Winter Flowers
11 Meu pequeno
Notas iniciais
Narrador onisciente
— Meu pequeno
— Quando eu me casei... Senti-me a "aberração" mais feliz desse triste e ridículo mundo. Nada era maior que meu sorriso naquele dia. Afinal, havia me casado o homem mais lindo que já havia visto, ele era ruivo, tinha os olhos de uma cor indecifrável os lábios eram perfeitos, acho até hoje que fora moldado pelo próprio Deus em pessoa. E além de belo, era um perfeito cavalheiro, nossa primeira vez... Nem sei definir, foi mágico, senti-me nos céus. Nossos dois primeiros anos juntos, nos rendeu duas lindas criança, incrivelmente parecidas comigo mas lembravam bastante minha mãe. Eu passei pelo menos mais um ano e poucos meses sem engravidar até, que com meu terceiro filho a desgraça veio junto e começou a tomar conta da minha vida. Meu esposo morreu em um acidente de carro, horas após conhecer nosso último filho, ele havia ficado tão feliz Degel era extremamente parecido com meu esposo, parecia ser até um pequeno clone.
— Senhor Krest — Um jovem Ninshin o chamou — O que aconteceu com seus outros filhos?
— Serafina se casou com um rapaz e se mudou para Portugal tem um ano, já Unity está nos Estados Unidos cuidando de um dos meus teatros desde de seus 16 anos.
— Como conseguiu sua independência de todas as leis que cercam os Ninshin? — Outro perguntou.
— Me casei com uma mulher três anos depois da morte do meu marido.
— O que aconteceu com ela?
— Decidiu que já estava na hora de se desligar da minha família e seguir sua carreira em um outro país.
— Algumas pessoas dizem que você odeia seu filho mais novo, e o criou a força — Ante aquela pergunta Krest ficou irritado, virou-se para onde ouvira a voz feminina.
— Não odeio meu filho, Garnet, o que quer aqui?
— Vim ver meu bebê e acabei descobrindo que ele realmente se casou com um maldito Halston.
Krest começou a rir e dispensou seus garotos seguindo junto com a mulher para dentro de seu escritório— O quer aqui?
— Já disse, vim ver o Degel estava na esperança de casar ele com um rapaz que eu conheci...
— Você não tem direito algum sobre o MEU filho, até hoje me arrependo por acabar casando com você.
— Você é tão idiota Krest, merece todo sofrimento do mundo, pensa que não guardei na memória tudo de ruim que fez a Degel? A forma como mimava Serafina e Unity e esquecia do coitado o trancando no quarto por dias sem comer nada, o batendo, chamando de nomes horríveis.
— CALE A BOCA! — Krest esbravejou querendo estapear a mulher que estava a sua frente.
— Você só merece o desprezo, Krest é até impossível de acreditar que Lugonis seja seu irmão e que uma criatura tão doce e gentil como Degel tenha nascido de você, sem dúvidas puxou lado do pai.
— Então você veio aqui apenas fazer pressão psicológica? Saia do meu teatro Garnet.
A francesa saiu com um belo sorriso no rosto, estava a quase uma semana em seu país resolvendo os problemas de um dos seus consultórios de advocacia e logo seguiria para a Grécia, com Degel casado não teria Krest para impedir que ela se aproximasse do jovem Ninshin.
***
Degel acordou durante a noite com o chorinho baixo do bebê, levantou-se rápido na esperança de que Kardia não acordasse, considerou que seu esposo teve um dia cheio, acorda-lo naquele momento seria tortura. Pegou o pequeno no colo, seguindo até a sala tomando um susto ao sentir algo descendo de seu peito e o bebê tentando chegar até lá com a boquinha.
— Isso é leite? — Sussurrou levantando a blusa que usava, viu que aquele líquido tinha uma tonalidade branca muito fraca.
— Degel? — Kardia chamou encostado a porta do quarto observando o esposo ainda muito sonolento — O que está fazendo?
— Não queria te acordar, por isso segui até aqui — Disse abaixando a blusa e ajeitando Aiolia em seu colo.
