Eu- Eu nunca faria um filho sofrer por puro capricho, eu não vivia 20 anos numa mentira!

Bill- Às vezes existem razões que nos levam a isso, eu quando tinha 18 anos pensava que a minha vida era perfeita, pensava que nunca iria mentir a mim mesmo, mas a vida dá muitas voltas!- faz uma pausa- oh, a vida dá voltas demais! Achas que eu queria passar por isto?

Eu-...

Bill- Achas que eu tenho prazer em ver-te sofrer?

Eu- É o que mostras!- fechei a mala.

Bill- Tu tens muito de mim embora não pareça, teimoso, egocêntrico, persistente, não desistes e sobretudo és capaz de tudo por amor!

Eu- Agora sou, depois de a conhecer, tu sabes muito bem que dantes era uma cada noite!

Bill- Ryan, ouve-me, a vida não é como queremos, às vezes temos que abdicar de certas coisas!

Eu- Qual é a parte do \"eu amo-a\" que não apanhaste?

Bill- Ainda és novo, vais conhecer conhecer outra pessoa, vais apaixonar-te outra vez!

Eu- Mas eu só a quero a ela, eu entro em desespero senão a ver durante um dia, eu não durmo senão ouvir um \"boa noite\" da boca dela, eu sofro por não ver o brilho nos olhos azuis de mar dela!- aproximei-me da mesinha e olhei mais uma vez a fotografia dela guardando-a no bolso.

Bill-Vais ter que te habituar a viver sem ela!- ele levanta-se.

Eu- Alguma vez amas-te alguém? verdadeiramente.- Fui directo na questão.

Bill- Já! Nunca vais esquecer esse amor, mas é possivel viver sem a ter, embora sofras todos os dias!- A última frase foi como um desabafo, saindo assim daquele compartimento.

Acabei de arrumar as coisas. Coloquei a mala desportiva atrás da porta e fui para a sala. A mesa estava posta. A comida estava na mesa. Apenas Selena estava a comer, com a avó. Sentei-me ao lado da minha irmã e olhei a comida.

Eu – Não vem ninguém jantar? – Servi-me.

Julia – Já vêm. – Levou uma garfada à boca.

Comecei a comer. Silêncio. Ninguém falava, nem mesmo Selena.

Eu – Assim não dá. – Levantei-me.

Selena – Hum? – Fitou-me – O que é que estás para aí a dizer?

Eu – Este ambiente. – Resmunguei.

Julia – Tu é que o criaste Ryan.

Eu – Eu? – Soltei uma gargalhada seca. – Eu é que não fui de certeza.

Eles saíram do quarto. Sentaram-se olhando-me de soslaio.

Bill – O que é que estavas a dizer? – Encheu o copo de coca-cola. Sentei-me de novo.

Eu – Nada. – Olhei para a minha mãe que brincava com a comida no prato.

Acabámos o jantar. O ambiente estava térreo. Ninguém tivera pronunciado nada, apenas para comentar factos que mostravam no jornal.

Fui para o quarto. Deitei-me na cama, liguei o ipod.

A minha cabeça parecia andar em círculos. Dava voltas e voltas fazendo-me ficar ainda mais confuso. Estaria eu a cometer um desmando? Estaria eu a ser injusto?

Mas e ela? Ela… proibira-me de estar com a pessoa que eu realmente amava, ela não tinha o direito. Por mais que eu a amasse, eu sentia-me tentado em ficar com a Ally.

[ Sara]

Eu- Jonh, anda cá!- ele entra na sala.

Jonh- Pronto já cá estou!

Eu- Parabéns meu amor!!- dei-lhe um beijo ternurento e arranjei-lhe o cabelo.

Jonh- Mãe, menos!!- desalinhou novamente o cabelo.

Tom- 10 anos! Tá a ficar grande o meu miudo! — deu-lhe um beijo na testa.

Ally- Parabens puto!- deu-lhe um carolo.

Eu- Ally pelo menos hoje!- ela lá lhe deu um beijo rapido na face.

Jonh- Puto!? Agora só sou mais novo que tu 1 ano!

Jonh- Não interessa, é só durante 2 meses, depois voltas a ser puto!

