Winter Again

3 Capítulo 3:Autumn Equinox - Third Act


Notas iniciais
Olá?! E sem enrolação mais um capítulo. Boa leitura!

Capítulo 3: Autumn Equinox (Third Act)

Bucky

–...e então você aceita casar comigo?- Disse abrindo a caixinha de veludo preto.

– Não dá para você ser um pouquinho mais romântico?- Steve perguntou e suspirei frustrado.-Cadê aquele cara que fazia as garotas dos anos 40 suspirarem?

–Steve, não sei se você entendeu, mas eu tô tentando pedir a Serena em casamento, e não chamando para tomar um sorvete.- Falei.- Naquela época eu tinha labia, o que é diferente de ser romântico.

Tinha que admitir romantismo nunca havia sido meu forte, nem mesmo na primeira metade do século 20, onde pelo que parecia, as mulheres suspiravam com qualquer meio sorriso.E se havia algum potencial romântico em mim devia ter morrido de hipotermia.

–Pensa em palavras bonitas...Quem sabe se você procurar um poema na internet.- Sugeriu dando de ombros.

–Você tá brincando, não é? — Perguntei parando nossa trajeto pelo corredor que nos levava para o laboratório de que Banner e Stark dividiam

–É...Foi uma ideia ruim mesmo.- Ele reconheceu voltando a andar.

–Muito ruim.- Reforcei.

Aquilo era "ótimo" eu tinha um anel, mas não tinha ideia como fazer o pedido.Meu potencial romântico não só havia morrido de hipotermia, como estava enterrado na Sibéria.

–Oi Maisie.- A voz embascada do meu amigo denunciava a chegada da assistente de laboratório do Stark

–Você sabe que fica parecendo idiota quando ela chega?- Falei e ele me olhou de canto.

E uma ideia surgiu imediatamente na minha cabeça, se havia uma pessoa indicada para me ajudar era a garota que deixava Steve Rogers babando.E que por coincidência era a pessoa que poderia me dizer como seria o pedido de casamento ideal para Serena e, ela se encontrava ali naquele corredor.

–Maisie Dale, a garota que eu quero.- Falei alto o suficiente para fazê-la corar de vergonha.

–Não abusa, Barnes.- Sibilou Steve raivoso.

–Se a Serena te escuta falando essas coisas sabe que é você que vai acabar levando um tiro, não é?- Ela perguntou com um sorriso dissimulado enquanto me aproximava.

–Com certeza eu não levarei um tiro, mas você é a única pessoa que pode me ajudar.

–A não levar um tiro? — Maisie num acesso de cinismo.

–Ou levar um mais depressa.- Steve disse ligeiramente irritado.Maise olhou de mim para ele sem entender.

–Vamos parar com essa história da Serena me dando um tiro, porque isso não é legal.E com certeza você não gostaria de ver sua amiga viúva mesmo antes dela casar.- Ela arregalou os olhos.

–Minha nossa!- Ela parecia positivamente surpresa.- Você vai pedir a Serena em casamento, Bucky?

–Vou.- Respondi sem conseguir esconder meu sorriso.

–Até que enfim, hein.- Disse socando de leve o braço que havia me restado.- Já estava me perguntando quando você ia parar com a enrolação.

O que poderia dizer de Maisie?Que ela é doce e sensível.Uma pessoa incapaz de falar coisas constrangedoras.A delicadeza em pessoa. Não, certamente eu estaria falando de qualquer outra garota, mas não da senhorita Dale.

–Você vai me ajudar ou não?- Perguntei sabendo que Steve naquele momento prendia o riso.

–Claro.- Maisie fazendo força para não rir.-E o que eu poderia fazer?

–Eu já tenho um anel.- Disse tirando a caixinha do bolso do jeans e mostrando o conteúdo.

–E nenhuma ideia.- Steve sendo útil.

Maisie franziu a teste de leve e sabia, mesmo sem precisar, olhar que o pessoal da limpeza teria trabalho para tirar toda a baba do Rogers do chão.

–Bem, com a Serena coisas românticas demais não funcionam...Eu lembro quando dividíamos o meu antigo apartamento e o Mike tentou fazer um jantar a luz de velas...

–Bem Dale, eu não estou muito afim de histórias sobre o ex da minha namorada.- Interrompi bruscamente.

–Sem grosserias.- Steve cantarolou.

