Notas iniciais
Como eu disse provavelmente teremos capítulos diários! Estarei publicando esse por hoje e o próximo ira sair apenas na segunda se me sobrar um tempo, mas não se preocupem dessa vez serei mais responsável e não deixarei a fic abandonada por muito tempo. Mas quero muito agradecer a linda e maravilhosa Vasilisa Athena Dragomir(Acho que escrevi certo rs) por recomendar a minha fic! Muito obrigada mesmo você foi a primeira e com certeza eu estou muito feliz e isso prova sua consideração pelo meu trabalho muito obrigada mesmo! * Capítulo não betado então pode ter aqueles errinhos que ninguém gosta.

Não hà medo

Narrador Onisciente

Já completava duas semanas que estavam na Grécia, Kardia havia informado que passariam dois meses inteiros e logo depois viajariam para a Índia, já que Asmita havia quase implorado para seu marido pedindo que o bebê nascesse em seu país. O grego mais velho não resistiu e simplesmente aceitou, pedindo a Kardia para viajarem.

Degel naquele momento sentava na cama sonolento e um tanto dolorido, mordeu o lábio inferior e sorriu lembrando da noite anterior, havia feito amor com seu esposo na praia e pouco tempo depois no resort. Levantou-se devagar colocando para fora da cama um pé de cada vez até ficar sentado, ficou um pouco corado ao perceber que estava totalmente nú e com as marcas da noite anterior bem visíveis.

O ruivo sorriu mais uma vez e tocou sua barriga, queria ver logo como ficaria com ela grande e Kardia também por mais que não admitisse, Degel já sentira a mão de seu esposo passear por sua barriga enquanto "dormia" e também o ouvia sorrir. Em um desses momentos o grego até a beijou logo em seguida virando de costas para dormir. É, sem dúvidas Kardia era um cabeça dura, jamais admitiria sua felicidade com aquela gravidez e muito menos seus sentimentos por Degel, mesmo que ainda não fosse amor era notório que o grego já guardava algum sentimento.

Degel finalmente saiu de seus devaneios quando sentiu uma terrível tontura — Lá vamos nós de novo, não é? — Murmurou mirando sua barriga, os enjôos já estavam tornando-se parte de sua rotina assim como a insistente tontura, chegara a desmaiar umas duas vezes agradecendo a Deus por terem sido na suíte.

"Preciso de um banho" pensou tentando levantar. Mas ao pisar no chão frio não aguentou o peso do próprio corpo e caiu. Tentou levantar mas sem sucesso, e quando em fim conseguiu foi novamente de encontro ao chão. Kardia por sua vez entrou correndo no quarto indo até Degel — Você está bem?

O ruivo assentiu cobrindo sua nudez com as mãos — Eu queria ir ao banheiro e tomar um banho, mas... Não estou conseguindo me levantar.

— Pelo visto eu te dei um belo trato ontem à noite — Kardia sorriu malicioso já sentindo uma pontada no baixo ventre. Mas decidiu ignorar. Pegou seu esposo no colo e seguiu até o banheiro — Você é muito leve, tem que comer mais.

— Já me acostumei a comer pouco — Degel respondeu, o grego o deixou de pé próximo ao box do chuveiro ainda segurando sua cintura enquanto retirava o short de malha que usava.

— Mesmo assim, vai comer por dois agora quero que o nosso bebê nasça saudável.

— Certo — O francês passou a mirar o chão sem jeito, teria que sempre lembrar que agora era casado com um médico, ou seja, Kardia sempre chamaria sua atenção quando fizesse algo que não fosse saudável para o bebê — Vai tomar banho comigo?

— Sim, estava me exercitando junto com o Defteros enquanto você e o Asmita dormia.

Kardia sorriu docemente puxando Degel para dentro do box e o beijando, o ruivo sem dúvidas impressionou-se com aquele sorriso, era certo que seu esposo nunca mais o tratara mal ou fizera algo que o decepcionasse, mas aquele sorriso era algo completamente novo. Decidiu ignorar e retribuir o beijo agarrando-se ao pescoço do loiro para não cair novamente.

Degel foi quem apartou aquele beijo, sentiu uma tontura leve e já começava a suar. Kardia notando que o esposo começava a passar mal ligou o chuveiro e o colocou debaixo do mesmo para sentir a água fria — Quando eu saio durante a manhã, você chega a vomitar? Pegou abuso de alguma comida ou algo te fez mal?

— Carne me fez mal, ontem eu Asmita almoçamos a sós lembra? Eu tentei te contar mas você não parava de xingar o Hades e o Radamanthys, e quando finalmente parou me fez entra no mar.

