Eu – Ela é feliz… com ele. – Falei roucamente.
Tom – A felicidade acaba quando menos se espera. – Mudou a mudança. «E eu que o diga»
Virei a cara olhando a paisagem campestre a surgir.
Fomos o resto em silêncio. Tom estacionou o carro. Um BMW X5 preto estava estacionado na garagem. Saímos. Bill fez o mesmo. Tentava controlar a ansiedade, isso era notório.
Tom – Ficas aqui fora. – Tom ordenou olhando para o irmão.
Bill – Não. – Contradisse.
Tom- Não tens o direito de entrar assim na vida dela!
Bill- É tanto minha como tua!
Tom- Ela não te quer ver!
Bill- Eu não tinha tanta certeza!
Eu- Importam-se!?- toquei à campainha, o olhar daqueles irmãos estavam exactamente iguais, apesar de terem a mesma tonalidade e os mesmos traços, o nervosismo, ansiedade medo e raiva estavam presentes em ambos os olhares.
Tom- Faz hoje 15 anos!- comentou num sopro- 15 anos, de mentira, 15 anos de traição- mantinha os olhos fechados embora estivesse bem acordada, eu tambem me lembrava bem daquele dia, alias todos os anos neste dia eu passo a noite em claro, tanto eu como Tom tinhamos medo de admitir isto um ao outro, e estes desabafos de Tom, fizeram-me ver que ele sente aquilo que eu sinto- E senão fosses tu ao meu lado, eu tinha desistido!- ele acariciou-me os cabelos e depositou um beijo no meu ombro.
Eu- Devias ter-me dito à mais tempo!- encarei-o.
Tom- Estavas acordada!?
Eu- Não preguei olho toda a noite!- apoiei a cabeça no braço, ficando ao nivel dele.
Tom- Agora ja sabes a minha fraqueza!
Eu- Não é apenas a tua, a minha tambem, eu sei o que sentes, eu sinto o mesmo, passado tantos anos, eu ainda continuo com aquele aperto no peito, embora vá diminuindo, graças a ti!
Tom- Por isso eu preciso sempre de ti por perto!- beijou-me os labios com um toque de seda.
Eu- Este é um dia como os outros, vamos levar os miudos à escola, deixas-me no trabalho e segues para o escritório!- beijei-o novamente e levantei-me, ele agarra-me o braço e eu sorri-o.
Tom- Ainda são 6:30, temos muito tempo!- olhei o relogio e constatei que ele tinha razão.
Eu- É do stress!
Tom- Anda cá!- bateu com a mão no meu lado da cama, eu deitei-me e ele aconchegou-me, deitei a cabeça sobre o peito dele e ele beijou-me a nuca.
Eu- Nunca te afastes!
Tom- Achas que era capaz!?- caimos num sono não muito profundo, quando sinto alguem a abanar-me.
- Mãe, pai!
Tom- Que foi Ally?- a voz era pesada e sonolenta.
Mika- O Jonh está a vomitar na casa de banho!- abri derrepente os olhos e salto automáticamente da cama e corro até à casa de banho onde Jonh se encontrava.
Eu- Filho!- ele estava debruçado sobre a sanita.
Jonh- Mã-ãe!- tinha os olhos humidos e a custava-lhe a falar, ponho a minha mão sobre a testa.
Eu- Tu estás a arder em febre!-puxo-o para cima, as pernas dele tremiam.
Jonh- Eu tou tonto!- a voz dele estava dispersa e perde as forças, eu agarro-o não deixando que caia.
Eu- TOOM!- ele aparece nesse segundo.
Tom- Mas o que...- não diz mais nada e liga automáticamente a agua fria enchendo a banheira, eu tiro a pouca roupa que o Jonh tinha e Tom pega nele e mergulha-o na banheira.
Eu- Ele não acorda!- nesse instante Jonh agarra com força os braços do pai.
Jonh- Fr-ria!- Jonh batia os dentes e os labios tornavam-se num tom roxeado.
Eu- Graças a Deus!- pego numa toalha e Tom embrulha o filho nela e leva-o ao colo até ao quarto.
Tom- Vamos vesti-lo e leva-lo ao hospital!
Ally- Ele está bem?- perguntou a medo.
Eu- Agora sim!- abracei o meu filho e aquecia-o enquanto Tom procurava uma roupa- Tom, eu vou com ele para o hospital e tu levas a Ally à escola!
Olhava para Jonh enquanto lhe acariciava o rosto. Era tão parecido ao pai. O rosto pleno e tranquilo como o Tom.

*
Suspirei. O barulho ensurdecedor da porta a bater fez-me sobressaltar. Ajeitei o robe e fui até à sala deparando-me com Tom desajeitado.
