Winter Flowers
3 Um sentimento recíproco.
Notas iniciais
Um sentimento recíproco?
Narrador Onisciente
Kardia parou seu carro no estacionamento do hospital, aquela seria a sede que passaria a administrar durante todo o período que viveria em Paris com Degel, pegou suas coisas e esperou o elevador olhando as horas. Estava meia hora atrasado para a reunião com sua família e alguns investidores.
Começou a andar pelos corredores do setor administrativo parando de frente as portas duplas que foram abertas pelos seguranças, quando entrou não falou com ninguém apenas seguiu mal humorado para o seu lugar e sentou esperando o que fossem falar.
— Por que se atrasou tanto assim? — Perguntou Sage deixando visível sua irritação.
— Eu quase não dormi, tendo que ver os assuntos do meu casamento que caso a velhice não tenha atacado sua cabeça pai será daqui a DOIS dias. Em fim, prossigam quero saber o que será de tão importante nessa reunião para que eu tenha sido obrigado a vir — Kardia recostou-se melhor na cadeira e pôs as mãos unidas a frente de seu rosto.
— Bem... é — Aspros tentava voltar a seu raciocínio olhando para Kardia — Na verdade senhor Sage eu tenho uma pergunta, serei eu a ocupar o lugar de Manigold daqui a alguns meses? Ou irei junto com ele para a Itália?
Kardia mirou o rosto de Aspros incrédulo com o que ouvia e depois para seu pai — Tá, deixa eu ver se entendi, vou ser deixado sozinho na França? Enquanto vocês irão para as outras sedes do hospital?
— Vai ser temporário, sei que não gosta de administrar e por esse motivo Defteros vai ficar aqui te ajudando e Aspros você e Manigold irão juntos como já é de costume — Disse Sage.
— Sim senhor.
— Defteros não havia se casado? Imaginei que não fosse voltar da Índia tão cedo — Disse Manigold.
— Ele decidiu adiantar a viagem de volta — Aspros informou sorrindo, a verdade era que seu irmão não estava feliz com o casamento, pelo menos na sua frente, como sempre dizia "O mesmo acidente não acontecerá duas vezes"
Kardia levantou-se de onde estava e seguiu para fora, qualquer um que o conhecesse julgaria que estava de fato em momentos ruins. O loiro seguiu para o estacionamento do prédio pegando seu carro e percorrendo qualquer caminho por Páris. Queria estar longe daquele lugar julgava-o irritante por ser frio na maior parte do ano e quente em poucos três meses, parou o carro em uma rua qualquer e bateu umas três vezes a cabeça contra o volante saiu andando com a cabeça baixa voltando a sua realidade apenas quando sentiu alguém bater contra seu peito e ir ao chão junto consigo.
— Não olha por onde anda? — Gritou com a pessoa que ainda estava caída ao seu lado, balançando a cabeça várias vezes tentando recuperar sua visão. O grego levantou-se rápido apoiando-se no carro e olhou para o lado, quase não acreditando em quem via, era Degel, e ainda estava no chão tocando a própria testa.
— Me... Me perdoe — Disse com os olhos fechados, quando abriu olhou para sua mão que tinha um pouco de sangue e tocou novamente a testa. Olhou finalmente para a pessoa com quem havia colidido ficando boquiaberto ao finalmente perceber que era Kardia — Ka.. Kardia.
— Devia olhar por onde anda — O grego franziu o cenho e virou de costas seguindo de volta para o carro.
— Me perdoe, eu estava com tanta pressa que nem percebi que você estava passando. Me perdoe — O frances já estava de pé e segurava um pacote em suas mãos, tocou novamente a testa sentindo um dor horrível.
"Por que eu tinha que cair justo com a testa no chão e pior bater contra Kardia faltando dois dias para o nosso casamento!" Pensou.
O grego chegou perto de seu noivo e olhou sua testa notando que era apenas um arranhão — Por que não pegou um táxi? O teatro fica do outro lado da cidade ainda espera chegar a tempo?
— Bem — Degel estava vermelho e sem jeito — Eu... Eu esqueci minha bolsa... E já estava com a hora marcada na loja. Hoje foi um dia meio difícil.
Kardia bufou e colocou as mãos na cintura olhando para Degel notando que o mesmo ainda usava o colar que dera a ele na primeira vez que se encontraram — Entra no carro, eu te levo até lá.
— Certo, o.. obrigado — Degel sorriu docemente e entrou no carro, sentindo que a dor de cabeça o atacaria em breve.
Quando chegaram em frente ao teatro Krest estava olhando para todos os lados extremamente irritado. Kardia pegou uma bolsinha atrás do banco e saiu primeiro dando a volta pela frente do carro e abrindo a porta para Degel que saiu extremamente nervoso abraçado no pacote.