Kardia apenas assentiu, Degel pôs a mão na boca e fez força para não vomitar, mas foi em vão, acabou soltando "o nada" que estava em deu estômago, o grego segurou os cabelos ruivos para que não o sujasse e ficou de joelhos ao seu lado.

— Que sensação horrível — Degel murmurou encostando a cabeça no peito de Kardia, respirava rápido e segurava sua barriga, novamente a sensação voltou, sentia uma agonia tão grande que não percebeu quando molhou os cabelos pondo sua cabeça para frente soltando novamente o vômito.

Depois de alguns minutos Kardia o ajudou com o banho e mais algumas coisas da higiene do ruivo, terminando também o seu banho depois de deixa-lo sentado na cama penteando os cabelos. Quando saiu do banheiro sentiu o frio horrível dentro do quarto, Degel estava próximo ao ar-condicionado diminuindo cada vez mais a temperatura. Seguiu a passos rápidos para pegar o controle mas o ruivo esquivou tentando correr até cama, Kardia por ser mais ágil o alcançou, agarrando-o pela cintura conseguiu pegar o controle.

— Poxa Degel, você deixou esse quarto frio demais — O grego disse colocando o ar em uma temperatura mais agradável — Eu sei que está quente lá fora, mas não precisa exagerar.

O loiro virou-se deparando com o esposo corado e segurando as lágrimas o máximo que conseguia, embora, algumas ainda insistisse em cair — Vai chorar por causa disso? — Kardia perguntou incrédulo, Degel por sua vez quase não estava aguentando-se de pé, cambaleou um pouco para frente sentindo os braços de seu esposo em torno de sua cintura. Tudo ficou escuro.

Acordou sentindo uma leve tontura. Estava deitado em sua cama coberto por um edredom, e ao seu lado Asmita estava deitado assistindo algo no celular de Defteros com a mão na barriga acariciando-a — Asmita — Chamou com a voz rouca.

O loiro levantou a cabeça rápido dando descanso no celular e sentando-se. — Está tudo bem? Sente alguma coisa? — Degel negou, a tontura já havia passado e não sentia mais os enjôos.

— Onde está o Kardia?

— Ele ligou para o Manigold relatando tudo o que está acontecendo com você, e ele recomendou algumas vitaminas para gestante e um chá que vai aliviar seus enjôos — Respondeu o indiano, vendo seu amigo apenas assentir — Kardia pediu que quando acordasse eu te ajudasse a comer. Caso ele ainda não tivesse chegado.

— Não quero comer.

— Mas você passou o dia todo sem comer apenas dormindo, isso faz mal para o bebê!

— Asmita, eu não quero comer.

Degel finalizou a conversa levantando-se da cama e seguindo até o banheiro, por sorte não estava tonto ou com vontade de vomitar. Notou que estava vestido apenas com uma blusa preta de Kardia, pensou que talvez o esposo o tivesse vestido após desmaiar.

O ruivo passou pelo menos vinte minutos dentro do banheiro apenas olhando-se no espelho — Degel! — Ouviu a voz grave de seu esposo, acompanhado de batidas fortes na porta.

Saiu um pouco receoso, sabia que Asmita havia falado que recusou-se a comer — Você está grávido! Não seja tão irresponsável, Degel! — O grego despejou descontrolado, esperava que seu esposo falasse algo, mas não, o ruivo mantinha uma expressão neutra e apenas o encarava fixamente "Por que ele está agindo assim?" Pensou, pôs as mãos na cintura apoiando-se em uma perna e mirou o chão.

— Me desculpe, só não sinto vontade de comer nada, mas me importo muito com o bebê — Novamente, lágrimas começaram a cair pelo rosto corado de Degel.

Kardia sentiu um pequeno aperto no peito, não era sua intenção fazer o esposo chorar — Não precisa chorar — O loiro o abraçou até que se acalmasse e quando ocorreu seguiram juntos até a sala de jantar onde tinham alguns lanches que talvez Degel gostasse — Pedi de tudo um pouco para você, agora nem que seja um único morango eu quero que coma, ok?

***

O relógio marcava seis e meia da noite enquanto Kardia terminava de ajudar Degel com um Kimono mais simples, que não exigia tantas amarras. As sete ambos teriam que seguir para mais uma "festa" com aquelas homens terríveis ou como Degel preferia chama-los "monstros", o ruivo muito implorou para seu esposo para que ficassem apenas em casa, mas a resposta sempre era a mesma, não.

— Por que não podemos ficar? É horrível estar na presença daquelas pessoas — Mais uma vez tornou a resmungar.

— Degel, essa é a última vez que eu falo, nós temos que ir por causa do meu trabalho e ponto! — Kardia respondeu pondo fim aquela conversa.

