Winter Flowers

10 O doce aroma das rosas


Notas iniciais
Não vim no dia prometido mas aqui estou eu, sem tanta demora como antes, agradeço pelo comentário e mais uma vez agradecendo pela recomendação! daqui a dois dia ou menos o próximo sai. *Capítulo não betado, apenas revisado, então ainda pode conter erros.

Narrador onisciente
— O doce aroma das rosas.

Albafica respirava rápido devido ao cansaço de seu treino excessivo no teatro. Queria que acabasse logo mas sabia que seu tio e até mesmo seu pai – que era menos rigoroso – não permitiriam que parasse seu treino. Por fim bebeu um pouco de água e novamente posicionou sua perna na barra voltando aos exercícios de flexibilidade. Logo teria que seguir até uma sala onde daria aula a algumas crianças, tanto meninas como jovens Ninshin que chegariam alí apenas para não ficarem em casa aprendendo sobre como agradar seu marido e fazer trabalhos domésticos.

O loiro suspirou aflito ao olhar as horas, chegou o momento de aguentar várias perguntas sobre sua "vida íntima" feita por aquelas crianças. Apenas aceitou aquela ideia de tornar-se professor pois seu tio seria rígido demais para com aquelas crianças inocentes. Quando entrou na sala viu que metade de seus alunos haviam chegado e correram para abraça-lo.

Cumprimentou os pais e mães que estavam sentados apenas para esperar ou assistir, alguns Albafica sabia que estavam alí por serem obrigados. Enquanto as mulheres e os Ninshin olhavam com carinho para seus filhos e filhas vestidos para a aula.

Minutos depois o loiro havia dado início a aula, ensinava as crianças a sua frente as cinco posições de pé após o alongamento. Sempre começava a rir quando ouvia algum comentário sobre aquela aula estar sendo chata e que queriam partir logo para os saltos, aberturas e danças profissionais.
A respostas de Albafica era sempre a mesma:

— Em breve todos vocês estarão dançando perfeitamente, mas antes que isso aconteça precisarão passar por esse treino mais básico.

Quando a aula chegou ao fim Albafica respirou aliviado, desligou o som que tocava "a dança das fadas açucaradas" só que em uma versão mais infantil, e seguiu para o seu camarim particular pegou sua bolsa e retirou tudo o que prendia seu cabelo em um coque enorme e perfeito guardando dentro da mesma, retirou seu casaquinho e sua blusa colada, pegando a outra que tinha dentro junto com uma calça de moletom e um casaco um pouco mais grosso, deixou tudo em um lugar reservado em cima de sua penteadeira, pegou seu roupão de cor azul marinho e vestiu retirando também seu collant masculino e sua roupa íntima jogando toda sua roupa do dia no cesto.

Ao mirar o espelho finalmente notou que não estava sozinho, Manigold o encarava com um sorriso "sacana" nos lábios, o italiano estava encostado na entrada de braços cruzados mirando suas pernas pouco cobertas pelo roupão e seu peito. Notando aquele olhar Albafica puxou um pouco mais o roupão cobrindo melhor as partes expostas, sentiu seu rosto esquentar e teve a total certeza que estava mais vermelho que os cabelos de Degel.

— Não... Não me olhe desse jeito! — O loiro berrou correndo para detrás do cabide onde ficavam seus figurinos.

Manigold por sua vez começou a rir e entrou no camarim fechando a porta — Admito que não esperava te encontrar assim, Alba — O loiro não negou, seu noivo estava com uma voz sedutora e o olhar era algo indecifrável.

— Devia se informar dos meus horários sendo assim — Retrucou quando Manigold ficou mais próximo o puxando pelo braço.

— Está lindo desse jeito —O italiano sussurrou rente ao ouvido de Albafica causando-o arrepios — Finalmente pude ver um pouco mais do seu corpo. Não me aguento de tanta ansiedade.

Albafica prendeu a respiração ao sentir as mãos de seu noivo percorrendo sua cintura até chegar em baixo do roupão tocando a barriga bem definida — Mani... Manigold, não faça isso, por favor — O italiano sorriu ante aquele suspiro dado por Albafica, mirou bem o rosto do futuro esposo, estava corado e de olhos fechados. Malgrado não poder afundar-se mais naquela carne.

— Mani, nós não podemos, é errado fazer isso antes do casamento, um pecado — Novamente o loiro veio a implorar, por mais que quisesse sentir mais de seu noivo, sentir como seria tê-lo dentro de si, não poderia desobedecer as leis impostas para os Ninshin.

— Não é pecado fazer isso comigo, afinal, vamos nos casar em breve.

