Winter is coming.
8 Snow
Notas iniciais
A casa era muito mais bonita por dentro, parecia ter o dobro do tamanho da que estávamos. Quem morava ali era Adam e Jessica(Janus), um casal que passava as férias (por algum motivo bizarro) na cidadezinha. Coincidentemente haviam passado um tempo lá (fora da temporada) bem quando Astryd, a última garota Thomas sequestrada(abduzida ou algo assim), tinha ido pra cidade(dois dias antes). Tirei as botas antes de entrar, não queria deixar rastros. O primeiro cômodo que vi era uma sala muito bonita, alguns porta retratos estavam na estante: Jessica e Adam se beijando, Jessica e Adam esquiando, Jessica e Adam com uma criança. Nada suspeito, mas a casa era de alguém que tinha bastante dinheiro. Não havia nada interessante na sala, uma estante branca, uma TV gigante, cortinas cor de creme, alguns porta-retratos, revistas de decoração.
A cozinha não tinha quase nada, os armários não tinham comida, nem a geladeira, nem em nenhum lugar. Ao observar o fogão, percebi que era muito grande pra uma casa tão moderna, observei atentamente dentro e fora. Uns pequenos riscos na parte de cima chamaram minha atenção, os riscos iam na direção sul-norte, como se a parte de cima tivesse sido movida algumas vezes, puxei com força a estrutura de metal. Isso não causou nenhum efeito. Tentei puxar pra baixo, o que fez com que uma parte da estrutura se soltasse, e um papel caiu lentamente. Percebi que era uma compartimento secreto do fogão, guardei o papel no meu bolso, iria tirar uma foto e depois devolve-lo. Investiguei o compartimento melhor, estava quase desistindo, quando achei uma ficha azul. Era um tom fraco, parecia uma ficha de pôker. Tirei uma ou duas fotos, mas como a luminosidade não estava colaborando, tomei uma decisão, eu iria levar comigo.
Fui para os outros cômodos depois da cozinha moderna, um quarto gigante e outro do mesmo tamanho. Em nenhum deles havia nada de interessante: Só armários com roupas(vi absolutamente tudo dentro, procurei por fundos falsos e por algo suspeito, mas só haviam roupas), a única coisa que me chamou a atenção era um colar com uma ficha quase idêntica a outra ficha, porém, amarela. Quando peguei pra analisar, percebi que outro colar estava junto, um com uma ficha vermelha. Estranho.
Consegui tirar fotos dos colares, se eu levasse iriam perceber. Varri com os olhos tudo, me assegurando que não tinha deixado nada passar. Fui para o sótão, o lugar onde devia ser mais provável ter alguma coisa incriminadora.
No sótão, haviam muitas poucas coisas, várias caixas com um nome escrito: Jerome. Dentro dessas caixas, tinham alguns brinquedos e livros infantis, me pergunto se são da criança da foto(irei pesquisar)... Alguns álbuns de fotos recheados de fotos de Jessica e Adam. Peguei os álbuns que tinham fotos com outras pessoas, coloquei na minha mochila e arrumei de forma a parecer que não tinha mexido em nada. Tinham alguns quadros abstratos nas paredes, mas para Janus não era grande coisa.
Fui para os banheiros, no primeiro não achei nada. Os dois pareciam ser muito saudáveis, Jessica tem 24 e Adam tem 43, mas não encontrei nada além de vitaminas e objetos de higiene comuns. No outro banheiro, achei uma pasta. Era de couro, com Jerome escrito na capa, tinha impressões de dedos no couro, usei o kit para pegar as digitais. Abro com cuidado, ali dentro estão várias seringas amarradas em tiras de couro. Toquei a capa de couro novamente, sentindo um volume dentro, achei um corte e enfiei a mão dentro, peguei três vidros. Eram de tamanho médio, observei atentamente o conteúdo, um líquido azul claro. Não conseguia me lembrar onde eu tinha visto isso antes. Tirei várias fotos e peguei um recipiente da minha bolsa, colocando uma parte do liquido.
Dei outra conferida em tudo, sai pela porta que entrei, sendo que tive um pressentimento estranho. Voltei pra lá, procurei de novo em todos os lugares, até que quando estava quase desistindo, achei uma tábua solta na parte da casa em que o teto era de madeira, estava milimetricamente solta, nem eu sei como percebi.