Tom- Jonh, anda cá!- ele sentou-se junto do pai- Estas são as prendas minhas e da tua mãe!- ele arregalou os olhos.

Eu- Abre- ele rasgou o papel- com calma!

Jonh- Não posso!!- os olhos dele brilhavam mais que nunca.

Ally- Vai dar um ataque ao puto, queres ver!?

Jonh- A PS2 acabadinha de sair!!*.*

Tom- Depois, escolhes os jogos comigo!

Jonh- Obrigado pai, és o melhor!- deu-lhe um abraço.

Tom- Obrigado pai, mas foi a mãe que a foi buscar!- ele levanta-se e atira-se a mim a dar-me beijos.

Eu- Estás pesadito para andar contigo ao colo!- deitei-o no sofá e fiz-lhe cocegas, ele ria e esperneava.

Tom- Não queres o resto!?- ele foi junto do pai e abriu um envelope.

Jonh- Para que quero eu 4 Bilhetes de avião!?

Eu- Vê melhor!- ele mexe no fundo do envelope e tira mais 4 papeis.

Jonh- Ally, põe-te aos saltinhos!

Ally- Ah!?

Jonh- Vamos à Disneyland Paris!- ela começou aos saltinhos e a bater palmas- Eu não disse!- ergueu a sobrancelha.

Eu- Vá vamos que ainda têm aulas hoje!

Tom- E vamos hoje para França!

Ally- Não acredito!

Jonh- Nem eu!- abraçou-se de novo a mim.

Ally- Fica lá com ele que eu fico com o pai!

Eu- Ficou com ciumes a minha menina!?- abracei Jonh por trás.

Ally — Não!- agarrou o braço de Tom.

Tom- Anda sobe!- pôs-se de costas para ela lhe subir para as costas, ela deu e salto e pôs-se nas cavalitas do pai.

Ally- Toma!- pôs a lingua de fora ao irmão.

Tom – Ela disse alguma coisa? – Continuou a olhar a televisão.

Eu – Eu acho que ela vai mudar de ideias. – Deitei-me ao seu lado. – Ela… ela gosta de ti. – Tom olhou-me.

Tom – Já não sei. – Encolheu os ombros. – Só estou a ser assim para o bem dela. E a Ally não percebe isso.

Eu – Ela está magoada Tom.

Tom – Olha, também eu. – Voltou a olhar o programa. – Também já não dá nada de jeito na televisão. – Mudou novamente de canal.

Eu – Com tantos rapazes no mundo… tinha de ser logo com aquele. – Tom olhou-me por fim. – Tinha de ser logo com o teu… filho. – Olhei a sua inexpressão. – Eles… são meios-irmãos. – Encolhi os ombros. – Não devem…

Tom – Eles vão se esquecer. – Abraçou-me e acariciou o meu rosto.

Eu – E tu Tom? Vais esquecer agora o rosto do Ryan? – Ele contraiu-se – Vais esquecer quem sempre desejaste ver?

Tom – Aquela série deve ser interessante. – Mudou de assunto ignorando a minha questão. – Oh, afinal também é secante.

Eu – Não me respondeste. – Pressionei.

Tom – Não há nada para responder. – Desligou a televisão e olhou-me pervert.

Eu – Há sim.

Ele colocou-se sobre mim e beijou-me deslizando as mãos ao longo das minhas pernas.

Tom – Se considerares isto resposta. – Sorriu. – Por mim…

Eu – Não é a melhor altura Tom. – Fintei-o – Não é a —

Tom – Melhor altura. – Completou aborrecido deitando-se ao meu lado. – Boa noite. – Virou-se para o lado oposto.

Eu – Tom! – Abanei-o.

Tom – O que é?

Eu – Vais ficar amuado?

Tom – Não. Estou com sono. – Balbuciou.

Eu – Mentiroso. – Coloquei as mãos sobre as suas costas e beijei-lhe o ombro. – Não sabes mentir.

Tom – Olha, achava que sim.

Eu – A mim não me enganas. – Sussurrei.

Tom – Então ainda bem que não és advogada. – Senti-o sorrir.

Eu – E se eu fosse? Haveria algum mal?

Tom – Estava tramado contigo. – Respondeu simplesmente.

