WolfHill
10 I never ask, please.
Notas iniciais
P.O.V Thalia (P.S.:Esse capítulo inicia no mesmo dia que o Nico conversa com a Bianca)
O sinal que anunciava o intervalo finalmente tocou, e mesmo que o barulho quase explodisse a minha cabeça eu estava feliz por ser intervalo. Nunca fiquei tão feliz por ter um grande número de óculos de sol, aquele Ray Ban nunca havia sido tão bem usado. A noite mal dormida junto com a bebedeira haviam me deixado em péssimo estado. E justo naquele dia, o sol resolveu aparecer em WolfHill, e apareceu no estilo Rio de Janeiro.
“Exagerada!”
Quieta consciência!
–Oi! -Eu a olhei. -Ah… Você também está mal, não é? -Eu assenti e afundei a cabeça entre os meus braços que estavam sobre a mesa do pátio.
–Agradeceria se você fizesse silêncio, loira. -Eu disse.
–A ressaca te deixa educada. Devia beber mais vezes. -Ouvi a voz do Jason e ergui o dedo médio, o ouvindo rir em seguida.
–Toma. Vai te fazer bem. -Ergui a cabeça e olhei para o capo que a Annabeth me estendia. -Vai melhorar a sua ressaca. -Eu peguei a copo, quando aproximei do meu rosto eu quis afastar rapidamente. Odiava chá! -Só um gole. -Bebi um gole daquela água suja com gosto de mato e entreguei o copo a ela.
–Isso é horrível. -Ela riu.
–Não disse que era bom. Só disse que iria fazer bem. -Eu queria revirar os olhos, mas sabia que minha cabeça iria doer horrores.
–A Di Ângelo está bem? -Ela me olhou. -Depois de tudo o que aconteceu.
–Está sim. -Ela rapidamente virou para frente. -Eu…-Ela deixou a frase morrer. Segui o seu olhar e vi que a Dare se atracava com o Jackson. As mãos da Annabeth fecharam-se em punhos e ela respirou fundo. -Vejo vocês mais tarde. -Ela se levantou rapidamente e saiu andando.
–O que aconteceu entre ela e o Jackson? -Eu perguntei.
–Eu não sei. -Ele disse. -Juro que não sei. -Eu sabia que ele estava mentindo.
–Então eu vou perguntar a alguém que saiba. -Levantei da cadeira.
–Thalia, o que…
Ignorei o Jason e segui até o Jackson. Parei ao lado deles e fingi um pigarro, a Dare me olhou de cima abaixo e cruzou os braços, o Jackson consertou a camisa e me olhou. Joguei ele contra a mesa e o segurei pela gola da camisa.
–Hey!
–O que você aprontou com ela?
–Do que você tá falando?
–Annabeth. O que fez com ela? -Ele olhou em volta, e pela sua reação podia jurar que todos nos olhavam. Ele engoliu em seco. -Me responde, Jackson!
–Não fiz nada! -Eu estreitei os olhos e o soltei.
–Seja lá o que você tenha feito, eu vou descobrir. E quando isso acontecer eu vou voltar aqui e quebrar a sua cara. -Ele riu.
–É melhor acreditar nela. -Ouvi um voz conhecida e todos os meus pelos se arrepiaram. Di Ângelo.
–Por que se importa? -Ele me perguntou. -Por que se importa tanto com ela?
–Porque ela merece coisa melhor que você, Percy Jackson.
…
Dois motivos para eu odiar a insonia. Primeiro, eu não conseguia dormir, isso já era ruim o suficiente. Segundo, o Jason resolveu levar a McLean para dormir com ele, mas dormir foi a última coisa que eles fizeram. Disso eu tinha certeza. Nunca achei que ficaria enjoada de ouvir o nome do meu irmão, ou a voz da McLean.
Levantei da cama rapidamente, subi as escadas e abri a porta. O barulho estava pior no corredor. Caminhei até o quarto dele, que eram duas portas depois da minha, e bati na porta. Sim, eu sei que ele iriai me matar.
–Jason, eu não preciso ficar ouvindo isso! -Gritei.
–Thalia, deixa de ser empata foda! -Ele gritou em resposta.
–Então, manda a McLean gritar mais baixo! -Eu sei, tinha muita lógica no que eu havia dito.
–Vai dormir, Thalia! -Eu soquei a porta. A McLean voltou a gemer.Revirei os olhos e soquei a porta novamente, e aparentemente os dois nem se importaram. Eu faria a mesma coisa no lugar deles.
