Wintershock
44 A distância entre dois corações confusos
Notas iniciais

Kimberly levou Darcy para casa aquela noite, após sua amiga se embebedar completamente com Andrew e Helena no karaokê.
Tudo bem que agora ela estava de férias, oficialmente, mas na manhã daquele mesmo dia, a estudante se encontrava apreensiva com sua apresentação para o TCC, ou seja, uma completa irresponsabilidade para alguém que prometeu se focar apenas nos estudos.
Na manhã do dia seguinte, Darcy se espantou por ter acordado na casa da amiga...
Sua cabeça estava moída e o estômago pesado...
A garota estava descabelada e vestia apenas um moletom preto gigante, com as pernas de fora e os pés descalços.
Sua feição era de um zumbi após o apocalipse... seus olhos estavam entreabertos por causa dos raios solares que entravam pela janela da sala do apartamento.
— Céus... o quanto eu bebi? – Contestava, segurando a cabeça, sentindo tudo girar.
— Muita tequila... sério, você disse que não ia beber e quando chego no karaokê, está podre de tanto álcool...!? Onde você estava com a cabeça e... POR QUE NÃO ME CHAMOU PRA CHAPAR JUNTO!!!!??? – Kimberly protestava pelo fato de não ter participado da ‘festinha’ junto com a amiga e os estagiários.
— Kim... eu vi o Bucky com a Natasha Romanoff na entrada do karaokê... eu fiquei tão triste, confusa e ao mesmo tempo feliz por aceitar em desencanar, que decidi encher a cara.
— Aah, Darcy, me poupe! Saia dessa fossa por causa desse cara! Não vou aceitar que fique nesse estado por causa dele! Se fosse por você mesma, tudo bem, mas por ele!?
— Não é melhor ter uma reação assim no início? Daqui a pouco passa... esse desgaste emocional vai acabar um dia... foi assim quando o Robert terminou comigo e não será diferente agora.
— Mas você sequer teve nada com o Bucky. Qual é o nível dessa paixão?
— Nem eu sei... – Ela esboçou um meio sorriso... derrotado...
— Você devia me pagar com dinheiro, cartão ou cheque, por estar ao seu lado nessas horas ridículas!
— Dinheiro, cartão ou cheque...? Você aceita lágrimas? – Ela zombou de si mesma.
— Falando sério... acho melhor você ficar aqui até se formar. Avise ao Bucky que passará todo esse tempo fora, e se afaste dele até ter decidido o que fazer da sua vida. Você não pode ficar nessa situação por causa de uma paixão sem sentido e sem futuro.
— Você está certa... mas não tenho cabeça pra voltar hoje. Vou esperar alguns dias.
— Estou torcendo pra que você se recupere logo, joaninha. – Kim deu um abraço em Darcy. Estava muito preocupada com ela.
Aquela menina vivia sofrendo por amor... coitadinha...
— Eu vou me recuperar... prometo. – Ela sorriu, correspondendo o abraço.
.
.
E assim os dias se passaram...
Naquela semana, Darcy não voltou para o apartamento...
Bucky a esperou, todos os dias... mas ela simplesmente não apareceu...
Ele ligou dias antes para seu telefone e a garota atendeu, mas disse estar muito atarefada e preferiu se isolar no apartamento da amiga, por isso não voltaria para casa tão cedo...
Darcy não parecia querer contato com ninguém.
O soldado cogitou a hipótese de ir atrás dela, mesmo sem o consentimento da mesma... e isso seria fácil, já que suas técnicas como espião lhe permitiam isso, mas...
Achou que apenas devesse esperar que a estudante retornasse... Algo lhe impedia de agir...
Não estava sendo racional e esse era o problema...
Tudo estava estranho e conturbado em sua mente desde a ausência dela.
Por um motivo desconhecido, o sargento parecia sentir sua falta... muito mais do que qualquer coisa ou pessoa...
E assim os pensamentos cruzavam a distância, flutuando em suas lembranças com ela e se deparando com um suspiro incerto... como se algo estivesse fora do lugar...
A sensação de insuficiência era tão profunda, que o soldado tinha a impressão de sua mente ter regredido para o tempo em que ele a conheceu...