— Daqui a pelo menos dez meses ou menos não é tão breve — Dessa vez o olhar de Albafica era firme, empurrou um pouco Manigold afim de conseguir chegar a porta do banheiro, mas não teve força o suficiente. O italiano segurou seus pulsos e o puxou para mais perto.

— Eu tô brincando com você, não vou fazer nada antes do casamento — Albafica soltou o ar sentindo um enorme alívio — Mas, eu preciso conversar com você sobre uma coisa muito importante, podemos ir até um café que tem aqui perto, o que acha?

O loiro assentiu em concordância e olhou para a porta do banheiro mais uma vez — Eu só vou tomar um banho.

Manigold concordou e sentou-se na cadeira a frente da penteadeira de seu noivo, o que mais via alí eram perfumes e em especial viu o que dera de presente no dia em que se beijaram a primeira vez, a verdade é que naquele dia ia apenas fazer uma surpresa e convida-lo para um passeio mas ao passar em frente a loja de cosméticos viu aquele frasco em formato de rosas e pensou se Albafica não gostaria. Ficou curioso ao ver que também a pulseira que lhe dera na primeira vez que se viram estava alí por cima de caderno lilás que mais parecia um diário.

Era claro que a curiosidade falou mais alto, retirou a pulseira de cima do diário e o pegou em sua mão abrindo-o e logo de cara viu escrito Manigold e Albafica e bem ao lado um coração, não era em apenas uma página, tinha algumas poesias que lembravam uma declaração de amor. Mais para frente havia um desenho muito bem feito de seu rosto.

O italiano sorriu, era clara a ingenuidade de Albafica em vista que o mesmo tinha apenas 16 anos e já deveria se casar e ter um filho, mas ainda assim, não deixava de ser um adolescente. Passados uns longos quarenta minutos Albafica saiu do banheiro já vestido.

— Me desculpe as roupas, é que você pegou desprevenido — Disse sorrindo e sem jeito.

— Não tem problema, eu também não to essas coisas toda — Manigold abriu os braços como que mostrando que de fato não estava tão formalmente vestido, já que usava uma calça jeans preta uma camisa vermelha e um sobretudo marrom. Diferente de Kardia, Manigold não se importava tanto assim com o frio, na verdade até gostava — Vamos então.

Sorriu estendendo a mão para Albafica que a segurou e saíram do camarim em direção a saída do teatro, no caminho apenas encontraram com os guarda costas do loiro e os dispensaram. Albafica apenas pediu a eles que avisassem ao seu pai que estaria saindo com Manigold.

— Então, o que queria falar comigo, pela sua cara parece ser sério — Albafica perguntou ao sentarem a mesa.

— Ontem Minos fez mais uma ameaça — Manigold começou notando que só ao falar o nome daquele homem Albafica estremeceu — Mas ele não ameaçou apenas a sua família como também a minha.

— E... E o que ele queria?

— Você. Albafica, o que acontece, é que ele vai ter você.

O loiro arregalou os olhos incrédulo, realmente entendeu tudo o que seu noivo dissera? — Deixa eu explicar, você vai me ajudar a matar o Minos.

— Manigold, tem noção do que está falando? E se alguém escuta?

— O que vão poder fazer contra um Halston e um Linnet? — Retrucou — Eu vou te explicar melhor o meu plano, mas antes nós vamos nos casar antes do planejado e eu não vou te engravidar até aquele maldito estar morto.
Manigold estava claramente incomodado com aquilo — Como vamos fazer isso? Na... Não sei se tenho coragem.

— Não é você quem vai matar ele, vai ser eu ou o Aspros, você vai ser uma isca — O italiano notou a preocupação estampada na face de seu noivo — Olha, não vou deixar que nada de ruim te aconteça jamais.

— Só de pensar naquele homem eu sinto ânsia de vômito, que tipo de ameaça ele fez a sua família?
Novamente Manigold pareceu incomodado.

— Ameaçou matar minha tia e destruir a reputação do Shion, e da Yuzuriha minha prima.

***

Kardia tateou a cama a procura de Degel, achando estranho o fato de seu esposo não estar junto consigo, olhou o relógio, marcava quase oito da manhã e Degel sempre acordava as cinco. "Dormi demais" pensou e levantou-se caminhando até o banheiro na esperança de ver seu esposo lá, mas não, estava vazio.

Olhou cada canto de sua suite e começou a se preocupar com o esposo

— Degel não sai sem avisar, se bem que, ele nunca sai — O grego por fim vestiu uma blusa qualquer que estava no closet e seguiu até a suíte de Defteros tocando a campainha várias vezes, Asmita foi quem surgiu na porta com uma cara cansada e totalmente desajeitado.