Krest suspirou aliviado ao ver seu filho com o futuro genro, mas no fundo queria esgana-lo por conta daquela demora e pela testa machucada que ainda teria que explicar.
— Olá Krest — Kardia cumprimentou e estendeu a mão para seu sogro que logo a aceitou sorrindo gentilmente.
— É um prazer revê-lo tão cedo Kardia, realmente não esperava isso faltando tão pouco tempo para o casamento, veio assistir o Degel? — Krest olhou para o seu filho que ainda estava parado de cabeça baixa perto do carro e soltou a mão do grego.
— Eu e Degel nos encontramos por acaso, acabei esbarrando nele e caímos no caímos no chão, por isso a testa machucada — Os dois riram deixando o ruivo mais constrangido ainda que ia passar correndo para dentro do teatro caso Kardia não tivesse segurado seu braço — Vou fazer um curativo nisso aí.
***
Degel levou Kardia pelos bastidores até o camarim do teatro da grande ópera Garnier e lá sentou-se a sua frente enquanto o grego retirava da bolsa que trouxera de dentro do carro algumas coisas de primeiros socorros.
— Você é formado em que?
Degel resolveu quebrar o silêncio.
— Medicina na área de cardiologia, por que a curiosidade?
— Vamos nos casar em dois dias e eu não sei quase nada sobre você.
— Hum. E o quer saber sobre mim?
— O que gosta de fazer no seu tempo livre?
— Eu costumava ir a praia quando vivia na Grécia ou então jogava com alguns amigos, saia para uma casa noturna. Poucas coisas já que eu mal parava em casa.
— Não gosta de ir ao cinema? Ou assistir a algumas arte cênica?
Kardia negou com um balanço de cabeça — Teatros são chatos e os filmes atuais são muito ruins.
Os dois olharam ao mesmo tempo para a porta que era aberta — Eu tinha que ver pra acreditar — Manigold surgiu rindo parando na porta com um caixa enfeitada nas mãos.
— O que está fazendo aqui? — Kardia perguntou achando estranha a atitude do irmão de ir a Ópera.
— Eu vim ver o Albafica, mas sinceramente eu que pergunto o que faz aqui?
— Nada — Kardia levantou da cadeira que estava, irritado e recolhendo todas as suas coisas. Manigold saiu e seguiu pelos bastidores indo atrás de Albafica.
— Você já vai embora? — Degel perguntou a Kardia que colocava seu sobretudo.
— Sim, preciso descansar.
Degel ficou cabisbaixo, queria saber um pouco mais sobre Kardia usar as pequenas coisas para conquista-lo aos poucos — Obrigado — Sussurrou olhando dessa vez bem nos olhos azuis de Kardia, sorriu e mordeu o lábio aproximando-se mais para beijar-lhe levemente a face.
Kardia ficou surpreso ante aquele toque mais íntimo por parte de Degel, deu um meio sorriso e virou-se de costas saindo da Ópera.
***
Manigold estava próximo ao palco, olhava surpreso para a forma como Albafica abrira o espacarte e depois passava para uma abertura de costas para si começando alguns alongamentos, o loiro não havia notado a presença de seu noivo até dobrar sua coluna tocando a perna que ficará para trás tomou um verdadeiro susto voltando de uma vez causando uma terrível câimbra em suas coxas.
Olhou para trás apenas para ter certeza que não era algo de sua mente, Manigold tinha um sorriso infantil estampado nos lábios e Albafica permanecia boquiaberto, não esperava uma visita daquelas no teatro. Sorriu timidamente e foi até onde o italiano estava, a passos lentos para que a dor em suas coxas não aumentassem.
— Não imaginava que viria até aqui — Disse em voz baixa ficando a frente de Manigold.
— Deu vontade de te ver e... Eu trouxe um presente — Respondeu sorrindo enquanto Albafica pegava a caixa — Sabe Alba, não quero seguir a tradição da minha família, não sei direito o que me atraiu tanto em você, mas...
Manigold segurou o queixo do loiro e o puxou para um beijo calmo e cheio de paixão, quando ia pedir passagem para a língua ouviu a voz de Lugonis atrás de si.
— Eu imagino que este tipo de demonstração de afeto deveria vir depois do casamento — Apesar de aparentar calmo o ruivo estava realmente irritado com aquela atitude na frente dos outros bailarinos da ópera.
— Senhor Lugonis, eu realmente queria falar com você — Manigold sorriu distraindo Lugonis, aquela era a deixa para que Albafica pudesse sair rápido dali, seguiu para detrás da cortina com uma mão em seus lábios enquanto a outra segurava a caixa que o italiano lhe dera.
Sorriu como bobo e apertou aquela caixa contra seu peito, estava começando a se apaixonar por seu noivo.
Continua...
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