Olhei para a porta do meu quarto e dei de ombros, caminhei pelos corredores. Estava sem sono mesmo. Parei na frente do quarto de Ares e abri uma fresta para poder espiar lá dentro. Vazio. Abri a porta e entrei no cômodo. Adorava mexer nas coisas dele. Caminhai até a cama e me joguei nela, o quarto, para variar, estava uma bagunça, roupas espalhadas para todo lado, facas no chão, armas na cabeceira, balas no chão, um colete pendurado na maçaneta da porta, livros derrubados nas prateleiras (sim Ares lia), e garrafas de cerveja para todo lado.
Caminhei até a escrivaninha, me sentei na cadeira e acendi a luminária. Comecei a ler os papéis espalhados, Ares tinha sérios problemas com papéis, ele anotava tudo, tudo mesmo.
“Segunda-Feira — Encontro com Afrodite.”
–Afrodite. -Sussurrei. -Eu conheço esse nome.
Abri o computador dele e o liguei. Esperei alguns segundos até a tela de bloqueio abrir, chutei várias senhas até conseguir desbloquear. Nunca fui boa em hackear as coisas, o Jason sempre foi melhor. Me assustei quando a tela abriu com a foto de Ares e uma loira. Os dois sorriam de modo espontâneo, e eu nunca havia visto os olhos de Ares brilharem daquela maneira. A foto parecia antiga.
Ignorei a minha surpresa e abri a pasta pessoal dele. Ares cuidava das baixas, e de encobrir tudo. Ele era o nosso Antônio Sorrentino, só que mais novo e mais gato. Abri a pasta dos EUA. Procurei por Nova Orleans e não a achei. Aquilo era estranho, Ares tinha pastas até de lugares que não tinha registro de lobisomens, era muito estranho ele não ter uma pasta do lugar onde sempre houve lobisomens.
Quando estava para sair da pasta um arquivo me chamou atenção. Afrodite. Cliquei no arquivo e vi que era um vídeo. A mesma mulher loira que estava no papel de parede estava no vídeo, os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo, a camiseta branca estava suja de sangue e terra, ela tinha os lábios inchados e um corte no lábio inferior, o supercílio também sangrava, mas mesmo assim ela sorria, e seus olhos estavam inchados por causa das lágrimas brilhavam.
–Provavelmente, Poseidon vai querer me matar se um dia souber desse vídeo. Assim como seu pai. -Ela riu.–Novamente. –Ela fungou e olhou para as mãos, antes de voltar a chorar.–Me perdoa, Ares. -Ela pediu e voltou a olhar para a câmera.–Eu não consegui. Eu tentei. Eu juro que tentei. Tentei ficar longe de tudo. Tentei ser forte. Tentei não ser o que sou. -Ela fungou e limpou as lágrimas.–Me perdoa. –Ela baixou o olhar novamente.–Eu queria que você soubesse por mim, antes ou depois que qualquer história chegue a você. -Ela olhou para a câmera.–Eu a perdi. -Ela desatou a chorar novamente.–Eu a perdi. Eu… -Ela afundou o rosto nas mãos. –Eu perdi a nossa filha. -Meu sangue gelou. -Me perdoa, Ares. Eu…
–Afrodite. -Alguém a chamou.
–Eu já vou, Ártemis. -Ela disse. -Eu te amo, Ares. E eu nunca vou perdoá-lo pelo que fez. -Seus olhos transmitiam puro ódio e fúria.–Eu nunca vou perdoar o seu pai pelo o que ele fez.
–Afrodite. Nós temos que ir. -Ela fungou e limpou as lágrimas. Se levantou e caminhou até a cama, colocou uma jaqueta vermelha e calçou botas pretas, de longe dava para ver que suas pernas estavam sujas de sangue, e aquilo me fez arregalar os olhos. Voltou para a cadeira que estava sentada e abriu um sorriso.
–Sally e Maria estão mortas. -Eu engoli em seco. –Eu sei que não foi o seu pai. Mas ele fez isso comigo. E eu nunca vou perdoá-lo, Ares. -Ela Pegou a câmera e abriu um sorriso. –Talvez, um dia eu te encontre, e pessoalmente eu possa te contar o que realmente aconteceu.
–Afrodite. -Uma mulher de cabelos castanhos apareceu na porta do quarto dela. -Nós temos que ir.
–Eu te amo, Ares. -Ela sorriu. –Nunca se esqueça o que você realmente é. -Seus olhos se iluminaram, ficaram em um tom azul brilhante. Ela era uma loba. O vídeo terminou com o sorriso dela.
Ares estava com uma loba? O que diabos estava acontecendo?