Naquelas noites, James não saiu do apartamento, e seus pensamentos divagavam entre seus planos para se vingar da HYDRA — ainda que tivesse que encontrá-los em breve por intermédio de Yelena — seus diálogos com Natasha envolvendo Steve e as últimas semanas com Darcy.
Passando mais uma madrugada em claro, o soldado ligou o rádio que Darcy amava ouvir quando se encontrava sem nada para fazer.
Ele se recordava de vê-la sentada em sua poltrona, olhando para fora da sacada, ao som de alguma música de Hard Rock ou Heavy Metal...
A música que tocava naquele momento, tinha uma letra e melodia melancólicas sobre o amor de um homem por uma mulher que parecia ter partido...
Is This Love – Whistesnake...
Se sentia conectado a ela quando ouvia as músicas daquele rádio...
Era um tanto terapêutico...
Porém, também era estranho ouvir aquela canção nas condições em que estava vivendo por causa da estudante...
.
I should have known better (Eu deveria ter pensado melhor)
Than to let you go alone (E não ter te deixado ir embora sozinha)
It's times like these (São horas como estas)
I can't make it on my own (Que eu não consigo encarar sozinho)
Wasted days and sleepless nights (Dias perdidos e noites sem dormir)
And I can't wait to see you again (E eu mal posso esperar pra te ver novamente)
.
Enquanto olhava o céu pela sacada, o soldado pegou um dos cigarros de seu maço.
Era uma distração estranha, mas que lhe acalmava...
Quando acendeu o cigarro e tragou a fumaça, a sensação ondulante tomou conta de seu corpo...
Ele expeliu a mesma fumaça para fora depois, sentindo-se um tanto relaxado...
A noite estava quente, e o verão chegava a seu ápice...
Era uma estação que não se recordava direito, já que passou a maior parte de sua vida congelado...
E aquela temporada, com toda certeza seria marcada por conta da presença radiante de Darcy Katherine Lewis...
Darcy...
Onde ela estava...?
.
I find I spend my time (Percebi que passo meu tempo)
Waiting on your call (Esperando a sua ligação)
How can I tell you, babe (Como posso te falar, querida?)
My back's against the wall (Estou contra a parede)
I need you by my side (Eu preciso de você ao meu lado)
To tell me it's alright (Pra me dizer que está tudo bem)
'Cause I don't think I can take anymore (Pois eu acho que não aguento mais)
.
Aquela música, dizia muito sobre seu atual estado emocional... mas James ainda tinha tantas dúvidas sobre o que ocorria dentro de si mesmo...
Is this love that I'm feeling (Isso é amor, o que estou sentindo?)
Is this the love that I've been searching for (Esse é o amor que eu estive procurando?)
Is this love or am I dreaming? (Isso é amor, ou eu estou sonhando?)
This must be love (Isso deve ser amor)
.
Seus pensamentos ao redor dela, viajavam quando se recordava do olhar caloroso de Darcy que o cativou no momento em que a vislumbrou pela primeira vez... e aos poucos, foi ganhando espaço em seu coração cinzento...
James se perguntava internamente se o motivo de a estudante não estar ali, na realidade...
Era algo que ele fez...?
Se sim, o quê...?
.
.
Na semana em que Darcy esteve fora, a mesma se dedicou inteiramente ao seu trabalho de conclusão de curso e conseguiu se recompor, distanciando qualquer pensamento que lhe arremetesse a sua paixão indigna por Bucky Barnes, mas...
As coisas não eram assim tão fáceis...
Quando não estava imersa em seu discurso para a apresentação, sua mente era bombardeada de pensamentos negativos sobre ter levado um chute de seu ex, e que o mesmo podia acontecer se resolvesse entregar seu coração mais uma vez para um homem...
Ainda mais um homem implacável e errático como Bucky Barnes...
E mediante a isso, a garota tentou várias formas de sair daquele marasmo...
Ela tomou café, almoçou e jantou em diferentes lugares, apenas para se distrair.
Mas sempre cabisbaixa, com um semblante triste e um tanto abatida...
Muitas vezes as garçonetes se aproximavam para anotarem o pedido e lá estava ela... com o rosto abaixado com seus braços debruçados sobre a mesa...