–Okay, sem histórias de ex.- Ela frisou.- Mas eu acho que tenho uma ideia que não vai parecer melosa demais.

Em breves minutos Maisie explicou todo seu plano, nada mirabolante, mas algo com certeza que funcionária perfeitamente com a garota pouco romântica por quem havia me apaixonado.A mesma garota que me tinha na mão com simples sorriso e, que principalmente, que há dois anos salvará minha vida durante uma emboscada em Londres.E continuava salvando.

Começo do flashback

2 anos antes...

Prédios com estruturas abaladas, outros parcialmente destruídos, pessoas feridas e outras que preferia não pensar no estado espalhadas por todos os lados.Podia sentir o cheiro de borracha queimada e da pólvora dos carros-bomba que haviam explodido.O murmúrio dos feridos seriam acrescentados aos meus pesadelos com sucesso.

–Não é minha culpa.

O barulho de alguma coisa se aproximando pelo ar havia se tornado ensurdecedor.A sombra que se formava era gigantesca, eles iriam atacar, me atacar, mas daquela vez não iria reagir.Estava cercado, se os recém-chegados não fizessem nada a Hydra certamente faria.Mais cedo ou mais tarde.Talvez fosse melhor que aquela sensação de ter o cérebro esmagado.

Eles só precisavam saber que eu não havia provocado aquilo.

–Não é minha culpa.

Aquelas dores de cabeça começavam a me enlouquecer, não importava se era dia ou noite , elas apareciam para me torturar.Ironicamente uma mão de metal apertando meu crânio.O som,do que eu sabia agora saber ser um dos Quinjets que haviam pertencido a S. H.I.E.L.D., havia se tornado pior enquanto a rampa de acesso baixava.

–Acabem com isso de uma vez, mas saibam que a culpa não é minha.

–SARGENTO BARNES, LARGUE A ARMA.- Disse uma voz feminina vinda dos auto-falantes bem escondidos.-SARGENTO, LARGUE A ARMA, POR FAVOR.

Ela estava falando comigo, por mais que eu soubesse que eu era Sargento Barnes, aquilo ainda soava um tanto vago.Assim como a maioria das lembranças que haviam começado a me acompanhar.Imagens soltas, peças de um enorme quebra-cabeça que não sabia por onde começar a montar.

–SARGENTO JAMES BARNES, POR FAVOR...- Antes que ela continuasse soltei a pistola semi-automática no chão e me ajoelhei colocando as mãos na nuca enquanto via uma figura saltar da rampa e instantes depois um par de asas se abrir.

–A culpa não é minha, quando cheguei os carros já estavam explodindo.- Falei assim que Sam Wilson pousou a poucos metros de onde eu estava.

–Nós sabemos disso, isso foi uma emboscada da Hydra.-Afirmou varrendo o entorno com os olhos.-Você tem ideia de a quanto tempo nós estamos te procurando?- Perguntou, finalmente, me olhando.

–Nós?- Perguntei no mesmo instante que o homem com o famíliar uniforme azul e um escudo nas costas saltou da rampa do Quinjet.Minha cabeça parecia prestes a explodir.

–Nós, Steve, a agente Stanton e eu, estamos procurando você a mais de um ano, cara.- Respondeu.

–A agente Stanton só conseguiu te achar no começo da noite de ontem, depois de descobrir que você usa uma identidade falsa, George Walters.- O Capitão falou ao se aproximar.- E estava hospedado num albergue a 5 quarteirões da London Eye.

–E o que vão fazer agora?Me entregar para os agentes do governo?- Foi naquele momento que descobri que já não me importava tanto.

–Não, vamos levar você para um lugar que pelo tempo que você quiser vai ser sua casa, Bucky.Existem pessoas que querem te ajudar.- Disse com um tom ameno, aquilo me surpreendeu.- Agora levanta daí que não estamos prendendo você, nós só fizemos isso porque não tínhamos ideia de como seríamos recebidos.

Com a ajuda de Sam Wilson fui içado a rampa do Quinjet e logo na entrada fui recebido por um homem que se apresentava como Clint Barton.Da agente Stanton só conseguia ouvir a voz , ela parecia passar um relatório rápido dos últimos acontecimentos pelo rádio.

–Bem vindo a bordo, Sargento James Barnes.- Barton falou parecendo amistoso.-É melhor sentar e apertar o cinto, porque se depender da Serena estaremos em casa a tempo para o jantar.

