Notas iniciais
Gente, me desculpem, ultimamente estou muito ocupada e sem vontade de escrever, mas planejo me organizar esse mes.

Por fora, o chalé era todo de madeira, com um telhado em forma de triangulo e pequenas janelinhas, tinha o tamanho de uma casa média, e algumas plantas verde-escuras estavam no chão ao lado da porta. Do lado esquerdo da casa, havia uma pequena garagem, com o antigo carro da esposa de Gwidion, que iríamos usar. De onde estávamos, parados na neve, dava pra avistar três casinhas coloridas e minúsculas no sentido norte leste.

Peguei a chave no meu bolso e percebi que a chave certa tinha uma bolinha amarela, como os óculos de Gwidion. Abri a porta com ela, sentindo a madeira estalar, entramos no lugar e paramos para observar. Havia um pequeno espaço delimitado por um degrau, onde tinham ganchos na parede para colocar casacos, um pequeno móvel com compartimentos para colocar calçados, um quadro de um peixe saindo de fora d’água. Depois do degrau, uma sala do lado esquerdo, com um sofá de costas para uma janela, uma televisão de frente para o sofá, um armário. Alguns objetos pessoais estavam espalhados por ali, supôs pertencer a esposa de Gwidion, o que me deixou com arrepios.

É meio triste ele deixar as coisas como estão, como se não conseguisse se desapegar das memórias dela. Me pergunto o quão forte foi o sentimento que ele teve por ela para nunca mais esquece-la.

Do lado direito, há uma cozinha arrumada e mais moderna, com armários detalhados em madeira, com alguns enfeites dourados, há um espaço vazio entre o lado direito e esquerdo, um corredor espaçoso. Indo em frente, pelo corredor, há um quarto de paredes amarelas, bem pequeno, com uma cama de solteiro, uma cabeceira, um quadro, uma estante de livros, e um banheiro pequeno e com azulejos azuis. Obviamente,em todos os cômodos há ar condicionado. Uma porta do lado esquerdo do corredor, tem um quarto muito bonito, as paredes são brancas com pinturas de flores vermelhas, uma grande cama de casal com cortinas, um armário espaçoso e moderno, quadros coloridos perto da janela(que fica de frente pra porta), um baú, uma cômoda sem nada em cima. A porta do lado direito da cama dava para um banheiro, com uma banheira grande, um Box, uma pia com um armário embutido.

Antes da ultima porta, uma escada pequena e em espiral do lado direito. Na ultima porta que ficava no final do corredor, uma varanda quadrada, com mesas de madeira e cadeiras azuis, do lado direito da varanda, um grande e silencioso gerador de energia. O ambiente é muito silencioso. Observo cada detalhe da casa por uns instantes, era tão correspondente com a imagem que tinha quanto a imagem de Amy.

—Acho que vou descansar, estou exausto.-Admito, bocejando.

—Acho que temos algumas horinhas.-Ela se espreguiça.-Vou dormir também, o problema vai ser a divisão dos quartos.

—Sim... Acho que nenhum de nós deveria dormir no quarto amarelo, deve ser muito pequeno e abafado. O vermelho é maior e tem espaço para nos dois, usamos o amarelo para guardar nossas coisas e eu levo o colchão para o vermelho, então nos revezamos dormindo no chão.

—Boa ideia.-Ela parecia pensar o contrário, sem, entretanto, demonstrar qualquer objeção.

—Hm, ok.-Eu peguei o colchão do quarto amarelo, que era muito leve, e o levei para o ‘’nosso’’ quarto. Peguei cobertores no armário grande, tirei as blusas mais pesadas, ficando com uma branca e uma calça de moletom cinza, e basicamente desmaiei no colchão.

Eu dormi bastante, mas não tive nenhum sonho, o que é estranho já que sempre tenho ou pesadelos muito bons ou sonhos muito bons.

