WolfHill
28 Capítulo 27 - This was to be a declaration?
Notas iniciais
P.O.V Thalia
—Acontece que eu guardei uma garra de Cronos. -Vi Poseidon travar o maxilar e cerrar os punhos. -Não achei que fosse algo para me preocupar. -Ele deu de ombros e olhou para mim. -Mas, então, aquele moleque nasceu. -Senti a presença de alguém atrás de mim, mesmo que não visse, sabia que era o Nico. -Pouco tempo depois, foi a minha filha. -Ele balançou a cabeça. -Ambos nascidos sob a Lua Cheia, como todos nós nascemos. Estava tudo perfeitamente em ordem. -Ele voltou a olhar para Poseidon. -Até ele sangrar.
—Pare de enrolar, Zeus! -Hades se pronunciou.
—Uma noite escutei a Beryl levantar da cama, mas ela demorou de mais, eu fui atrás dela, quando cheguei na sala ela tinha o Sanguini e fazia uma poção com ele. E como ela tinha aquela maldita pedra, eu não podia fazer nada.
—Que poção era essa? -Poseidon perguntou.
—Eu não sei. -Ele suspirou. -Só sabia que ela estava preocupada com ele. -Zeus apontou para o Nico. -Thalia. -Ele chamou. -Vem aqui. -Pediu. Respirei fundo e me aproximei dele.
—O que Poseidon quer saber?
—Onde eu escondi a mulher dele. -Ele riu. -E a sua mãe. -Rosnei e me aproximei mais. -Se me matar nunca vai saber.
—Onde ela está? -Dei mais um passo. Esse foi o meu erro. De alguma forma ele conseguiu me derrubar, e antes que eu pudesse fazer algo fui mordida por ele, e então senti algo rasgar minha pele novamente.
—Beryl. -Olhei em volta, com certeza e não estava mais na clareira. -O que...
—Fique aí! -Vi Zeus ficar imóvel. -É o único jeito. -Ela voltou a mexer na poção.
Me aproximei dela bem a tempo de vê-la murmurar algo, mas não parecia ser latim. Quando terminou de falar e abriu os olhos, eles estavam vermelhos como sangue, totalmente vermelhos. Ergueu a mão fazendo o Sanguini se erguer, e então moveu a mão, fazendo a pedra se partir em três. Colocou um dos pedaços dentro de um recipiente e terminou de quebrá-lo, e de alguma forma fez a pedra virar líquido.
Uma outra parte, que era a maior ela guardou. Piscou e, então, seus olhos voltaram ao normal. Ela saiu da casa e eu a segui. Vi que estávamos na clareira, e aquela devia ser a casa de Zeus. Parecia ser exatamente como a que eu estava.
Corri atrás dela e a vi entrar na casa de Hades. Com magia, destrancou a porta e entrou. Seguiu para o único quarto no primeiro andar, e eu senti o desespero tomar conta de mim. Era o quarto do Nico.
Minha mãe abriu a porta e olhou para a criança que dormia tranquilamente. O Nico devia ter no máximo 6 anos. Sua pele era igualmente pálida a do Nico mais velhos, seus cabelos também eram escuros como a noite, só que o Nico criança tinha cabelos compridos. Próximos da cama estavam vários bonequinhos, e eles me fizeram lembrar das palavras do Nico.
"Eu tinha sete anos e adorava brincar com aquele malditos bonecos."
Minha mãe sentou-se ao lado do Nico e passou a mão por seus cabelos.
—Tão inocente. -Sussurrou. -Preciso que me perdoe Nico. -Ela murmurou algo em latim e voltou a olhar para o Nico. -Você não vai se lembrar, mas isso é para o bem de todos vocês. -Ela aproximou o recipiente, que havia transformado o Sanguini em líquido, do Nico e começou a murmurar algo. O líquido escuro começou a escorrer do recipiente e aos poucos, pingava no Nico, e a cada gota se movia por seu corpo. Foi então que ele começou a gritar. O líquido parecia entrar por seus poros, parecia achar o melhor caminho para as suas veias, mas aquela não era a pior parte, aquilo parecia queimar ele. É o que o Sanguini fazia.
