Winter Again
2 Capítulo 2: Autumn Equinox Second Act
Notas iniciais
Francis
Provavelmente jamais havia entrado num restaurante como aquele e, certamente, o recepcionista na porta havia notado assim que bateu os olhos em mim.Não que me importasse com aquele tipo de coisa, mas está no Asiate e não parecer no mínimo deslumbrado era impossível.
–Boa tarde, o senhor Ibhrahim está a minha espera.- Falei conforme as instruções que havia recebido pelo celular pré-pago.
Os olhos do homem me analisaram por trás das lentes do seu óculos de grau por alguns bons segundos:
–Um minuto, por favor, nosso mâitre já ira acompanhá-lo até a sala privada onde Sr. Ibhrahim o aguarda.- Disse apanhando o telefone na mesinha alta que nos separava.
Depois de algumas trocas de palavras desligou dizendo para que eu aguardasse um instante.E então me dediquei observar o salão cheio de pessoas que deviam gastar em um almoço quase a metade do meu salário.Também ignorava as voltas que meu estômago dava, me sentia mal pelo que estava prestes fazer.
–Me chamo Edmure, vou conduzi-lo até a sala onde o aguardam.- Disse um sujeito vestido impecávelmente ao se aproximar.
Assenti e o segui sentindo meus ombros mais pesados a cada passo.Sabia o que estava fazendo, mas acima de tudo sabia porque fazia.E aquilo não diminuía minha sensação de culpa.
Já não podia desistir.
Quando o mâitre abriu me convidou a entrar numa sala elegantemente decorada quadros, móveis caros, com uma mesa quadrada com cadeiras para seis pessoas dividindo espaço com uma daquelas cozinhas gourmet.
–Francis, estava ansioso por sua chegada.Vamos, entre você precisa provar essa maravilha que o Thomas criou.- Okay, aquela não era o tipo de recepção que eu estava esperando.-Pato ao molho de laranja sanguínea.- Ele dizia enquanto eu entrava — Um verdeiro manjar, você precisa provar...Infelizmente você perdeu a entrada.Não se importa de começar pelo prato principal, não é?
–Não, claro que não — Respondi duvidando de que conseguiria comer.
–Sente-se, por favor. — Obedeci.
Aquela cordialidade toda nem fazia lembrar que eu estava lá para cometer uma das maiores traições da minha vida.
Talvez começar de uma vez fosse a melhor forma de chegar logo ao fim-Acho que o senhor vá gostar das informações que...
–Calma rapaz, vamos comer primeiro e depois aos negócios.- Ibrahim dizia naquele tom irritante tom amigável.
Se eu tivesse certeza que nada aconteceria a minha família daria um jeito de sair dali, mas eles não mereciam pagar pelos meus erros.Nunca tive opções.
Quando a comida foi servida descobri que seria pior do que imaginava, engolir alguma coisa, por mais bem feita que fosse, seria uma tortura.Ainda sim me forcei a comer e beber do vinho que me foi servido.A sobremesa que nos foi oferecida desceu sem que eu sentisse seu sabor.
–Thomas meu amigo, não é atoa que dizem que você é o melhor de Nova York.- Elogiou, enquanto eu só pensava quando aquilo acabaria.
–Obrigado senhor, é sempre um prazer servi-lo.- O magrelo loiro disse num tom polido.
Ibrahim sorriu -Agora se você nos der licença Francis e eu precisamos falar de negócios.
–Claro senhor, sinta-se a vontade.- E sumiu silencioso por uma porta discretamente localizada no fundo da cozinha.
Com aquele sorriso que parecia ter sido grudado em seu rosto com cola permanente Ibrahim voltou seus olhos para mim.
–Acho que agora podemos ir direto ao que te traz aqui, Francis.E o que você tem que possa me interessar?
–Steve encerrou o caso da fábrica, ele e o Banner tiveram uma reunião com o Bucky e a Serena essa manhã para dá a informação.- Disse sentindo peso nos meus ombros aumentar ligeiramente.- Eles acham que é só mais um caso de contrabando internacional de armas, que o local era usado como depósito.
–Então não passou pela cabeça deles que esse caso possa ter alguma ligação com a Hydra?- Perguntou estreitando os olhos.
–A principio sim, mas a medida que analisavam as imagens do sistema de vigilância iam descartando a possibilidade.Menos o Bucky, ele reviu aquelas imagens tantas vezes que deve ter perdido a conta.Nada tira da cabeça dele que a Hydra está no meio disso.- A comida dava voltas no meu estômago.
–O Capitão me decepcionou, jurei que ele seria mais persistente.- Falou cinicamente.- Mas o Soldado Invernal não, sabia que isso vai ficar na cabeça dele.Rogers pode ter dado o caso por encerrado, mas Barnes vai ficar ruminando a desconfiança.Ele trabalhou tempo demais conosco para saber que de alguma forma a nossa marca estaria lá impressa, mesmo que de forma invisível.
