Wintershock

43 Bebedeira no karaokê


Notas iniciais
E aí, pessoas? Como estão? Trago mais um capítulo nível hard em comédia e desilusão amorosa, regada com lindas piadas de bêbados... quem é a protagonista dessa história? A Darcy, quem mais? Pagação de mico é com ela mesma! Preparados? Então divirtam-se!

Um dia depois da confusão com Nathan, Darcy havia fingido que nada havia acontecido. Esperava que o satã aprendesse a nunca mais mexer com ela e por via das dúvidas, se manteria longe dele a todo custo, mas...

A estudante foi convidada por Andrew e Helena para ir a um bar karaokê não tão longe de seu apartamento, no Upper West Side.

Ela foi... um pouco a contragosto...

Decidiu voltar para a casa de Kim a noite, mas como agora estava de férias em seu trabalho com Jane, achou que seria válido estar com seus colegas estagiários aquela noite.

Com exceção do satã, obviamente...

Chegando ao local, a garota se deparou não somente com seus os estagiários, mas, Erik, Jane e Thor.

— Por que vocês três também vieram...? – Darcy mencionava os dois astrofísicos e o asgardiano, enquanto observava ao redor, vigiando, caso Nathan aparecesse por ali...

— A Jane finalmente resolveu me trazer nesse local, onde vocês midgardianos cantam. Eu estava curioso pra conhecer esse... “hobby”... é assim que se fala não é...? – Thor se encontrava risonho, por finalmente fazer algo divertido depois de tantos dias apenas observando Jane e Erik se matarem de trabalhar.

O loiro vestia trajes sofisticados da terra... era tão estranho vê-lo em sua versão midgardiana...

— Bem, tanto faz... mas e aí, galera...? O que vamos cantar!!? – Darcy se reunia com Andrew, Helena e Dylan, mas...

Percebeu que Nathan se aproximava do grupo.

Ele tinha acabado de sair do balcão e carregava um copo com algo que parecia ser tequila...

Ela revirou os olhos e ignorou sua presença, porém...

O satã resolveu lhe dirigir a palavra...

— A sua vingança está sendo preparada, Darcy Katherine Lewis... – Ele a mirava com um olhar nebulosamente carregado e sombrio.

— Pode vir quente que eu estou fervendo... Nathan... – E então, a garota o encarou, com uma feição firme e triunfante.

Você não queria que eu não descobrisse sobre seu primo que não é seu primo...? Ele estava no seu apartamento ontem, não é...? – Nathan, que já se encontrava um pouco alterado pelo álcool, provocava a estudante, de modo descarado.

— Que cara...? Do que vocês estão falando...? – Andrew se intrometia na conversa.

— De ninguém! O Hellboy aí está delirando... eu já falei pra você parar de fumar maconha estragada, Nathan... – Darcy afastava Andrew de perto do satã, e o puxava para frente do palco.

— Cara, eu quero cantar Queen! Por favor, escolham músicas dos anos 70 e 80!!! – Helena gritava de longe, sentada no balcão.

Jane, Erik e Thor sentavam numa mesa ao lado.

Havia poucas pessoas naquele lugar.

E então, o trio Darcy, Andrew e Helena começaram a cantar de modo bem desafinado, várias músicas, até chegarem em...

.

Bohemian Rhapsody — Queen

.

Mama, just killed a man… Put a gun against his head… Pulled my trigger, now he's dead… — Andrew cantava com muita emoção, porém, totalmente fora do tom.

Mama, life had just begun… But now I've gone and thrown it all away… — Helena cantava outro trecho da música, tentando alcançar as notas agudas que somente Freddie Mercury conseguia.

Mama, oooooooh oooooooooooh... Didn't mean to make you cry… If I'm not back again this time tomorroooow!!! Carry on, carry on... as if nothing really matters… – E dessa vez era Darcy que cantava, um pouco mais afinada que seus amigos, tentando soar triste e melancólica, com os olhos fechados, o microfone na mão direita e a mão esquerda para cima, numa imitação grotesca de Freddie Mercury no palco.