—NÃO! -Gritei. -PARA COM ISSO. -Eu tentava tocar nela, mas eu não conseguia, eu parecia ser feita de fumaça. -NÃO! DEIXA ELE EM PAZ! -Lágrimas brotaram em meus olhos e eu não conseguia segurá-las. Ela estava machucando ele! Ele era só uma criança. Por que ninguém escutava?
—NÃO! PARA COM ISSO! -Senti braços a minha volta. -NÃO MACHUCA ELE! DEIXA ELE EM PAZ. -Comecei a me debater. Escutava o meu nome, mas não sabia quem me chamava. E então, tudo ficou escuro.
—Mamãe! O que faz aqui? -Ela sorriu. -Veio brincar com a gente? -Ela balançou a cabeça. -EBA! -Corri até ela. -Vem Nico! -Escutei os passos dele. -Do que vamos brincar?
—Olha. -Ela ergueu uma pequena pedra, parecia normal. -O que acham de brincarmos de achar o tesouro?
—Podemos ser piratas? Vamos construir um barco e achar muuuuuuuuitos tesouros. -Minha mãe acabou rindo da ideia do Nico, mas por fim assentiu.
—Piratas! -Gritei e subi em uma pedra. -Olha, Nico! Achei um barco.
—Eu tenho um mapa. -Minha mãe disse. -Vou esconder o tesouro e vocês tem que achá-lo.
—Siiiim! -Dissemos juntos.
—Tudo bem. Virem de costas! -Fizemos e tampamos os olhos, alguns segundos depois destampamos os olhos e olhamos para trás. -Não vale espiar. -Voltamos a olhar para frente rapidamente. -Vamos.
...
—Mamãe! Está muito difícil de achar o tesouro. -Sentei-me na pedra.
—Então, o que acham de ir tomar sorvete? -Olhei para o Nico sorrindo. -Tem um tesouro de calda de chocolate lá em casa. -Nós começamos a correr.
Abri os olhos lentamente e me sentei na cama. Senti a mesma se mover e o olhei. Suspirei e passei a mão no rosto. Ele parecia estar acordado há dias, o que significava que eu estava apagada há dias.
—Quanto tempo eu apaguei?
—Feliz 2016. -Suspirei. -Apagou por cinco dias. -Suspirei e abracei o meu próprio corpo. -O que você viu? -Não podia contar a ele. Se contasse ele iria ficar preocupado, e eu não podia deixar aquilo acontecer. Ninguém iria machucar ele. -Lia.
—Preciso de um banho. -Me levantei. -Pode pegar uma roupa para mim, por favor? -Ele me encarou por alguns segundos e por fim assentiu. -Obrigada.
Entrei no banheiro e encostei a porta. Escovei os meus dentes, já que estava com um gosto e sangue na boca e tinha dormido por cinco dias. Minha roupa ainda estava um pouco suja de sangue, e a mordida de Zeus tinha deixado uma pequena marca. Me despi e entrei no chuveiro.
Assim como o resto do quarto o banheiro do Nico também era de madeira escura e o resto todo era preto, até o mármore. A única peça diferente era a minha toalha, que era vermelha, ele havia gostado da combinação.
Lavei os meus cabelos lentamente, não estava com pressa, não queria encarar a realidade, muito menos Poseidon ou Zeus. Encostei a minha cabeça na parede e deixei a água relaxar um pouco os meus músculos. Estava tão distraída que nem percebi quando ele entrou no banheiro, muito menos quando ele abriu a porta do box, só senti os seus braços me envolverem e o seu corpo colar ao meu.
Ele depositou um beijo casto em meu ombros e apoiou o queixo ali. Ele sabia que eu estava tensa, afinal, quem não estava? Com tudo o que estava acontecendo, a qualquer minuto alguém poderia ser atacado, ou pior. E eu não podia deixar aquilo acontecer.