— O que é isso na sua blusa? Está enlouquecendo o bebê.
— Acho que está saindo leite do meu peito — Degel respondeu observando Kardia ficar de joelhos a sua frente e levantar sua blusa.
— Por que tudo em você está sendo tão rápido? Descobrimos sua gravidez estava com quase três semanas, não havia nem fechado um mês e agora que está perto dos três meses já produz leite? — Kardia falava enquanto tocava o peito de seu esposo fazendo sair mais leite, Degel só não esperava que o grego fosse por a boca lá.
Kardia sugou o líquido com bastante força puxando o suficiente dentro de sua boca, o ruivo deu um gemido baixo de dor e segurou os cabelos de seu esposo — Para tá doendo — Kardia parou e seguiu até o quarto voltando com uma toalha de rosto molhada, passando-a no seio de Degel.
— Vou fazer a mesma coisa no outro, enquanto isso coloca o Aiolia para mamar nesse.
— Não, vai doer muito...
— É melhor que doa muito agora do que daqui a um mês você está sofrendo em um hospital tendo que passar por algum procedimento cirúrgico.
O ruivo assentiu posicionando o bebê em seu peito que rapidamente fora agarrado pelo pequeno, Kardia fizera tudo igual como da primeira vez, sugou com toda força o leite que saía e seguiu até o banheiro voltando com a toalha novamente molhada. O grego quando voltou ficou apenas observando seu esposo dar de mamar, ainda tentava entender o motivo de tudo em seu esposo estar sendo tão rápido, até que algo veio em sua cabeça "Krest pode ter dado hormônios em exceço para ele" pensou.
Já era quase manhã quando Kardia havia deixado Degel na cama dormindo, pegou o bebê inquieto em seu colo muito sem jeito e seguiu até a sala de estar ligando a televisão. Olhou para o pequeno que a todo momento balançava os bracinhos e encarava seu novo pai.
— Por que você não dorme em? — O loiro perguntou sorrindo, deitou-se no sofá deixando o bebê por cima de seu peito e passou a assistir o jornal que passava.
Kardia pensou em Degel, seu esposo passou a noite inteira acordado com o pequeno que insistiu em não dormir, o ruivo confirmou que era cólica após a amamentação.
***
— Por que não acorda ele? Temos que resolver logo isso e com calma.
Defteros perguntou observando Kardia vestir o bebê e pega-lo no colo — Podemos resolver isso levando o bebê ou não. É questão de minutos.
— Minutos se o Hades concordar.
— Ele vai concordar, ainda mais agora que eu sei algumas coisas sobre o esposo dele.
O grego mais novo tinha um sorriso perverso no rosto, pegou o bebê, uma bolsa que havia preparado e saiu da suíte com Defteros ainda reclamando em seu ouvido. O mais velho ainda seguiu até sua própria suíte para dar um beijo de despedida em Asmita.
— Kardia tem certeza que não quer que eu fique com ele?
Perguntou o indiano estendendo os braços na direção do bebê — É melhor Kardia, vamos até voltar mais rápido e você pode aproveitar o tempo com a sua família.
— Asmita, tem certeza? É que em menos de duas semanas você completa os nove meses.
— Tudo bem. Eu aguento. Vou ficar deitado com ele.
O grego a muito contra gosto deixou o bebê com Asmita e seguiu com a cara emburrada para a reunião com Hades — Então, já está apaixonado pelo Degel?
Kardia olhou para trás deparando-se com a mulher mais bonita que já vira em sua vida, mas não era besta sem dúvidas a reconheceu — Garnet Le Rout — Disse e sorriu para a mulher na sua frente que tinha as mãos na cintura.
— Kardia Halston, devo dizer que está muito mais bonito agora, diferente daquele menino franzino que eu conheci quando tinha nove anos — A francesa brincou gargalhando junto com Defteros.
— Perdoe-me a pergunta mas o que veio fazer aqui, senhora Le Rout?
— Vim ver o meu filho e aproveitei para visitar o Hades, seria interessante relembrar os motivos de eu odia-lo, vamos entrar?
