar lobo. Lutar contra aquilo era ainda mais doloroso, eu sabia, mas eu nunca me rendia facilmente. Olhei para as minhas mãos e vi que os pelos cresciam descontroladamente nelas, eu não tinha controle sobre o meu lobo. A dor durou pelo que pareceram horas, até eu perder minhas forças e deixar a transformação acontecer.
Me ergui e olhei para o meu reflexo no espelho, o pelo negro estava brilhando sob a luz da lua. Meus olhos estavam vermelhos como de um alfa, e o meu lobo estava maior, me sentia espremido no meu quarto, aquele não era eu. O que estava acontecendo comigo?
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