— Cadê o Degel?

Pela cara de dúvida que Asmita fizera seu esposo com certeza não estava por lá — Ele não veio por aqui. Deve estar na praia.

— O que aconteceu? — Defteros apareceu apenas de toalha ficando próximo a porta.

— Degel sumiu — Asmita falou sonolento e coçando os olhos.
Kardia por sua vez, sentia seu coração bater mais forte com a possibilidade de Degel ter sido sequestrado ou se algo pior estivesse acontecendo no momento, sem pensar muito correu pelo corredor indo em direção ao elevador. Para sua surpresa a porta abriu revelando seu esposo segurando algo nos braços e acompanhado de dois seguranças.

O grego o abraçou fortemente sentindo um movimento naquilo que Degel carregava — O que é isso? — Perguntou puxando o pano que cobria assustando-se ao ver era na verdade um bebê — Onde o encontrou?

— Fui andar um pouco pela praia e depois de um tempo ouvi o choro dele...

Degel parecia amedrontado.

— Senhor Halston havia um corpo de uma mulher e a criança estava ao lado chorando, as autoridades que chegaram recolheram apenas o corpo e não levaram a criança, nos restou voltar com ela.
Respondeu um dos seguranças.

— Ok, vamos para o quarto, tá bom, lá resolvemos o que fazer.

— O bebê precisa de fraldas, roupinhas e principalmente de leite.
Kardia assentiu, quando estavam chegando no quarto Asmita correu até Degel e o abraçou, Kardia explicou o que aconteceu para que seu esposo tivesse saído daquela forma. Os quatro entraram no quarto e Kardia ordenou que os seguranças fossem comprar o mais rápido possível tudo o que Degel anotou em uma lista.

Os dois Ninshin ficaram durante longos minutos tentando controlar a criança que chorava copiosamente — Não sei mais o que fazer, ele está sujo e com fome — Disse o ruivo levantando-se com o pequeno em seu colo andando em direção ao quarto.

— Fica calmo, logo eles chegam com algumas coisas — Kardia surgiu na porta sorrindo, mas na verdade também estava estressado. — O hotel vem em alguns minutos deixar um berço.

— O que vai fazer com esse bebê? — Degel perguntou deitando o pequeno na cama enquanto retirava a roupinha suja e a fralda substituindo apenas por uma toalha enrolando perfeitamente todo o corpinho. — Eu quero ficar com ele.

— Degel, eu pensava em entregar ele a alguma família que possa cuidar...

— Kardia, você fala como se fôssemos pobres, eu quero ficar com esse bebê.

— E se vierem atrás dele? Degel, nós temos que pensar bem, você está esperando nosso filho, vamos ter trabalho em dobro...

— A questão não é o trabalho Kardia, afinal sou eu quem vai ficar com eles o tempo todo, quero ficar com esse bebê, eu sinto que... Sabe... Foi o destino eu sentir a necessidade de ir a praia, foi para encontrar esse bebê.

— Tudo bem, vou esperar pra ver o que o Defteros descobre sobre ele e aquela mulher morta.

Mais alguns longos minutos depois os seguranças chegaram entregando tudo o que fora mandado comprar, a primeira ação de Degel foi pegar as coisas para o banho com a ajuda de Kardia e Asmita, Defteros ficara apenas olhando de longe e conferindo todo o "exagero" do grego mais novo e do francês, que nem ao menos tinham certeza se iriam ficar com a criança.

"Degel é sem dúvidas um baú de surpresas" o loiro pensou, impressionado ao ver como Degel banhava o bebê e o massageava deixando-o mais calmo — Asmita você poderia fazer o leite dele?

— Não tem cozinha aqui.

— Vou pedir que façam na cozinha do hotel — Kardia respondeu saindo logo em seguida para falar com o serviço de quarto.

— Você pode me ensinar essas massagens? — Asmita perguntou sorrindo e tocando sua barriga.

— Claro que sim.

Depois de mais alguns minutos tentando deixar o bebê o mais limpo possível e Degel explicando ao indiano como fazer aquelas massagens, finalmente seguiram até a cama do quarto. Kardia observava encostado na porta, Degel colocou o trocador na cama e um cueiro de algodão branco com estampas de urso por cima, deitou o bebê e o desenrolou da toalha enxugando-o com a mesma.

— Degel, não é melhor mandar lavar essas roupinhas? — Asmita perguntou quando o ruivo já ia pegando uma roupa após passar o talco, a pomada e vestir a fralda.

Degel pareceu pensar por um tempo e depois largou a roupinha junto com as outras — Tem razão. Mas ele vai sentir frio, ainda é muito pequeno.

