Wintershock

29 O sequestro de uma garota atrapalhada


Notas iniciais
Oi gente, tudo certo? Mais um capítulo como prometido, e seguiremos com dois por semana. Como dito nas notas finais do capítulo anterior, a Darcy será sequestrada pela HYDRA e essa nova miniaventura renderá dois capítulos, com a conclusão no próximo. Divirtam-se!

Darcy estava em Willowdale. Faltava exatamente um mês para o TCC e toda a sua equipe se encontrava correndo contra o tempo.

A banca avaliadora desse ano era implacável. Todas as turmas estavam amedrontadas e tremendo na base.

Alunos dos oitavos semestres de diversos cursos tinham virado zumbis e muitos colegas da estagiária choravam naquele dia em que ela estava no campus.

— Eu tô ferrado! Não vou conseguir me formar! – Jimmy, o piadista chorava junto com Angela e os demais.

Todos andavam pelo corredor que dava acesso ao lado de fora do campus.

— Devia rir em vez de chorar. Não é isso que você vivia dizendo pra gente!? – Darcy e Derek riam do rapaz, iguais as hienas do Rei Leão.

— Não tem graça! – Jimmy se ofendia, lembrando-se do tanto de piadas que fazia com a dupla e com qualquer pessoa que cruzasse seu caminho no campus.

— Olhem só pra vocês, é por isso que estão na rabeira da cadeia alimentar! Hehahahaahaha!!! – Os dois continuavam rindo e Angela mostrava uma carranca.

— Se não forem pra ajudar, nem atrapalhem!

— Mas não era vocês que estavam dizendo pra eu enviar meu currículo pra Infowars!? Quem sabe se não se formarem, o Alex Jones não recrute vocês para estrearem uma nova coluna!!! – Darcy quase caia no chão, de tanto rir e Derek tentava respirar desesperadamente, pois estava perdendo o ar.

A garota correu para fora, com seus imensos fones de ouvido ao redor do pescoço e despejou todo seu material na mesa do refeitório ao lado de fora do campus.

Richard, um dos colegas de turma de Darcy chegava ao local, se sentava ao lado deles e se divertia com a cena.

O rapaz observava as coisas dela, dentre elas, um estojo com canetas, mas... algo em especial lhe chamou atenção no mesmo instante.

Ele tirou uma borracha de seu estojo, e havia um nome escrito nela...

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“James”

.

— Darcy, quem é James? – Richard a contestou, extremamente curioso.

Os olhos de Derek arregalaram e a garota exibiu uma feição perplexa.

— Por que está me perguntando isso!? – Indagou-o de volta, travada de medo, pelo simples fato de Derek estar ali, ouvindo...

— Está escrito na sua borracha. – O rapaz sorriu, singelo, mas ao mesmo tempo com ar bisbilhoteiro.

— Aah... ah... Eu... – Ela gaguejou, sem saber o que dizer.

Derek a encarava, furioso. Sabia exatamente o que aquilo significava e era por isso que a estudante estava tremendo por dentro.

Ninguém podia saber sobre sua queda por Bucky Barnes. Principalmente Derek.

— Que coisa mais infantil, Darcy! Escrever o nome do amado na borracha! – Jimmy gritava, no intuito de se vingar por ela ter rido de sua cara minutos antes.

— Precisa pegar o megafone e espalhar, seu palhaço! – A garota perdia as estribeiras enquanto sentia uma aura sombria emanando de Derek.

— É seu namorado, Darcy? – Angela perguntava, vendo o quanto a garota estava embaraçada com as brincadeiras.

— Não, eu não tenho namorado! Vocês estão viajando na maionese! Esse é o nome do décimo quinto presidente dos Estados Unidos, esqueceram? Era só um lembrete! – Tentava se desvencilhar das indagações idiotas de seus colegas, mas Derek sabia que aquilo não era verdade.

Mesmo sabendo que o nome do décimo quinto presidente dos Estados Unidos se chamava James Buchanan...

— Que desculpa mais esfarrapada, hein? – Jimmy continuava a lhe aborrecer, e a estagiária recolhia suas coisas rapidamente, no intuito de sair correndo dali e fugir de Derek.