–Sim senhor, as equipes de resgate acabaram de chegar ao local, eu mesma as chamei.- Aparentemente Serena e a agente Stanton eram a mesma pessoa, constatei quando tomei acento -O número de vítimas é considerável, infelizmente...As equipes de tv já estão no local...Sim, qualquer informação adicional entro contato.Faremos isso.

–Pode fechar o acesso Serena, Rogers e o Sam já estão abordo.- Agente Barton comunicou enquanto se dirigia para cabine de comando.

–Ok, então vamos para casa.- Ela falou, logo sentimos a aeronave subir e tomar uma rota.

Em silêncio vi Rogers e Wilson se acomodarem nas cadeiras estofadas a minha frente.Sam cantarolava alguma música que certamente eu não identificaria, enquanto o Capitão me olhava quase inquisitivo.Por muito pouco eu poderia ouvir as engrenagens do seu cérebro trabalhando.

–Vocês que existem pessoas que querem me ajudar.Quem são elas?- Exigi antes que ele começasse me encher de perguntas.

–Uma delas é um neurocientista chamado Desmond Madden, ele é amigo da agente Stanton, e andou estudando tudo que tivemos acesso, sobre a forma que Hydra te tratou durante as últimas décadas.-Steve respondeu sem se abalar.- E a outra é um psiquiatra forense chamada Jeff Forbes.

–Um psiquiatra?- Minha testa franziu.

– O Dr Forbes e Dr Madden vão trabalhar em conjunto, em casos de lavagens cerebral severas, como essas que você foi obrigado a passar, quase sempre a reversão tem ser feita com um apoio.No caso um psiquiatra.- Uma voz suave e melodiosa me respondeu, bem diferente da que a minutos atrás me dava ordens.Ela havia deixado a cabine e vindo se juntar a nós.

Desviei meus olhos de Steve para a mulher que devia ser Serena Stanton, e o que vi poderia classificar como:a melhor visão que havia tido desde que os cientistas da Hydra me descongelaram.Ela foi a primeira pessoa que vi sem associar como um alvo em potencial, aquilo, talvez, pudesse ser considerado um avanço no meu caso.

–E me desculpe pelo tratamento minutos atrás, mas é o procedimento padrão.- Disse sentando-se na cadeira vazia entre Rogers e Wilson.

–Entendo.- Me limitei a dizer.

Das seis horas de viagem entre Londres e Nova York, pelo menos duas foram com o Capitão Steve Rogers tentando me fazer falar mais do que eu desejava.Só quando falei sobre minhas constantes dores de cabeça, e que uma delas ameaçava explodir meus miolos naquele momento ele se convenceu que deveria me deixar em paz.Pelo menos até a chegada ao lugar que eles costumavam chamar de casa.

Fim do flashback

A primeira vez que nos encontramos pode até não ser considerada um grande acontecimento, mas era no rosto dela que pensava cada vez que eu achava que os esforços para recuperar minha memória eram inúteis.E era Serena que sempre estava ao meu lado mesmo quando ninguém mais queria.

Entretanto, descobrir que havia me apaixonado por ela não havia sido fácil.De um lado havia o Bucky se apaixonando e doido para entrar de cabeça naquele sentimento, e do outro o Soldado Invernal dizendo que aquilo era errado, que se apaixonar não fazia parte da sua vida.Um soldado não se apaixonava.Quase enlouqueci, mas o que sentia era mais forte do que a suposta convicção que a Hydra havia incutido em minha mente.Bucky Barnes era mais forte e começava vencer, reconhecer meu melhor amigo e ficar com a mulher que amava foi só começo.

E mais uma vez lá ia eu, dá mais um passo nessa nova vida de Bucky Barnes, ele iria se tornar um homem sério, quem sabe até um futuro pai de família.Planos para isso nós tínhamos feito, mesmo achando que isso faria parte de um futuro distante.Nos desligar dos Vingadores, comprar uma casa no Brooklyn, montar um negócio próprio e criar nossos filhos.E a pequena caixa de veludo preto ao lado da rosa em cima da nossa cama mostrava que estava na hora de nós dois começarmos a caminhar em direção ao nosso sonho.

Notas finais
O próximo capítulo será o último de paz e sossego para Bucky e Serena. Digam o que acharam. Próximo capítulo sexta-feira ou sábado? Até logo. BitterSweet