— Acho que não fará mau — Kardia disse finalmente chegando perto e desembrulhando o macacão que Degel havia pego — Vieram muito bem embaladas.

O ruivo sorriu pegando a roupa da mão de seu esposo e vestindo-a cobrindo também o bebê com uma manta— Ela veste muito bem, até já cobre os pezinhos e as mãozinhas — Disse ainda sorrindo pegando o bebê no colo que logo voltou a chorar pela fome que sentia — Querido, vão demorar a trazer o leite? — Perguntou ficando perto de Kardia acariciando a cabecinha loira do pequeno em seu colo.

— Acho que não, afinal foi um Halston que pediu — Disse o grego mais novo com um sorriso no rosto — Asmita, pode deixar que eu arrumo isso, você não pode fazer esforço demais.

Asmita assentiu ficando próximo de Degel e observando Kardia desembrulhar todas as roupinhas, dobra-las e guarda-las no closet junto com as coisas do casal. Lembrou-se também, de separar um lugar para os produtos de cheiro do pequeno, realmente, naquele momento ficou um pouco agoniado. Sentiu medo de tanto ele como Degel apegar-se ao pequeno e de repente ele ter uma família que o queira de volta. Decidiu ignorar aqueles pensamentos por enquanto e seguiu para o quarto pegando as outras coisas que ficaram na cama e guardando-as no closet.

Somente quando voltou para o quarto foi que notou que os dois Ninshin não estavam mais lá e que Defteros já havia sumido a muito tempo, quando entrou para a sala viu que o esposo já alimentava o bebê faminto com a mamadeira que uma empregada havia trazido, acabou combinando com a moça – que ainda estava lá – para que a mesma trouxesse sempre a água quente de pelo menos três em três horas.

— Querido ele estava faminto mesmo — Degel falou mostrando a mamadeira vazia.

— O coitadinho passou realmente horas sem comer — Disse Asmita com os olhos lacrimejando.

— Imagina o frio e o medo que ele não sentiu?

Foi a vez de Degel completar o drama e logo os dois Ninshin estavam querendo chorar, deixando Kardia completamente sem jeito — Não... Não pensem nessas bobagens, ele está bem agora, alimentado, banhado e vamos dar o máximo de conforto possível como se fosse um pequeno rei. Não chorem.

Os assentiram fungando e limpando as lágrimas que caíam ao mesmo tempo. Depois de quase duas horas o bebê dormia tranquilo no berço fornecido pelo hotel enquanto Kardia e Defteros saíram para resolver coisas que não informaram aos esposos. Asmita e Degel ficaram apenas conversando baixinho deitados na cama do ruivo velando o dono do pequeno.

— Vendo esse bebê, a forma como cuidou dele, só me fez ficar mais ansioso para o nascimento do meu — O indiano tocou a barriga sorrindo — Acho que ele está acordando.

Degel levantou-se rapidamente indo olhar o pequeno que mexia os bracinhos de olhos abertos. Pegou-o no colo — Não me diga que já está com fome — Sussurrou ajeitando a manta no corpinho minúsculo.

— Posso pegar nele? — Asmita pediu estendendo os braços recebendo o pequeno logo em seguida. Aquele cheirinho de criança, olhos enormes o fez lembrar da irmãs mais novas que ajudou a cuidar mesmo sendo ainda muito jovem.

Kardia e Defteros chegaram indo em direção ao quarto com os semblantes fechados — Degel, essa criança é órfã, a família inteira era formada por ladrões mataram até o irmão mais velho dele que tinha apenas cinco anos.

— Por esse motivo a polícia não quis levar a criança, preferiram abandonar o "fardo" e ficar em paz como mistério não solucionado.

— O nome dele é Christofer Alanis, vem de uma família classe média que sobreviviam como assassinos de aluguel, mandados por gente rica — Completou Kardia.

— Mas ainda vamos ficar com ele? — Degel perguntou olhando para o bebê que ainda estava no colo de Asmita.

— Bom, agora ele necessita de uma família, vamos apagar o máximo possível de coisas existentes sobre a família dele e anunciar que no meu trabalho como médico acabei me apegando a um paciente que havia se tornado órfão e decidimos adotar.

— Já ajeitei uma nova certidão pra ele.

— Vai manter o mesmo nome?

— Acho melhor não, então decidi colocar Aiolia, sabe, deixar o nome original dele apenas faria com que os idiotas que mataram toda a sua família viesse atrás de nós

O ruivo assentiu e pegou o pequeno em seu colo, deu um mínimo sorriso e beijou levemente a face rodada do bebê inquieto — Temos que avisar a nossa família...

