Eu- Até tenho medo, se os pais desconfiarem eu sou recambiada para bem longe!!

Jonh- Achas que eu deixava!?

Eu- Preciso de sair, estou farta de estar aqui presa!!

Jonh- O pai está em casa!!

Eu- No escritório como sempre!! Eu vou sair!!

Jonh- Ally, estás tola ele pode ver-te e de certeza que vai pensar que vais ter com o Ryan!!

Eu- Tenha falado com ele por telepatia só se fosse!!

Jonh- Vais arriscar demais!!

Eu- Não tenho nada a perder!!- apanho um casaco, visto-o.

Jonh- Onde vais!?

Eu- Vou andar à deriva, preciso de pensar!!

Jonh- Vais de carro?

Eu- Por acaso vou!!- abri a porta, agora era a parte difícil, passar pela sala.

Jonh olhava cada movimento meu. A porta do escritório estava aberta. Tom andava de um lado para o outro com papéis na mão. Reclamava consigo mesmo. Olhava para algo que tinha na mão. Depois, voltava a arrumar tal coisa e encarava de novo o mundo do trabalho.

Agachei-me e tentei caminhar até à sala. Aproximei-me da porta. Ao abri-la. Estremeci com uma voz sinistra por trás de mim.

Tom – Onde é que pensas que vais?

Eu – Dar uma volta. – Olhei-o.

Tom – Com que autorização?

Eu – A minha. – Respondi friamente.

Tom – Não me parece. Fecha a porta. – Pediu calmamente.

Eu – Não. – Contrariei.

Tom – Ally. Fecha a porta.

Eu – Não.

Tom – Nem te atrevas a sair. Vais ter com o teu namorado! – Exclamou. – Nem te atrevas. Volta para o teu quarto. – Ordenou,

Eu – Já disse que não.

Jonh – Pai, vamos… jogar aquele novo jogo que me compraste, é bué fixe.

Tom – Vai fazer outra coisa Jonh, agora não dá. – Disse enquanto me olhava. – Vai para o teu quarto Ally.

Eu – Já disse que não – Saí para a rua.

Tom – Ally! – Gritou.

Eu – Não queiras meter mais gente a olhar para ti. Olha a reputação. – Gozei entrando para dentro do meu carro. Ele seguiu-me.

Tom – Ally. – Tentou abrir a porta do carro. Tranquei-a. – Volta aqui. – Pediu. – Abre a porta.

Eu – Deixa-me em paz! – Liguei o carro.

Tom – Não me desafies!

Ignorei-o conduzindo para um lugar incerto. Apenas, longe dali.

Estacionei junto de um parque. Caminhei pelo jardim arrastando os meus próprios pés. Sentia-me vazia. Sozinha. Não havia qualquer modo para contactar Ryan.

- Hey! – Olhei em frente vendo vários rapazes juntos. Olhei melhor. Um rapaz loiro fez-me perceber de quem se tratava. Aqueles traços já tão bem conhecidos. Os olhos azuis penetrantes. Era ele e eu sabia-o. Era ele quem estava a andar de skate e a mostrar as suas capacidades. Era ele que parecia distante e concentrado enquanto demonstrava truques provavelmente difíceis.

Aproximei-me. Continuei a olhá-lo. Mantinha um ar vazio. Parecia empenhado. Incapaz de olhar para qualquer tipo de coisa, mas, por instinto olhou na minha direcção. Notou na minha presença. Caiu. Corri até ele. Apenas beijou-me puxando-me para si. Não disse nada.

Eu – Ryan… — Beijou-me de novo levantando-se.

Saímos do halfpipe.

Eu/Ryan- Como vieste aqui parar? — sorrimos os dois.

Eu- Precisava de sair de casa!!

Ryan- O teu pai deixou-te?

Eu- Muito provavelmente quando chegar a casa vou ter as malas feitas e o meu pai à porta para me desterrar!! — dei um sorriso cínico, e comecei a chorar, ele abraça-me.

Mike- Não te quero ver assim, quero voltar a ver brilho dos teus olhos, quero ver o teu verdadeiro sorriso, quero voltar a ver-te feliz!!

Eu- Eu só sou feliz ao teu lado, mas parece que sou a única que vê isso!!- ele levanta-me o queixo.

Ryan- Não és a única, eu não tenho vida senão estiver a teu lado, tu és tudo para mim, eu quero-te Ally, eu preciso de ti!!- vejo lágrimas a formarem-se nos olhos dele, era a primeira vez que ele chorava à minha frente, dou-lhe um beijo, ele intensifica esse beijo.

