Eu – O que é que fazes aqui? – Senti-me fraquejar

Ally – Conhecem-se? – Olhou para ambos.

Tom – Amiga de longa data.

Eu – Eu não diria isso. – Fiz sinal para Ally entrar. – O que é que fazes aqui?

Tom – Sou o pai da Ally. – Entrou também e olhou em volta. – Bela casa. – Fechei a porta a ódio.

Ally – Está melhor? – Apontou para os arranhões.

Eu – Estou, obrigada. Queres beber ou comer alguma coisa?

Ally – Não. – Abanou a cabeça.

Selena – Mãe! – Veio ao meu encontro. – A avó. – Estendeu-me o telefone. – Está como louca.

Olhei para Tom que fitava Selena. Peguei no objecto e afastei-me.

“ Eu – Pior momento para me ligares – Murmurei enquanto ruía a unha.

- Como é que estás? – Ignorou a minha constatação – Estás melhor?

Eu – Ligaste-me ontem a perguntar o mesmo. – Bufei.

- Estive a falar com o teu pai. Eu vou para aí passar uns dias.

Eu – O quê?

- Sim, não te vou deixar sozinha numa altura destas e depois, sempre passo mais tempo com os meus netos.

Eu – Mas, mãe –

- Já está decidido. – Interrompeu. – Eu sabia que ias concordar. Nem pergunto pela opinião do Bill, eu sei que ele está de acordo comigo.

Eu – Não –

- Muito bem, estou aí amanhã por volta da hora do almoço.

Eu – Mas –

- Estás deitada neste momento não estás?

Eu – Olha, tenho de desligar.

- Não me despaches! Eu preciso de saber se está tudo bem.

Eu- Está. – Disse aborrecida.

- Amanhã vejo com os meus próprios olhos. Beijo. Toma vitaminas. – Desligou.”

Pousei o telefone no móvel e voltei a aproximar-me deles.

Tom- Sabes o que isto significa?

Eu- Sei, não preciso de um desenho!!- quase lhe gritei, a minha cabeça estava em água.

Ally- Mas alguém me explica, vocês decidem a nossa vida, sem uma explicação sequer! — ouve-se a porta a bater e Ryan entra na sala.

Mike- Mas afinal que se passa aqui!?

Tom- Nunca mais te aproximas da minha filha!!- os olhos de Tom estavam brilhantes demais, tinha a certeza que ele queria chorar.

Ally- Eu já sou grandinha o suficiente para escolher quem quero!!

Tom- Tanto tu como aquele rapaz, são umas crianças, ainda não sabem como é a vida!!

Ryan- O quê!? Você acha-se o dono da razão, lá porque não gosta do meu pai, o que nós temos a ver com isso!?

Eu- Mike cala-te!! É melhor!!

Ryan- Tu concordas com isto? — custava-me tanto fazer o meu filho sofrer.

Eu- Concordo, este namoro acabou!!

Ryan – O quê? – Olhou-me completamente irritado. – Repete lá!

Limpei as lágrimas que me escorriam pelo rosto e encarei-o. Olhava-me completamente desiludido.

Eu – O namoro, tu e a Ally não podem namorar.

Ryan– Não! – Gritou completamente descontrolado.

Eu – Ryan – Tentei aproximar-me dele.

Ryan – Não. – Afastou-se. – Eu confiei em ti todos estes anos. Sempre olhei para ti não como mãe mas sim como melhor amiga. E tu fazes o quê? – Tentei falar, mas nenhum som dimanou. – Tu estás a acabar com a minha felicidade!

Eu – Não. – Abanei a cabeça – Eu quero que tu sejas feliz. – Olhei para Ally – Mas… vocês não devem ficar juntos. Confia em mim Ryan.

Ryan- Nao! – Gritou de novo. – Eu não tenho de confiar em ninguém, muito menos em ti!

Selena – Por favor. – Apareceu junto à porta.

Ryan – Onde está o pai Selena? – Indagou desgostoso. – Onde está o Bill Selena? – Gritou.

Selena – Não está em casa… — Respondeu num tom rouco.

Eu – Ryan por favor. – Segui-o até à porta.

Ryan – Larga-me! – Soltou-se. – Tenho a certeza que o pai não se vai opor. – Olhei-o estática. – Ao fim de contas. Ele é o mais compreensível. – Julgou-me. – Ao contrário de ti.

Eu – Não.

Ally– Ryan… — Ryan olhou-a e voltou a encarar-me.

Ryan – Parabéns. – Olhou em volta. – Conseguiram.

Tom – Mais tarde vão agradecer-nos.