Peguei uma escada no carro(Amy colocou lá porque achou que íamos precisar) e levei até a casa. Encostei-a na parede e puxei a tábua com cuidado, haviam outros 20 frascos dentro do buraco. Bizarro. Peguei um deles, e arrumei de forma que ficaria imperceptível.
Sai da casa e fui em direção a casa que Amy estava investigando, eu tinha demorado bastante, o normal seria ela já ter chego no carro e terminado antes que eu. Ela tinha ótimo instinto pra isso, em outra vida a gente poderia ser investigadores, ela seria Sherlock e eu seria Watson.
Me aproximei da casa, tentando vê-la lá dentro, não queria entrar e chamar mais atenção. Não a vi em lugar nenhum, fui atrás da casa e percebi que um carro tinha chego. Sai correndo o mais rápido que pude, se alguém percebesse que estávamos ali, a missão toda seria destruída. Ninguém correu atrás de mim, pois eu estava do lado oposto do carro, escondido pela casa, entretanto, onde estava Amy? Me escondi atrás de um gigante monte de neve(alguns moradores tiravam a neve do telhado e juntavam-na em um monte) e recuperei o fôlego. Depois de uns dois minutos, ouvi uma voz e congelei imediatamente. Ela estava aumentando, como se alguém estivesse indo exatamente na minha direção. Quem morava na casa era Jacob, um militar aposentado que era o ultimo a ter visto Astryd. Haviam boatos que os dois tinham um caso. Estava meio claro que Jacob não tinha muito a ver com isso, a única coisa que fazia era pescar e de vez em quando, recebia as visitas de Astryd. Fomos investigá-lo pois é difícil diferenciar casos normais de desaparecimento e casos especiais, sendo que na investigação prévia que Gwidion fez, Jacob era a única pessoa que Astryd conhecia. Ela tinha nascido lá, mas os parentes se mudaram para a sede Tomas e deixaram-na sozinha.
Ouço passos do meu lado direito, passos lentos e delicados, não estou sendo perseguido, mas infelizmente corri pro lado que Jacob estava indo. Ele está cada vez mais próximo e meu coração começa a bater descontroladamente, suspiro, começando a me desesperar. Vejo que algumas pedras encobertas pela neve podem ser usadas, mas se fosse para machucá-lo, eu tenho um arma e pelo o que sabemos ele é completamente normal.Decido girar ao redor do monte de neve conforme ele se aproxima, ele vem pela direita, vou dando passos cuidadosos e silenciosos em direção a esquerda, chego a lateral do monte de neve. Nesse exato momento, ele atravessa pela lateral oposta do monte, não me percebendo e seguindo em frente. O vejo de costas e arrisco um passo para trás, afundando o pé em um buraco escondido pela neve macia e batendo minha cabeça em uma das pedras por ali.
Sinto uma dor imediata na minha cabeça, aquele tipo de dor que você tem após levar uma pancada muito forte, seguido de uma tontura massacrante. Tento me levantar, mas sinto sangue atrás de minha cabeça, encosto minhas mãos na neve para conseguir impulso, mas a neve me faz escorregar e não consigo mexer minha cabeça. Vejo que minha mão está suja com sangue e neve, meus olhos se fecham de acordo com a dor, ela está intercalada entre dor muito forte e dor suportável.
Sinto o sangue escorrendo e fico aterrorizado ao pensar em ver uma poça do meu lado. O frio é congelante, o ar sopra minúsculos pedaços de neve em meu rosto, o que faz com que nem sinta minha pele direito, minhas mãos parecem muito menos hábeis conforme passam os minutos.
Tento lançar meu corpo pra frente, no entanto, a dor me faz gritar e temo perder muito sangue se me forçar. Fecho meus olhos novamente para ficar menos desorientado, quando abro os olhos, tento arquear as minhas costas para não continuar com a minha cabeça na pedra, o que não dá certo e faz a dor se intensificar. Gemo de frustração, se ao menos eu conseguisse me lembrar do treinamento de primeiros socorros, mas as coisas estão em um nível que me impede de pensar. Abro os olhos e fecho-os, mais uma vez, me sinto exausto, devo estar perdendo muito sangue. Fecho os olhos, até que os abro e vejo um borrão correndo até mim. Jacob. Tudo está tão borrado e tão branco. Então me sinto muito cansado e sem fôlego, e sinto meus olhos se fecharem por conta própria.
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