Eu – Calma. Como é que esta cena se liga?

Jared – Embraiagem. – Disse aborrecido – Oh, tu não tens coragem.

Rodei a chave e carreguei na embraiagem, o motor activou.

Eu – Primeira mudança. – Coloquei e carreguei no acelerador. – Onde é que querem ir?

Matt – O teu pai vai-te matar oO

Ri-me. E comecei por conduzir pela rua de Frankfurt.

Jared- Vais atropelar a velha! – Gritou como louco.

Eu – Onde é que se trava? – Continuei a olhar a estrada.

Matt – Travão!

Eric – Rápido Ryan!

Carreguei num pedal e o carro travou a fundo.

Eu – Isto vai com o jeito — Olhei-os. – Não querem ir buscar a Ingrid e a Holly?

Jared – Acho que até lá, ainda morremos. – Suspirou.

Buzinaram. Arranquei novamente com o carro. Olhei para o telemóvel.

Eric – Ryan! – Gritou como louco. – Olha a árvore! – Olhei para a frente e o carro espetou-se contra o arvoredo.

Eu – Merda – Continuei estático. – E agora?

Matt – A culpa não é minha. – Saiu do carro. – Eras tu que ias a guiar.

Eu – Fonix. – Saí do carro olhando para a amolgadela.

Porquê!? Que mal nós fizemos? Amamos, sim esse foi o nosso pior erro, deixar-nos levar por um amor, como é que ela estará!?- tento ligar-lhe mas tinha o telemóvel desligado, a esta hora já lhe devem ter tirado, atirei o telemóvel com toda a força contra a porta, senti lágrimas a molharem a minha cara, levanto-me e vou buscar uma fotografia nossa que guardava dentro de um livro, tacteei a fotografia como se ela ali estivesse, quem me dera estar com ela, poder reconfortá-la, abraça-la, protege-la.

Ouço alguém bater.

Eu- Não quero falar!!- mesmo assim alguém entrou.

- Mano!! — aproximou-se — oh mano!!- abraçou-me, tentei esconder as lagrimas — Hey, não tentes mostrar-te de forte!

Eu- Porquê Selena!?

Selena- Não sei, só sei que vocês estão a ser vitimas de uma grande injustiça!! Eles não tinham o direito!!

Eu- O que é que eu faço!?

Selena- Ryan, reage, nem pareces o meu irmão!! Tens que ir à luta, como fazes sempre!!

Eu- Tens razão, como é que eu faço para chegar a ela?

Selena- Não te preocupes que aqui a Selena, vai arranjar uma solução!!

Eu- Selena, vê lá o que fazes!!

Selena- Não te preocupes, vais vê-la mais depressa do que pensas!!

Ryan- Espero bem que sim!!

Selena- O que o amor faz! A esta hora, tu próprio estavas a arranjar uma maneira de a ver!!

Eu- Eu vou conseguir!! O que me deixa assim, é o pai dela!! Aquele homem não as bate bem!!

Selena- Ahahah!!

Eu- Qual é a piada?

Selena- Não as bate bem!?

Eu- Deixa-te de ser maldosa!!

Selena- Eu, ich, moi!? Nunca na vida!!

Eu- Já pensas-te no que se terá passado para ele e o pai não se poderem ver à frente?

Selena- Já reparas-te no apelido!?

Eu- O mesmo!! Achas?

Selena- Podem ser primos ou assim!!

Eu- Não me interessa, o que me importa é Ally neste momento!!

Selena– Estás mesmo apanhadinho – Fez ar escandalizada.

Eu – Quando chegar a tua altura … depois vês.

Selena — Sim, está bem. – Sentou-se na minha cama.

Eu – O que foi?

Selena– É a primeira vez que tu e a mãe discutem a sério.

Eu – Ela não tem o direito.

Selena – Sabes. – Olhou-me – Tu e ela… sempre tiveram uma relação diferente. E… chego a ter inveja. – Baixou o olhar.

Eu – Porquê? – Agachei-me junto dela.

Selena – Ela vê-te de maneira diferente. Eu vejo isso. – Lançou-me um sorriso amarelo. – Ela… cuida de ti como um tesouro.

Eu – De onde foste tirar essas ideias Selena? – Franzi a testa.

Selena – Foi um desabafo. – Desculpou-se. – Esquece o que ouviste.

Eu – Ela… gosta de nós por igual. Não tens de achar isso. – Fiz-lhe uma festa na cara.

Selena – Eu sei. – Sorriu-me.

Eu – Pareces uma pita carente. – Gozei.

Selena – Não tens piada. – Deu-me um soquete no peito.

Eu – Pronto, desculpa. – Levantei-me e encostei-me ao armário.

Selena– Vou tratar do meu plano.

Eu – O que é que já andas a tramar?

Selena – Depois não me venhas dizer que eu sou uma má irmã. – Fez ar superior.

Eu – Oh claro miss ideias geniais. – Ri-me.

Selena deitou-me a língua de fora e saiu.

Bill – Quem é que andou com o meu carro? – Indagou furioso.