Ouvi passos e fechei rapidamente o computador, desliguei a luminária e caminhei até a porta. Os passos ficaram mais altos, eu arregalei os olhos, não iria dar para sair. Abri o armário de Ares e entrei, assim que eu fechei a porta, alguém abriu a porta do quarto. Eram Hera, Ares, Zeus, Hefesto, Héstia e Íris. Todos estavam com roupa de caça, menos Ares, o que era estranho, ele nunca perdia uma caçada.
–Onde estava? -Íris perguntou.
–Fui dar uma volta. -Ares deu de ombros e retirou a jaqueta jeans. -Você sabe. Fui até aquele bar atrás da loja que vendem drogas. -Cobri minha boca com as mãos.
–Nós sabemos que foi encontrá-la, Ares. -Héstia disse e cruzou os braços.
–Afrodite pode ser sentimental. -Ele disse e deu de ombros. -Tentei usar isso para tentar descobrir algo sobre Poseidon. -Ele olhou para Zeus. -Não adiantou nada. -Ele olhou para o armário e riu. Ele sabia que eu estava lá. -Estou me sentindo a Thalia. -Eu quis socá-lo. -Podem continuar o interrogatório amanhã? Estou cansado.
–Fique longe dela, Ares. -Zeus disse. -Eu não estou pedindo. -Eles saíram do quarto. Alguns segundos depois Ares riu e sentou-se na cama.
–O que faz aqui, Thalia? -Eu saí do armário.
–Nada. Vim ver se estava acordado. -Ele terminou de retirar os coturnos e os jogou no canto.
–Você não sabe mentir para mim.
Eu bufei e me joguei na poltrona que ficava no canto do quarto. Ares aparentava não estar nada bem, ele sempre tinha um sorriso no rosto, brincava comigo, e até brigava comigo. Mas naquela noite ele não sorria, mantinha o olhar sempre baixo, os ombros também. Ares estava triste, diria até magoado.
–O que aconteceu? -Eu o perguntei.
–Encontrei uma amiga, só isso. -Ele deu de ombros. -Estou cansado, Thals. -Eu o observei por mais alguns segundos até resolver sair do quarto. -Você devia parar de entrar no meu quarto.
–Eu devia. -Passei pela porta e caminhei até o meu quarto.
Aquela história estava muito mal contada, as peças não se encaixavam, faltava informações. E eu iria descobrí-las.
(...)
A parte ruim de mudar de cidade no meio do ano letivo é que tudo está acontecendo e você fica perdida. Faltava pouco mais de um mês para as provas, o trabalho de Quíron seria apresentado na mesma semana, e naquela linda manhã de sexta-feira, o treinador Hedge resolveu nos mandar correr pela trilha da escola novamente.
–Cansada? -Eu o olhei. -Eu estou.
–O que quer, Di Ângelo? -Mesmo suado o infeliz continuava bonito.
–Conversar. -Ele deu de ombros. -O que tem feito de bom? -Eu o olhei.
–Assistido porno. -Ele riu. Ele tinha uma risada gostosa.
–Sério?
–Não idiota. -Ele riu novamente e me olhou.
–Então o que tem feito?
–Olha, eu sei que a Annabeth tem se esforçado bastante para ser minha amiga, mas eu não faço o tipo que tem amigos. Já disse isso a ela.
–A Annie também. -Eu revirei os olhos. -Você gosta de dificultar, não é?
–As pessoas que desistem rápido demais.
–Ou elas apenas ficam casadas de insistir. -Eu o olhei. -Por que afasta todo mundo?
–Todos temos motivos para sermos como somos. Eu tenho os meus, você tem os seus, a Annabeth tem os dela, a vida é assim. -Ele me segurou pelos braços e esperou os outros se afastarem. -Por que…
–Me deixa descobrir os seus motivos. -Ele me cortou. -Me deixa descobrir a verdadeira Thalia Grace. -Eu engoli em seco.
–Só existe uma Thalia Grace. E é essa aqui. -Apontei para mim mesma.
–Não é não. -Ele olhou nos meus olhos. -Essa garota que você finge ser, não é a mesma que eu beijei. -Por puro impulso eu umedeci os lábios.
–Você não me beijou. -Ele abriu um pequeno sorriso de canto e me colou contra uma árvore.
–Podemos resolver isso agora se você quiser. -Eu o olhei e abri o mesmo sorriso que ele.
–E quem disse que eu quero? -O sorriso dele se desfez e suas mãos me soltara.
–Está me dando um fora? -Eu estava me controlando para não começar a rir.
–Vamos voltar a correr?
...
Devia ser a quarta noite consecutiva que eu ia até aquela cachoeira, ali era um lugar tão tranquilo, tão… Eu não sabia exatamente como explicar. Mesmo que fosse sábado a noite eu estava lá. Havia passado o dia inteiro com a Annabeth, e havia chegado a conclusão de que ela não era um má pessoa e que estava realmente tentado ser minha amiga. Então dei uma chance a loira.
