Notas iniciais
chris esse é pra vc que pediu com tanto fervor um capítulo kkkkkkkkkkkk

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Os olhos da cidade

Estão contando as lágrimas que caem

Cada lagrima é uma promessa de tudo

Que você nunca saberá

(Don’t Jump – Tokio Hotel)

Dançar. Duas vogais, quatro consoantes, seis letras, uma palavra que resumia minha vida ultimamente. Sério, eu não tinha tempo pra mais nada, a não ser meu trabalho, claro. Noites mal dormidas estavam presentes no meu dia-a-dia. Eu fazia meu serviço durante a manha e tarde, as 20h00min saia para o ensaio (depois de ter servido o jantar para os meninos), voltava lá pras 23h00min e depois de tomar um banho eu ia dormir, no outro dia as 06h00min eu já estava de pé pronta para outra.

Embora estivesse difícil minha rotina de nada eu reclamava, para mim tudo estava perfeito. Meu relacionamento com Tom está o mesmo que há duas semanas, quando ele me levou para o meu primeiro ensaio. Bill e eu estamos mais amigos que o normal, outro alguém que também está muito amigo de Bill é Heide. Aquela que fez amizade comigo no primeiro ensaio. Ela vem aqui sempre para ensaiar comigo, ou até mesmo só passar um tempo aqui.

Heide é muito sozinha, sua família mora em outro país, então amigos são a única companhia que ela tem por aqui. Bill parecia adorar sua presença, sempre que ela chegava eu podia perceber como seus olhos brilhavam e sua língua parecia não parar quieta de tanto assunto que ele puxava com ela. Eu sempre dava um olhar de cumplice para Heide, o qual ela respondia com bochechas coradas. Ela já havia me dito que sentia uma leve atração pelo meu chefe. Era de certa forma engraçado.


– Tom, posso falar com você?

– Claro gatinha. – deu aquele sorriso que só ele sabe dar, aquele que sempre deixa meus braços arrepiados.

– Bom, hoje a noite eu vou me apresentar. Eu queria muito que você fosse, Tom.

– Hoje à noite? Várias bailarinas de collan? Você de collan? Estarei presente! – dei uma risada leve e um sorriso singelo.

– Ótimo. Tom, tem algo que eu tenho que lhe contar. Eu não contei pra ninguém, mas eu vou apresentar um solo. Sem muita fanfarra ou algo do tipo, somente eu e a dança. E a coreografia que eu tive que montar. E se estiver bom, eu ganho um concurso. São mais ou menos 10000 euros. Tem ideia do quanto isso é perfeito? Se eu ganhar a França poderá voltar a ser meu novo lar. – ele sorriu com a animação em que eu falava e nós continuamos conversando normalmente.



Oh, como eu sentia falta disso tudo! Frio na barriga, ansiedade, a briga por grampos para por no cabelo segundos antes da apresentação. Eu estava por trás da cortina apenas esperando a vez que meu grupo dançaria, e a últimas apresentações da noite seriam aquelas que participariam da competição de dez mil euros. Eu seria a última, quanta pressão.

Então chegou minha vez. Estava lá eu e meu grupo, a primeira da fila exibia um sorriso caloroso, cabelos louros presos num coque alto, maquiagem exuberante, roupa espalhafatosa, aquela que nas horas vagas trabalhava como empregada nas horas vagas, que era apaixonada por seu chefe. E que por ele seus olhos procuravam freneticamente pela plateia. Bill estava lá, Gustav e Georg também. Onde estava Tom, aquele que realmente importava?

O resto da coreografia não foi mesmo com o mesmo entusiasmo de antes, ainda tinha um pouco, afinal ele podia chegar no final... Eu era a última... Ele tinha que chegar. Eu esperava isso dele. Era importante. Se eu passasse era hoje que eu ia me declarar, afinal eu estava indo embora mesmo...

Depois de voltar para trás da cortina os gritos de minha coreografa eu tinha certeza que podiam ser ouvidos do lado de fora do teatro, ela me xingou como nunca. Acho que todos perceberam que algo tinha abalado minha atuação. Algo tinha dado errado.

Dez minutos. Esse era o tempo que eu tinha para ir até Bill e perguntar onde estava o irmão dele. Era o tempo de intervalo que acontecia para dividir as apresentações normais das competições.

– Bill!

– Deba! Nossa, você estava ótima! Parabéns. – mesmo se eu caísse ele diria isso, então não perdi muito tempo agradecendo.

– Obrigada Bill! Onde está Tom?

– Éer... Eu, bom Deba, primeiramente eu sinto muito... Mas, Tom não vai vir esta noite.

– Por quê? Aconteceu alguma coisa? – ainda havia esperança, talvez fosse um motivo muito sério mesmo...

– Ele não quis. Fui ao quarto dele chama-lo ele simplesmente disse que não tinha paciência para ver apresentações de balé, que era coisa de menininhas.

Sai da frente de Bill correndo, não queria que ele visse minhas lágrimas caindo, muito menos meus soluços. Fui em direção ao camarim e me preparei como se fosse a última dança de minha vida.

Em questão de minutos eu estava no palco.

Meu olhar em momento nenhum se desviou para a plateia, olhar e ver que aquele que mais importava não estava lá doeria. Fez-me lembrar de quando eu ainda era uma pequena francesa que morava em sua cidade natal. A bailarina prodígio, a única criança que em nenhuma apresentação os pais estiveram presentes.

Aquela que já se cortou em momentos de fraqueza, que fuma desde jovem, que se afasta do mundo, da dor de todos. Era essa francesa que hoje dançava com lágrimas caindo dos olhos.

Movimentei meus olhos por segundos para o alto da plateia, eu quase tenho certeza de que vi alguém com calças largas e tranças na cabeça lá em cima. Virei de novo para ter certeza. Má escolha. Eu estava no meio de uma pirueta, perdi o equilíbrio e cai. Não foi uma simples queda, foi uma que eu não consegui levantar. Tive certeza de que ouvi estalos na minha perna.


Hospital e casa. Foi isso que Bill disse depois de me tirar do palco e me levar no colo até em casa. Em direção ao meu quarto pude perceber Tom olhando com um olhar preocupado para meu gesso, desviei rapidamente os olhos antes que lágrimas voltassem a preenchê-los e deixei que Bill me acomodasse em minha cama. Cai no sono rápido, mas várias vezes durante a madrugada pude ouvir minha porta sendo aberta e alguém conferindo se estava tudo ok. Não criei esperanças de que fosse Tom, eu sabia que não era.


Notas finais
demorei né... foi mal eu estava sem inspiração.. mas ontem eu fui num espetáculo de dança incrível que me trouxe a mais que precisa inspiração..
comeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeentem.