Winter is coming.
3 The Dream After the nightmare
Notas iniciais
Eu corria. Minhas pernas doíam de um jeito insuportável, eu não sabia a quanto tempo estava correndo, sentia minha garganta queimando, como se algo estivesse arranhando-a por dentro. Meu pulmão parecia prestes a explodir, sentia meus pés pesados, minha cabeça começava a rodar, minhas mãos estavam suadas e frias. Eu fui atingido por algo que não vi, algo escuro, uma coisa sem forma e nem contornos. Senti minhas costas doendo por culpa do golpe, a coisa escura me chutou na barriga, com toda a força. Me senti agonizando e sem ar, tentei me sentar e consegui. Percebi que minhas mãos, onde estava apoiado, encostavam em algo pegajoso e vermelho, vi pedaços de cabelo escuros ,como os meus, sujos de sangue e uma gosma preta.
Era como se aquele cenário horroroso me atraísse de alguma forma, me arrastei pelo chão, buscando com toda minha força achar Natalie, o cabelo só podia ser dela. Senti alguém apertando minha nuca com força e gritei. Eram unhas compridas e que apertavam minha pele, apertavam meu pescoço, pareciam rasgá-lo, eu tentava me livrar, mas as mãos só apertavam com mais força.
Eu perdia o ar, me sentia sem fôlego, prestes a desmaiar. Ouvi algo cair e se quebrar, e o lugar onde estava, seja lá onde fosse, foi tomado pelo fogo, revelando que estava na minha frente. A coisa mudava de forma, ora parecia Amy com uma fúria amedrontadora nos olhos, ora parecia Isabel, rindo como uma maníaca. Eu arranhava a parede atrás de mim, tentando escapar, e levantar, mas continuava no mesmo lugar, com uma risada infestada de crueldade que aumentava e aumentava, parecia me deixar surdo, até que o fogo chegou tão perto da coisa, que ela explodiu em uma gosma preta, mas continuei ouvindo uma risada ecoando ensandecidamente na minha cabeça, gritei com todas as minhas forças.
Acordei com batidas na porta, percebi que tinha suado tanto que meu pijama grudava em meu corpo. Levantei, ainda com meu coração disparado e fui até a porta. Me encostei e sorri ao perceber o quanto estava fria, era como uma confirmação que eu estava na vida real e não nos malditos pesadelos que sempre pareceram tão reais. As batidas na porta se repetiram, junto com uma voz feminina:
—Ian, está tudo bem aí?- A voz parecia carregada de emoção e suspeita.
—Sim.-Respondi, me perguntando porque Amy estaria se importando comigo.
—Eu ouvi um grito.-Ela disse, e tentou abrir a porta, não conseguindo.
—Não foi nada, não precisa se preocupar, eu só escorreguei e bati a cabeça na cômoda.-Exclamei, forçando minha voz ao tom normal e descontraído.
—Tudo bem, então, se precisar de alguma coisa...-Ela pareceu hesitar e estava se afastando, quando falei alto o suficiente para que pudesse ouvir:
—Me desculpa.-Ouvi a respiração dela atrás da porta, ela se sentou e disse baixo, para não acordar ninguém:
—Se você ler um livro antes de dormir e tomar chá, há uma grande chance de não ter mais pesadelos. Porém se não funcionar, é serio, então você vai ter que ir ao psicólogo que nem eu fiz.-Ela comentou automaticamente, não expressando nenhuma emoção em particular.
—Garota esperta.-Ri de uma forma espontânea.
—Boa noite, Ian.-Amy se levantou e ouvi os passos dela até o quarto. Acendi a luz do meu e mexi no meu celular até o sono voltar. O que não aconteceu. Então terminei de arrumar minhas malas, e desci para a sala, assistindo filmes de ação até o amanhecer.
Antes, eu odiava filmes de ação, julgava coisa de gente sem o que fazer, gente boçal. Agora eu me divertia, vendo como para os personagens, matar era fácil, a vida era simples e o que te faz alcançar a felicidade, é apenas uma garota bonita.
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