Kardia junto de Defteros e Garnet entraram na mansão de Hades, foram recebidos por um empregado que os guiou para o escritório.
— Fico feliz em revê-los Halston, Chandler, admito que é uma surpresa muito agradável encontra-la senhorita Le Rout — Disse Hades aproximando-se de Garnet e pegando sua mão para beija-la.
— A quanto tempo não? Mas eu gostaria muito de falar com o seu esposo.
— Com o meu.. esposo?
— Sim, onde ele está?
Garnet tinha um sorriso aparentemente meigo na direção de Hades — Ele está no quarto com as damas de companhia.
— Ah, ótimo, vou visita-lo — a morena saiu seguindo até Kardia — Vou esperar lá fora, ainda quero ver meu filho...
Todos olharam em direção a porta por onde um moça entrou desesperada — Senhor Hades, senhor Hades!
— Acalme-se mulher, o que aconteceu?
— Senhor Ágape está entrando em trabalho de parto, ele está sangrando muito.
O grego sentiu seu coração quase parar e ignorando tudo correu até o quarto de Cardinalle, os três visitantes ficaram sem saber exatamente o que fazer então decidiram que era melhor seguir Hades. O esposo de Hades estava deitado na cama quase desfalecido, estava pálido e suado, os lençóis e até mesmo o "vestido" que usava estavam ensanguentados. Seus lábios tremiam a medida que colocava força para que a criança saísse, as criadas ou damas como Hades chamara, estavam desesperadas rodando de um lado para o outro em busca de algo que ajudasse a aliviar a dor.
— Vocês são médicos, ajudem ele!! — Hades gritou com Kardia e Defteros que pareciam acabar de sair de um transe.
— Eu sou cardiologista — Kardia defendeu-se levantando as mãos.
— E eu fisioterapeuta — Defteros fizera o mesmo.
— Ah por Deus — Garnet revirou os olhos e entrou no quarto ficando próximo a cama onde o Ninshin jazia quase chorando com medo de perder o bebê — Hades, saia do quarto.
— Não! — Gritou o grego indignado assustando seu esposo.
— Saia Hades! Está deixando seu esposo mais nervoso.
O moreno iria gritar com Garnet novamente, mas sentiu Kardia e Defteros o puxar para fora e fechar a porta. A francesa mirou o grávido a sua frente e sorriu, aproveitou que não tinha nenhuma das damas por perto e soltou seu veneno.
— Deveria te deixar morrer Cardinalle, não acredito que se apaixonou por Hades!
— Cala a boca... Gar...net e... Me ajuda, por favor — Cardinalle gritou quando novamente fez força.
— Você só vai me escapar dessa vez, por causa da criança — Garnet respondeu ajeitando as pernas do "moreno" e melhorando sua posição na cama — Respira fundo, prende um pouco o ar e depois solta aos poucos.
Cardinalle obedeceu — Agora empurra com toda sua força!
Novamente o "moreno" gritou entregando-se as lágrimas, Garnet o mandou que empurrasse mais uma vez, já conseguia ver o bebê, nesse momento as damas ao redor comemoravam, e já preparavam tudo para pegar o bebê, Cardinalle empurrou uma última vez finalmente conseguindo colocar o bebê para fora de si.
— É uma... Menina? — Perguntou emocionado, ouvindo o primeiro chorinho.
— Sim — Respondeu Garnet cortando o cordão umbilical com a tesoura que lhe fora entregue, levou a pequena até a bacia de água morna lavando-a e enrolando para entregar ao "moreno" que já estava desesperado.
— É tão parecida com Hades — Cardinalle sorriu beijando a testa da pequena em seu colo — Por que nasceu tão pequena? Parece até uma bonequinha.
— Talvez por ter nascido prematura senhor Cardinalle — Uma dama respondeu sorrindo.
— Tem razão, vá chamar meu esposo, por favor.