Mas seu amigo não lhe deixaria escapar sem antes explicar porque o nome do Soldado Invernal estava escrito em sua borracha.

— Tchau pra vocês, seus perdedores infames! – Ela gritou e saiu correndo.

Derek a seguiu logo depois.

— A Darcy é tão transparente... quem será esse rapaz? – Angela estava curiosa.

— Não tenho a mínima ideia, mas deve ser de Nova York. O que você acha, Richard? – Jimmy especulava.

— Isso eu não sei, mas vou descobrir. – O rapaz sorriu, convictamente. Sabia que ele era o Crush de Darcy, logo quando se conheceram no curso de Ciência Política, mas sempre a desprezava, pois não tinha uma impressão surpreendente da mesma.

Mas não agora...

Curiosamente, todos os homens pareciam prestar atenção na garota e isso era um tanto estranho...

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Darcy corria de Derek, mas não conseguiu fazer aquilo por muito tempo.

O rapaz entrou em sua frente, impedindo-a de fugir.

— Você vai me explicar agora porque o nome desse espião está na sua borracha!? – Conclamou, exigindo respostas.

— Eu não tenho que te explicar nada! – Ela bradou de volta.

— Você se apaixonou por ele!? Como isso foi acontecer!??

— Eu não estou apaixonada!

— Me diga a verdade, por favor. Eu não iria me opor se fosse uma pessoa normal, mas ele...? – Derek não acreditava que sua melhor amiga, que considerava como uma irmã, estava caindo de amores por um ex-assassino nazi-soviético.

— Eu estou te dizendo a verdade! Não tenho sentimentos por ele! Um nome escrito numa borracha não tem esse significado!

— Você sabe que tem... eu só quero que seja sincera comigo!

— Eu juro que estou sendo! – Darcy sabia que não enganaria seu amigo, mas... mas...

Nem mesmo a estudante entendia o que estava acontecendo com ela nos últimos tempos. Sua relação com Bucky Barnes havia evoluído para uma amizade profunda, e bem no mais íntimo de seu coração, ela sabia que de alguma forma...

James causava um efeito devastador em si...

Mas não era paixão... Céus, era indigno demais estar apaixonada. Não fazia sentido e não teria cabimento algum.

O rapaz suspirou, impaciente. Não imaginava que as coisas chegariam aquele ponto.

— Darcy... Pela última vez... eu te peço... dê ouvidos para aqueles que só querem seu bem e ouça o que tenho pra te dizer... – Seu amigo principiava um sermão. E a estudante já sabia o que ouviria.

— Estou ouvindo...

— Se você estiver desenvolvendo sentimentos por esse cara, corte-os o quanto antes, porque senão, as coisas ficarão bem piores do que quando Robert te deu um fora, entendeu!?

— Entendi... não precisa me alertar sobre o obvio...

— Eu só quero te ver bem... não se esqueça.

— Eu sei... – A estudante se praguejou por ter deixado uma evidência de sua “paixonite pré-adolescente” estampado numa borracha.

Então a queda evoluiu para uma paixonite? Era isso? Onde ela iria parar se seus sentimentos crescessem ainda mais?

Não somente teria cuidado para não ser descoberta pelas pessoas ao seu redor, como também não deixaria, em hipótese alguma...

Que Bucky descobrisse sua profunda admiração por ele...

.

.

E no fim da tarde, Darcy estava com seu iPod ouvindo novas músicas que havia baixado, quando de repente, uma delas chamou sua atenção.

A música...? Travis — Sing...

— Gostei dessa música! Vou ouvir umas 1456 vezes!

A garota estava virando fã daquela banda. Qualquer tipo de rock alternativo com toques de progressivo chamavam sua atenção no mesmo instante.

Ela caminhava despreocupada, quando de repente, um homem que nunca tinha visto antes, lhe cercou...

— Darcy Katherine Lewis?

— Sim...? – A garota arqueou uma sobrancelha, tirando o fone de ouvido do lado esquerdo, achando a pessoa em sua frente um tanto suspeita.

Um homem alto, pele clara, cabelos e olhos escuros, com roupas sociais e um semblante emblemático.

Pode me acompanhar por um momento...? – O tal rapaz a indagou, estranhamente...