Ryan – Isso pensa o senhor. Ponha-se na nossa situação! Ponha! – Disse num tom autoritário. – Não ia gostar

A porta da rua abriu-se. Bill entrou. Estava um tanto abatido. Olhou para nós. Viu Tom. Bufou.

Bill – O que é que estás aqui a fazer?

Ryan- Não! Espera, conhecem-se? – Soltou uma gargalhada seca. – Só me falta dizerem isso.

Tom- Um dia eu conheci a quem tu chamas de pai, mas não o conheço!!

Ally- Mas o que é que nós temos a ver com as vossas discussões?

Tom- Aviso-te Bill, se o teu filho se volta a aproximar da minha filha, eu acabo o que me impediram de fazer!!

Bill- Porque não o fazes agora, para a tua filha ver quem é o verdadeiro Tom Kaulitz!!

Ally- Não preciso, o Dr. Tom Kaulitz — disse com desprezo -já me desiludiu bastante!!

Eu- Vocês, não podem ficar juntos!!

Ryan- Nós não podemos é pagar pelos vossos erros!!

Bill- Por isso mesmo, Ryan afasta-te daquela família!!

Ryan- Já disse que não!!

Ally- Vocês não entendem, quanto mais nos proibirem, mais forte se vai tornar a nossa relação?

Tom- Nem que eu te mande para Espanha, tu nunca mais o vez!!

Ryan- Eu vou atrás dela!!

Bill- Ryan, não dificultes as coisas!

Ryan- Um dia, uma pessoa disse-me para lutar por quem amo, nessa altura eu não liguei, mas agora é exactamente isso que vou fazer, mesmo que essa pessoa me impeça! — os olhos de Ryan prenderam-se nos de Bill.

Bill – Ryan… — Suspirou.

Ryan – Não é Ryan. – Contrariou. – Vocês não se vão meter na nossa vida.

Eu – Por favor…

Ryan – Vocês foram para Frankfurt e ninguém vos impediu! Vocês formaram família e ninguém vos impediu. E a mim? A mim ninguém me vai impedir! Porque eu não deixo.

Tom – Ficas avisado Bill. – Agarrou Ally. – Vamos embora

Ryan – Não nos vai impedir Dr. Kaulitz. – Disse arrogantemente.

Tom – Não sejas teimoso. – Ripostou. – Mais tarde vais nos dar razão.

Ryan – Nunca. – Abriu a porta e fez sinal para saírem.

Ally – Ryan… — Olhou-o.

Ally – Não te preocupes. – Tentou reconfortá-la.

Tom – Tenham a continuação de uma boa noite. – Saíram.

Eu – Ryan. – Tentei tocar-lhe mas ele afastou-se.

Ryan – Não me toques! – Gritou. – Não quero saber de ninguém! Nós não estamos no século passado onde os namoros eram proibidos.

Bill – Escuta, isto… nós temos uma razão demasiado forte –

Ryan – Então digam-na! – Os seus olhos estavam demasiado vermelhos. A raiva tinha-se apoderado da sua sanidade.

Eu – Ryan, filho… — Disse num tom rouco.

Ryan– Digam-na! – Pediu de novo.

Bill – Não podemos.

Ryan limitou-se a olhar-nos a raiva. Virou costas e entrou no quarto batendo violentamente com a porta.

Bill – Ryan, não a arrelies. – Pediu enquanto tentava concentrar-se no esboço.

Ryan – Ela não me dá o meu avião.

Selena – É meu. – Fez beicinho.

Ryan – Pai! – Chamou – Ela quer o meu avião.

Eu – Selena, tens ali as tuas bonecas.

Selena – Não. – Virou a cara. – É meu.

Ryan – É meu!

Bill – Ryan! Já tens 8 anos, não achas que devias ser mais simpático com a tua irmã?

Ryan– Isto é meu! A mãe trouxe da Itália para mim! – Olhou novamente para Selena e tirou-lhe o brinquedo das mãos. – Não mexas nas minhas coisas.

Selena deitou-lhe a língua de fora e começou a chorar agarrando-se a mim.

Selena – Eu quero o avião.

Eu – Calma Selena. – Afaguei-lhe os cabelos. – Depois a mamã compra um para ti.

Bill – Ryan. – Bill riu-se. – Que raio de desenho é aquele que meteste na porta do teu quarto?

Ryan– As raparigas não entram no meu quarto. – Fez ar superior. – Só com a minha autorização, por isso a Selena e a mãe não podem entrar.

Eu – Não posso entrar? E depois quem é que te dá beijinhos durante a noite? Quem é que te conta histórias? Quem é que faz cocégas? – Tentei conter o riso.

Ryan – Tu.

Selena – Não, não. A mãe fica comigo.

Ryan – Não!

Bill – Então porquê que as raparigas não podem entrar?