Eu – És tão parvo. – Dei-lhe uma murraça ao de leve nas costas.

Ele soltou uma gargalhada e manteve-se na mesma posição. Aconcheguei-me junto de si. Fechei os olhos sentindo o seu calor.

Mas, por mais que tentasse adormecer, relembrava de novo o beijo exuberante de Bill. O seu aroma bem junto de mim novamente, a sua pele em contacto com a minha. A sua boca, o seu sabor. Tudo aquilo de novo. Estava errado. Traír o Tom. Eu traí. Um simples beijo é traição. Será? Mas traí. Traio Tom todas as noites, todas as vezes que sonho com o seu irmão. Estou a traí-lo. Não é justo. Nem para mim, quanto mais para ele.

Tom – O que foi? – A sua voz rompeu pelo silêncio dos silêncios. Pelo inferno dos céus. Pela minha mente.

Eu – Como é que sabes que ainda estou acordada? – Inquiri num tom rouco.

Tom – Respiração. – Respondeu tranquilamente. – O que se passa? – Indagou de novo.

Eu – Nada. – Soprei.

Tom – Agora não me apetece.

Eu – Hum?

Tom – Não me apetece nadar.

Eu – Não tens piada Tom. – Murmurei.

Tom – Ok. – Suspirou – Agora vais ter mesmo de me dizer o que se passa. Andas a tomar outra vez aquelas coisas?

Eu – Não.

Tom – Nem vais voltar a tomar. Promete.

Eu – Prometo. – Disse como que aborrecida.

Tom- Então conta lá ao teu marido o que se passa!- sorri, mas era só por fora, porque por dentro queria morrer, sentia-me como a pior pessoa do mundo, traí o meu marido, o meu companheiro, melhor amigo, devo-lhe contar!? Não consigo viver nesta angustia.

Eu- Tom, perdoa-me!

Tom- Perdoo o quê!?

Eu- Desculpa!- uma lágrima escorreu involuntáriamente, ele limpou-a com o polegar.

Tom- Que se passa? Confia em mim como sempre fizeste!- agarrei a mão dele com força.

Eu- Estou tão arrependida, eu não devia ter feito o que fiz!

Tom- Estás a assustar-me! Afinal o que se passa?

Eu respirei fundo- No dia em que descobri que o Ryan era filho do Bill, nesse dia eu... eu- suspirei

Tom- Tu o quê?

Eu- Eu beijei-o!- levei as mãos à boca, o meu choro era descompassado, olhava o olhar de desilusão por parte dele- Perdoa-me, eu nunca devia ter feito o que fiz, desculpa!- pedia clemência, agarrava-lhe os braços- Tom, fala!- o seu olhar estava vazio, distante.

Tom- Tu beijaste-o!?- fez aquela pergunta na esperança de ter sido um engano, a pedir confirmações.

Eu- Por favor, não me faças repetir!- Tentei alcançar a sua cara mas ele afastou a minha mão com a sua, levantando-se.

Tom- Tu!- dizia a apontar para mim- Tu beijaste-o!- deu uma gargalhada irónica- Claro que o beijas-te, eu estou destinado a ser traído sempre com a mesma pessoa!

Eu- Perdoa-me!- dirige-me para a sua frente metendo-me de joelhos e chorar descompassadamente- Ele beijou-me — solucei- eu bati-lhe- tentava controlar a minha voz- e depois- chorava ainda mais- eu beijei-o, não sei como nem porquê, a única coisa que sei é que o beijei e só depois, pensei no que estava a fazer! Eu pensei em ti!- tentava regularizar a minha respiração.

Tom- Não é desculpa!

Eu- Eu sei, por favor, perdoa-me, eu não consegui dormir, a pensar que te tinha sido infiel, eu quero-te a ti, desculpa-me Tom!!- agarrei as suas pernas, a sua figura estava indiferente ao que estava a fazer.

Tom- Não imaginas, o que eu estou a sentir neste momento!- levantei-me e alcancei os seus lábios.