— Bravo, bravoooooo!!! – Thor gritava, batendo palmas para a performance dos três.

— Eu acho que depois de ouvir esses três cantarem, vou ter pesadelos a noite... – Erik revirava os olhos.

— Nem fale... Vir aqui hoje não foi uma boa ideia... – Jane replicava, com um sorriso forçado nos lábios, enquanto observava o namorado asgardiano se divertir.

Nathan e Dylan bebiam no balcão, desdenhando da atuação vergonhosa do trio de patetas no palco.

Darcy tomou algumas doses de tequila, ficando levemente bêbada.

E assim os três iam se revezando...

Andrew e Helena enchiam a cara...

Enquanto os dois caiam de bêbados no palco, Darcy escolhia uma música antiga, dos anos 90 para cantar.

.

Não muito longe dali, Bucky Barnes caminhava pelas ruas, um tanto distante, e perdido em vários pensamentos... entre eles, as últimas vezes em que esteve com Darcy.

O comportamento dela estava estranho... até lhe ameaçar com um taser ela o ameaçou, tamanho nervosismo com o cara em que a mesma nocauteou.

Não entendia o significado de estar tão imerso em reflexões sobre ela nos últimos dias...

Completamente distraído, ele não percebeu que uma pessoa o esperava logo a frente...

.

Natasha Romanoff...

.

E então, o soldado parou na frente dela, com os olhos longínquos e nada surpreendidos por avistá-la ali.

A ruiva estranhou aquela reação. O soldado parecia abalado e não tinha ideia do porquê.

O que estava se passando na cabeça de James Buchanan Barnes naquele momento?

O sargento estava vestido com os mesmos trajes de quase sempre. Boné, camiseta, uma jaqueta, calça jeans e tênis.

A ex-agente também trajava roupas informais.

— Eu preciso falar com você. – Ela se aproximou, fitando-o com precisão.

— Nós não temos nada para falar um com o outro. – Bucky continuou caminhando, desviando-se dela.

— Temos, desde que o seu melhor amigo esteja envolvido.

James parou no mesmo instante. Por que a ruiva mencionou Steve?

O soldado se virou para ela, estreitando o olhar. Não conseguia confiar em nada do que a mesma dizia.

— Onde quer chegar com tudo isso...? Por que está me seguindo?

— Escuta aqui, Barnes, eu não estou te seguindo com segundas intenções, se é que você me entende... vim até aqui pra te dizer que Steve estará em Nova York daqui a dois dias.

— O quê...? – Surpreendido, James não soube o que dizer.

Steve em Nova York? Por quê?

— Se não quiser que ele descubra que você está aqui, eu sugiro que vá embora o mais rápido possível. – Natasha sugeriu, num tom de voz áspero.

— Eu já disse que eu faço as minhas próprias escolhas e jamais permitirei que alguém se intrometa em minha vida de novo... ele nunca vai saber que estive aqui... – Rebateu, gravemente irritado.

— Eu estou falando sério... As coisas só vão piorar se você continuar na cidade.

— É mesmo...? E por quê...?

— Você sabe o porquê...

— Não, não sei...

— Steve leu os seus arquivos, James... Ele leu a lista de assassinatos que você cometeu ao longo das décadas e...

— E...?

— Ele está prestes a se encontrar com Tony Stark e os demais membros da iniciativa Vingadores. Isso é o bastante pra você...? – Natasha estava insinuando que Steve estaria em pleno contato com o Homem de Ferro...

.

O filho de Howard e Maria Stark... suas vítimas...

.

Os olhos dele abriram mais do que o normal...

Então Natasha sabia sobre tudo...? Por que não estava surpreendido?

— E você está insinuando o que exatamente?