Retirei minha camisa, calça, e coturnos rapidamente. E como o Di Ângelo disse a água estava quente, e parecia estar sempre quente. Entrei na água e meus músculos automaticamente relaxaram. Fechei os olhos por alguns segundos aproveitando aquela sensação. Até sentir a respiração de alguém bater contra a minha pele, a minha primeira reação era me defender e, provavelmente, deixar quem estivesse atrás de mim roxo, mas algo me fez relaxar, um cheiro já conhecido.
–Está me seguindo? -Ele riu.
–Ainda não. -Eu me virei para ele. Grande erro ele era bem mais alto que eu, o que deixava o meu rosto exatamente entre o seu peito e o seu pescoço. -Só não gosto de levar foras, Grace. -Eu ri. -Consegui fazer você sorrir. Acabei de ganhar o meu dia. -Eu acabei sorrindo e o fixando o meu olhar no dele.
Tinha algo nele que me atraia, não sei dizer se eram os cabelos sempre bagunçados, o jeito meio Bad-Boy meio fofo, o sorriso, ou os olhos. Tinha 70% de certeza que era o pacote completo. E além disso, a eu não conseguia esquecer o que havia ocorrido naquela festa, mesmo que tivesse passado uma semana desde o ocorrido, eu ainda podia sentir cada toque, cada beijo, e tinha certeza que não era a única. O jeito que ele me olhava, era tão intenso, tão… Ele iria me deixar louca! Completamente louca!
–Thalia. -Como foi que ele chegou tão perto? Espera! Ele me chamou de Thalia? -Estou te chamando a um bom tempo.
–Eu… Eu estava pensando em um coisa. -Ele estreitou os olhos. -Não era nada. -Ele abriu um pequeno sorriso.
–Claro que não. -Eu acabei mordendo o lábio inferior, fazia isso quando estava nervosa, ansiosa e excitada, tudo ao mesmo tempo. Ele levou uma de suas mãos até os meus lábios e me fez soltar o lábio que eu mordia. Seu olhar encontrou o meu e um arrepio delicioso percorreu o meu corpo.
Ergui um de minhas mãos e apoiei em seu braço, subi a minha mão até o seu pescoço acariciando o local em seguida. Eu poderia ficar ali para sempre. Não sabia o que estava acontecendo comigo, mas não queria que parasse, e mesmo se quisesse não conseguiria, era mais forte que eu.
Ele aproximou o rosto do meu e mordeu o meu lábio inferior. Usei todo o meu controle para não gemer vergonhosamente. Fui virada de costas rapidamente, só senti quando seus lábios roçaram em minhas costas nuas, cravei as minhas unhas em seus braços e o senti rir. Fechei os olhos e mordi o lábio com força. Mexi involuntariamente o meu quadril, o que foi quase como rebolar contra ele, o que me fez gemer baixo, mas ele ouviu. Senti os meus cabelos serem afastados, e seus lábio tomarem o local. Ele virou o meu rosto para ele e eu abri os olhos.
–Agora quem não quer sou eu. -Ele sussurrou rouco em meu ouvido e me deu um selinho rápido, tão rápido que eu mal senti. -Boa noite, Grace. -Ele me soltou. Me virei e vi que ele caminhava para fora da água.
–Você só pode estar de brincadeira. -Ele riu, mas não se virou, continuou o caminho. -Isso não tem graça, Di Ângelo!
–Tem sim, Thalia. -Ele parou do lado de fora, e eu pude ver que ele estava de boxe. Tinha certo volume considerável ali. -Quer terminar o que começamos? Ótimo. -Ele pegou a calça que estava dobrada no chão e me olhou. -Mas primeiro você vai ter que pedir. -Eu fiquei boquiaberta.
–O que te leva a achar que eu estou tão desesperada assim? -Ele riu.
–Os seus seios. -Eu olhei para baixo e vi que estavam rijos, cruzei os braços e o olhei.
–Isso não quer dizer nada. -Ele terminou de abotoar a calça e me olhou.
–Vai me dizer que, não ficou nem um pouquinho excitada? -Eu saí da água e o encarei.
–Eu não fui a única. -Ele revirou os olhos. -O que te leva a pensar que… -Ele me puxou para si pela cintura e eu arfei.
–Tudo o que tem que fazer é pedir, Thalia. Apenas pedir, por favor. -Eu fiquei boquiaberta.
–Eu nunca peço, por favor. -Ele riu e me soltou.
–Você vai pedir.
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