Em uma pequena cidade chamada Wokezfield, localizada a apenas alguns quilômetros de Londres, havia uma antiga família chamada Wokez. Wokezfield foi fundada por Wokez há muitos anos atrás e nessa família havia um garoto chamado Lucian. Ele tinha cabelos e olhos negros que contrastavam com sua pele branca. Com apenas dez anos ele já se mostra muito maduro e inteligente, sendo assim um grande prodígio para sua família.

Pela manhã Lucian se encontrava na parte superior de sua casa, se olhando pelo espelho antigo e bem conservado, perdido em pensamentos, fitando profundamente seus próprios olhos percebe que seus cílios ligeiramente grandes parecem com os de uma dama, porém, mesmo com seus cílios afeminados contém vários traços másculos em seu rosto.

Ainda perdido em seus pensamentos o jovem ouve sua mãe o chamando e dizendo:

— Bom dia filho, hora de irmos até a casa dos seus tios. Prepara-se, pois a carruagem já esta pronta para partida.

E assim responde Lucian:

— Bom dia, mamãe. Estou indo. Onde está meu pai?

A mãe ligeiramente responde:

— Está à frente de nossa casa nos esperando para o desjejum na casa de seus tios. Se apresse!

E assim vão os dois. Enquanto descem a escadas, Lucian percebe os longos cabelos negros de sua mãe, aos olhos dele, sua mãe Elizabeth é perfeita. Sem que note os dois já estão na porta da carruagem e lá se encontra seu pai. Com os cavalos já selados a carruagem, Lucian toma seu acento e fita diretamente seu pai. Belo e jovem, seu pai tem cabelo castanho e barba semicerrada. Lucian herdou muitos traços dele. Logo que seu pai percebe sua presença, estende a mão ao filho e com isso Lucian vai de encontro à mão de seu pai com seus lábios, pois isso demonstra respeito. Assim que afasta os lábios da mão de seu pai Lucian percebe o lindo anel azul e retangular que está na família Wokez há séculos, passando entre os membros homens e somente o membro mais velho poderia tê-lo em sua mão.

Em nenhum momento Thomas, pai de Lucian, olha para o próprio filho. Ele é rígido, porém Lucian não o odeia, pois sabe que ele é dessa maneira porque necessita ser e um dia Lucian terá que assumir o seu lugar.

Com a carruagem em movimento, passando em uma pequena estrada em meio a um bosque, com os sentidos aguçados Thomas ouve cavalos a uma distância incrivelmente longe. Thomas, com o espanto derramado em seu rosto fala algo ao cocheiro e Lucian percebe que algo de ruim está por vir. Com os cavalos agora não muito distantes e perfeitamente audíveis a todos da carruagem, Lucian tenta abrir a boca para falar algo, mas nota que o momento não é propício.

A feição de sua mãe não está tranquila igual há cinco minutos, porém ela como a verdadeira dama da família Wokez, se mantém em seu acento, quando de repente uma flecha atravessa a jugular do cocheiro e com o impulso ele cai bruscamente da carruagem. Os cavalos sem condução levam a carruagem a sair da estrada, após 50 metros bosque adentro finalmente a carruagem bate em um pinheiro velho e vira. Elizabeth desesperada pega seu filho pelo braço e o leva para a saída, Lucian atordoado ainda não percebendo que a carruagem está de lado, vê seu pai do lado de fora preparando algo para lhe dar e vai de encontro a ele. Thomas está com um pequeno saco aveludado e o entrega ao filho dizendo:

— Corra Lucian. Leve a honra da nossa família. Corra até seus tios.

Atordoado, Lucian não consegue abrir a boca e solta apenas um gemido gélido, atendendo ao pedido de seu pai. Gritos de sua mãe são abafados pela carruagem e ecoam em sua cabeça. "Eu te amo, filho" havia sido a última frase que Lucian ouvira de sua mãe e isso fica marcado em sua mente. Lucian já distante de seus pais corre bosque adentro, ele não sabe em que direção está indo e já com fadiga pela inesperada corrida cai no chão e ali se permite ficar, pois não ouve cavalgadas e então adormece.