"Eu te amo filho, eu te amo."

Ainda com as últimas palavras de sua mãe em mente, Lucian acorda. Sonolento ele olha ao redor e vê que não está mais naquele bosque, mas sim em um quarto com mobílias perfeitas, feitas com madeiras nobres, paredes cor marfim com pequenas flores de lis estampadas, e o chão feito de madeira com cor marrom escuro. Assim que nota uma jovem menina ali, Lucian se assusta. Ela tem cabelos castanhos e pele branca, porém não pálida. Seus olhos são da cor das pinhas caídas no chão do bosque e sua boca levemente rosada. Ela está sentada em uma poltrona com livro na mão e não percebe que Lucian está acordado. Lucian nota que essa menina é sua prima Olivia e volta a sua atenção para o livro com capa de couro antigo, porém não consegue ler o nome, de qualquer forma não devia ser algo para idade de Olivia, que é um ano mais nova que ele. Ainda assim, como Lucian ela é madura e inteligente. Vestindo uma blusa social com um colete marrom por cima, faz Lucian deduzir que ela acabara de vir de uma cavalgada. Lucian e Olivia não tem muita intimidade, eles até então tinham se visto poucas vezes e geralmente em festa de eventos sociais da cidade.

Olivia pega Lucian lhe olhando, mas ele ainda está preso em seu devaneio. Ela solta um pequeno suspiro para ver se Lucian para de olhá-la e já estava se sentindo incomodada por Lucian. De repente um clique na porta tira a atenção dos dois. A maçaneta gira e entram três pessoas as quais duas delas Lucian é capaz de reconhecer, são seus tios Catarina e William. A outra pessoa usa um jaleco branco, logo Lucian percebe que se trata de um médico. Os três andam até Lucian e Olivia se levanta para ir para perto de seus pais. Eles então percebem que o menino havia acordado e o médico fala:

— Bem, parece que o jovem Lucian não sofreu nenhum dano. Apenas desmaiou pelas circunstâncias do momento.

Para Lucian o médico parece ter 40 anos, ele mede a temperatura de Lucian e continua a falar:

— Ele só deve repousar, o mantenha deitado.

Os tios de Lucian, apesar da boa notícia, estavão com os semblantes muito tristes. Logo após Lucian perceber isso, o médico de nome desconhecido deixa o quarto. Seus tios parecem impacientes e por fim seu tio William se prontifica começando a dizer:

— Bom Lucian... Estamos aliviados que você esteja bem.

— Onde estão meus pais?

Retruca o menino. A pergunta de Lucian faz seus tios se olharem e chama a atenção de Olivia.

— Eles desapareceram após o ocorrido. O caçador que lhe encontrou havia visto sua carruagem caída, porém não teve tempo de ver quem os levou. Imediatamente reconhecendo o brasão de nossa família, lhe trouxe para cá.

Lucian olha para baixo com o semblante confuso, sem ideia da intensidade do problema que ele acabara de ouvir. Lucian reconhece o anel cintilante na mão de seu tio. Aquele brilho nunca pareceu tão sombrio quanto neste momento, ainda fitando aquele anel logo pensa que se o anel está na mão do tio então consideraram os pais dele mort... Lucian se levanta protestando:

— Por que o anel do meu pai está com o senhor? Esse anel é do meu pai e o senhor não tem o direito se usá-lo!

— Agora eu sou o mais velho, Lucian. O anel deve ficar comigo.

— Não. É do meu pai, me devolva!

Grita Lucian exaltado indo em direção à mão de seu tio quando de repente sua prima o segura pelo braço e lhe dá um tapa no rosto deixando sua bochecha avermelhada. Olivia se afasta de Lucian com um olhar indecifrável e diz em voz baixa:

— Controle-se.