Quando terminava, o maior entretenimento que tinha era andar de metrô, transitando de uma linha para a outra, sem rumo...
Kimberly não estava em casa, pois trabalhava o dia todo...
Naquele dia em específico, a garota passou a maior parte de seu tempo andando de metrô.
Estava tão na fossa, que quando os vagões ficavam vazios, ela simplesmente se deitava nos bancos, apoiando os joelhos curvados no alto dos assentos.
Mas...
Darcy admitia, que passar tanto tempo longe do soldado, estava lhe deixando muito mais pra baixo do que estar perto dele...
Se praguejava quando tudo o que seu coração lhe dizia era que sentia a falta dele...
“Saudade, faça o favor de nunca aparecer...” – Se repreendia, internamente.
A estudante rasgava o infinito de si mesma, em meras palavras escritas nos pergaminhos de sua mente, com lágrimas que segurava, ao som das palavras não ditas para James...
Tudo se passava em seu mundo mental... tão íntimo e secreto...
Estritamente confidencial...
E assim, seus pensamentos cruzavam a distância, flutuavam em diversas lembranças e se deparavam com um suspiro de...
Saudades...
Palavras sem sentido, que só ela mesma sabia... que queria gritar, mas não conseguia...
Apenas a música em seu fone de ouvido cortava o som do barulho correndo pelos trilhos do metrô...
Seu iPod tocando Keane – Nothing in my way, com uma letra melancólica e que narrava muito bem a situação que se encontrava no momento.
.
It's just another day, (É só outro dia)
Nothing in my way, (nada em meu caminho)
I don't wanna go, (eu não quero ir)
I don't wanna stay, (eu não quero ficar)
So there's nothing left to say? (Então não há mais nada a dizer?)
.
Darcy viajava na linda canção deprimida enquanto o tempo passava lentamente... e ela se sentia nos braços da solidão...
Todos procuravam um herói... as pessoas precisavam de alguém para admirar... Darcy nunca achou ninguém que preenchesse suas necessidades... era um lugar solitário para estar... e então, ela aprendeu a depender só de si mesma...
Mas isso foi até conhecer o soldado... as coisas não eram mais como antes...
A garota sentia que sobrevivia de tanto morrer por conta de seus sentimentos...
Morria de tanto querer...
Ela ainda podia vê-lo... e ouvi-lo... ele estava girando em torno de sua cabeça...
Era patético e indigno demais... mas não conseguia matar as esperanças de sua longa espera por algo que nunca aconteceu e jamais aconteceria...
Darcy se prendia nas voltas que traçava, em seus territórios abertos, mostrando o horizonte longe demais... totalmente inalcançável aos seus olhos...
Ela se olhava do alto de si mesma, sem se negar, sem se esconder...
Mas acima de tudo, ela desejava ir embora...
De si mesma...
Ao viajar entre seus pensamentos confusos e não chegar a conclusão alguma, a não ser o quanto se encontrava perdida e sem rumo, a garota olhou para o horário em seu relógio...
Era quatro e meia da tarde...
Ela bocejou, tamanho tédio, mas...
Fez uma cara horripilante, sentindo um frio na barriga quando se recordou de uma coisa extremamente importante que tinha de fazer naquele horário.
Provar a roupa de sua apresentação, cabelo e maquiagem, num lugar com hora marcada.
— EU TÔ ATRASADA!!! – E então, a estudante levantou-se do banco do metrô, vazio, vendo que se encontrava perto do Brooklyn.
Ela correu para descer na próxima estação e pegar a direção oposta de onde estava.
Se houvesse alguém que pudesse personificar a palavra ‘destrambelhada’, esse alguém era Darcy Lewis.
.
.
Finalmente, depois de chegar ao local, provar algumas opções de roupas, penteados e maquiagem, a estudante saia com um vestido preto com decote em V, salto alto e um penteado meio retrô.
Se encontrava deslumbrantemente linda... e prova disso era que ao andar na rua, muitos homens a olhavam sem discrição alguma.
Para evitar a raiva, a garota apenas caminhava com seu fone de ouvido, que a impedia de ouvir as cantadas de pedreiro e o excesso de assobios.