—Eu sei o que está pensando. -O olhei sobre o ombro. -Por favor, não faz isso. -Me virei para ele. -Não sei o que descobriu, mas você não vai fazer nada sozinha. -Suspirei. -Vai ser suicídio.
—Do que...
—Eu vi. -Ele fechou os olhos. -Eu vi você morrer. -Sussurrou e me apertou contra si. -Não posso perder você. -Abriu os olhos. -Tive algumas visões uma vez, e uma dela era você. Caída no chão, estava desarmada e sangrando, você sorriu como se pudesse me ver, e então fechou os olhos, a última coisa que disse foi o meu nome. -Seus olhos estavam cheios d'água e eu tinha as minhas dúvidas se era realmente só água em seu rosto. -Por favor, Thalia, não faz nada sozinha. Eu estou te implorando.
—Não vou. -Nem eu acreditei naquilo. -Estou com medo Nico. -Confessei e colei nossas testas. -Estou com medo de perder você. Eu não sei o que faria se...
—Shiiii... Não vai acontecer nada. -Me cortou. -Vamos estar juntos. -Assenti.
—Eu te amo. -O olhei.
—Eu te amo. -Olhei em seus olhos e acabei sorrindo. -O que foi?
—No meu aniversário, você se declarou para mim. -Ele sorriu, mas ainda assim ficou com as bochechas um pouco coradas. -Disse que se apaixonou por mim quando me viu chorando na cachoeira. -Acariciei o seu rosto. -Me apaixonei por você aos poucos, primeiro me apaixonei por seus olhos, depois pelos seus lábios, e não nego que me apaixonei pelo seu corpo também. -Ele riu. -Percebi isso quando achei que fosse um lobo, no dia em que brigamos, quando acordei você estava basicamente curado, mas foi a Annie. -Ele sorriu. -Me apaixonei por você de verdade quando você me protegeu de Cronos. E quando eu acordei, você estava deitado ao meu lado, parecia ter dormido muito mal, mas passou a noite ao meu lado. -Fechei os olhos e suspirei. -Nunca quis me apaixonar por você, Nicholas. Nunca quis me apaixonar por ninguém. Sempre acreditei que se eu amasse alguém, essa pessoa se tornaria minha fraqueza. -Abri os olhos. -Mas eu me sinto mais forte quando estou ao seu lado. Você se tornou parte de mim, uma parte que as vezes eu queria não precisar.
—Isso era para ser uma declaração? -Acabei rindo.
—Você ficou ao meu lado quando meu mundo desmoronou, e ainda está. -Respirei fundo. -Como você ainda me aguenta? -Ele acabou rindo.
—Só você, Thalia Grace, para fazer uma declaração assim. -Eu ri. -É por isso que eu amo você. -Ele sorriu e me deu um selinho. -Eu acho que você está precisando relaxar. -Fui colada na parede.
—Estou sim. -Enlacei minhas pernas em sua cintura. -Muito.
—Eu tenho uma ideia. -Ele sorriu e eu também.
P.O.V Ártemis
—Hum...Não deveríamos fazer isso, e você sabe disso. -Ele riu. -Apolo! -Olhou em meus olhos. Sempre fui apaixonada por seus olhos verdes, não que ele saiba disso. — Não somos mais crianças, e eu devia estar tentando achar Cronos, e você, Doutor, devia estar cuidando de algum paciente. Não devíamos estar comendo doces a essa hora da madrugada.
—Eu sei. — Ele deu outra mordida no chocolate. -Estou em meu horário de descanso, okay? -Balancei a cabeça em negação. -O que foi isso? -Senti sua mão tocar minhas costas, perto da base do meu pescoço. -Foi quando você encontrou Cronos? -Assenti. -Acho que tenho alguma...
—Não. Eu gosto das minhas cicatrizes. -Dei de ombros. -Você está em seu horário de pausa, mas eu não, tenho que voltar, troco de turno daqui à duas horas.