Duas horas depois, acordei com aquela dor de cabeça(quando dormimos em uma posição ruim) me alonguei e percebi que os únicos exercícios físicos possíveis seriam relacionados a corridas pela cidadezinha, me desanimei imediatamente ao ver a neve lá fora. Amy acordou quase ao mesmo tempo que eu, e ficou encarando a parede, com o cabelo todo bagunçado e emaranhado, até resolver se levantar e sentar na ponta do meu colchão:

—Então... Informações sobre o caso?

—Sim.

—Basicamente: Alguns Cahills andam desaparecendo, são de vários clãs, de várias partes do mundo.(Ela engoliu a seco nessa parte). Eles não tem absolutamente nada em comum, além de serem Cahills, o ultimo desapareceu aqui. Eles são de lugares muito diferentes. Muito distantes no mundo. Não há muitas pistas, mas a policia não foi envolvida em nenhum lugar, Fiske se assegurou disso. Pode ser uma conspiração? Um grande plano maligno? Ninguém sabe o porquê e quem será o próximo.

—E nós somos especiais? Eu digo, por que somos nós que vamos lidar com isso? Nós podemos ser fodas, mas não sei se isso é suficiente.

—Fiske disse que nos escolheu porque conseguimos trabalhar com poucas pistas, pensamos antes de agir, sabemos investigar. O que é absolutamente verdadeiro. Só que agentes madrigais estão aumentando a cada ano, tivemos acréscimos de um pessoal muito excelente, e não consigo enxergar um motivo pra nos escolher ao invés deles.

—Confiança? Não sabemos e deve ser melhor assim. Alguns esqueletos devem continuar no armário. Temos que nos arrumar, aliás, o que é esse seu cabelo?-Sinto um clima de expectativa pras tarefas de hoje, e gosto de me divertir um pouco antes de fazer algo importante ou a pressão me deixa muito ansioso. Pulo pra lado dela e bagunço seu cabelo.Ela ri e dá gritinhos:

—Quem você pensa que é, Ian Kabra? Olhe o seu estado. PESSOAL, IAN KABRA ESTÁ DE MOLETOM E COM O CABELO BAGUNÇADO.

Nós começamos a brincar e jogar os travesseiros um contra o outro, depois de alguns instantes, a brincadeira perde a graça e passamos a nos arrumar pra sair. Amy vai até o banheiro e eu me troco no quarto mesmo. Coloco roupas casuais de frio, usando os bolsos destas pra por uma pistola e um canivete. Coloco botas especiais pra usar na neve, coloco luvas(não podemos deixar digitais), e algumas tralhas que podem ser úteis, como cordas, óculos de visão noturna, um dispositivo que copia arquivos muito mais rápido, kit para impressões digitais.

Amy confere se tem tudo na mochila dela e saímos de casa com o carro da antiga esposa de Gwidion.

Andamos pouco até chegarmos, uma casinha amarela com várias janelas, bonita de forma simples. Andamos na neve branquinha, senti meus pés frios, mesmo com as botas grossas. A casa não parecia ser ameaçadora, mas pra mim tudo desconhecido é ameaçador. Amy fica dois segundos me encarando com uma cara confusa e diz:

—Vamos seguir o plano.-Então vai ser aquele plano que eu não gostei, vou dar o braço a torcer, fazer o quê, Amy é ótima pra tomar decisões, ela sempre analisa tudo de todos os ângulos, claro que sendo uma pessoa, está fadada a cometer erros, espero que isto não aconteça hoje. Enquanto ela andava a pé pra casa ao lado(uma casinha azul, no mesmo estilo que a outra) eu fui até a amarela. Comecei batendo na porta, ninguém atendeu, como era de se esperar. Andei ao redor, procurando uma entrada fácil. Achei a porta dos fundos e tentei abri-la, sem sucesso. Peguei uma das laminas que deixei na mochila, uma fina e comprida, e encostei o meu ouvido na porta. Girei a lamina, prestando atenção onde ela oferecia resistência e onde ela deslizava, depois de alguns minutos ela estralou alto e eu entrei, observando se ninguém tinha me visto.