Without You!
52 Capítulo 51
Bill – Não o disse antes. E só o Tom e a Isa sabem o que ouviram um do outro no dia em que ela lhe contou que esperava um bebé dele. – Parámos junto da casa da Simone. – Vamos entrar? – Olhou-me de relance. Eu – Como vamos ficar… Bill? – Indaguei com medo da sua resposta. Bill – Não sei. – Suspirou. – Eu… eu amo-te, a ti. Mas… eu não a posso trair, apesar de já o ter feito contigo. Mas… ela é muito importante para mim e não vou trair a sua confiança. Acho que quando voltarmos, eu falo com ela e… talvez. – Calou-se. – Nós temos família. Tanto eu como tu, temos família. Abanei a cabeça em tom de conformação e acabámos por entrar em casa. Simone estava sozinha na sala. Enxugava as lágrimas que lhe escorriam pelo rosto enquanto olhava a moldura que tinha na mão. Ela estava definitivamente abatida com a situação. Ela sofria. Bill tossiu propositadamente. Ela olhou para nós e limitou-se a apontar para o quarto. Eu – Acho que será melhor ires lá tu. – Coloquei a mão sobre o ombro de Bill. – Fala com o Tom. – Pedi calmamente. Bill – Não. – Sentou-se ao lado de Simone. – Perdoa-me mãe. – Segurou cuidadosamente a sua mão e beijou-a. – Só preciso do teu perdão para poder encontrar a paz interior. Eu não pretendia fazer o que fiz, mas foi bastante difícil que não consegui agir de uma outra maneira. Por favor, perdoa-me. Eu amo-te acima de tudo e o que eu menos queria neste tudo era fazer-te sofrer. Simone – Oh Bill. – Levou a mão enrugada à face de Bill. Limpou-lhe as lágrimas e sorriu. – Eu nunca te guardei rancor. Apenas sofri pela tua partida. Por não te teres despedido ou dito uma última coisa. Mas tens sempre o meu perdão. És o meu filho. Algo meu. – Soluçou. – Serás sempre o meu menino. Olhei para o lado. Tom estava encostado à parede com os braços cruzados enquanto olhava para o irmão e a para a mãe. Por detrás daquela máscara, eu conseguia ver um pequeno sorriso esboçado nos seus lábios comprimidos. Sorri para mim mesma enquanto voltava a olhar Bill e Simone. Ryan – Simone! – Ryan entrou disparado pela sala. A sua expressão alterou-se olhando aterrorizado para nós. – O que… pai? – Olhou para Bill que se afastava de Simone. Bill – Ryan. – Levantou-se. Ryan recuou olhando desapontado para a avó. Depois para mim e finalmente para Tom. Ryan – Foi contar-lhes? – Inquiriu num tom bastante audível. – E a Ally? – A sua voz era tão forte e grossa que julguei que era capaz de trespassar todas as paredes da casa. – Mas aqui são só traidores? – Gritou. Tom – Calma, nós – Ryan – Calma… — Riu ironicamente. – Calma… — Repetiu no mesmo tom. Bill – Ryan, vamos para casa e temos a conversa que – Ryan – Não volto com traidores! Eu – Tens de voltar. – Murmurei. Ryan – Eu sei de tudo! – Arregalei os olhos. – Vocês odeiam-se porque a minha mãe e o meu pai traíram-vos, eu bem sei que a minha mãe andava com o pai da Ally e o meu pai com a mãe da Ally. É por isso que se odeiam tanto, não é? E pelo facto de eu e a Ally sermos primos! – Apoiou os braços sobre as costas do sofá. – Mas isso não me impede de a amar. – Esclareceu. – Não são vocês que nos vão separar. Simone – Querido. – Levantou-se. – Não é o que – Ryan – Não quero saber! – Levou as mãos ao ar. – Sabem que mais? Eu vou voltar para casa. Mas é porque estou farto. Vou buscar as minhas coisas a casa e vou-me embora de vez. – Ameaçou olhando Bill nos olhos. – Sou maior de idade, já não sou nenhuma criança. 20 anos servem para alguma coisa. Não preciso de ti, nem da mãe nem da Selena! – Alertou. – Afinal de contas sempre foram a família feliz… sem mim! Bill – Não digas barbaridades! Ryan olhou uma vez mais fulminante para Bill e entrou no quarto de rompante. Estremeci a olhar para a cara preocupada de todos. Simone – Ele é realmente parecido contigo, Tom. – Concordou Simone. Tom – Eu sei. – Trocou olhares com o irmão. – Mas é demasiado orgulhoso. – Resmungou. Simone – Em alguma coisa tinha de sair à mãe. – Sorriu carinhosamente. Ficámos novamente em silêncio. Um silêncio constrangedor. Algo… perturbador. Ryan voltou a aparecer. Trazia a guitarra às costas. Deixou cair a mala sobre o chão provocando um som miudinho. Bill foi ao encontro dele. Observei a cena. Isto não devia ser assim. Tom – A Ally? – Rompeu o silêncio. Ryan – Pensei que estivesse aqui. – Ficou tenso. Eu – Viu a Ally? – Olhei em desespero para Simone. Simone – Ela tinha saído com o Ryan. – A sua voz soou preocupante. Ryan – Ela tinha dito que vinha aqui. Eu esperei por ela e nunca mais apareceu. Então decidi vir ver se ela tinha ficado