— Você está se fazendo de idiota? Sabe o que pode acontecer se Tony Stark descobrir que você assassinou os pais dele? Steve não pode te achar aqui em Manhattan. Saia da cidade o mais rápido possível. – A ruiva mostrava certa apreensão quando mencionava aquele fato. Agora que os Vingadores se reuniriam, o que ela menos queria, era que o grupo se separasse...

Já bastava o que tinha acontecido com a SHIELD...

— Você não precisa me dizer o que já sei. Eu não tenho planos de continuar aqui.

— Mas isso também não quer dizer que você tenha que sair daqui e ir direto para o quartel general da HYDRA. Você sabe o que eles planejam fazer com você.

— Isso não é problema seu.

— É problema meu desde que uma nova ameaça global aconteça. – Natasha redarguiu, em tom de ameaça.

— Isso não vai acontecer. Posso te garantir. – Bucky lançou um olhar mortífero na direção da Viúva Negra, mas ao mesmo tempo se afastou.

Porém...

Perto dali, era possível ouvir alguém cantando... alguém com uma voz muito familiar.

Intrigado, James passou a se locomover com mais velocidade, por causa do timbre daquela voz... e então...

Deu de cara com um bar, onde tudo podia ser visto pelas grandes janelas de vidro, se surpreendendo com o fato de Darcy Lewis estar ali, cantando...

Natasha chegou logo depois, atrás dele.

A ruiva o mirou, analisando a recente feição do soldado...

Ele estava um tanto impressionado, com os olhos mais abertos que o normal... paralisado...

Bucky se perguntava porque a estagiária se encontrava naquele lugar...

Dentro do bar, segurando um microfone, Darcy cantava uma música bizarramente estranha...

.

Tracy Bonham — Mother Mother

.

A letra era um tanto contraditória e combinava perfeitamente com a personalidade excêntrica da garota...

A música começava com um violão, e depois um leve violino adentrava a melodia, antes do refrão.

Mother mother, can you hear me (Mãe, mãe, você pode me ouvir?).

Sure I'm sober sure I'm sane Life is perfect never better, still your daughter, still the same (Claro que estou sóbria, claro que estou sã… A vida está perfeita, nunca esteve melhor, ainda sou sua filha, ainda sou a mesma).

If I tell you what you want to hear, will it help you to sleep well at night (Se eu disser o que você quer ouvir, isso vai te ajudar a dormir bem de noite?).

Are you sure that I'm your perfect dear, now just cuddle up and sleep tight (Você tem certeza que eu sou sua filha perfeita? Agora me afague e durma bem).

.

I'm hungry (eu estou faminta),

I'm dirty (estou suja),

I'm losing my mind (Estou perdendo a cabeça),

Everything's fineeeeeeeee!!! (está tudo bem!!!) – Ela gritou, descontrolada, mas a música era exatamente assim. Um grito meio gutural, de socorro mascarado com o termo “estou bem”.

.

I'm freezing (Estou congelando),

I'm starving (estou esfomeada),

I'm bleeding to death (Estou morrendo de sangrar),

Everything's fineeeeeeee!!! (Está tudo bem!!!), — O grito no refrão era completamente descontrolado, desesperado, algo sufocado e ao mesmo tempo engraçado.

.

I miss you (Eu sinto sua falta),

I love you (Eu te amo). – E então, ao terminar a música com “I love you”, ela jogou um beijo para a plateia que ria, vaiava e ao mesmo tempo batia palmas... Uns porque acharam engraçado e outros porque acharam um desastre...

Aquela música soava como quem era Darcy Lewis, em todos os sentidos...

Controversa, contraditória, paradoxal e ilógica...

Uma Incógnita difícil de se decifrar...

O sorriso dela era luminoso, pueril, sincero, patético e ao mesmo tempo cômico. A estagiária fazia piadas de si mesma, externando o quanto sua vida era estranha, um tanto trágica, mas ao mesmo tempo divertida.

E do lado de fora, James observava tudo, concentrado...

