Winter is coming.

2 It has been a long day


Notas iniciais
Esero que gostem :D

Fico um tempo arrumando minha mala. Coloco muitas roupas de frio e escolho apenas o que é absolutamente necessário, não me esquecendo de nenhum item de higiene. Iriamos para a Noruega em pleno inverno, eu espero apenas não sofrer hipotermia, pois isso é absolutamente provável. Sei que Fiske vai providenciar o melhor possível para nós, mas iremos ficar a 50 quilometros da cidade grande mais próxima. Imagino que será em uma cabana, daquelas de madeira, que se vê em filmes, nunca dormi em uma dessas. Na verdade, isso deveria ser o que menos me preocupa. Mas um Kabra é um Kabra.

Escolho uma de minhas malas com senha e de metal cromado, e coloco uma pistola 380, me preocupo bastante com a quantidade de munição, então coloco o máximo possível. Pego o meu estojo de substancias venenosas e seringas, uma lembrança dolorosa de Vikram. Como se presentes pudessem justificar sua ausência. Me sinto muito inseguro com o que estou levando, então coloco um revolver de cano longo, junto com um canivete tático. Fecho a mala com um clique.

Depois de me enrolar para terminar de arrumar minha coisas, levanto e me dirijo para o quarto de Amy, esperando todo tipo de reação que ela possa ter. Bato três vezes.

Ela não atende, então abro a porta devagar, com meu coração acelerado, tenho quase certeza que hoje teremos uma discussão.

Ela está sentada na cama, lendo um livro, tão compenetrada que nem me notou na porta. Me aproximo silenciosamente, e sento no canto da cama do quarto dela. O quarto é meio pequeno, as paredes são cor de verde-água e a mobília é branca. Na parede há alguns pôsteres, e vejo que desde a última vez que estive ali, ela adicionou pisca-piscas em cima da cabeceira de sua cama:

—Decoração nova?-Eu perguntei, abaixando gentilmente o livro que estava na mão dela.

—Sim.-Ela respondeu secamente e me olhou nos olhos. Seus olhos sempre pareceram calmos pra mim, mas naquele instante pareciam penetrar na minha alma me acusando com uma pergunta: Por que você disse sim? Por que você nunca me ajuda?

—Sabe, Amy, você pode escolher me odiar, mas saiba que eu nunca faria nada apenas para machuca-la, acontece que você é mais rancorosa do que pensa, e acredito que você me pune até hoje pelo que fiz no passado.-Digo com confiança, pois é a única coisa que penso nesses dias. A verdade é que eu não sei se um dia vamos ser normais, como se nada nunca tivesse acontecido. Eu me revolto, porque eu fiz de tudo para ela me perdoar, eu mudei e eu deixo isso claro todo momento, o que mais eu tenho que fazer?-Vamos, diga, o que você quer de mim?

Me surpreendo com meu tom raivoso e amargurado. Espero ansioso por uma resposta, mas duvido que isso possa ser tão simples quanto quero que seja. Ela toca minha mão levemente, como se quisesse mostrar que não sentia raiva ou algo do tipo.

—A questão não é essa. Eu só queria que você tivesse me apoiado. Só isso.-Ela derramou algumas lágrimas, e eu fiquei sem saber o que fazer. Ian Kabra sem saber o que fazer? Poisé.-Estou meio sensível, o aniversário de Hope é hoje, sabe como é...

—...

—Bom, voltando ao assunto. Era importante que você tivesse dito não, mas já aconteceu. Fiske não precisa de nós, devem existir outras pessoas muito mais capazes e que estejam disponíveis. Além disso, ele não deu quase nenhum detalhes, o que me dá a impressão que está nos enviando pra lá pra nos afastar de algo aqui. É suspeito. Eu só queria... Ficar em casa.

—Você ainda não respondeu o que perguntei.-Sei que dizer isso pode reacender uma discussão, mas ela está fugindo de me responder.

—Realmente, tem certa razão. Algumas feridas são profundas demais e deixam cicatrizes. Você mudou? Tenho quase certeza que sim, mas não existe nenhuma forma de saber. O que acontece é que a decepção que me causa, é muito terrível. Parece que toda vez que eu resolvo confiar em alguém tudo dá errado. Realmente, você está sendo ‘’punido’’ indiretamente, mas adivinha? Toda vida tem problemas. Lide com isso. Assim como estamos nos arrastando para os mesmos problemas, de novo. Eu odeio ter que voltar a matar pessoas, a manter segredos, a não confiar em ninguém...

—Pode confiar em mim!-Percebo que falei isso em um tom muito alterado, e Amy me fuzila com o olhar:

—Será que posso mesmo?

—Você está começando com isso de novo...-Me sinto exausto quando começam a duvidar, é como se eu nunca fosse pertencer a nenhum lugar pois quando eu começo a ser aceito, as pessoas se voltam contra mim por nenhum motivo plausível.

—SIM, estou!-Ela fala com uma voz autoritária e tremula, penso em deixá-la sozinha, acho que apenas não é um dia bom para conversar.-Adivinha, Ian, a minha vida sempre foi tão f#dida e inclusive você fez com quê eu perdesse a fé nas pessoas, tudo dá errado e você sempre teve tudo o que quis então, é, você não sabe o que estou sentindo e nunca saberá.

—EU? Sempre tive tudo o que quis? Acho que você esqueceu das coisas que aconteceram antes... Você pensa tanto em você, está sendo tão EGOÍSTA, que não percebe a M#RDA QUE ESTÁ FAZENDO! –Eu aumento o meu tom de voz, conforme a minha raiva toma conta de mim, eliminando qualquer outro sentimento que estava ali antes.

—SÓ ESTOU PEDINDO PRA VOCÊ NÃO IR! Será que é tão difícil! –Ela falou isso de uma forma tão desequilibrada e com tanto ódio que eu até me esqueci do quanto Amy podia muito mais que uma garota esperta e tímida. Ela me empurrou pra fora do quarto:-Só me deixa sozinha!

—Agora é tarde demais!-Gritei atrás da porta, depois dela tê-la batido.