Isa – Hum? – Saiu da cozinha – O que é que se passa?

Bill – O meu carro! Está amolgado.

Isa – Não terás ido –

Bill – Eu não peguei no carro hoje! – Esclareceu. – Quando o deixei ontem na garagem, estava intacto.

Eu – Pois… — Ri-me.

Isa – Ryan. – Arregalou os olhos. – Por favor, diz-me que não tens nada a ver com isto.

Eu – Se o dissesse, estaria a mentir. – Ri-me.

Bill – O que é que fizeste ao meu carro?

Eu – Foi a andar de bicicleta. – Menti. – A Selena empurrou-me e eu fui contra o carro.

Bill – Tens noção que vou ter de o arranjar? – Vagueou pela casa.

Isa – Mas não ias comprar um carro novo?

Bill – Até lá ia andar com este.

Isa– Oh Gott. – Levou a mão à testa. – Ficas sem a tua guitarra durante uma semana Ryan.

Eu – Isso é que não. – Protestei. – Tudo menos a minha preciosidade.

Bill riu-se.

Isa – Ryan. – Fez ar sério.

Bill – Então, saídas á noite durante uma semana, equivalem a zero.

Eu – Opah.

Isa — Pegar ou largar.

Eu – Tudo bem.

Isa – Não comes? – Colocou o jarro de sumo em cima da mesa.

Eu – Não tenho fome. – Fechei a mala. – Como na Universidade. – Disse com desprezo.

Bill – Ryan. – Serviu-se de torradas. – Não é assim que vamos resolver os nossos problemas.

Eu – Vocês já os resolveram por mim. Pelos vistos, fazem tudo por mim.

Isa – Não. – Contrariou. – Só estamos a fazer isto porque gostamos muito de ti. Tu sabes isso, melhor do que ninguém.

Eu – Eu pensava que sabia. É diferente.

Selena tossiu propositadamente. Silêncio. Ninguém falou.

Bill – Vais… ter estágio hoje?

Eu – Não me apetece olhar aquele homem. – Admiti.

Bill – Não vais prejudicar a tua média por causa disso. Por isso vais. – Ordenou.

Eu – Depois vejo.

Isa – Tens de ir Ryan.

[Sara]

Entrei no quarto e vejo-o a olhar o vazio, abraço-o.

Tom- Ela odeia-me!!

Eu- Ela um dia vai agradecer-te!!- ele vira-se e abraça-se a mim com desespero.

Tom- Custa-me tanto, fazer isto, custa tanto vê-la a sofrer!!

Eu- A mim também custa, mas Tom, não podemos fazer nada! Ela vai ter que o esquecer!!

Tom- Eu tenho medo que eles arranjem forma de se encontrarem, e de certeza que vão tentar!!

Eu- Conheces bem a tua filha, vai ser preciso ter sempre os olhos postos nela!!

Tom- Sara diz-me uma coisa, eu sei que tu sabes, ela conta-te tudo!!

Eu- Eu já sei o que me vais perguntar!!

Tom- Eles tiveram relações?

Soltei-me dele.

Eu- Ele foi o primeiro homem na vida da Ally!!

Tom- Eu sabia! Não vai ser fácil separa-los!

Eu- Que queres fazer? Contar-lhe a verdade? Se calhar era melhor, estou farta de mentiras Tom!!

Tom- Isso era pior, iria estragar de vez a nossa família, e não só a nossa!!

Eu- Porque é que o tempo não volta atrás, porque é que o passado nos persegue, porque é que a nossa filha tinha que se apaixonar pela pessoa errada?- sem querer deixo cair uma lágrima.

Tom- Isto vai ser sempre assim!!- abraça-me.

Eu- Não estou com a menor disposição de o encarar!!

Tom- A nossa vida continua!!

Eu- A Ally não me fala, a minha vida está um inferno!!

Tom- Eu vou ter de o encarar hoje!! No final disto tudo, quem nós queríamos poupar é quem está a sofrer mais!!- veste o casaco e sai em direcção à cozinha, onde pega numa torrada e sai de casa.

Eu – Jonh! – Chamei.

Jonh – Agora não dá. – Continuou a jogar playstation.

Eu – O quê? – Entrei no seu quarto e desliguei a televisão. – Repete lá.

Jonh– Não me estava a apetecer ir almoçar a casa dos avós. – Disse aborrecido.

Eu – Oh Ally! – Gritei.

Ally – Sim? – Apareceu à porta.

Eu – Veste o casaco. Vamos almoçar a casa dos avós. – Puxei Jonh pela orelha. – Veste-te também meu menino. E nada de respostas. Eu é que mando.

Jonh– Mas eu não gosto de ir lá. – Resmungou.

Eu – Vamos lá, rápido. – Saímos do quarto. – O pai?

Ally – Está no carro à nossa espera.

Descemos as escadas e fomos ter com Tom que dormia com a cabeça encostada ao vidro.

Eu – Hey! – Bati com a mão na janela do carro fazendo-o sobressaltar-se.

Tom – Despachem-se. – Pediu ligando o carro.