.

.

Bucky estava no apartamento, lendo alguns livros como de costume, mas nada relacionado a fatos que aconteceram no mundo nos últimos 70 anos e sim...

Livros médicos sobre psicologia.

Estava apreensivo sobre todos os efeitos colaterais mentais que ocorriam quando menos esperava. Sua cabeça estava uma bagunça e precisava ao menos entender o que acontecia e como deveria agir quando algum colapso mental sobreviesse.

Mas foi tirado de sua concentração no livro quando o telefone do apartamento tocou.

Ele estranhou. Isso era raro.

Normalmente quem sempre ligava naquele número era Darcy.

Então o soldado se levantou e dirigiu até o telefone que se encontrava ao lado da porta da sala, pendurado na parede.

Ele atendeu a ligação.

De costume, sempre ficava calado, caso não fosse Darcy. Mas a garota tinha a mania de dizer “sou eu”.

Porém...

Silêncio e...

Mais silêncio...

O sargento não entendia.

Repentinamente, ele ouviu uma voz feminina de fundo, dizendo coisas desconexas.

Continuou em silêncio, tentando entender o que estava ouvindo, mas uma voz masculina surgia.

.

Sargento Barnes...?

.

Automaticamente o corpo de Bucky enrijeceu.

— Quem é...? – Sua voz soou mais grave do que o comum.

Bem... Acho que é desnecessário apresentações, pois creio que você já saiba quem sou e porque liguei. – A voz por trás era grave muito fria. Um leve sotaque alemão podia ser notado.

— Onde ela está...? – Bucky ignorava completamente o que a voz por trás da linha dizia e o contestou com a primeira coisa que passou em sua mente.

Se já sabe que estamos com ela, não há necessidade de dizer mais nada.

Onde...?

Uma das bases mais perto de Nova York... Você sabe... – A voz por trás da linha era de deboche e James já sentia seu sangue ferver.

— Amityville... – Afirmava, fazendo um imenso esforço para não perder o controle.

Da vez que esteve no depósito em Stamford, havia um mapa com todas as bases secretas da HYRA espalhadas pelos Estados Unidos. A mais próxima ficava em Amityville.

Sim... Você conhece a localização exata... Já passou por aqui em missões passadas quando teve de executá-las em Nova York... – A voz por trás da linha o provocava, falando sobre seus feitos como Soldado Invernal, no passado.

O soldado bateu o aparelho telefônico no gancho com muita violência.

Sabia que a HYDRA viria atrás dele, mas não sabia que seriam tão baixos a ponto de sequestrarem Darcy.

Se praguejava por não ter sido mais cuidadoso... e por não ter partido antes de envolve-la ainda mais naquele pesadelo.

Porém, era hora de agir e teria de ir preparado.

Quando Darcy o tirou de Washington DC e o trouxe para Nova York, Bucky estava com o traje tático e as armas do Soldado Invernal, ao qual guardou, pensando que poderia usar em algum momento.

E o momento era aquele.

Sua mente processava vários métodos para chegar em Amityville sem ser visto pelos federais e a polícia local.

Suas técnicas como perito espião seriam finalmente usadas. E ele estava pronto.

Se eles machucassem Darcy... estava disposto...

A matar todos eles...

.

HEY, SEUS BABACAS, ME TIREM JÁ DAQUI!!! – Darcy gritava como uma louca por longos minutos e sua voz já estava começando a ficar rouca.

Ela se encontrava sentada no chão, dentro de numa sala escura com uma lâmpada fluorescente. Havia vários armários de aço nos cantos, com gavetas fechadas com diversos cadeados.

Suas mãos e pés estavam amarrados para frente com cordas.

De repente, um homem adentrou ao local, acendendo uma luz.

O tal homem vestia trajes escuros, com o emblema da HYDRA no braço esquerdo.

Ele fitou a garota em silêncio, e ela fez uma careta.

— Quando é que vão me tirar daqui!? Eu merecia um tratamento VIP, pois sei todos os podres da HYDRA!

— É mesmo...? Você e todos os agentes de todas as agências de espionagem do mundo, então antes que eu seja forçado a deixa-la inconsciente, é bom você calar a boca.