— Quero finalizar toda a papelada da adoção antes de comprar alguma coisa, até lá comece falando para algumas pessoas que "ainda estamos pensando em adotar", vamos ocultar o fato de a criança já estar conosco. Caso contrário temos que nos preparar para lidar não só com paparazzo como também com repórteres idiotas.

***

— Tem certeza disso?
Kardia perguntou sentando-se na banheira de água morna com cheiro de uma essência de rosas que Degel havia colocado.

— Manigold mesmo disse para mim, que é muito importante o primeiro banho do bebê com o pai — O ruivo disse sorrindo docemente. Retirou a toalha que cobria o corpo do pequeno e o entregou a Kardia, que muito sem jeito o segurou — Ele vai adorar.

Kardia estava com medo de fazer algo errado, por esse motivo pediu que seu esposo ficasse por perto — Não sei como consegue, banhou ele com tanta prática que nem parecia pai de primeira viagem.

— Isso meu bem, é por que eu fui treinado desde pequeno — Degel sentou-se na beirada da banheira molhando um pouco o bebê, o loirinho parecia confortável no peito de seu novo pai que apenas o segurava sem fazer movimento algum — Acaricia ele!

— Eu não tenho jeito pra isso Degel!
O francês bufou ficando de pé e retirando o robe de seda que vestia, entrou junto com o esposo e o filho, pegou o pequeno no colo e aconchegou-se ao peito de Kardia puxando uma de suas mãos para sua barriga e a outra para as costas do bebê.

— Agora, você acaricia eles.
O loiro ficou sem jeito, nunca havia ficado assim com ninguém, e nunca nem havia pensado em passar por tal momento junto com seu esposo, era algo novo.

Percebeu quando Degel aconchegou-se ainda mais ao seu peito, até aquele presente momento Kardia percebeu que nunca havia parado para olhar os pequenos detalhes de seu esposo, como os lábios pequenos e rosados feitos perfeitamente que mostravam para si o mais lindo sorriso do mundo, os olhos, aqueles olhos eram algo impossível de não perceber, possuía de fato uma cor única voltada para um roxo que lembrava o da pedra ametista, sim, sem dúvidas aqueles olhos deviam lembra-lo de uma pedra preciosa, pedra essa que com certeza até combinava com sua personalidade.

Sardas também se faziam presentes pelo nariz e bochechas e também pelos ombros, transmitam um ar de delicadeza a mais para aquele ruivo. Kardia balançou um pouco a cabeça para afastar aqueles pensamentos e principalmente os sentimentos que estavam vindo junto, não poderia estar se apaixonando por Degel, jurou internamente que jamais o amaria e agora estava alí naquele momento prestando atenção em cada detalhe, que tanto o estava puxando. Seu coração até pareceu falhar uma batida ao ouvir uma risada vindo dele.

— Está fazendo cócegas — Degel sussurrou segurando a mãos de Kardia e virando-se um pouco para beija-lo, não entendia bem o motivo, mas necessitava daquilo — É melhor sairmos. Não é bom o bebê ficar tanto tempo assim dentro da água.

— Vai na frente, vou daqui a pouco.
Degel assentiu e saiu da banheira com Aiolia no colo, apanhando seu robe do chão e a toalha do pequeno que estava no cabide seguindo logo em seguida para o quarto onde tudo o que o bebê precisaria já estava na cama. O ruivo já ia começar a vesti-lo até que uma ideia inusitada veio em sua cabeça, sorriu traquinamente olhando para a porta do banheiro de onde seu esposo saía esboçando uma cara de dúvida.

— O que foi?

— Quero que dessa vez você arrume o bebê.
Degel mordeu o lábio inferior sorrindo — Primeiro o banho, agora quer que eu o vista? Degel eu não sou o Manigold, não tenho jeito com crianças.

— Mas não tem mistério — O ruivo pegou a pomada, o talco e passou vestindo a fralda logo em seguida, Kardia apenas observava, a roupinha era diferente. Era um macacão que ganhava a forma de um leão com direito a um capuz que lembrava uma juba.

— Ele vai ficar irritado com essa roupa.

— Não vai não.

Dito isso, Degel sentou-se em uma cadeira pegando o leite que estava dentro de um isopor e passou a alimenta-lo. Kardia foi até a cama pegando tudo do bebê para guardar e seguiu para o closet, aquilo tudo tinha que dar certo, Degel já estava apegado ao pequeno e por mais que não admitisse ele também.

Continua...

Notas finais
Então o que acharam? Conta aí. Só eu que morro de amores imaginando o Aiolia vestido de leãozinho?