Obedecemos. Tom ligou o rádio e conduziu até casa dos seus pais.

Jonh- Bah, temos mesmo que ir para casa da avó?

Eu- Jonh, já falamos sobre isto!!

Tom- Não te preocupes eu pus o teu skate no carro!!- piscou-lhe o olho pelo retrovisor.

Jonh- És o melhor!!

Eu- Tinhas que o estragar!!

Tom- Que foi? Eu vou com ele para o parque, digamos que novelas e croché não são os meus temas de conversa preferidos!!

Eu- É tua mãe!!

Tom- E eu gosto muito dela, mas quero mostrar onde passei a minha infância ao meu filho!!- mostrou-me um sorriso que eu não consegui resistir e sorri-lhe também.

Ally- Mãe, não te esqueças que me prometeste que me mostravas o tal rio hoje!!

Eu- Passamos por lá à vinda para casa!!

Ally- De noite!!- cruzou os braços e enterrou-se no assento.

Tom- Nós só vimos amanha embora!!

Ally- Fixe!!

Jonh- Seca!!

Eu- Ally!!- bati à porta dela, mas não obtive resposta.

Jonh- Porque é que não a deixam em paz?

Eu- Não te metas Jonh!!

Jonh- É minha irmã, isso que vocês estão a fazer não se faz a ninguém, tu casaste com o pai aos 19 anos e ninguém te impediu, porquê isto agora?

Eu- Um dia vocês vão perceber!!

Jonh- Estou farto disto!!- sai batendo com a porta e eu decidi entrar no quarto da minha filha.

Eu – Ally. – Sentei-me na borda da cama observando-a agarrada à almofada. – Ally… — Passei a mão pela sua cintura.

Ally – Deixa-me. – Continuou imóvel.

Eu – Por favor, olha para mim. – Ela assim o fez. – Não chores. – Limpei-lhe as lágrimas. – Eu não gosto de te ver a chorar.

Ally – Então, não me faças chorar. — Pediu

Eu- Achas que faço isto de propósito?

Ally- Tenho a certeza, tu e o pai, melhor dizendo, Dr.Kaulitz, não me querem ver feliz!!

Eu- O teu pai quer o teu bem, e eu também, custa tanto ver-te assim!!

Ally- Então parem de se meter na minha vida!!

Eu- É para teu bem, por favor Ally, não te aproximes mais daquele rapaz!!

Ally- Agora, é que vou fazer de tudo para conseguir estar com ele, senão fosse correspondida eu própria desistia, mas ele ama-me, ele faz-me feliz, concretizada, e eu disso não vou abdicar por causa de um capricho vosso!!

Eu- Achas isto um capricho!? Ouve Ally, se continuares a insistir neste namoro, o teu pai manda-te para longe e por mais que me custe eu não me vou opor!!- isto foi o que mais custou dizer, ver a sua expressão horrorizada.

Ally- Tu não és a minha melhor amiga, tu já nem sequer és minha mãe!!

Eu- Não digas isso!!- lágrimas escorriam pelo o meu rosto.

Ally — Queres que diga o quê? Que estou feliz, quase a dar pulos de alegria por não poder estar com quem eu realmente quero? Lamento, mas não é isso que vou dizer. E a infelicidade que estou a ter neste momento, devo-te a ti e ao sujeito que em tempos antigos considerei de pai.

Eu – Não fales assim do teu pai Ally.

Ally – Falo pois. Sou livre de dizer e fazer qualquer tipo de coisa. Aliás! Eu tenho 18 anos, vocês já não me podem fazer nada.

Eu – Vives debaixo do nosso tecto. Ainda mandamos em ti.

Ally – Saio já de casa se for preciso! – Gritou.

Eu – Ally. – Entrei em desespero. – Por favor… Compreende. Olha para mim. – Agarrei-lhe o rosto. – Olha. – Ela olhou-me com o seu olhar azul perdido em lágrimas. – Tens segredos, certo?

Ally – Tenho. – Disse rude.

Eu – Pensa… eu e o teu pai. Nós também temos segredos. Segredos esses que… parecem não querer desbragar de nós. – Informei. – Não te vou mentir. Digo-te que esse segredo envolve o Ryan e a família dele. Nós conhecemos essa família há muito tempo.

Ally – E o que é que eu ou o Ryan temos a ver com isso?

Eu – Nada… são inocentes de erros passados. Por favor Ally. Faz o que te estou a pedir. – Supliquei.

Ally – Se eu te pedisse para deixares de ver o pai, tu farias tal coisa? – Olhei-a em silêncio. – Diz-me a verdade! – Gritou – Pelo menos… uma vez na vida.

Eu – Eu nunca te menti.

Ally – Estás a mentir ao dizer-me isso.

Eu – Ally …

Ally – Podes sair? É o meu quarto. Quero pelo menos estar em paz no meu quarto. – Deixou-se cair para trás e fechou os olhos.

Eu- Tom, vai parecer alguém!!- mete a mão por dentro da minha camisola.

Tom- Eles ainda estão na escola!!- beijou-me o pescoço.