A estudante rosnou em resposta.

Mas o tal agente passou a observá-la, esboçando um sorriso arrogante.

— Logo seu príncipe de armadura brilhante chegará e então, veremos como será o desfecho dessa história...

— Aí... Sem ofensas, mas príncipe de armadura brilhante foi péssimo! Você podia ter dito "O espião de elite bonitão de braço cibernético está vindo resgatá-la..." — Imitou a voz do homem se referindo aos adjetivos que caracterizavam Bucky Barnes, segundo ela.

— Garota patética... – O homem fazia cara de nojo, observando-a.

A garota se praguejava por ter sido pega... Nada dava certo em sua vida...

— Que droga... Sou tão azarada que se inventassem uma pílula da imortalidade, eu morreria engasgada com ela...

Darcy se perguntava se eles haviam contatado Bucky.

Não queria que o soldado viesse resgatá-la, pois sabia que preparariam uma emboscada e ela era a isca.

Revoltada por não ter conseguido usar seu taser a tempo de ser sequestrada, resmungava o quanto estava de saco cheio com a sua vida.

— E você vai ficar aí parado sem falar nada...? – Indagava o cara que se encontrava encostado na porta. Seu mau humor estava incrível naquele dia. Teve a infelicidade de ser sequestrada e presa naquele lugar há mais de três horas, sem nem mesmo saber se sairia viva para contar história.

O tal homem, ou agente da HYDRA, que era o mais certo termo para defini-lo, a observava em silêncio com os braços cruzados.

— Vem cá, será que posso pelos menos mandar uma mensagem para os meus pais, dizendo que eu os amo, já que eu vou morrer de qualquer jeito!?

— Não.

— Ótimo. Vou ser enterrada como indigente então!? Ou vou para aquelas fazendas de corpos ilegais pra ter meu cadáver estudado por estudantes de medicina que vão bombar no semestre!? – A estagiária fazia piada de sua própria morte.

Já o agente, esboçava um sorriso pretensioso.

— Ah, você está gostando de ver meu desespero, não é!? É isso que move a bateria de vocês!? A agonia das pessoas que vão matar!?

— Não, mas confesso que suas piadas são muito boas. Você daria uma excelente comediante.

— Que petulância! Você quer que eu conte uma piada então!?

— Seria legal.

— Eu sou a minha melhor piada! É só olhar pra minha vida!

O agente começou a rir discretamente, mas tentou manter sua postura.

— Isso mesmo! Ria enquanto pode! Se eu sair daqui eu juro que eu vou-

— Você vai...? – A interrompia, esperando que a mesma completasse a frase com outra piada.

— Vou comprar um taser ainda mais potente!!!

Darcy não conseguiu dizer mais nada, pois uma explosão pode ser ouvida e automaticamente a energia da sala e de toda a base subterrânea caiu.

Tudo ficou extremamente escuro.

No mesmo instante o agente se moveu e abriu a porta.

— HEY, ME DEIXE SAIR TAMBÉM!!! – A estudante sabia que dizer aquilo era em vão, mas estava com tanta raiva que não conseguia pensar em outra coisa.

O agente trancou a sala e saiu correndo.

A garota ouvia vários passos no corredor ao lado.

— Inferno... O que está acontecendo do lado de fora...? – Tentava forçar o aperto das cordas, mas não conseguiria se desvencilhar daquilo.

Porém, Darcy disfarçou ao máximo na frente de todos eles, o fato de possuir algumas cartas na manga se precisasse fugir dali...

Ela estava com uma bota que possuía um compartimento por dentro do forro, e lá havia alguns acessórios estratégicos.

Ainda bem que não passou pelo detector de metais daquela base, pois com toda a certeza apitaria.

Mesmo com as mãos amarradas, ela conseguiu enfiar os dedos para dentro de sua bota e acessou o compartimento.

Aquele seria o melhor momento, pois todos os agentes estavam longe e a energia do local havia caído.

A garota retirou um acessório bem útil da bota...

Um cortador de unha...

