Estava escuro, apenas com a luz da televisão vinda da sala. Dirigi-me até lá.

Ryan– Já vieste. – A sua voz soou normal. Estremeci – Então o fim-de-semana com a avó, foi bom?

Eu – Er… foi. – Dei-lhe um beijo na nuca. – O Bill?

Ryan – Está no quarto.

Eu – A Selena?

Ryan – Também está no quarto.

Eu – Ok. Até amanha. – Entrei no meu quarto, Bill estava a ver televisão. Fechei a porta sem originar qualquer tipo de som e deixei-me ficar encostada à mesma enquanto o olhava. – Bill… — Chamei a medo.

Bill – Já cá estás. – Levantou-se e foi ao meu encontro.

Eu – Desculpa… — Pedi – Mas… eu não aguento mais! – Abracei-o e comecei a chorar. – Acho que se continuarmos assim acabamos por destruir a nossa amizade e eu não quero Bill. Pode acontecer de tudo connosco, mas eu não te quero perder. – Solucei.

Bill – Não me vais perder. – Pegou-me ao colo e sentou-se comigo na cama. – O que… — Coloquei o indicador sobre os seus lábios.

Eu – Eu tenho de te contar tudo agora, por favor não me interrompas. – Pedi. Ele assentiu – O que havia entre mim e o teu irmão nunca morreu, tu sabes bem disso. – Ele sorriu e limpou-me as lágrimas com o polegar – Eu tenho estado estes últimos dias com o Tom. – Murmurei cabisbaixa – Eu tenho estado a trair-te com o teu irmão. – Coloquei a cabeça no seu ombro. – Podes-me julgar… mas eu não consegui, eu amo-o acima de tudo. – Fraquejei. – Ele foi o primeiro homem na minha vida, foi quem me mostrou a felicidade, Bill… Por favor… perdoa-me.

Bill não disse nada. Ouvi-o suspirar, começou por acariciar as minhas costas e a embalar-me como já havia feito algumas vezes.

Bill – É… sobre isso que eu quero falar contigo. – Entrelaçou os dedos no meu cabelo. – Acho que está na altura de seguirmos novamente cada um o seu caminho. – Olhei-o – As coisas recompuseram-se para ambos os lados. – Acariciou o meu rosto. – Agora podemos tentar ser felizes com cada um.

Eu – Tu e a Sara… — Disse surpresa. Ele abanou a cabeça – Ainda bem. – Sorri.

Bill – Temos de falar com a Selena. – Reconfortou-me. – Vamos tentar novamente, Isa.

Eu- Vamos à procura da nossa felicidade, mas nem penses que te livras de mim, quero saber como andas todos os dias!- ele abraçou-me e apoiou o braço no meu ombro e caminhamos em direcção à sala.

Bill- Ryan, a tua irmã?

Mike- Quarto.- Descolou o olhar dar televisão e fez sinal para Bill que lhe piscou o olho. Fomos em direcção ao quarto da Selena.

Eu- Ele sabe?

Bill- Eu falei com ele. A ideia de ele não me ver mais como pai, não me deixava feliz!

Eu — Mesmo que o mesmo sangue corra entre ele e Tom, o Ryan sabe perfeitamente que o pai dele és tu!- deu-me um beijo na testa.

Bill- Mesmo assim, não vai ser fácil o Tom conquista-lo! — bati à porta da Selena.

Eu – Achas mesmo? – Esperámos que Haylay abrisse a porta. – Eu não queria –

A porta abriu-se. Selena surgiu de pijama e com a escova de dentes na boca, fitando-nos curiosa.

Selena – O que foi? – Falou com a escova ainda na boca.

Bill – Vai acabar de escovar os dentes. – Ela anuiu, entrámos no quarto e sentámo-nos na cama de Selena.

Selena– Eu não fiz nada! – Voltou a aparecer no quarto enquanto fechava a porta da casa-de-banho.

Eu – Nós sabemos. – Sorri, tentando reconfortá-la.