Eu- Amo-te!!

Ryan- Estarias disposta a tudo por mim?

Eu- Queres mais provas!?

Ryan- Esta noite, às 3 da manha, arranja uma mala, eu vou estar à tua espera na tua janela!!

Eu- Vamos para onde?

Ryan- Não sei! Depois escolhemos o sitio, o que me interessa é estar contigo!!- acariciou-me a cara e deu-me outro beijo.

Eu- Vamos deixar tudo para trás?

Ryan- Eles agora não nos são nada, deixaram bem claro quando preferiram manter uma mentira a ver-nos felizes!!

Eu – Desde que eu esteja contigo. – Ele passou a mão ao de leve sobre o meu rosto e sorriu. – Magoaste-te? – Apontei para a perna.

Ryan – Não – Encolheu os ombros. – Já estou habituado.

Eu – A queda foi forte. – Levei a mão à minha cabeça e sorri.

Ryan – Não foi nada comparada com todas as outras. – Colocou o skate no chão. – Anda. – Apontou para o objecto. – Sabes andar?

Eu – Não! Não de todo. – Abanei a cabeça.

Ryan – Experimenta.

Eu- Tens noção que me vou espalhar?

Ryan- Eu agarro-te!!- subi para cima da tábua, ele agarrava-me as mãos, dei um leve balanço com o pé.

Eu- Ryan, eu vou cair!!- tentava ao máximo manter equilíbrio, começa a segurar-me bem, ele larga-me as mãos.

Ryan- Vês, eu sabia que conseguias!!

Eu- Ryan, agarra-me!!- comecei a perder o equilíbrio, e o Ryan corria ao meu lado.

Ryan- Salta!!- dizia de braços abertos.

Eu- Vou espalhar-me!!

Ryan- Confia!!- saltei e ele agarrou-me fazendo-me andar à roda.

Eu- Estava a ver que te matava!!

Ryan- E depois quem te salvava!?- arqueou o sobrolho.

Eu- A seguir a matar-te matava-me eu!!- dei-lhe um beijo.

Ryan- Anda!!- foi buscar o skate parado e deu-me a mão.

Eu- Onde vamos?

Ryan- Passear!!- pôs a mão à volta da minha cintura e passeamos por aquele parque, sentámo-nos para ver o por do sol.

Eu- Vou estar à tua espera!!

Ryan- Às 3h!!- deu-me um beijo com toda a dedicação e entrei no meu carro.

Eu- Vamos lá enfrentar a fera!!

Ryan- Se ele te levar, como vai ser?

Eu- Vais ter um bom informador!!

Ryan- O teu irmão?

Eu- Sim!!- deu-me um beijo rápido e fechou a porta, pus a chave na ignição e conduzi até casa.

Tentava controlar a minha ênfase. Estar com o Ryan seria… algo proibido. Algo, extremamente maravilhoso. Mas, agora teria de enfrentar Tom. O tal dito cujo que parecia não querer ver um único traço de felicidade em mim.

Entrei em casa. A porta do escritório bateu de relance. Era ele.

Tom – Onde é que andaste? O que é que eu te tinha dito Ryan?

Eu – Não me apeteceu estar em casa.

Tom – Eu tinha-te avisado!

Eu – Podes-me mandar para Espanha ou até mesmo para a China! – Cruzei os braços. – Pouco me importa.

Tom – Vai para o teu quarto. – Falou docilmente.

Eu – Não me vais fazer nada é?

Tom – Vou tomar-banho. – Avisou ignorando a minha pergunta.

Senti-me indignada. Olhei o seu caminhar descontraído até ao quarto. A porta a fechar-se.

« Era o mesmo pai de há horas atrás?»

Jonh apareceu na sala olhando-me incrédulo.

Eu – Estiveste a ouvir?

Jonh – Ya. – Admitiu.

Eu – Deste-lhe algum calmante ou cena assim? – Abanei a cabeça. – O que é que lhe deu?

Jonh – Sei lá. Trancou-se no escritório e só saiu de lá agora.

Eu – Estranho. – Fiz um esgar.

Jonh sentou-se no sofá e ligou a televisão. A minha mãe entrou em casa pousando os sacos das compras na bancada da cozinha.

Sara – Venham cá! – Pediu.

Sentei-me ao lado de Jonh que pareceu excluir da mesma forma Sara.

Sara – Eu chamei-vos. – Ela disse pondo-se à frente da televisão. – Têm algum problema auditivo ou alguma coisa assim parecida?

Eu – Sai da frente sff. – Disse enquanto tentava não encará-la.