Os homens eram tão ridículos... quando a mesma saia com suas camisetas de rock, blusas de moletom, jeans, all star e nada de maquiagem, nenhum deles notava a sua presença...
A aparência ainda era algo muito importante naquele mundinho sinistro...
Sorte não estar com seu taser, ou eletrocutaria o primeiro que ousasse se aproximar.
O semblante da estagiária mostrava seu incrível mau-humor, que aumentou exponencialmente quando descobriu que precisava de sua carteira de estudante universitária e...
Que se encontrava na gaveta de sua escrivaninha na sala do apartamento...
Mais uma vez esquecia algo importante, e a cena estúpida de ter que voltar até sua casa quando não queria, apenas para evitar... vocês sabem quem, aconteceria novamente...
Ela optou em entrar no local de madrugada, para não se encontrar com Bucky, já que o soldado estava sempre ausente naquele horário, metido em algum bar aos arredores da Upper West Side...
A estudante esperou por Kim no prédio onde a loira trabalhava e ambas resolveram jantar na quinta Avenida.
Na mesa, as duas conversaram por muito tempo.
— Você não devia ir até o seu apê vestida assim... – A loira sugeria, a olhando atentamente.
— Por quê?
— Por que você está vestida pra matar. Vai ser um tiro muito forte pro soldado aguentar.
— Até parece, Kim... já disse que ele não dá a mínima pra mim. Ele ama a Natasha Romanoff. – A garota delibava seu chá gelado no copo. Depois da última pagação de mico no karaokê, não iria beber de novo...
— Pode amar outra mulher, mas você está linda e isso com certeza chamaria a atenção dele. – Kim bebia vinho na taça. Nada melhor do que relaxar depois de um dia cansativo de trabalho.
— Chamar atenção... O Bucky pode ser um homem americano, mas sua discrição é de um homem russo... ele não demonstra nada dessas coisas...
— Ou você que é uma tapada e não enxerga um palmo na frente do nariz... – Kimberly revirava os olhos.
— De qualquer forma, preciso enrolar nesse lugar até umas duas da manhã pra voltar pro apartamento. Não posso encontra-lo lá.
— Vamos pra minha casa, então você pode pegar seu carro e sair esse horário.
— Esse é o plano.
.
.
Era duas da manhã e o plano para evitar o soldado teria de seguir firme e forte.
O horário era propício, pois James sempre sumia de madrugada.
— Certo... é agora ou nunca... – Darcy dizia pra si mesma enquanto terminava de estacionar o carro na frente do prédio.
Era meio irônico entrar escondido em... sua própria casa... mas era mais um dia normal na vida de Darcy Lewis... ou não...
E aquele dia, de fato, estava tão corrido, que a garota saiu com as roupas que estava provando para a apresentação. Ainda não tinha decidido qual roupa usaria, e andar naqueles trajes fazia parte de um teste, para ver se o vestido, o sapato, o penteado e a maquiagem permaneceriam intactos depois de andar pra lá e pra cá por tantas horas.
Ela correu pelas escadarias, numa velocidade incrível, ainda de salto alto.
Ao abrir a porta, espiou por um tempo antes de entrar... estava tudo em silêncio e escuro.
— A barra tá limpa... – Disse pra si mesma, como se estivesse numa missão de alto nível e não pudesse ser pega.
A estudante correu para a sala e revirou duas gavetas, procurando por sua carteira de estudante...
Mas...
Ouviu um ruído vindo da sacada...
“Droga... por que justo agora...?” – Ela pensava, já se preparando psicologicamente para dar de cara com Bucky.
Porém...
Ao olhar para fora, um tanto hesitante, a estagiária percebeu que quem estava ali na verdade era...
.
Thor...
.
A estudante franziu o cenho. Por que o deus do trovão estava na sacada de seu apartamento, segurando o Mjolnir?
Era só o que faltava...
Ela fez cara de paisagem...
— O que você tá fazendo aqui e esse horário!? – O indagou, achando totalmente estranho a presença de Thor ali.
— Vim a pedido de Jane, que achou que você estava bêbada esse horário... não me pergunte porquê... Você sumiu e não mandou nenhuma mensagem. Ela está preocupada com você.
— Por quê? Só faz uma semana que não nos vemos!