Ryan – O tio Georg disse que elas só davam trabalho. – Fez uma careta.

Bill – O Georg. – Riu-se.

Eu – Não ligues ao que esse doido diz, Ryan. – Sorri – Ele diz isso porque ainda não tem namorada.

Ryan – Ele disse-me que tinha. Eu fui com ele ao café. Estivemos com duas raparigas.

Eu – O quê? – Perguntei indignada.

Ryan – Sim, elas disseram que eu era giro. – Disse orgulhoso.

Bill – E o que disseram mais?

Ryan – Que eu era engraçado.

Eu – Só isso?

Ryan – Ficaram felizes pelo tio Georg saber cuidar de crianças, mas eu disse que era mentira.

Bill – Boa. – Soltou uma gargalhada.

Eu – O homem anda a beber? – Olhei Bill.

Bill – Não sei. – Encolheu os ombros e voltou a olhar o desenho.

Eu – O Ryan odeia-me. – Constatei. – Sou uma péssima mãe, eu sei. – Continuei a olhar o tecto enquanto relaxava os músculos na banheira.

Bill – Não. Ele não te odeia. – Apoiou os cotovelos nas pernas. – E tu és uma óptima bem. – Sorriu.

Fechei os olhos e suspirei.

Eu – Já chega de mentiras para mim, Bill. – Abri novamente os olhos e olhei-o. – Estou tão farta.

Bill – Tem calma. – Aproximou-se e apoiou os braços na borda da banheira. – Vai tudo resolver-se. – Fez-me uma festa no cabelo.

Eu – Eles… perseguem-nos. – Disse a medo. – Porquê que o Ryan tinha de se apaixonar logo… pela… — As minhas lágrimas voltaram a unir-se à água que envolvia o meu corpo. Virei a cara. – Pela irmã. – Senti um ardor a invadir o meu peito.

Bill virou a minha cara para si.

Bill – Anda secar-te , estás há mais de duas horas aí dentro. – Puxou uma toalha. Levantei-me. Ele envolveu-me com a mesma e levou-me ao colo até ao quarto.

Eu- Será...será que algum dia ele me vai perdoar? — ele deitou-me na nossa cama.

Bill- Claro que vai! Eles vão recuperar, é só uma paixão!!- virou a cabeça para o outro lado.

Eu- Ele não a vai esquecer, tu sabes que não, nós próprios ainda não esquecemos e já passaram 20 anos!!

Bill- Vamos acreditar que sim, eles são tão jovens!!

Eu- Tu também eras Bill! Nós nunca devíamos ter omitido a verdade!!

Bill- Que querias que fizéssemos? Que contássemos ao Ryan, que eu não sou o pai dele? Que o verdadeiro pai dele te tinha abandonado, que é o pai da sua namorada!?

Eu- Sempre é melhor, do que ele pensar que somos uns monstros, que não temos sentimentos!!

Bill- Não sei!!- deitou-se para trás.

Eu- Eles não vão desistir assim tão facilmente!!

Bill- Porquê? Porque é que não continuámos em Frankfurt? Porque viemos para esta terra?

Eu- Ninguém sabia que eles tinham ido embora de Berlim!!

Bill- Chega!! Eu abdiquei de tudo, abdiquei dos meus amigos, da minha cidade, da minha mãe, tudo por causa daqueles dois, eles não me vão fazer abdicar dos meus filhos!!

Eu – Nós vamos continuar aqui. – Puxei a toalha mais para mim. – O Ryan… ele… vai perceber. – Olhei o tecto – Ele tem de compreender. – Suspirei.

Bill – O Ryan é incapaz de ficar separado de ti. – Abraçou-me. – És a mãe dele.

Eu – Isso não tem a ver.

Bill – Sempre foste essencial para ele, Isa. – Desviou-me o cabelo da cara. – Ele sempre te viu como o mundo. Não é agora que ele te vai rejeitar.

Eu – Eu desiludi o meu filho. – Chorei. – Eu fui cruel para ele, Bill. – Agarrei a sua camisola em suplício. – Ele está magoado comigo.

Bill – Vai passar – Puxou-me para si. – Isto vai acabar… um dia.

Eu – A… minha mãe vem amanhã para aqui. – Solucei.

Bill – Agora?

Eu – Ela não me deixou falar…

Bill – Oh, tudo bem. Ao menos sei que tu estás bem.

[ Ryan]

Eric – Hey! Ryan, estamos à tua espera.

Eu – Eu já disse que ia no carro.

Eric – Tu nem sabes conduzir.

Eu – É fácil. – Entrei para o carro do Bill. – Venham.

Matt – Vê lá o que fazes meu, não quero morrer hoje.