Garnet sorriu e saiu do quarto quando Hades entrou, seguiu até Kardia e Defteros e os chamou para saírem da mansão. Estava ansiosa para ver Degel, queria saber se sua barriga já estava grande, ou se já sentia todos os sintomas da gravidez. Tinha raiva, por ter sido afastada dele daquela forma, era o único refúgio que o ruivo tinha quando era mais novo. Era no conforto de seus braços que seu filho deixava todas as lágrimas caírem, e toda sua dor parecia ir embora.
"Degel" pensou sentindo lágrimas brotarem em seus olhos quando entrou em seu carro. Os dois grego seguiram na frente em outro carro. Assim ela poderia simplesmente pensar em tudo mais confortávelmente. Odiava Krest por tudo que ele fizera consigo e com Degel, odiava o mundo por tratar os jovens Ninshin de forma tão bruta, malgrado não podesse torturar lentamente todos os membros do conselho Mundial, todos aquele monstros que criavam leis horríveis que se aplicavam em todo o país.
Finalmente as lágrimas caíram "Por que eles me tratam assim mamãe?" Ouviu a voz desesperada de Degel em sua cabeça, nesse dia o ruivo ainda era adolescente estava perto de completar seus quinze anos e ainda era tratado como um verdadeiro lixo por toda família, tirando apenas ela, Albafica e Lugonis – que vivia longe – Serafina e Unity sempre davam um jeito de o atormentar, rasgavam seus livros ou suas roupas favoritas, bagunçavam seu quarto ou o prendiam em algum lugar escuro. Uma vez, os dois "pequenos monstros" como apelidou, tiveram a ousadia que tentar afoga-lo, se caso Garnet não tivesse chegado a tempo seu doce filho estaria morto agora.
"Mamãe está voltando meu bem." A francesa disse em pensamento, finalmente sorrindo.
***
Quando os três chegaram na suíte, Asmita servia um chá para Aspros e Degel não se encontrava na sala, na verdade era possível ouvir duas vozes infantis vindo do quarto, enquanto o ruivo tentava conter o bebê que chorava enquanto tinha a fralda trocada.
— Bem vindos de volta — Asmita disse sorrindo mirando o seu esposo e Kardia parando seu olhar em Garnet. Era claro que a francesa não deixava passar nada de sua vista, percebeu a bochecha de Asmita um pouco inchada e vermelha, assim como seus braços estavam marcados e as pernas um pouco trêmulas, medo. Medo era o que definia o loiro indiano naquele momento.
— Andou apanhando meu bem? — Perguntou sem discrição alguma, fazendo Asmita engolir a seco e Aspros sorrir.
— Sim, ele apanhou para deixar de ser um insolente, mal educado e mal agradecido — Aspros – que agora estava com os cabelos pretos – respondeu sem desviar o olhar da mulher a sua frente.
— Bom saber — Respondeu simplesmente, seguindo até a porta de onde ouvia a voz de seu amado filho. Apenas esperou um minuto para abri-la e deparar-se com a cena mais linda que já vira. O ruivo dava de mamar para um bebê sentado em uma cadeira ao lado da cama, enquanto contava uma história para duas crianças deitadas, quase dormindo — Eu poderia morrer agora que iria feliz.
— Mamãe...
Degel virou um pouco a cabeça para mirar a porta e encarar a mulher que a tempos desejava rever. O ruivo permitiu que as lágrimas caíssem vivas por seu rosto, a mulher correu ao seu encontro o abraçando fortemente sem sentir a menor vontade de solta-lo — Eu senti tanto a sua falta meu amor, não tem ideia do quanto eu sofri tendo que ficar longe de você.
— Achei que tivesse me abandonado...
— Eu jamais abandonaria você! É meu único filho, não tem ideia do quanto eu te amo meu bem. Sem você ao meu lado o tempo todo minha vida não tinha sentido.
— Fica aí tá bom — Ambos os franceses olharam para a porta onde Manigold aparecera junto com Asmita que estava aos prantos.
— Asmita! O que houve por que está chorando de novo?
— Eles estão brigando por minha culpa — O loiro parou chorando no meio do quarto tocando sua barriga, sentia tudo doer, seu quadril, o ventre e tudo por dentro parecia ser apertado por uma mão enorme. Seu coração estava ficando aos pedaços a cada palavra que ouvia do lado de fora do quarto, por sorte Manigold e Kardia estavam lá caso algo desse muito errado.