Quando já estavam no deck da piscina, os dois gregos sentaram-se com alguns conhecidos esperando Hades chegar, enquanto Degel e Asmita seguiram para junto de alguns Ninshin que estavam sentados um pouco mais afastado, ambos foram muito bem recebidos e rapidamente envolveram-se na conversa.

— É verdade que ia participar de um filme mas desistiu por conta de seu casamento? — Um garoto que parecia ter no máximo 16 anos perguntou a Degel.

— Mais ou menos — O ruivo respondeu quase em um sussurro — Após o nascimento do meu filho vou decidir se embarco no cinema de vez ou se continuo apenas no teatro.

— Eu já assisti uma peça sua, achei lindo sua atuação junto com seu primo.

Outro disse e Degel apenas sorriu.

— Eu sempre quis ir a algum dos teatros Linnet, mas meu marido não gosta — Foi a vez de uma garota falar.

— É verdade que dizem que você e seu primo odeiam ser comparados com mulheres?

Rapidamente todos na roda começaram a falar e perguntar a mesma coisa de forma diferente — É verdade. — A resposta do francês calou a todos — Não deixo de ser homem por poder engravidar, somos injustiçados a todo momento, muitos de nós são mortos a todo instante, tudo isso por que? Apenas por puro ódio ridículo!

— Mas na verdade muitos Ninshin adoram ser tratados como mulheres — O esposo de Hades apareceu atrás do ruivo sorrindo — Degel, sugiro que pare com isso, um dia, vai acabar amargurando como acontece com muitos de nós. Talvez um dia tudo isso mude, ou não, talvez todos nós que estamos vivos nesse momento com esses bebês em nossos ventres, não estejamos vivos para ver e apreciar o gosto da liberdade, o que é muito triste. Mas... O que eu sugiro, usem tudo o que fora ensinado para cada um de vocês, façam o que eles mandarem sem questionar e poderão viver nem que seja um pouco, felizes.

As palavras do esposo de Hades fizeram todos ficarem calado, exceto Degel — Tenho quase que totalmente certeza que teu esposo te fez algo na primeira noite em que nos conhecemos.

— O que está insinuando, Degel Halston?

— Nada demais Ágape, é esse seu nome não é? — Degel sorriu notando o outro arregalar um pouco os olhos e engolir a seco — Mas sinceramente peguei uma certa dúvida se o complemento deveria ser Cardinale Linnet. Ágape era apenas seu apelido dado pelo seu irmão Albafica ainda muito jovem. Mas me pergunto, primo, não tem vergonha de ter abandonado sua família para viver esse amor sem sentido?

— Acho que está enlouquecendo, vou chamar seu esposo — Quando o moreno ia levantar-se Degel segurou seu braço firmemente e o fez olhar para sí.

— Admito que demorei um pouco para te reconhecer de cabelo preto, mas seu jeito realmente não mudou — Disse o ruivo — Tio Lugonis ficou desesperado atrás de você quando foi embora, todos ficamos, ele achou que você havia sido sequestrado e que coisas horríveis poderiam estar te acontecendo.

— Eu não ligo, odiei cada minuto que papai decidiu me casar com Manigold. Eu o achei o homem mais belo que havia visto em toda minha vida, mas o olhar que ele mandou para Albafica quando o viu em uma das vezes que nos encontramos, deixou-me altamente irritado, por esse motivo decidi pegar algum dinheiro e fugir, pintei os cabelos e por ironia do destino, encontrei com Hades que me acolheu.

Degel riu em deboche — Aí vocês inventaram toda aquela história idiota? Por isso não aparece na televisão? Ou quando algum paparazzi os persegue por aí, você está sempre com o rosto coberto. — Novamente o ruivo riu, naquele momento franzindo o cenho — Realmente, um pedaço de merda como você não merece um homem como o Manigold, ainda bem que fugiu, assim Albafica poderá ter uma vida feliz de verdade ao lado de quem ama.

O tapa sonoro que Degel recebeu no rosto fora tão alto que chamou a atenção de todos que estavam por perto incluindo Kardia que seguiu a passos rápidos impedindo que "Ágape" deferisse outro tapa em seu esposo. Todos estavam horrorizados com aquela cena, apenas Asmita ouvirá e prestara atenção em tudo oque foi falado já que estava bem ao lado de Degel, este que tocou o rosto bem no local onde estava vermelho e ardendo, mas não deu o braço torcer, mirou seu primo com o melhor olhar de ódio que conseguiu e ficou de pé.

— Eu vou destruir você... — Murmurou segurando a mão de Kardia e o encarando em um pedido silencioso para ir embora.

O grego soltou a mão de "Ágape" e chamou Asmita e Defteros com um movimento de cabeça para seguirem de volta ao quarto.

Continua...