Sara– Ally! Olha para mim, por favor.

Eu – Vou para o meu quarto. – Levantei-me enquanto caminhava até tal compartimento.

Tom- Ally, chega aqui!!- disse a sair do quarto e a ir em direcção à sala.

Eu- Não quero!!

Tom- Agora!!- disse abrindo a porta do meu quarto e saindo de seguida.

Eu- Eu já vos disse que não tenho paciência!! — entrei na sala.

Tom- Eu e a vossa mãe estivemos a pensar e no final deste mês vamos de férias!!

Eu- Eu não vou sair da Alemanha!!- a minha mãe levanta-se.

Sara- Pára, Ally já tens idade para saberes que não podes ter tudo o que queres, tens 18 anos, não 8, as birras não combinam contigo! Nós estamos a fazer de tudo para voltarmos ao que éramos!!

Eu- Nada mais vai ser como antes!! Eu não vou desistir, só porque vocês dizem que não, disseste bem tenho 18 anos, sei perfeitamente quem amo e com quem quero ficar!!

Tom- Achas, que gostamos de te ver assim, achas que eu e a tua mãe gostamos de te ver sofrer!? Se estamos a fazer isto é porque temos fortes motivos, eu não vos vou contar, iria abalar demais a tua vida, eu não te quero ver sofrer mais, se nós dizemos que não podes namorar com o Ryan, é porque existe alguma coisa, não só um mal entendido entre duas famílias, ouve, se soubesses o que me custa ter que gritar contigo, ter que te fazer chorar. Eu amo-te Ally, és minha filha, se soubesses o que magoa saber que a minha própria filha me odeia, é muito pior que ser traído por quem se ama!!- vejo uma lágrima a formar-se nos olhos do meu pai, ele nunca tinha chorado, eu sempre o tinha visto como uma fortaleza, olho para o Jonh, vejo que ele tem uma vontade enorme de ir abraçar o pai, mas mesmo assim contem-se.

Sara- Tom!!- a minha mãe abraça-o mas ele recompõe-se.

Tom- Pensa nisto!!- diz e sai da sala indo novamente para o quarto.

Sara- Percebeste Aly?

Eu- Mãe, eu amo-o, eu amo-o tanto, eu não consigo controlar este amor, eu por ele faço tudo, percebes? Eu não quero ver o pai a chorar por minha causa, eu não vos quero a sofrer em silêncio, eu reparei que isto não só me abalou a mim mas também vos abalou a vocês. Tem a ver com o vosso passado, desde que foste trabalhar para outra empresa, a nossa família tem vindo a desmoronar-se!!

Sara- Eu já sofri por amor, eu sei o que é amar uma pessoa mas não poder estar com ela, no passado eu estive noiva de outra pessoa que não o Tom!!

Jonh- Desculpa!?

Sara- Existem muitos segredos guardados, dentro do meu coração e no coração do vosso pai!!

Jonh- Mas tu ias casar!?

Sara- Ia, essa pessoa abandonou-me, nunca sofri tanto, nunca chorei tanto como nesses dias, mas é para vocês perceberem, a vida não é um mar de rosas, eu encontrei o meu porto seguro junto do vosso pai, ele sim fez-me feliz!! Por isso, minha filha este rapaz pode não ser o que pensas, existe muito amor, mas de um dia para o outro esse amor transforma-se na maior dor que tiveste!!- senti a minha face molhada.

Jonh- Não sabia, não sabia que vocês tinham passado por tanto!!

Sara- Tu sabes Ally, foi o teu pai que fez o teu parto, ninguém no mundo ama-te mais do que ele ou eu, nós que te vimos nascer, ele que te ajudou a vir ao mundo!!- ela dá-me um beijo na testa e também entra no quarto de casal.

Jonh- Os nossos pais!!

Eu- São os melhores!!- os dois chorámos abraçados.

[ Ryan]

Julia –Ryan Taylor. – Entrou de rompante pelo meu quarto. – O que pensas que estás a fazer?

Eu – A arrumar as minhas coisas, não te parece?

Julia – Para quê? – Fechou a porta. – Porquê que estás a meter as tuas coisas dentro dessa mala?

Eu – Apetece-me. – Continuei a arrumar as coisas.

Julia – Sentes-te bem?

Eu – Óptimo. – Ironizei.

Julia – Ryan. – Pronunciou o meu nome num tom cauteloso.

Eu – É o meu nome.

Julia – Deixa de ser mal-educado e olha para mim.

Eu – Se sou mal-educado ou não. – Olhei-a. – A culpa não é minha mas de quem tentou educar-me.