Depois de todos aqueles dias sem observar o real sorriso da estudante, o soldado finalmente conseguiu contemplar aquela cena, como se estivesse com saudades de enxergar tal expressão em sua frente mais uma vez.

A estudante parecia animada e totalmente livre... E seu aspecto mostrava algo distinto do que James não costumava presenciar...

Se encontrava tão absorto na cena, que não percebeu que Natasha ainda estava ali, observando também a cena esdrúxula.

A ruiva se aproximou, ficando ao lado dele.

— É ela...? – A espiã russa indagou.

— O quê? – O sargento não entendia a pergunta.

— Essa garota foi quem cuidou de você até agora? – A ruiva contestava, já sabendo a resposta.

Bucky ficou em silêncio. Não havia nada que a Viúva Negra não descobrisse depois de muito investigar.

— Sim. Ela é bem idiota, como você pode ver... – Sem perceber, James proferiu tais palavras com um sorriso ingênuo e plácido nos lábios, algo que o Soldado Invernal jamais mostraria na frente de ninguém, principalmente de seus inimigos.

— Não... Talvez o idiota aqui seja você... — A ruiva sorriu de canto. Sabia exatamente o que aquilo significava.

— Talvez eu tenha que concordar... – Ele rebateu, um tanto enfeitiçado pela forma como Darcy se comportava naquele momento.

A garota estava tão sorridente e animada... A alegria dela iluminava tudo a volta...

Incluindo o próprio soldado, que se sentia aquecido por finalmente vislumbrar o belo sorriso que a mesma fez questão de não lhe lançar todos aqueles dias em que o tratou de forma tão hostil...

.

E de dentro do bar, Darcy que dava o microfone para Helena cantar, avistou pela janela de vidro, Bucky e Natasha do lado de fora, conversando.

A garota ficou pálida...

Os dois estavam ali, juntos...? A Viúva Negra sabia sobre ela? Que outro motivo faria a ruiva estar ali?

Sua vida era mesmo uma piada... saia de casa pra se entreter com os amigos e terminava vendo o cara que gostava ao lado da mulher que ele amava...

“Ooh céus... ooh vida... o jeito é beber...” – A estudante reclamava pra si mesma, já pensando em alguma alternativa para esquecer a linda cena onde Bucky Barnes e Natasha Romanoff pareciam tão lindos juntos...

Um casal sombrio... onde ambos ficavam ótimos lado a lado e poderiam ser contratados para fazer aqueles comerciais sedutores da Givenchy...

Sem saber o que fazer, a garota cogitou a hipótese de sair dali correndo, mas desistiu porque ficaria estranhamente na cara.

Então qual opção teria...?

— Darzy, vozê não vai maiz cantar!? Vamoz cantar mais algumaz músicaz daz antigaz, migaaaaaaa!!! – Andrew cercava a estudante, colocando seu braço no ombro feminino, impedindo-a de ir embora.

— Quer saber... você tá certo! BORA CHAPAR, UHUUUUUUU!!! – A garota também colocava o braço ao redor do ombro de seu amigo.

— É assim que ze fala!!! – Andrew comemorava.

— Mas antes, preciso ligar pra Kim e pro Derek me buscarem, já que não posso dirigir bêbada.

— Miga, sua casa fica há poucoz quarteirõez daqui... dá pra ir andando!

— CALA BOCA! EU QUERO MEUS MELHORES AMIGOS AQUI, PRA ME TIRAREM DA FOSSA QUE ESTOU PRESTES A ME AFUNDAR!!!

— Quero ir pra fossa junto!!! – Helena entrava no meio, abraçando os dois colegas, quase caindo do palco.

Encher a cara era a única saída para um amor não correspondido... Bucky estava com Natasha do lado de fora, e provavelmente estavam acertando o relacionamento do passado, já que voltariam a ficar juntos – Tudo isso, segundo Darcy, já tirando suas conclusões.