— Porque você pediu férias e não entrou mais em contato com ela. Está tudo bem mesmo? – O loiro entrava no apartamento da garota pela sacada, olhando tudo ao redor, achando o ambiente um tanto diferente.
— Céus... a Jane não sabe que estou prestes a me formar? Ela sabe que estou ausente porque estou me dedicando ao meu trabalho de conclusão de curso! E outra: Eu estou de FÉRIAS do trabalho! – A garota enfatizou muito bem a palavra ‘férias’.
— Mas nos últimos tempos ela tem te achado estranha, então me pediu para vir aqui ver se está tudo bem.
— Está tudo bem. Agora você pode ir embora. – A garota não estava sendo mal educada e o mandando embora porque queria, mas estava com muito medo que o asgardiano descobrisse que Bucky Barnes estava hospedado em seu apartamento.
Sabia que era errado esconder de todos o fato de que estava abrigando o Soldado Invernal em sua casa, mas que opção tinha? Todos a julgariam e tentariam lhe impedir de continuar com tal loucura.
Aliás, era muita sorte Thor chegar no momento exato em que ELA estava ali. Imagine se o asgardiano encontrasse o sargento em vez dela?
— Você tem certeza...? Jane realmente está preocupada. Ela não me mandaria aqui se estivesse errada...
— Tenho... amanhã eu dou um pulo no laboratório, então pode dizer a ela pra ficar despreocupada porque está tudo ótimo e eu estou perfeitamente bem, ok? – Darcy cruzava os braços, enquanto suspirava, impaciente.
Thor estreitou o olhar.
— Por que você está toda produzida a essa hora da madrugada? Estava numa festa? A Jane me disse que tinha que ficar de olho em você porque estava extrapolando no álcool.
— Céus... ela virou a minha mãe agora? Eu não estou bebendo... fiquei a semana toda sóbria, e estou com essas roupas porque ainda não escolhi o traje do dia da apresentação, então estava provando algumas peças. Eu não saí de nenhuma festa não...
O loiro observava o vestido preto e o cabelo enrolado da estudante, com o lado direito preso por uma presilha de pérolas.
A maquiagem estava leve...
— Você está linda. – O asgardiano a elogiava, risonho, como de costume.
— Obrigada. – Ela revirou os olhos, nervosa e com receio de que o soldado chegasse naquele momento.
— Então é aqui que você vive...? – Thor continuava analisando o apartamento da estagiária e colocou o martelo na mesa de centro da sala, como sempre fazia quando chegava em um recinto diferente.
— Sim... como pode ver, é um apartamento bem normal, comparado ao atual da Jane.
— Estou vendo... vocês vivem de um modo simples... e acho isso admirável.
— Claro... você não é o herdeiro do trono de Asgard? O que é o meu apartamento perto do palácio que você mora?
— Eu renunciei ao trono e não moro mais no palácio, caso contrário, porque estaria aqui na terra?
— Aah, é verdade... você agora só tem o título de príncipe, o que é uma pena... – Darcy e seu jeito materialista que sempre deixava se sobressair em diálogos como aquele...
Os dois continuaram com a conversa por mais um tempo, porém...
Atrás da porta do quarto de hóspedes, havia uma pessoa que estava ali desde antes de Darcy entrar no apartamento...
.
Bucky... que ouvia o diálogo dos dois...
.
O soldado não havia saído do apartamento aquela noite, pelo contrário. Desde que Darcy não voltou no dia em que a viu cantando num karaokê, ele, esperou por ela, incansavelmente...
E agora a estudante estava ali, ao lado do famoso asgardiano, que lutou ao lado de Steve na tão comentada ‘batalha de Nova York’.
Ainda na espreita, James continuava em silêncio, ouvindo-os.
— De qualquer forma, a Jane vai continuar preocupada com você, então acho melhor aparecer no laboratório qualquer dia, ou ela acabará vindo aqui.
Quando o loiro mencionou o fato de que Jane Foster iria até o apartamento dela, Darcy arregalou os olhos no mesmo instante...
Isso não podia acontecer...
— Isso está ficando chato! Ela não precisa vir até aqui!