por cá. Mas parece que não. Eu – Temos de procurar a Ally! Tom/Ryan – Vou ver se a encontro lá fora. – Disserem em uníssono. Ryan olhou para Tom enraivecido. Colocou a guitarra junto da mala que estava no chão e saiu a correr seguido pelo de rastas. *** Olhei o rosto enternecido de Tom. Dormia calmamente. A respiração regular. A sua caixa torácica movimentava-se conforme a dilatação dos seus pulmões. Estava sereno. Apesar de saber que não estava, ele mantinha a expressão falsa mesmo estando a dormir. Isso acalmava-me. Tom sabia lidar bastante bem com situações destas. Mas… Ally estava desaparecida e eu queria e quero a minha filha de volta. A nossa filha. Remexi-me. Olhando-o mais atenta. Não tenho sono. Tom está a dormir profundamente, ou pelo menos aparenta estar a dormir relaxadamente. A minha cabeça anda em roda. Vagueia em direcção ao quarto ao lado. O quarto onde está Bill. A pessoa que eu amo. A adrenalina corre-me nas veias, nas artérias e articulações. Quero vê-lo de novo, sentir o seu aroma reconfortante e a sua pele junto da minha. Levantei-me cautelosamente na cama. Tom grunhiu algo que eu não consegui entender. Ele gemeu insatisfeito. De repente a tranquilidade passou a preocupação. Parecia debater-se perante algo. Virou-se de barriga para baixo. Acomodou a cabeça na almofada. Consegui ver as pequenas gotas de suor que lhe acresciam pela pele das costas. A luz lunar incidia sobre a sua pele morena. Dando-me assim capacidade de captação sobre o mesmo. Ele suspirou. O silêncio voltou a reinar pela imensidão negra de todo o quarto. Apenas se ouvia a respiração coordenada de Tom, e a minha que teimava em ser silenciosa e indulta. Saí do quarto. Caminhei por pé entre pé. Abri a porta do quarto de Bill. Estava escuro, tão ou mais escuro que o quarto do irmão. Oh que saudades eu tinha de estar ali… novamente com Bill. Que saudades… Bill – O que queres? – A sua voz soou melancólica. Estremeci. Eu – Não consigo dormir. – Admiti murmurando. – Estou preocupada com a minha filha. E se lhe aconteceu alguma coisa? – Ganhei coragem e fechei a porta cuidadosamente. Tacteei as paredes e móveis, e sentei-me na borda da sua cama. Bill – O Tom não está a acordado? – Lançou um suspiro. Eu – Não. Ele está… cansado. Achei melhor deixá-lo dormir. Bill – Eu não sei o que dizer em relação aos vossos filhos. Não sei que tipo de educação lhes deram, portanto, desculpa não poder ajudar. Mas não posso nem sei o que fazer. Eu – Eu sei. – Tentei encontrar o seu rosto pela escuridão. – Como está o Ryan? – Mudei de assunto. Bill – Vim agora da sala. Está no alpendre a tocar guitarra. Engoli em seco e aproximei-me de Bill. A minha respiração ameaçou ficar descontrolada mas não me importei com aquela aproximação inadmissível. Eu – Bill… — Murmurei o seu nome enquanto continha para que o meu coração não me saísse pela boca. Não conseguia falar. A sua boca encontrava-se agora colada à minha. A sua língua jogava com a minha. E eu… melhor, o meu corpo parecia estar a entregar-se por completo a si. A minha memória pouco se aglomerava por isso. Simplesmente não quis saber. A roupa amontoava-se no chão. Os lençóis esvoaçavam entre braçadas, arqueamentos e gemidos que vinham por debaixo dos lençóis. Eu estava a fazer amor. Eu estou a fazer amor. O meu corpo está novamente unido ao de Bill. Eu estou a fazer amor. Eu estou a senti-lo. Eu estou a fazer amor. Eu estou a – A minha mente parou de emitir o quanto eu estava excitada, não apenas por estar a fazer amor com Bill, mas também, por eu o ter de novo para mim. [Ryan] Eu – “Love hurts...
But sometimes it\'s a good hurtAnd it feels like I\'m alive.” – Dei uns leves acordes enquanto olhava o céu estrelado e respirava ofegante pela noite abafada. Ela tinha desaparecido… sem me dizer drasticamente nada. O pior é que eu não parecia constrangido, apenas sentia uma certa repulsa dentro de mim. Um ódio que crescia à medida que eu fazia soar uma melodia sobre as cordas da minha guitarra. Talvez quem eu merecia realmente. Continuei a cantar enquanto sentia a brisa quente trespassar-me os cabelos. A luz mortiça da lua a iluminar-me o campo de visão. Calei-me enquanto tocava calmamente. Uma presença a mais. Olhei para o lado e vi Tom sentado no chão. Tinha as pernas cruzadas e olhava a mesma direcção que eu tinha observado há segundos atrás. Perguntei-me o que estaria ele a fazer aqui, comigo. Ele estava sentado ao meu lado. Tom – Quem é que te ensinou a tocar? – Indagou enquanto olhava o horizonte.
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