Selena – Então o que aconteceu? O Ryan não está em depressão, os únicos problemáticos daqui são vocês.

Bill – Nós?

Selena – Andam estranhos.

Eu – Selena – Afastei-me de Bill e fiz sinal para esta se sentar no meio de nós. – Precisamos de ter uma conversa. – Ela sentou. Desviei-lhe o cabelo da cara e beijei-lhe demoradamente os cabelos. – Tanto eu como o teu pai, esperamos que compreendas. – Agarrei as suas mãos. – Vais ter de saber lidar com isto como uma mulherzinha, já não és nenhuma criança.

Selena – O que aconteceu? – Pareceu nervosa.

Bill – Eu e a tua mãe… — Suspirou – Nós vamos viver com outras pessoas, tu vais ficar com a tua mãe e talvez com outra pessoa e —

Selena – Com o pai do Ryan? – A sua voz esganiçou-se.

Bill- Selena, nós já te contamos que no passado eu namorava com a mãe da Ally e a tua mãe namorava com o pai do Ryan. Nós éramos felizes uns com os outros, mas houveram umas chatices e nós separamo-nos, mas nunca deixamos de nos amar.

Selena- E eu? Já pensaram em mim um minuto que fosse na vossa vida? Eu sempre suportei, nunca contei a ninguém os ciúmes que sentia do Ryan, sempre o tratas-te de maneira diferente, agora percebo porquê — olhou-me finalmente os seus olhos estavam vermelhos e prestes a derramar lágrimas.

Eu- Isso é mentira, eu sempre gostei de vocês por igual!

Selena- Não era o que demonstravas. E agora querem obrigar-me a ir para uma casa onde vive um estranho para mim, um homem que vai ocupar o teu lugar — Apontou para Bill.

Eu – Ninguém vai ocupar o lugar do teu pai,Selena. – Tentei acalmá-la.

Bill – Eu vou ser sempre o teu pai, e tu sempre a minha filha.

Selena – Não vai ser o mesmo! – Gritou, levantando-se de seguida. – O que é acordar com um estranho ao lado da minha mãe? Eu não vou aguentar.

Eu – Vai ser difícil ao inicio, Sel, mas depois… vais ver que vai ser tão normal…

Selena- Ok. Eu compreendo as vossas posições, querem recomeçar o que deixaram para trás.- os meus olhos iluminaram-se.

Eu- É isso mesmo, temos o direito de sermos realmente felizes!

Selena- E vou só eu?

Bill- Como deves calcular o Ryan não quer ir, diz que prefere começar uma vida nova!

Eu- Então ele vai ficar nesta casa!

Selena- E quero ver o meu pai no mínimo uma vez por semana!

Eu -Sabes que nunca te iria proibir de veres o teu pai!

[Sara]

Jonh- Mãe, está a dar a série que gostas de ver!- saiu da cozinha e sento-me à beira dele.

Eu- Aqueles irmãos dão cabo da saúde de qualquer uma!- Jonh olha para mim escandalizado.

Jonh- Mãe!?

Eu- Que foi? Posso ser casada, mas não quer dizer que deixe de ter olhos na cara!

Jonh- Tu a cada dia surpreendes-me!

Eu- É parece que me deixei estar apagada durante muito tempo!

Jonh- Parece que alguém anda a fazer-te bem!- olhei estupefacta para ele.- Que é eu sei, não sou burro, tens andado demasiado feliz, sempre a cantar, mais activa e mais alegre. Sinais de quem anda apaixonada!

Eu- Desculpa, eu não queria que soubesses assim!

Jonh- Mas eu quero-te feliz mãe, se para isso acontecer é preciso teres o grande amor da tua vida ao teu lado, ele que seja bem vindo!

Eu- Às vezes penso que continuas uma criança e esqueço-me que os meus filhos cresceram, nunca pensei que fosses tão adulto! Obrigada, não fazes ideia do alivio que me dás!- abracei-o e ouviu-se a porta da rua bater.