Eu – Onde é que estiveste? Era suposto teres ido buscar a tua filha à escola, mas –
Tom – Schh. – Cambaleou até mim. – Desculpa-me. – Falou atrapalhadamente.
Eu – O que é que estiveste a fazer? – Ele riu-se. – Estiveste a beber. – Aguniei-me.
Tom – Só um bocadinho. – Gargalhou. – E advinha porquê! – Disse alto esboçando uma expressão risonha. – Por causa do BILL KAULITZ! – Gritou.
Eu – Fala baixo! – Pedi.
Tom – Porquê? Toda a gente tem de saber o cabrão que o BILL KA – Tapei-lhe a boca. Ele soltou-se.
Eu – Vai dormir Tom, amanhã falamos.
Tom – Eu cometi um erro. – Agarrou as minhas mãos. – Desculpa. – O seu sorriso desvaneceu deparando-se agora com algo arrependido.
Eu – O que foi que fizeste?
Tom – Eu não queria. Eu bebi só um bocadinho porque vi a cara daquele paneleiro no placar da rua e lembrei-me que dia era. – Atirou o boné para o chão. – Mas ela era tão parecida. – Os seus olhos brilharam mais do que nunca. – O seu cabelo, a sua voz… até parecia que o perfume era o mesmo! – Falou como se estivesse a reviver tempos passados. – Mas depois de estar feito vi que não era ela. – Tremelicou. – Era uma outra que tentava ser igual a ela.
Eu – Tens noção do que estás a dizer, Tom Kaulitz? – Afastei-me dele.
Tom – Eu não queria, amor. – Aproximou-se novamente de mim. – Mas foi mais forte do que eu. – Soluçou.
Eu – Não querias o quê? – Tentei não acreditar no que ele me tentava dizer.
Tom – Eu… eu…
Eu – Tu o quê? – gritei.
Tom – Eu envolvi-me com a rapariga. – Caiu de joelhos no chão. – Eu só a quero de volta! – Disse como uma criança.
Eu – O-o-o-o que estás para aí a dizer? – Senti lágrimas quentes escorrerem-me pelo rosto. – O que estás a dizer, Tom? – Abanei-o violentamente.
Tom – Foi como vê-la de novo! – Cuspiu. – O que querias que eu fizesse?
Eu – Que me respeitasses, não como tua mulher, mas como tua melhor amiga. – Ajoelhei-me à sua frente. – Tom. – Ele virou a cara. – Olha para mim. – Agarrei delicadamente o seu rosto.
Tom – Bate se quiseres, manda-me para fora de casa, só te peço que não me tires os meus filhos.
Eu – Oh Tom. – Abracei-o ouvindo o seu soluçar.
Olhava a paisagem, um riacho que foi testemunho de tudo, nestas aguas foram lembranças que voltam sempre ao mesmo sitio, lembro-me da musica que tantas vezes cantas-te para mim, que fizeste questão de a aprender na lingua dos meus pais, sem qualquer pronuncia, a musica que agora tanto significava.
Eu- Porque é que a vida é assim!?- \" ai Bill, porque é que ainda me fazes sofrer.- escorrego pela arvore-\" Odeio-te, mas não consigo deixar de te amar\"- sento-me finalmente na arvore que presenciou a nossa entrega, reconheço cada buraco, cada fenda daquela arvore, e tu?, será que ainda te lembras!?
Eu- Sou um ser que odeias- comecei aquela melodia com uma voz tremida enquanto ouvia passos calmos atrás de mim.
- Mas que gostas de amar- encosta-se à arvore.
Eu- Como eu barco perdido- era ele
Bill- À deriva no mar
Eu- A vida que levas
Bill- De novo outra vez
Eu- Um mundo que gira- põe-se de cocaras à minha frente
Bill- Sempre a teus pés
Eu- A palavra amiga
Bill- Que gostas de ouvir
Eu- A sombra esquecida que te viu partir- soltei uma lagrima
Bill- A noite vadia
Eu- Que queres conhecer- limpou-me a perola cristalina
Bill- Sou mais um dos homens
Eu- Que te nega e dá prazer
Bill- Sou a voz da tua alma
Eu- Que te faz levitar
Bill- O àtrio da escada
Eu- Pr\'a tu te sentares
Bill- Sou as cartas rasgadas
Eu- Que tu não lês
Bill- A tua verdade
Eu- Mostrando quem és
Bill- O resto de tudo

Eu/Bill- Desculpa!- unimo-nos num abraço que significava tudo e nada ao mesmo tempo, sentia o seu coração bater, tinha saudades, o caração dele parecia querer saltar do peito assim como o meu. O abraço quebrou-se e olhamo-nos nos olhos, ficando como que agarrado um ao outro , sentia a respiração dele a embater na minha, fechei os olhos e sentia que ele fazia o mesmo, os nossos labios tocaram-se com um certo receio, os labios dele colaram-se novamente aos meus, as minhas mãos foram ter ao cabelo dele e entrelacei os meus dedos no mesmo, a lingua dele pediu autorizaçam para entrar, entreabri os meus labios dando permissão, a lingua dele envadiu a minha boca, senti de novo aquele frio do piercing dele, dando aquele toque selvagem ao beijo, o toque que eu sentia saudades, o toque que nunca mais tinha sentido, sem querer uma gota de agua corria pelo meu rosto indo morrer nos nossos labios unidos, o beijo ganhou intensidade, vou descaindo sobre ele, os nossos labios descolaram-se, recuperamos a respiração, as nossas testas estavam encostadas.