–Barnes não gosta de ser chamado de Soldado Invernal, senhor.- Disse mesmo sabendo que para aquele homem não faria diferente.
–Isso não muda o fato que ele sempre o será, mesmo que tenha mudado de lado.- Sorriu com cinismo.
Bucky
Dois meses depois.
–Você sabe que se fizer isso não vai ter mais volta, não é?Vai ser um boi amarrado.- Stark falou enquanto fazia a manutenção de rotina no meu braço.
– A Pepper sabe que ele fala essas coisas?
–Com certeza não.- Bruce falou.- O Tony é um boi amarrado, então pode ignorar.Quando pretende comprar as alianças?
–Assim que acabar isso aqui.Serena e Natasha estão ocupadas aquele grupo de novos agentes, acho que consigo sair sem chamar atenção.- Falei no mesmo momento que Stark pediu para que movimentasse o braço.-Só preciso de sugestões de joalherias bacanas.
–Com isso não posso ajudar.
Stark me olhava como se estivesse prestes a fazer a maior loucura da minha vida.Como se tudo que havia acontecido nas últimas décadas, entre hibernar e acordar para assassinar pessoas, fosse o que havia de mais normal.A vida estava me dando uma nova chance e, eu não iria desperdiça-la por nada.
–Seu braço está novinho em folha, Soldadinho de Chumbo.- Ele anunciou.
–Obrigado, Bunda de Lata.- Disse levantando da cadeira onde me encontrava e indo vestir minha camiseta jogada na mesa de experimentos do Banner.
–E como eu sei que você não vai tirar essa ideia da cabeça.- Stark dizia enquanto me voltava para ele-Bem, aqui está o endereço de um joalheria no centro que a Pepper é cliente.- E me entregou um cartão elegante onde estava escrito "Piaget" e um endereço.
–Obrigado. — Apanhando minha jaqueta de couro largada no espaldar de uma cadeira próxima.
–Depois só não venha me dizer que está arrependido.
–Pode ter certeza que não vou me arrepender.- Afirmei me dirigindo para fora do laboratório.
Minha missão naquele momento era sair do QG sem chamar atenção de Serena, ou caso a encontrasse conseguisse dar uma desculpa no mínimo convincente.Contudo, quando se tratava dela minhas desculpas pareciam sempre esfarrapadas.Eis o que amor faz com um cara beirando os 100 anos, nem contar uma mentirinha boba para ela eu conseguia.
Passar pela sala de controle havia sido coisa de criança, alguns me notaram, outros pareciam absorvidos demais no que faziam.Por alguns instantes parecia que tudo sairia bem, conseguiria sair sem chamar atenção.Mas, nem sempre tudo sai como planejamos.Principalmente, quando se vive em um lugar que em alguns momentos parece ser grande demais, e em outros uma cabeça de alfinete.
–Serena?!- Foi a única coisa que consegui dizer quando as portas do elevador que me levaria para garagem subterrânea se abriram.Não esperava por aquilo.
–Bucky?!- Falou fingindo surpresa.
–Eu não imaginava encontrar você aqui. — Ela franziu levemente a testa.- Exatamente aqui, saindo justamente desse elevador.
–Bucky, você tá bem?- Perguntou se aproximando e colocando a mão na minha testa.
–Estou...Só que eu pensei que você estaria lá embaixo.- Tentei disfarçar dando de ombros.
–Eu vim preparar a sala de tiro pro próximo período, enquanto a Nat aterroriza os novatos.- Ela disse normalmente.- Você vai sair?
Minha boca abriu algumas vezes sem emitir som algum, enquanto Serena começava a me olhar com desconfiança.Sabia que não demoraria muito para que ela começasse a desconfiar, e se havia alguém desconfiada ela estava parada bem ali na minha frente.
– James, você está deixando de me contar alguma coisa?
Ela havia me chamado de "James" e depois disso vinha a parte que me entregava.
–Bucky?! Aí está você.- Steve disse aparecendo do meu lado.- Eu acabei esquecendo minha carteira.Acho que agora podemos ir.
–Vocês vão sair juntos?- A ruga na testa dela começava a se desfazer.
–Eu preciso resolver uns problemas no banco...
–E vou aproveitar para falar com o gerente da minha conta.- Disse aproveitando a deixa.-Conselhos de investimentos.
–Ah, certo...Então a gente se vê mais tarde.- Ela parecia convencida e eu quase respirei aliviado.
–Certo.- Disse me aproximando para um beijo de despedida.
Quando finalmente entramos no elevador Steve pode me lançar seu melhor olhar zombeteiro.
–Você sabe que tá cada dia pior, não é?- Ele ia pegar no meu pé pelo resto da semana.- Imagino depois que vocês casarem.- Completou dando uma risadinha.
E imaginar que esse cara é meu melhor amigo, o primeiro a saber de minha intenção de casar, e certamente o cara que seria meu padrinho.
–Vá se ferrar, Rogers.
–Olha a boca.
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