Aí vocês se perguntam... por que ela estava carregando um troço daqueles num calçado? Bem, estamos falando de Darcy Lewis, uma pessoa excêntrica e imprevisível. Vez ou outra ela carregava canivetes nos bolsos das calças, palitos de dente, caixas de fósforo, pinças, sprays de pimenta, e coisas do gênero, distribuídos estrategicamente em alguns de seus trajes. Coincidentemente naquele dia, ela teve a sorte de carregar um cortador de unha...

Sim, era patético, mas era o melhor que teria para se livrar das cordas.

Mesmo no escuro, ela tentou de todas as formas cortar as cordas com a lâmina do cortador, com muita força.

Parecia estar dando certo, mas demoraria muito.

— Calma... Você consegue... – Dizia pra si mesma, no ímpeto de se tranquilizar.

Enquanto isso, tudo o que ela ouvia era o barulho de sirenes por toda a base, como se houvesse um intruso ali.

E era óbvio que o intruso só podia ser Bucky, porém, ela tentaria escapar dali por conta própria, sem esperar que ele a salvasse, se assim conseguisse.

.

.

Acabara de anoitecer e parte dos agentes da HYDRA se encontravam exatamente na base de Amityville.

A HYDRA havia caído junto com a SHIELD e já não possuíam recursos e nem formas de se esconder do governo americano, graças a todos os arquivos vazados pela Viúva Negra.

Bucky Barnes era um dos melhores agentes de elite da HYDRA, e estava à solta pelo mundo, o que preocupava não só o governo dos Estados Unidos, como a ONU e todas as agências de inteligência do mundo inteiro.

E ele sabia que a HYDRA viria atrás dele, mas que não teria força e nem recursos para acha-los, já que seu líder supremo e agentes, foram pegos ou mortos. As bases espalhadas pelo país haviam sido interditadas pelo FBI, então os poucos peões que sobraram, com certeza eram comandados por outro líder, mais precisamente um líder europeu.

James não sabia quem era, mas em pouco tempo teria sua resposta. E por mais que estivesse furioso pelo sequestro de Darcy, o que não justificava em nada a forma como descobriria mais sobre a HYDRA fora do país, ele precisava daquelas informações para a sua caçada ao novo cabeça daquela organização que destruiu a sua vida e lhe transformou num monstro cruel e perverso...

Sua cólera se encontrava transbordando em níveis estratosféricos...

Prova disso, era o quão rápido e atroz o soldado se livrava dos poucos agentes que ousaram aparecer em sua frente.

Estava disposto a trucida-los sem misericórdia e se encontrava totalmente preparado para qualquer tipo de combate.

Antes de entrar, ele desligou a energia da base inteira. Tinha facilidade em se locomover no escuro, pois fazia parte da sua enorme lista de habilidades.

Bucky passava por uma das principais entradas da base que se encontrava iluminada por lâmpadas movidas à bateria, e então avistou um novo grupo de agentes da HYDRA, pronto para detê-lo.

Os agentes que apareciam armados, se assustaram com o que viam em sua frente...

Trajado com seu uniforme tático e armado com todas munições que roubara do depósito em Stamford...

.

O impiedoso e feroz Soldado Invernal estava de volta...

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Totalmente descontrolado... Sua expressão era de uma besta selvagem e sedenta por sangue...

Devido do local isolado da base naquela cidade, Bucky facilmente explodiu tudo o que vira ao lado de fora, o que ocasionou um efeito grafitado ao redor de seus olhos por conta da fumaça preta causada pelas explosões.

A máscara que encobria metade de seu rosto, apenas complementava a expressão devastadora...

Intimidados, os agentes entraram em posição de combate.

Todos munidos de bastões de choque.

No total, eram oito agentes.

O soldado apenas percorreu rapidamente os olhos por todos eles, calculando os eventuais métodos dos mesmos e como derrubaria um por um.

E em frações de segundo, eles se moveram.

Cada um atacava com proporções diferentes em força e agilidade, fazendo com que Bucky facilmente identificasse quem eram os mais fracos, mirando-os enquanto se esquivava e se antecipando em derrubá-los primeiro.

Cinco caiaram no chão...

Ele era especialista em combates corpo a corpo... Um habilidoso lutador...

Os outros quatro se afastaram.

Um deles retirou um revolver por trás do cinto.