Julia – Não tens o direito de estar a dizer barbaridades.

Eu – E a avó não tem o direito de me julgar.

Ela sentou-se em cima da cama. Levou as mãos às pernas e olhou para a fotografia que estava em cima da mesa-de-cabeceira. Pegou nela. Sorriu.

Julia – A tua mãe aqui deveria ter os seus 22 anos. – Murmurou passando os dedos já enrugados pela fotografia.

Tirei-lhe a fotografia da mão e coloquei juntamente com a roupa dentro da mala.

Julia – Tens de dar o desconto Ryan. Ela está a passar uma fase difícil.

Eu – Também eu.

Julia – Diz-me uma coisa. – Acomodou-se batendo ao de leve no colchão para me sentar ao seu lado. Ignorei o seu pedido arrumando mais coisas dentro da mala. – Ryan. – Fez sinal de novo.

Eu – Sim!

Julia – Senta-te aqui. – Ordenou. Obedeci mantendo um ar firme. – Orgulhoso. – Comentou sorrindo.

Eu – Diga lá o que tem a dizer.

Julia – A tua mãe alguma vez te fez sofrer?

Eu – O que me está a fazer neste momento conta?

Julia – Oh Ryan. – Remexeu no anel que tinha no dedo. Parecia angustiada. – A vida dá tantas voltas. – Suspirou olhando para as próprias mãos. – Ainda há tempos era eu no teu lugar. E agora já sou a avó. – Revirei os olhos. – Mas bem. – Olhou-me. – Sabes perfeitamente que a tua mãe nasceu em Berlim não é?

Eu – Sei. – Consenti.

Julia – E também sabes que não foste propriamente um filho planeado. – Constatou. – Mas… — Sorriu – Tu… — Olhou-me nos olhos – Tu és algo… de… — Limpou as lágrimas que lhe escorriam pelo rosto. – De especial. És… filho… de alguém demasiado importante para a tua mãe.

Eu – Disso já eu sabia. – Levantei-me de novo. – Só isso?

Julia – Tu és o fruto de um verdadeiro amor Ryan. – Levantou-se também. – Tu és a lembrança com vida para a tua mãe. Achei-a tonta engravidar com apenas 16 anos. Não suportei bem essa notícia, não o nego. Mas, todas as vezes que ela me ia lá visitar contigo pequeno. Todas as vezes que ela sorria ao falar de ti, quando dizia o teu nome animada, quando te embalava nos seus braços e não fazia mais nada do que ver-te dormir. Ryan. Eu percebi que… afinal não tiveras sido um erro. Talvez uma bênção.

Eu – Porquê que… não vai contar isso à Selena? Temos o mesmo pai, mesma mãe, mesma família. Porque é que só está a falar comigo sobre isto?

Julia – Ela achava-te perdido. – Admitiu. Fiz cara confusa. – Uma adolescente de 16 anos afinal de contas nunca para quieta. Tu próprio o vês com a tua irmã. E contigo! – Exclamou. – Como tu eras. – Abriu a porta. – Ela caiu das escadas. – Afirmou. – Parecia uma tonta a andar de um lado para o outro. – Aproximou-se de mim. – Bill não conseguia ter mão nela. Afinal, também tinha de acabar o seu curso. Quando aconteceu esse incidente. Ela achava-te perdido. – Repetiu. – Mas graças a Deus que estás aqui, são e salvo. – Disse rápido enquanto enxugava as lágrimas. – Já falei de mais não é? Estou a ocupar o teu tempo com coisas que –

Eu – Que já devia ter contado há muito. – Interrompi. – Apesar de mas contar numa incógnita.

Julia – És tão parecido ao teu pai. – Sorriu-me.

Eu – Não acho.

Julia – Mais do que o que tu julgas.

Eu – A minha personalidade com a de Bill não coincide. – Fitei-a.

Ela olhou para a porta e estatelou durante um tempo. Olhei na direcção do seu olhar. Bill estava encostado à ombreira da porta. Tinha os braços cruzados e escutava pormenorizadamente cada som que provinha dentro do local onde nós estávamos.

Julia – Vou… fazer o jantar. – Avisou saindo do meu quarto.

Eu- A avó está a perder a lucidez! — Ignorei a sua presença.

Bill- Porque dizes isso?

Eu- Eu não sou parecido contigo!- ele aproxima-se.- Aliás eu nem sei como sou teu filho!- ele cambaleia um pouco para trás.

Bill- Ryan, controla-te, pensa bem e vê se não somos parecidos!!- ele senta-se num dos pufs.