Tom- A que se deve o momento maternal?- pousa as chaves na estante e dá um beijo na testa de Jonh e na minha.

Eu- Sou eu que tenho um filho espectacular!

Tom- Sara, precisamos de falar!

Jonh- Bem, parece que é agora. Eu estou no meu quarto!

Eu- É melhor irmos para o quarto!- entramos no quarto e fechei a porta.

Tom- Antes demais -

Eu/Tom- Desculpa!- dissemos em uníssono o que nos fez olhar nos olhos um do outro.

Eu-Eu já devia ter-te contado à mais tempo -

Tom- Não, deixa-me ser eu falar primeiro!- aproximou-se de mim e agarrou-me as mãos, sentou-se num sofá que lá havia e fez-me sentar no seu colo. Deixei-o prosseguir. — Tu sabes que nunca deixar de a amar, que ainda hoje o que sinto por ela continua aceso. Eu traí-te, eu sei que te devia ter contado, que devia ter confiado em ti sendo tu a minha melhor amiga, desculpa-me, não estou arrependido do que fiz, eu amo-a e ela ama-me, eu quero construir uma vida ao lado da Isa. A última coisa que quero é magoar-te, eu sei que não tenho jeito nenhum para este tipo de conversas, mas é o melhor que consigo. Perdoas-me?- as minhas mãos foram ao encontro da face dele.

Eu- Eu quero dizer-te, que não te posso perdoar uma coisa que eu também fiz, eu traí-te com o teu irmão, sinto-me mal, durante todas as noites desde que te trai martirizava-me por dentro, tinha medo da tua reacção, sou cobarde, eu sei, devia ter-te dito desde o princípio. -engoli em seco- quero o mesmo que tu, reconstruir a minha vida ao lado de quem nunca esqueci! Perdoas-me Tom?- abraçamo-nos fortemente, como se fosse a ultima vez, lágrimas brotavam dos meus olhos, ele acariciava-me a cabeça.

Tom- Como fazemos em relação aos nossos filhos?

Eu- O Jonh já sabe, desde o inicio, ele descobriu por ele próprio, ele compreende-nos Tom. E queria pedir-te para ficar com eles, não me retires a guarda dos meus filhos!- as nossas mãos permaneciam unidas.

Tom- Nunca era capaz de te fazer isso, desde que todos os fins-de-semana eu os veja!

Eu- Claro, continuas a ser o pai deles!- levantamo-nos — Vamos falar com ele.

Tom- Sara antes disso quero que saibas que a nossa amizade não vai mudar, eu quero saber, o que fazes, se ele te magoar outra vez, avisa-me!

Eu- Achas que era capaz de viver sem te ter como meu confidente?- abraçamo-nos mais uma vez. Uma ultima vez os seus lábios tocaram nos meus, um beijo de despedida, que o único sentimento que tinha era de que o nosso casamento acabou.

Tom- Um último beijo!

Eu- Nunca vou esquecer os momentos que passei a teu lado!

Tom- Esses momentos vão estar para sempre gravados na minha memória! — ele abraçou-me de lado, com apenas uma mão e saímos do nosso quarto.

Eu- E a Ally? como achas que irá reagir?

Tom- Segundo o que me disseste ao telefone, pelo o que dizia a carta, ela está a recuperar bem e em breve vai voltar!- batemos à porta do quarto do nosso filho.

Jonh abre a porta- Já falaram tudo?

Eu- Já e precisamos de falar contigo!- entramos no quarto e ele sentou-se no puff em frente à cama onde eu e Tom estávamos sentados.

Tom- Tu já sabes o que nos aconteceu antes de termos casado. E, bem o motivo desta troca foi que o Ryan é meu filho!

Jonh- Desculpa!?

Eu- O Ryan é filho do teu pai e da Isa,e ah... o Tom ao princípio não aceitou esse filho e quando caiu em si era tarde, a Isa e o Bill já não estavam na cidade!

Jonh- Agora sim percebo esta guerra, o Ryan é meu irmão!- disse incrédulo.