— Não chore meu bem a culpa não é sua — Garnet seguiu até Asmita puxando-o para a cama e o abraçando. — A culpa é daquele brutamonte que te bateu.
Asmita assentiu, acariciava a barriga olhando-a tristemente, aquela briga entre Aspros e Defteros só acabaria quando um dos dois desmaiasse. Os três assustaram-se quando a porta abriu de uma vez e Aspros passou por ela irritado querendo chegar até o loiro, Garnet ficou na frente e os meninos acabaram acordando com a zoada que se passava no quarto.
— Vem aqui sua porcaria! Agora!
Aspros gritava tentando chegar em Asmita, mas com Manigold e Kardia o segurando e Garnet com a agora Defteros na frente o protegendo, a situação havia ficado complicada, o plano do gêmeo mais velho era esmurrar a barriga do indiano até que a criança nascesse morta e ele morresse perdendo sangue.
— Aspros, já chega! — Kardia gritou o segurando pelo pescoço e apertando — Se você machucar mais o Asmita não vai existir justificativa alguma para que você não seja preso. Agora para!
Degel estava parado no canto segurando o bebê contra seu peito e contendo as lágrimas o máximo que podia, Kardia o encarou por breve minuto e decidiu acabar logo com aquilo, agarrou Aspros com mais força e o derrubou o chão fazendo-a bater fortemente com a cabeça no chão e desmaiar. O grego mais novo seguiu até seu esposo o abraçando para que não sentisse tanto medo.
— Vai ficar tudo bem — Naquele momento todo o barulho que estava no quarto pareceu sumir, era apenas os dois, um olhando para o outro sentindo uma enorme conexão. O medo sumiu da face de Degel deixando uma mais tranquila.
***
Depois de alguns dias os dois casais desembarcavam na Índia acompanhados de Garnet e Manigold, Aspros havia decidido não ia mais realizar o parto de Asmita e desapareceu da Grécia deixando seus filhos aos cuidados do irmão mais novo.
— Estou feliz em finalmente chegar na Índia, mal vejo a hora de nosso filho nascer — Asmita disse sorrindo aconchegando-se na cama com a ajuda de seu esposo, já era noite e o loiro indiano já havia matado a saudade que sentia de sua família, com a ajuda de Defteros sua mãe, seu pai, sua avó e seus irmãos tinham uma casa muito melhor bem na capital indiana e até novos empregos.
— Também estou ansioso — Respondeu o grego levantando a blusa que seu esposo usava para ver a barriga e beija-la — Tem certeza que quer o parto normal? Sabe, eu acho melhor e mais seguro o cesariano.
— Amor, eu quero o parto normal. Seguiremos como o combinado, se der algo errado tem o Manigold aqui para me levar ao hospital e realizar a cesariana. Mas, por Buda, que nosso bebê nassa tranquilo no parto normal.
— Aquele maluco disse que o bebê não é tão grande, vai passar tranquilo, não se preocupe — Defteros sorriu indo na direção de Asmita e tomando-lhe os lábios em um beijo rápido — Vou tomar um banho, a porta vai ficar aberta caso você precise me chamar.
Asmita assentiu mirando a porta por onde Manigold passava com uma bolsa nas mãos e uma caderneta — Vou fazer seus exames agora e daqui a pouco examinar aquele francês desesperado — O loiro riu ajeitando-se na cama para inciar os exames.
***
Degel mirava-se no espelho com cara de choro, havia acabado de fechar os três meses e sua barriga nem endurecia, fungou uma vez, sentia medo de perder o bebê ou que ele já estivesse morto. Kardia dissera várias vezes que se o bebê estivesse morto o ruivo estaria se desmanchando em dor e sem dúvidas sangraria muito.
— Degel chega de paranóia, você precisa estar relaxado para quando Manigold chegar aqui no quarto — O grego brigou com seu esposo enquanto sentava na cama ao lado de Aiolia que já dormia tranquilo e bem agasalhado.