James sorriu maliciosamente. Parece que a HYDRA tinha perdido tudo, inclusive seu arsenal invejável de armas.

No mesmo instante, em que o agente atirou, ele repeliu a bala com sua mão de metal, e então correu para desarmá-lo.

Os outros três tentaram pará-lo, mas não obtiveram êxito, pois além de fazer uma série de desvios imediatos, seu braço soltou uma forte descarga elétrica, deixando o agente que portava um revolver inconsciente, e os demais assustados com o potente ataque.

Mesmo armados com os bastões de choque, sabiam que não seriam páreo para o Soldado Invernal, quase em seu auge.

Em posições passivas, os agentes não viam sequer uma brecha para contra-atacarem.

Foi então que o sargento resolveu avançar e então os desarmou rapidamente, desviando dos ataques de seus inimigos com seus céleres reflexos e arremessando-os contra a parede com braço biônico.

Os oito se encontravam caídos e inconscientes...

Porém, sua excelente e treinada audição lhe alertava sobre algo e ele foi capaz de ignorar o ruído de todas as coisas ao redor para se concentrar no baixo som de passos cautelosos de alguém que se aproximava.

Cuidadosamente ele retirou uma pistola do coldre preso ao cinto e em lentos passos quase inaudíveis, se escondeu atrás em uma das imensas máquinas da sala...

A luz piscou por longos segundos, e então...

Um agente aparecia rapidamente em sua frente, o que fez com que seu mecanismo de anteparo velozmente assumisse o controle, atirando no abdômen de mais um peão da HYDRA.

Porém, outro surgia por trás, prestes a ataca-lo com um bastão de choque...

No último instante, Bucky bloqueou o bastão com seu braço metálico, fazendo com que uma onda de choque afastasse o agente, jogando-o contra a parede violentamente.

O soldado se levantou e se aproximou do homem jogado no chão, que o fitava com muito medo.

Bucky apontou a arma na cabeça dele.

— Onde está o seu superior?

O agente permaneceu em silêncio, mas apontou para a frente.

E um homem vestido com trajes escuros se encontrava bem atrás.

Ele se virou e deu de cara com a pessoa que supostamente havia falado com ele pelo telefone.

Bucky permaneceu com a pistola na mão.

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Vejo que você veio à caráter, como o verdadeiro punho da HYDRA deveria estar...

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Ele observou o agente da cabeça aos pés, percebendo que o mesmo tinha um suave sotaque, mas não americano, e sim alemão.

— Ah, desculpe minha falta de educação. Sou Stephan Ludwig, responsável pela base subterrânea de pesquisa da HYDRA em Sokovia.

O soldado permaneceu em silêncio, prestando atenção em todas as palavras que o agente dizia, e já havia extraído informações suficientes sobre onde a HYDRA se escondia do mundo, agora precisava saber quem era o seu novo chefe.

— Depois da queda da SHIELD e da HYDRA aqui nos Estados Unidos, você era a única peça que faltava nesse imenso tabuleiro de xadrez, e o novo líder está ansioso para conhece-lo... – Sorria maliciosamente, esperando uma reação violenta do Soldado Invernal.

— Onde ela está? – Intimou, inquirindo-o sobre onde Darcy estava.

— Presa aqui... E sabemos o que essa garota tem de especial... A mente dela é brilhante. Uma excelente pesquisadora que mais parece um banco de dados com diferentes perspectivas sobre tudo... Mas nada vai acontecer com ela, se você voltar comigo hoje... Para o nosso novo quartel general...

— Eu não vou sair daqui enquanto não garantir que ela estará segura e fora da mira de vocês, afinal... Eu sou o alvo e não ela. – Finalizava de forma moderada.

— Bem... Isso depende de você. Daqui há duas horas, chegará um helicóptero que nos levará ao nosso destino.

— Qual destino? – A voz de Bucky era grave e frígida.

— Você saberá quando chegarmos. – O agente assegurava com muita confiança.

O sargento olhava discretamente o local, imaginando se já não passou por aquela base de Amityville antes, em alguma missão antiga e que sua memória fotográfica pudesse lhe fazer recordar.

Segundo o tal agente, ele já esteve ali, mas não conseguia se recordar do lugar.