O casal de espiões arrumaria uma forma de talvez fugir juntos, terem uma vida fabricada, com alguma identidade falsa, em algum país da Europa oriental, livre do governo americano e reconstruindo tudo de onde pararam. Talvez até se casariam e formariam uma família, com um ou dois filhos e viveriam felizes para sempre[?].

O seu pré-julgamento foi o motivo principal para se embebedar até dizer chega, ou não.

Não era como se aquilo fosse chocante... Mas vê-los juntos apenas despertou uma adrenalina incrível deixando-a até feliz... Sim, porque a ficha tinha que cair, certo? E de certa forma, aquele acontecimento lhe deu total liberdade para desencanar de vez, já que a sua última esperança lhe foi arrancada...

— Amigos, ainda bem que despachei meu último caso e vim pro karaokê, cantar com vocês! – Helena gritava, animada, abraçando Darcy e Andrew.

— Poiz é, migaz...! Beijar na boca é bom, mas vocêz já experimentaram comezar a beber na quinta e só parar no domingo? – Andrew agarrava as duas colegas de trabalho, quase caindo em cima delas.

— Mesmo se o cara que eu gosto chegar aqui e dizer que me daria o coração dele, eu responderia: Olha, na boa, no momento só estou precisando de um fígado novo, ahahahahahahaha! – Darcy ria descontroladamente, mantendo os dois estagiários de pé.

— A vodka te ama. Quem você gosta, não! – Helena respondia a colega, com as bochechas coradas, de tão embriagada que estava.

— NOSSA, NÃO PRECISA JOGAR NA CARA!!! – Darcy fez um careta horripilante para a estagiária.

— Então vamoz beber bastante, que quando morrermos e formoz cremadoz, nunca maiz vamoz parar de pegar fogo, ahahahahahahaha!!! – O rapaz ainda estava prestes a despencar do palco com as amigas.

Do outro lado, Jane revirava os olhos ao ver seus estagiários com tanta disposição pra encher a cara.

— Sério, acho que devíamos adiar essa reunião secreta para outro dia, não acha, Thor? – A cientista sugeria.

— Não. Eles já estão chegando. – O loiro sorria, muito bem-humorado.

— Tem certeza que Tony Stark e Bruce Banner vão se enfiar nesse bar pra conversarem com você a respeito do cetro do Loki? – Erik contestava o asgardiano sobre o fato do bilionário e o cientista chegarem ali, no horário combinado para uma reunião, dois dias antes de Steve chegar em Nova York.

— Bem, eu dei a ideia e eles adoraram. Acho que será uma boa diversão. – O loiro estava convicto, pois achava interessante a forma como os humanos se divertiam.

— Não com essas três hienas bêbadas e desafinadas cantando... sério, acho que vou tirá-los daqui antes que me matem de vergonha. – Jane não conseguia aceitar que a primeira vez que se encontraria com os dois Vingadores mais inteligentes, seria marcada pelo vexame em ter Darcy, Andrew e Helena cantando músicas antigas.

— Deixe eles, Jane... todos são jovens e não há nada de incomum nisso... – Erik defendia os estagiários.

— Sim, mas você se esquece do que acontece quando a Darcy fica bêbada? Eu não sei se estou pronta psicologicamente para encarar mais um trauma em minha vida.

— E onde está a Natasha? Ela não ficou de nos encontrar aqui? – O astrofísico perguntava sobre a ruiva, que logo depois entrou no bar, os surpreendendo.

— Me desculpem pela demora. – A ruiva se sentou à mesa, se juntando aos três.

— Finalmente... – Thor segurava uma lata de cerveja, experimentando mais uma bebida interessante dos terráqueos.

— E quanto aos dois? Eles virão? – Natasha se referia à Tony e Bruce.

— Sim. Daqui a pouco devem chegar. – O asgardiano assegurava que logo o bilionário e cientista se reuniriam com eles.

A ruiva observava o local, discretamente. Havia alertado Bucky sobre Tony Stark e a chegada de Steve a Nova York... e esperava que o mesmo fosse embora o mais rápido possível.