— Não consigo ficar tranquilo — Degel respondeu deitando-se do outro lado da cama ajeitando a manta que cobria Aiolia.
— Degel para a sua barriga crescer normalmente como em todo Ninshin e mulher, você primeiro tem que se alimentar direito.
O ruivo apenas assentiu e novamente tocou sua barriga. Nem se deu conta quando apenas fechou os olhos e dormiu sonhando as piores coisas possíveis.
"Você é ridículo Degel" fora uma das coisa que escutou ao sonhar com seus irmãos.
O ruivo estava andando pelo jardim de sua casa, estava nos seus 12 anos e pela primeira vez estava sozinho, longe de seu pai e seus irmão, ambos estavam em uma sala conversando algo sobre o casamento de Seraphina, coisa que a irmã mais velha dissera que não dizia respeito a "certas aberrações que só trouxe desgraça para a família". Degel queria não se importar com esses comentários, mas era inevitável, sempre o atingiam de forma terrível.
Por fim Degel apenas sentou-se próximo às camélias e ficou aspirando aquele aroma maravilhoso. Teria continuado sozinho naquele momento de paz se não fosse pelo forte impacto do chute dado em suas costas, sentiu uma dor horrível, as lágrimas começaram a descer e o ar faltou.
— Foi você não foi? — Seraphina gritou chutando as costas de seu irmão mais uma vez e jogando um colar quebrado contra seu rosto.
— Foi... Foi eu... o que? — O ruivo perguntou com dificuldade sentando-se no chão.
— Quebrou a corrente da sua irmã Degel?
— Não... Papai, eu jamais faria isso...
— Mentiroso — Foi a vez de Unity surgir na conversa — Ele ficou com inveja do noivo da Seraphina, por isso quebrou a corrente.
— Inveja é uma coisa horrível Degel — Krest falou puxando o filho mais novo pelo braço com muita força — Vai apanhar por isso.
— Espero que nunca consiga engravidar, seu mentiroso — Seraphina gritou — Vou achar bem feito se seu esposo te jogar na ilha dos porcos e te classifique como inválido!!
— Papai, eu juro que não fiz isso, jamais o faria, por favor não me bata — Degel implorava tentando se soltar a todo custo das mãos de seu pai.
Krest batia o cinturão com toda força contra as costas e nádegas de seu filho mais novo, despejava toda sua raiva alí, ignorando o fato de que seus outros filhos olhavam da porta rindo da situação do mais novo. Seraphina pôs a corrente em seu pescoço mostrando para o ruivo que a encarava, que na verdade não estava quebrada. Garnet chegava naquele exato momento acompanha de Lugonis e Albafica, a francesa surtou ao ver seu esposo fazer aquilo com Degel, correu até os dois e o empurrou puxando seu "bebê" como chamava e gritando várias vezes com Krest chamando-o de monstro enquanto levava o ruivo para seu quarto, que encontrava-se destruído.
Assim que Krest surgiu na porta batendo em Garnet e jogando os dois no chão...
Degel acordou desesperado, estava suando e as lágrimas caíam. Aquele sonho, ou melhor, aquela lembrança era do pior dia de sua vida, era como se ainda sentisse a dor que seu pai o infligia, as implicâncias de seus irmãos. Tudo viera de uma vez só, todas as lembranças de sua vida horrível. Chorou alto e soluçou, tudo a ponto de fazer Kardia acordar atordoado, levantando-se rápido da cama e dando a volta para ficar ao lado do esposo que nem o olhava apenas chorava.
— Degel, olha pra mim, está sentindo dor? — Perguntou ainda tentando raciocinar direito. O ruivo nada disse apenas continuou a chorar — Vou chamar o Manigold...
— Não, não sinto dor, fica aqui...
— O que você tem? — Kardia quis saber sentando-se a frente do ruivo enxugando suas lágrimas.
— Tive um pesadelo horrível.
Kardia o abraçou sorrindo, achando boba aquela atitude de chorar tanto — Degel, pesadelos não são reais...
— O meu foi...