Não poderia decidir nada enquanto não visse Darcy em sua frente.

— Eu quero vê-la. – Ordenou. O tom de sua voz era frio e indiferente, mas...

Internamente estava aflito por não saber se a garota se encontrava segura... E se tivessem feito algo com ela? E se na verdade ela não estivesse ali? Ele não descansaria enquanto não a tirasse de toda aquela situação terrível, por conta de seu passado com a HYDRA, completamente manchado de sangue.

— Certo... Vou leva-lo até ela, então por ora, me siga. – O agente virou para o lado contrário e deixava claro que não estava com receio de dar as costas para o maior assassino da história da HYDRA, pois sabia que a garota era sendo vigiada por um de seus homens. Aquilo era o bastante para que o sargento não agisse precipitadamente.

Porém... Quando Bucky baixou a guarda alguns segundos por pensar sobre a segurança de Darcy, não percebeu um novo ataque por trás.

Mais um agente, muito bem escondido, atirava através de uma arma de choque, uma potente descarga elétrica nas costas do soldado, lhe fazendo cair de joelhos.

No mesmo instante, vários disparos de eletricidade atingiam seu corpo, no ímpeto de mantê-lo imóvel.

Com o soldado inerte, dois agentes imediatamente colocavam algemas de aço reforçado em seus pulsos.

James não conseguia reagir, estremecido com as potentes descargas elétricas sentidas em todos os seus músculos.

Stephan Ludvig, se aproximava e lhe lançava um olhar insolente.

Antes de partirmos, soldado... Precisamos... Resetá-lo... – E um sorriso macabro se formava em seus lábios.

Automaticamente seu corpo reagiu. A palavra “resetar” lhe causava violentos arrepios e o medo já sucumbia sua mente.

Foram muitos anos no inferno da criogenia e na reinicialização através de lavagens cerebrais. Depois de tudo o que viveu nas últimas semanas, não sabia como reagiria se aquilo acontecesse mais uma vez... Ele não queria...

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Preferia morrer...

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E então, os dois agentes tiraram um aparelho estranho de uma mala, semelhante a auréola da máquina que lhe fazia perder suas lembranças.

Um deles armava a grande auréola que seria colocada em sua cabeça.

As algemas que se encontravam em seus pulsos, eram reforçadas o suficiente para que ele não as quebrasse durante o processo.

E mediante todo aquele cenário, a única coisa que se passava por sua cabeça, era que desde o início, quando esteve com Darcy, teria sido muito melhor se ele tivesse dado cabo de sua própria vida.

Assim ela não estaria naquela situação... E ele não passaria por todo aquele inferno de novo.

Alguns segundos depois, Stephan, o líder daquela missão, cujo objetivo era levar o Soldado Invernal para Sokovia, observava todo o ocorrido com a plena satisfação de que a missão já havia terminado.

Mas...

O mesmo era atingido por uma forte descarga elétrica nas costas, tombando inconsciente no chão no mesmo instante.

— Quem!? – Um dos agentes apontava a arma para frente, mas o imenso corredor, alguns metros em sua frente, se encontrava completamente escuro, causados pela falta de energia na base inteira.

A misteriosa pessoa que derrubou Stephan, parecia manusear muito bem uma arma de choque.

Haviam poucos agentes da HYDRA ali. No total, somavam quinze. Então a única que poderia fazer isso era...

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Rendam-se agora, ou preparem-se para lutar... Meow, é isso aí...

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Darcy surgia atrás do corpo tombado de Stephan, com um taser em mãos, satirizando toda a situação com a clássica frase da equipe Rocket do desenho Pokémon.

Notas finais
Kkkkkkkkk, Darcy salvando o Soldado Invernal mais uma vez. Quem é a donzela em perigo agora, hein, hein??? O epílogo dessa situação perigosa será no próximo e posso garantir que vai ser um dos capítulos mais emocionantes que vocês lerão. Talvez o capítulo mais lindo, porque a nossa maluquinha não irá salvá-lo apenas uma vez, mas duas vezes, se arriscando para protege-lo... e a gratidão dele será algo bem inédito, que vai estremecer e derreter completamente o coração de todos vocês! O próximo sai terça à noite.