Bill – Desculpa. – Levou os dedos aos meus lábios. – Isto… — Sobrepus o indicador sobre os seus lábios carnudos e sorri.
Beijei-o novamente.
Eu – Eu amo-te. Nunca deixei de te amar e eu sei que tu sentes o mesmo, Bill.
Bill – Mas não devemos. – Murmurou roucamente.
Eu – Eu sei. – Soprei. – Por favor, não me abandones de novo. – Pedi. – Aliás, nunca cheguei a perceber porque me abandonaste.
Bill – Tu não me amavas.
Eu – Eu amava-te tanto Bill e esse amor ainda está comigo. – Levei a sua mão ao meu coração. – Aqui dentro. O amor que eu sinto por ti renasce cada dia que relembro todos os nossos momentos, o teu toque, o teu cheiro. Até mesmo o dia que soube que tinhas partido com a minha melhor amiga. Isto é amor, Bill.
Bill – Uma mera atracção, hein? – Fiz cara confusa. – Eu ouvi tu a dizeres ao Tom que o que sentias por mim era apenas uma atracção, eu ouvi, ninguém me disse.
Eu – Eu não disse isso!
Bill – Eu ouvi, Sara. Não tenho problemas auditivos.
Eu – Eu nunca disse tal coisa!
Bill-Eu lembro-me desse dia como se fosse hoje, lembro-me de cada palavra que saiu da tua boca!- acariciou-me a cara e delineou-me os labios.
Eu- Como é que te lembras de uma coisa que eu nunca disse!?- penetrava o meu olhar no dele.
Bill- Porque é que insistes em mentir? Eu sei bem o que ouvi!- levantei-me.
Eu- Eu não estou a mentir!- ele levanta-se, encorralando-me na arvore com os seus braços.
Bill- No dia em que me fui embora, lembraste!?
Eu- Como poderia eu esquecer esse dia, por mais que tentasse nunca conseguia!
Bill- Lembraste, de ir falar com o teu marido?
Eu- Lembro-me Bill, foi nessa conversa que ele se arrependeu do que fez, um arrependimento que perdura, na conversa em que eu desabafei com ele, porque a pessoa com quem eu queria falar desapareceu!
Bill- Afinal sempre disseste!- levei as mãos à cara dele, fazendo festas.
Eu- Não!
Bill- Como não!? Eu ouvi!
Eu- Não podes dizer que ouviste da minha boca que eu não te amava, nesse dia, eu disse ao Tom o que te queria dizer a ti-
Bill- Querias dizer na minha cara que eu era um engano!- agarro-o pelo pescoço e puxo-o para mim.
Eu- Não, eu queria te dizer o medo que sentia, as minhas duvidas, eu era uma miuda, Bill! Pouco mais velha que a tua filha! Eu nunca disse que não te amava, pelo contrario! Nessa conversa eu fiquei decidida, era contigo com quem queria casar, era contigo que queria viver, eras tu o pai que eu queria para os meus filhos!- encostei as nossas testas.
Bill- Mas eu ouvi!
Eu- Um desabafo, uma incerteza, eu estava com medo, confusa, disse coisas sem pensar, coisas que nunca senti!
Bill – Eu pensei que… todos estes anos eu achei que tu nunca tinhas gostado verdadeiramente de mim. Eu… eu saí de Berlim por isso, por não suportar o ódio e a revolta de pensar que tu não me amavas. Até pensei que gostasses do Tom e … e parece que sim. – Baixou o olhar.
Eu – Bill… — Ergui-lhe o rosto agarrando o seu queixo. – O Tom é o meu melhor amigo. Ele foi o meu amparo, como eu fui o dele. Vocês deixaram-nos… sem dizer nada, Bill.
Bill – A atitude do Tom não foi a mais sensata. – Ele deu-me a mão e começámos a caminhar em direcção a casa. – Ele renegou o próprio filho. Um acto inconsciente e infantil. Ele só demonstrou o quanto era imaturo.
Eu – Nós ajudávamo-la. Não era fugir que tudo se ia resolver. – Tentei controlar o pânico. Para além do mais… o Tom queria falar com a Isa e dizer-lhe que queria ficar com o filho.