O francês passou a explicar para seu esposo sua história, contou como foi sua vida e a forma odiosa como seu pai o tratava, por isso tinha medo de Kardia um dia o abandonar, não queria ficar sozinho tendo que lidar com seu pai novamente.
— Me desculpa falar, mas... Seu pai é um monstro, ele, ele batia na senhora Garnet, te deixava dias com fome... Que monstro!!
Kardia passou a andar pelo quarto passando as mãos no rosto e mirando seu esposo que parecia mais calmo — Vou chamar o Manigold aqui pra te examinar... Já volto.
Com pouco tempo Kardia voltou acompanhado de seu irmão sonolento, Degel tentava fazer o bebê dormir novamente mas era em vão o pequeno queria o peito e fora o jeito o ruivo da-lo de mamar enquanto os dois Halston conversavam.
— Está sentindo dor? — Manigold perguntou sentando-se ao lado do ruivo, Kardia havia pego Aiolia e tentava faze-lo dormir.
— Não.
— Os enjôos já pararam ou você ainda sente alguma ânsia?
— Mais ou menos, só vômito quando como algo que faz mal.
— Certo, vou apenas tentar ouvir o coração do bebê, o aparelho portátil que eu tenho aqui não serve para transmitir a imagem.
Degel assentiu deitando-se melhor e levantando a blusa, antes de encostar o aparelho Manigold apalpou sua barriga tentando sentir o bebê — Hm isso faz cócegas — O ruivo conteve a vontade de rir.
— Normal — Manigold também sorriu e em fim encostou o aparelho na barriga de Degel, tentando encontrar o local certo e ajustando o som. Começou a ficar preocupado por não encontrar o lugar é parou por um minuto mexendo no parelho, sabia que estava funcionando, a algumas horas havia usado em Asmita e ouviu bem os batimentos — Merda.
Aquele sussurro de Manigold, fez Degel olhar para Kardia desesperado — Fica tranquilo — Disse o grego.
Novamente o italiano encostou o aparelho na barriga e nada, nenhum batimento ou qualquer som, deixou de lado e voltou a tocar a barriga sentindo o bolinho alí — Preciso tocar o Degel — Falou seriamente mirando o irmão mais velho que assentiu dando o consentimento — Degel preciso tire a calça e deixe as pernas bem abertas, pode cobrir com o cobertor se quiser.
O ruivo concordou muito nervoso, ficando algum tempo depois do jeito mandado, Manigold havia colocado uma luva em sua mão esquerda e passando uma espécie de gel. Colocou a mão por debaixo do cobertor e introduzindo-os dentro do ruivo que conteve o gemido de dor. Quando Manigold os tirou tomou um susto ao notar o sangue alí, retirou as luvas jogando-as no lixo e pegou o celular discando um número e telefonando logo em seguida — Vou te internar imediatamente.
O coração tanto de Degel como de Kardia pareciam falhar as batidas. O grego imediatamente deixou o bebê com Garnet e seguiu para uma ambulância que chegara junto a Degel e Manigold, o ruivo chorava muito nos braços do esposo.
***
— Então, o bebê tá morto?
Kardia perguntou quando Manigold voltou para o quarto várias horas depois — Não.
O casal sorriu aliviado, mas o semblante sério do italiano, deixara os dois calados — Qual a complicação?
— A gravidez a partir de agora é de alto risco, Degel, essa criança pode nascer morta, você pode morrer durante o parto se for normal ou cesariana, ou então se ele nascer vivo, poderá ter algum problema grave. Por isso, eu indico, que você realize um aborto.
— Não — O ruivo respondeu tocando a barriga.
— Degel é um alto risco ficar com a criança...
— Não! Não vou abortar! Prefiro arriscar e se... E se de repente ele nascer bem? Normal, como uma perfeita criança saudável?
— São mínimas as possibilidades dessa criança nascer saudável ou até mesmo viva.
— Manigold, nós vamos arriscar.
Kardia respondeu mirando o esposo, sorriu tristemente e virou o rosto para olhar a vista pela janela do hospital.
A criança vai nascer bem, era essa a certeza que o casal tinha.
Continua...
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