Eu- Perdoa-me- dei-lhe um beijo- eu só te quero a ti!- abracei-o mas ele não retribuiu- É isto que queres? Eu saio de casa, acho que não te mereço!- ele saiu do quarto, deixando-me lá, no silêncio cortado pelo meu choro, no escuro, no arrependimento, vesti-me e peguei na mala, saí do quarto. — Adeus!- vi a sua sombra na ombreira da porta da cozinha, baixei o olhar e fui em direcção à saída, e saí, fechando a porta atrás de mim.

Desci até ao carro, entro, limpo as lagrimas e meto a chave na ingnição.

- ESPERAA!- olho pelo retovisor e vejo-o a andar num passo apressado até ao carro, ele bate no meu vidro. — Sai, por favor!- olho-o e saiu do carro- Não vás!

Eu- É o que eu mereço!

Tom- Não, eu não suportaria ver-te ir embora, eu não ia aguentar se ficasse sozinho, eu dependo de ti!- pegou nas minhas mãos.

Eu- Tom!- acaricio-lhe a cara e beijamo-nos.

Tom- Fica, eu perdoo, mas não me deixes!

Eu- Não me vais atirar à cara depois?

Tom- Foi só um beijo, eu já tive o meu deslize e não foi apenas um beijo, tu compreendes-te!

Eu- Foi diferente, não foi com a pessoa que mais odeio!

Tom- Não interessa, vamos enterrar isto!

Eu- Cada dia me surpreendes mais!- tirei a chave do carro e fechei-o.

Tom- Vamos!?- estendeu-me a mão.

Eu- Para casa!- agarrei-a e caminhámos até ao nosso quarto, onde o beijei com dedicação, ele subiu a minha perna até à sua cintura.

Eu- Tom!- suspirei.

Tom- Não é o melhor momento!- beijei-o outra vez.

Eu- Muito pelo contrario!- ele sorriu malandro.

Tom- Vamos começar de novo!- abre a porta do quarto e sai cá para fora levando-me atrás.

Eu- Para que saimos do quarto!?- ele pega em mim ao colo- Tom, eu já não tenho 20 anos!

Tom- Mas continuas linda!- dou-lhe um beijo- Só te falta o vestido.

Eu- Pois tu só te lembras da noite de nupcias!

Tom- A melhor parte!- dá-me outro beijo, entra no quarto e fecha a porta.

Eu- Satisfeito!?

Tom- Falta a melhor parte!- deita-me em cima da cama.

Eu- Ainda não acredito que foste de boxers para a garagem.

Tom- Achas que tinha tempo de me vestir!?

Eu- Poupas trabalho agora!!- percorri o seu tronco com beijos, enquanto ele me tira a camisola, sento-me em cima dele.

Tom- Tu muito queres ficar por cima!- arqueou o sobrolho. Beijou-me o peito ainda coberto pelo sutiã.

Eu- Só atrapalha, não é?

Tom- Neste caso, sim!- tirou-me o sutiã, beijou-me o peito descoberto, gemia baixo ao ouvido dele.

Tom- Não gosto de estar assim!- virou-me ficando ele por cima, tirou-me as calças, fazendo desenhos imaginários nas minhas pernas, depositava-me beijos ao longo que ia descendo até chegar aos pés, onde delicadamente tirou os sapatos, e beijou-me os pés, voltando a posicionar- se em cima de mim, as suas mãos passeavam pelo meu corpo, as minhas foram parar ao ventre dele onde brincava com o elástico dos boxers, , tirando-os de seguida, ele beijou-me o ventre traçando uma linha com a língua sobre as minhas cuecas, tirou-as, as suas mãos passaram por zonas proibidas e eu arqueei as costas, beijou-me mais uma vez e penetrou-me lentamente, o que deu prazer, os movimentos eram mais rápidos, deixámo-nos levar pela nossa excitação, até que abafei um último grito na boca dele, ele descaiu sobre mim, pôs-se ao meu lado, entrelaçámos os dedos e deitei-me sobre o peito dele dando mais uns quantos beijos e acabando por adormecer a ouvir o seu coração, com o lençol a tapar a nossa nudez.

[Ally]

Acabei de colocar a roupa toda na mala. Olhei mais uma vez os pontos brilhantes do céu. Suspirei. Voltei-me e encarei a realidade. O inferno. Peguei na mala. Coloquei o último adeus em cima da cama e saí. Entrei no quarto de Will, dormia profundamente.