— Tem certeza que não está acontecendo nada? – Thor insistia, achando as reações da estudante um tanto estranhas.
— Sim, diga a ela que vou até o laboratório essa semana. Eu viajo pra Willowdale na semana que vem, porque meu TCC é sexta.
— Certo... mas se algo estiver acontecendo, você tem que dizer. Ela só não quer que você se machuque...
A garota arqueou uma sobrancelha, perplexa.
Porque Jane estava tão preocupada com a segurança dela?
— Como vocês chegaram a essa conclusão!? Por que tanta preocupação?
— Isso não importa. – O loiro retorquiu, tranquilamente.
— Importa sim. Me diga... aquela bruxa da Viúva Negra inventou alguma coisa pra vocês!? – O tom de voz de Darcy soou áspero e agressivo.
Natasha Romanoff descobriu que Bucky estava em Nova York e hospedado no apartamento dela? Se sim, será que a ruiva disse algo para Jane e Erik?
— Por que está citando a agente Romanoff na conversa? Por acaso ela sabe de algo que eu e Jane não sabemos?
— Eu é que pergunto... Ela sabe!?
— Não tente fazer seus joguinhos mentais comigo, Darcy. Se a sua segurança está ameaçada, venha para o apartamento de Jane. Eu vou te proteger.
— Qual é!? Eu não vou ficar me escorando em vocês!
— Eu não sei por que a Jane está tão preocupada com você, mas de qualquer forma, logo vamos reunir todos os Vingadores e se algo estiver errado, você tem que ficar com a gente.
— Como assim todos os Vingadores estão se reunindo? O que tá pegando!?
— Na semana que vem, todos nós vamos nos reunir na torre...
— É sério!? Então até o Capitão América está vindo pra cá!?
— Sim... Por quê essa cara de espanto?
— Na-nada, ahahahahahaha, é que você me pegou de surpresa! – Darcy fazia uma careta, pensando no que faria se o Capitão América viesse para Nova York, sendo que Bucky estava na cidade e não desejava encontra-lo de jeito nenhum.
Se fosse ao laboratório naquela semana, teria de ir disfarçada, já que Steve Rogers não poderia saber de sua existência de jeito nenhum, e caso soubesse, era arriscado descobrir sobre Bucky de alguma forma.
Teria de ser precavida... ela não sabia fingir e esconder fatos muito importantes de pessoas como o Capitão... era por isso que não poderia de modo algum encontrar com ele.
— De qualquer forma, não conte esse segredo pra ninguém. – Thor piscou e sorriu ao mesmo tempo.
— Era só o que faltava... o mundo tá acabando de novo eu não sei? Vai rolar outro ataque alienígena aqui em Nova York!? Por que se for, eu preciso me preparar para o próximo fim do mundo e me isolar numa caverna bem longe dos Estados Unidos!
— Claro que não, mas mesmo se acontecesse, estamos aqui para impedir... – O asgardiano assegurava, pegando o martelo.
Longe dali o soldado ouvia as palavras do asgardiano... Os Vingadores se reuniriam...? Isso significava que o que Natasha havia lhe alertado, sobre Steve chegar na cidade, era verdade...?
As coisas estavam se complicando...
O sargento observava Darcy reagindo de modo alarmante com a declaração de Thor... Ela não sabia que o Capitão América viria para Nova York?
— Ok então, já entendi. Agora você pode me dar licença? Preciso separar alguns arquivos importantes pro dia da minha apresentação. – A garota olhou ao redor, meio que expulsando Thor, justamente porque temia que o soldado chegasse ali.
— Certo, eu vou indo então... – O asgardiano atravessava a porta da sacada.
— Avise a Jane que eu apareço lá essa semana.
— Ok. Então... nos vemos em breve. – O loiro se despedia.
Darcy acenou, com um sorriso.
Um segundo depois, Thor girou o martelo e saiu dali, voando...
A estudante correu para a sacada, vendo o rastro que o Deus do Trovão deixava no céu.
— Era só o que me faltava... Virei alguma criança pra se importarem tanto...? – E então, a Darcy balançou a cabeça e se virou, no ímpeto de voltar para a sala, mas...
Quando se virou...
.
.
Bucky Barnes estava em sua frente...
.
.
Fale com o autor