O que poderia acontecer se Tony descobrisse sobre o assassino de seus pais?

Tinha fortes receios sobre tudo aquilo, e tentaria manter o Homem de Ferro e o Capitão América afastados do Soldado Invernal a todo custo.

.

Então, depois de meia hora enchendo a cara de tequila, Darcy já estava pronta para a maior de suas performances ao vivo.

A garota pegou o microfone e começou a bater na mão direita, no intuito de averiguar se o mesmo estava funcionando.

— Atenção, atenção, senhoras e senhores... separei aqui, a música mais linda que arremete bem o meu estado de espírito e também a pior fase da minha vida! – Ela cutucou o microfone mais algumas vezes, o que ocasionou aquele barulho horrível e estridente na caixa de som.

Nathan e Dylan observavam a cena bizarra, dando risadas.

O satã achava que nem precisaria se vingar da estagiária... ela mesma já estava fazendo isso por ele.

— Ooh céus... tomara que ela não vomite na frente de todo mundo... – Jane orava, implorando a Deus que Darcy não lhe envergonhasse, como em todas as vezes em que a mesma estava em algum evento que rolasse bebida alcóolica.

— É hoje, senhoras e senhores... Sexta-feira... O melhor dia para invejar pessoas felizes...!

— HOJE É TERÇA-FEIRA, IDIOTA! – Uma voz masculina rebatia a estagiária, se sobressaindo no fundo.

PRA MIM, HOJE É SEXTA PORQUE ESTOU DE FÉRIAS, BABACA! – Ela contrapôs, de modo esquizofrênico.

Natasha observava as falas e gestos de Darcy...

James foi embora logo depois que a estudante tinha acabado de cantar uma música bem estranha...

A ruiva se perguntava como aquela garota conseguiu convencer o Soldado Invernal a morar em seu apartamento, e como o mantinha tão interessado nela.

A Viúva Negra sabia que estava acontecendo algo entre os dois... só não tinha ideia em qual estágio estavam e qual era a intensidade de tudo aquilo, muito menos se era mútuo...

— Então, aqui vou eu! – Darcy colocava a música para enfim, começar a cantar.

.

Hole – Malibu...

.

A estudante virou de costas, com o microfone levantado para o alto e um pé batendo freneticamente no chão, fazendo marcação rítmica.

No mesmo instante em que a música começou, Tony e Bruce entraram no bar.

Os dois Vingadores mais inteligentes haviam finalmente chegado...

A dupla logo localizou Thor e então, caminharam até a mesa onde o asgardiano estava sentado com mais três pessoas.

— E aí, turista!? – Tony chamava o deus do trovão por um de seus apelidos.

— Stark. – O loiro se levantou para cumprimenta-los.

Tony estava com um terno bem estiloso e seus típicos óculos coloridos.

Banner estava com uma camisa xadrez, calça e sapatos sociais.

— Natasha... a quanto tempo...? – Bruce cumprimentava a ex-agente da SHIELD com muita educação.

Já Tony...

— Ora ora... a ruivinha está mesmo aqui... pensei que fosse trote do Thor, mas pelo visto está mesmo desempregada. Como vai o seu patrão? Te ressarciu por ter enganado todos os agentes da SHIELD que trabalharam pra ele, fingindo que não sabia de nada daquele assassinato em massa? – O gênio das Indústrias Stark provocava a Viúva Negra, se referindo ao projeto Insight.

— É bom ver você também, Stark. – A ruiva deu um meio sorriso em resposta, já sabendo como lidar com as piadas ácidas do bilionário.

— Doutora Foster, Doutor Selvig... – Banner estendia a mão para os dois astrofísicos, que o cumprimentaram de volta.

De repente, um estalo passou na cabeça de Jane quando terminou de cumprimentar Bruce Banner...

.

O fato de Darcy ter participado diretamente de um episódio grotesco na universidade de Culver, culminando na aparição do Hulk, anos atrás.