Tom- Sim, e como sabes agora as coisas estão resolvidas -

Jonh- Tirando a parte que o Ryn não te quer ver nem pintado de ouro.

Tom- Eu sei que errei. O importante é que estou a fazer os possíveis para que isto fique bem, e como sabes a tua mãe fez as pazes com o meu... com o Bill!

Jonh- E nunca a vi tão feliz como tem andado!

Tom- Também eu fiz as pazes com a Isa e tanto nós como a tua mãe e o Bill vamos começar uma vida nova!

Jonh- No meio disso tudo onde é que nós ficamos?

Tom- A Isa fica com a Selena e com o Ryan e tu e a Ally ficam com a vossa mãe!

Eu- Mas claro que vais continuar a ver o teu pai, todos os fins de semana!

Jonh- Vou aprender a viver com um desconhecido!- mentalizava-se.

Eu- Com o tempo vão conhecendo-se melhor!

Jonh- E vão continuar na cidade ou vão mudar?

Tom- Eu vou para uma aldeia aqui perto!

Eu- Para o casarão dos teus avós?

Tom- Sim, sempre soubeste que era a minha casa de sonho!

Jonh- Ah ainda existem mais segredos, então tínhamos uma mansão e eu não sabia!

Tom- Essa quinta estava fechada, era a casa que eu tinha pensado viver com a Isa, mas quando tudo acabou esse sonho também morreu!

Jonh- E tu mãe, também tens uma quinta e não me contaste?

Eu- Não, eu vou voltar para Berlim!

Tom- Ah!?

Eu- Vou alargar a casa do meu pai, ele vai voltar para Portugal!

Jonh- O avô vai embora e eu não sabia?

Eu- Soube há pouco tempo, ele vai falar contigo quando a Ally voltar!

Tom- Vais para Berlim!?

Eu- Sabes que por minha vontade nunca tinha saído de lá!

Tom- Eu sei!- olhei o relógio.

Eu- Jonh, são horas de dormir, amanã tens escola!

Jonh- Pronto agora que estava a gostar da conversa!

Tom- A nossa conversa vai ter outra continuação até a Ally voltar!

Eu- Até lá eu vou continuar aqui!

*

[Isa]

Bill – Eu preciso de ter as certezas de uma coisa. – Agarrou o meu rosto.

Eu – Não, Bill –

Interrompeu-me unindo os lábios aos meus, ambas as bocas entreabriram deixando que, pelo menos, uma última vez, as linguas jogassem uma com a outra. Parámos o beijo. Bill juntou a testa à minha e acariciou-me o rosto, fechando os olhos de seguida.

Eu – Eu… eu … não te amo. – Brinquei com o seu cabelo.

Bill sorriu, abriu os olhos e beijou-me a testa demoradamente, enquanto deslizava as mãos pelas minhas costas e me puxava mais para si.

Bill – Uma chamada todos os dias. – Interrompeu o silêncio. – Quero ouvir a tua voz todos os dias, nem que seja para gritares comigo. – Ri-me, contemplando o abraço. – Depois, nada de dares muita liberdade à Haylay. Ah! – Exclamou – Vê lá não engravides de novo, não quero voltar a sair de cidade contigo. – Dei-lhe um murro no peito. – Au –‘

Eu – Estúpido! Parvo! – Ofendi – Eu não vou ter filhos outra vez e mesmo se tivesse, o Tom ficaria comigo!

Bill – Eu sei. – Ele riu-se. – Estava apenas a —

Eu – Ser mau para o teu irmão – Concluí.

Bill – Oh não fiques assim e vai lá trabalhar. – Empurrou-me.

Eu – Eu vou levar a Selena… aos escritórios do Tom, quero que eles falem um pouco. Eu depois justifico a falta às primeiras horas.

Bill – Isa –

Eu – Eu vou fazer isto, Bill. – Interrompi. – Eu já avisei o Tom, ele… também acha que é o melhor.