—Ainda acho loucura essa ideia de Poseidon, você vai acabar se machucando novamente.
—Estou bem. Sei me virar sozinha.
—Não duvido disso. -Me levantei ajeitei minha roupa. -Ah... Eu vou sair daqui à duas horas, te vejo em casa? -Assenti.
—Te vejo mais tarde loiro.
Caminhei até a floresta e acenei para ele. Voltei a andar entre as árvores já conhecidas. Por mais que procurasse não conseguia achar nada que indicasse a presença de Cronos, ou de Reia, ou de qualquer outra pessoa que não fosse da matilha. Eram sempre as mesmas pegadas, os mesmos cheiros, nada mudava.
—Tem certeza, disso? -Parei onde estava. Era a voz da Annabeth.
—Tenho.
—Pode ser Reia brincando com você.
—Não é. -Vi as duas passarem por mim e não me verem.
Sem os poderes da Annie, era perigoso para as duas ficarem andando pela floresta sozinhas, mesmo que a Thalia fosse um lobo forte, ela ainda não era treinada para usar os sentidos de lobo como humano, e mesmo na forma de lobo, ela não sabia lutar.
O que aquelas duas poderiam estar aprontando? A Thalia estava armada, seu arco pendia em suas costas, junto com a aljava. Já a Annie estava sem nada, mas fiquei sabendo que a Thalia andou treinando a loira, o que era realmente bom.
Resolvi seguir as duas pela floresta. Não demorou muito para eu ouvir o barulho da cachoeira. Vi a Thalia checar a área, e por pouco ela não me viu. A morena voltou a por o arco nas costas e olhou para a Annie.
—Consegue mesmo fazer? -A loira balançou a cabeça.
—Por isso chamei a Piper.
—Você o que?!
—Não tínhamos muita escolha, tínhamos? -A Thalia bufou. Alguns minutos depois a Piper apareceu.
—Isso é loucura. -Ela disse e se aproximou. -Vamos logo. -Ela puxou a mão da Thalia e cortou a palma da mesma, começou a murmurar em latim, mas aparentemente, não estava dando certo. -Não está funcionando. -A Thalia bufou em frustração.
—O que vocês estão aprontando? -Elas arregalaram os olhos e me olharam, a Thalia até armou o arco.
—Ártemis. -A Annabeth me notou aliviada. -Não estamos fazendo nada.
—Claro, um feitiço de localização com o sangue da Thalia, não é nada. -Cruzei os braços e as encarei. -Falem. -Elas se entreolharam. -Se eu uivar, todos vão aparecer. Vocês escolhem.
—Não! -A Piper suspirou. -A Thalia acha que sabe onde está o Sanguini. -As olhei, nenhuma das três parecia estar brincando.
—E onde está?
—Aqui. -A Thalia respondeu. -Quero dizer, era para estar. -Ela bufou e levou a mão até o pingente. -Não acredito nisso. -Balançou a cabeça em negação.
—O Nico te deu o cordão da Maria. -Observei e ela me olhou. -Sinta-se importante por usar dois dos três colares dos Três Primordiais. -Ela estreitou os olhos.
—Como assim três?
—Beryl, Maria, e Sally. Cada uma recebeu um colar com uma lua cheia. Um de Zeus, um de Hades, e um de Poseidon. -Dei de ombros.
—Quer dizer que existem três colares? -Assenti. -Três colares. Três partes do Sanguini. Não pode ser coincidência. -Olhei para a Thalia. -Vai ajudá-la a achar seu caminho. -Olhou para a pedra em seu colar. -Preciso dos outros colares.
—Para quê?
—Olha, eu sei que é loucura, mas... Eu só preciso dos três cordões. -Olhei para as outras meninas. -Por favor.
—Eu sei onde está o da sua mãe, mas não sei onde está o da Sally.
—Eu sei. -Olhamos para a Annie. -Está no pescoço da minha mãe.
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