.

Se ele a visse ali, talvez se lembraria de tudo.

— Então, Doutor Banner, Thor nos disse que está trabalhando em novos projetos fora da sua área agora. Conte mais a respeito. – Jane fechou a vista do cientista para que o mesmo não visse Darcy no palco.

E do outro lado, a música soava alta, com uma guitarra acústica, baixo e bateria, num estilo totalmente alternativo.

Hey, hey

You know what to do, (Você sabe o que fazer)

Oh baby, drive away to Malibu (Oh baby, dirija para Malibu)

Get well soon, (Fique bem logo)

Please don't go any higher, (Por favor, não vá mais alto)

How are you so burnt, (Como você está tão queimado)

When you're barely on fire? (Quando mal está pegando fogo?)

Cry to the angels, (Chore para os anjos)

I'm gonna rescue you, (Eu vou te resgatar)

I'm gonna set you free tonight, baby, (Eu vou te libertar hoje à noite, baby)

Hold on to me (Segure-se em mim)

Hey, hey... – E então, Darcy continuou cantando o refrão e rodopiando, com os olhos fechados.

Tony prestava atenção na música, se familiarizando com a melodia.

Era uma música de sua antiga cidade... Malibu... e a banda era Hole, super famosa na California, principalmente nos anos 90.

O bilionário se virou e focou a visão para a pessoa que cantava aquela canção que lhe trazia boas recordações de quando vivia na costa oeste.

— Quem é aquela garota que está cantando essa música? – O Homem de Ferro perguntava, curioso, com a sensação de já tê-la visto antes e esperando que Jane ou Erik lhe respondessem.

— Aquela é a Da-

— É um de nossas estagiárias, ahahaha, ela canta bem, não acham!? – Jane tapou a boca de Thor, impedindo-o de dizer o nome da estudante, temendo que Banner virasse para trás e a reconhecesse.

Natasha estranhava o comportamento de Jane...

— Gostei desse lugar... – Tony se despreguiçou na cadeira, alongando suas pernas.

And I knew, (E eu sabia)

Love would tear you apart, (Que o amor te deixaria aos pedaços)

Oh and I knew, (Oh, e eu sabia)

The darkest secret of your heart, (O mais obscuro segredo do seu coração) – Ela dançava de um modo estranho, externando feições burlescas, como se estivesse cantando a letra daquela música pra si mesma...

Hey, hey... — Extremamente tonta por estar alcoolizada e ter rodado igual a um peão, Darcy tropeçou no fio do microfone e então...

.

Foi de cara no chão...

.

O barulho estridente da caixa de som fez todos se assustarem, ainda que a música tenha continuado a tocar.

Já Darcy, ria como uma capivara com cólica e prisão de ventre depois fumar narguilé.

Andrew e Helena correram para socorrer a amiga, mas quando tentaram puxar a mão dela, os dois também...

Caíram no chão...

E assim, três bêbados riam como orangotangos chapados, esperando por um humano que lhes tirassem dali e lhes jogassem numa jaula, para sua própria sobrevivência.

.

Thor ria como louco da cena.

Jane cobria o rosto de vergonha.

Erik fazia uma cara abismada.

Banner foi impedido por Jane de se virar e ver Darcy.

Natasha franziu o cenho, desacreditada.

E Tony gargalhou, achando demais a performance dos estagiários de Jane Foster e Erik Foster.

.

Nathan e Dylan andaram até onde os três embebedados estavam para socorrê-los, já que Jane parecia ter se escondido debaixo da mesa.

O satã estendeu a mão para Darcy, que continuava a rir desvairadamente, a ponto de não conseguir respirar direito.

— Você não se cansa de envergonhar o universo, Darcy Lewis? – Ele a levantou rapidamente, mas a garota continuava rindo sem parar.

— Vocês que tem sorte, me contem, como é essa coisa? – A estudante contestava algo desconexo enquanto Nathan tentava fazer a garota ficar de pé, mas ela insistia em voltar para o chão, pois se sentia confortável ali.

— Nathan... Você sabia que é chato amar e não ser correspondido...? Eu, por exemplo, amo o dinheiro, mas ele prefere ficar com outras pessoas e não comigo, hihihihihihihi!!! – A estudante continuava rindo, perdendo todo o controle que tinha.

Ela falava do dinheiro de verdade ou de Bucky Barnes sobre Natasha Romanoff?

— Darcy... as pessoas estão olhando... – O satã tentava fazer a estagiária ficar quieta, mas ela não estava disposta.

— Darzy, então o amor da sua vida é o dinheiro!? É o meu também!!! Viva o capitalizmo!!! – Andrew escorregava no chão, tentando se manter de pé, sem êxito.

Dylan segurava Helena pela cintura, mas a garota estava quase desmaiada de tão bêbada.

— Céus... me diz que eles não estão dizendo essas coisas... – Jane cochichava com Erik, que estava ocupado o bastante arregalando os olhos observando em silêncio seus estagiários causarem.

— Você é pobre em todos os sentidos, pobre de dinheiro, pobre de espírito... é digna de pena... – Nathan estava desacreditado do quão desavergonhada a estudante era.

— Pois sabia que eu sou rica e bem sucedida... No GTA!!! – E então, Andrew começava a rir alto junto com ela.

— Ai, miga... eu tenho 45 milhõez na minha conta!!!

— Eu só tenho 100 mil que a Rock Star me deu de presente só porque fiquei online esses dias!!! – A garota continuava rindo com Andrew enquanto Nathan e Dylan os puxavam dali, na direção da mesa onde Thor e os outros estavam.

Todos ao redor observavam e cochichavam sobre a cena bizarra.

— Você precisava de um relacionamento com alguém pra parar de causar... – Nathan sugeria – como se estivesse falando de si mesmo — e Darcy o encarava com um sorriso zombeteiro nos lábios.

— Mas eu tenho um relacionamento estável... com a desilusão!!!

— E eu com a pobreza e ezcravidão, já que a Jane e o... iihg... Erik não me deram um aumento quando pedi! Eztou endividado e quase sendo dezpejado do meu apartamento! – Andrew ria com Darcy...

— Toca aqui, amigo! – Os dois tocaram as palmas de suas mãos, estilo high-five, rindo da desgraça um do outro.

— Vocês não se cansam de pagar mico!? A Jane está prestes a matar todos nós e tudo isso por causa de bebida!!! – Dessa vez, era Dylan que recriminava os três patetas.

— Dylan... a bebida só é um problema, se o copo estiver vazio! – Darcy replicava enquanto era puxada por Nathan como se fosse um manequim de loja.

E na mesa com quatro Vingadores, Jane tentava se fugir, porque já não sabia mais aonde enfiar a cara.

— Ahahaha, bem, rapazes, continuem aproveitando o ambiente que vou levar meus estagiários para outro lugar para não os atrapalhar. Imagino que devem ter muitas coisas para conversarem. – E então, Jane Foster se afastou, correndo para onde Nathan e Dylan estavam, impedindo-os de chegar na mesa, principalmente porque Bruce Banner não podia reconhecer Darcy.

Mas era notável que todos eles estavam um pouco perplexos pela cena bizarra dos estagiários bêbados de Jane Foster.

— Acho que vou ajuda-la, afinal, eles também são meus estagiários, então com licença e fiquem à vontade. – Erik correu para prestar ajuda a astrofísica e tirá-los dali.

Jane e Erik saiam dali, completamente cabisbaixos...

.

Darcy Lewis estava encrencada...

.

Notas finais
Darcy bêbada, tentando esquecer o Bucky e pagando mico ao som de clássicos do rock! Tem cena mais artística do que essa, meus caros? Espero que tenham gostado. As músicas estão no wintershock.tumblr.com Até semana que vem.