Winter

4 O Não-Anão


“Finalmente cheguei a Yorko”, pensou.

Os portões da cidade fecharam atrás dele, somente duas luzes de fato iluminavam aquela rua, uma delas eras a da lua, que empalidecia tudo, com sua luz azul leitosa, e a segunda, no fim da rua, que jorrava fogo. Caminhou na direção ao fim da rua.

— HÁ! A lua cheia realmente traz turistas para essa cidade! — Disse uma voz bêbada vinda da escuridão.

— Suponho que sim. — Disse calmamente. — Estou procurando um lugar para pernoitar, recomenda algum?

— Continue nessa rua até a praça, procure pela igreja e vá pela rua da esquerda e chegará na Estalagem da Tia Pompei. — Respondeu à voz que perdera um pouco de seu grave. — E lá não achará somente palha, mas também carne para aquecer sua noite.

— Obrigado, boa noite. — Ele não era do tipo que gostava de pagar para receber prazeres carnais, mas não dispensaria uma boa palha, ainda mais se estivesse sem pulgas.

— Há! Noite!

A rua era toda irregular, qualquer coisa que passasse com rodas poderia tombar ali. A cidade estava muito precária, talvez os rumores que ouvira sobre a guilda dos ladrões estarem ali não fossem mentira. Eles, ou algum outro mal destruíra a cidade.

Ao chegar perto daquela janela que explodia luz afora. Olhou para dentro, e viu algo inusitado. “Um anão? Por aqui?” pensou. Olhou para aquela criatura e sorriu, perguntando-se o que um anão estaria fazendo ali, procurando a guilda? Perdido? Fazia parte dela? Afinal, não seria estranho que antiga maior guilda do norte tivessem anãos. Pensar nisso o agradou, mas, continuou a andar em busca da estalagem, não estava com fome, e sim com frio e sono.

A praça parecia ficar no meio cidade, era redonda e até que não era pequena, feita de grandes pedras irregulares, tal qual a muralha. Bem no meio havia um poço, ele se aproximou e notou que não havia um balde ali, e nem mesmo água. Não havia ninguém em volta, todos pareciam estarem presos em suas casas com medo da lua e do que vêm com ela.

Olhou em volta procurando a igreja, e facilmente achou. Luz saia pela abertura das portas da igreja, seus pés lhe levaram até ela. A igreja tinha um formato de quadrado com um triângulo em cima, duas portas de cerca de cinco metros estavam abertas, feitas de madeira negra com entalhes. A igreja era branca, a única janela de sua frente estava em cima da porta, triangular também, com desenhos da Trindade, carne, alma e espirito. Olhou para dentro dela, vendo 7 pessoas ajoelhadas em meio a 6 enormes genuflexórios que cobriam todo o chão daquela pequena igreja, o sacerdote que rezava para a Trindade em língua comum estava de costas e trajava uma batina de linho amarelada, olhava para uma estátua de uma mulher. Uma mulher sem rosto, seus cabelos desciam sobre suas costas e seus seios, usava um enorme vestido que cobria suas pernas — onde aparentava está de joelhos.

"Um arauto, um ídolo ou um patrono?".

Ele olhou noite afora, onde a lua estava quase em seu apogeu, as janelas e portas fechadas sem sequer deixar luz sair pelas frestas, quando olhou para dentro da igreja, todos haviam sumido. Um leve desesperou se alojou em seu coração, caminhou para dentro da igreja, um tapete vermelho com entalhes em dourado nas suas bordas estava no meio da igreja, que ia em direção a estatua. Quando chegou perto dela, olhou para seu ausente rosto, e para os lados, viu uma porta na direita “O sacerdote deve ter vindo por aqui”, pensou. Tocou na maçaneta da porta, e desmaiou.

Tudo continuava escuro quando abriu seus olhos. Sentia cheiro de mijo, suor, óleo e pessoas. Ouvia duas vozes sussurrarem, estavam longe de mais para entender.

— Guilda dos ladrões! Eu sabia! — Exclamou em êxtase.

— Então você realmente estava atrás de nós. O que quer? Denunciar a gente para A Forja? Para Ork? É um espião? Ou um possível aprendiz? — Respondeu uma voz grossa e retumbante, parecia um tambor, botava medo e respeito. Sentindo isso, ele disse:

— Me aceitem. Eu não tenho para aonde ir, estava atrás de vocês há um bom tempo, ouvi boatos pela Última Morada, e por Ork. — Ele sorria atrás de seus olhos vendados, "sim, achei eles, agora farei parte e terei outra família".

Os sussurros voltaram. "Estão discutindo se entrou ou não" ele sabia que teria que fazer algo para provar seu valor, com aqueles era sempre assim, obedeça e será recompensado, saia da linha, e você perder a cabeça.

— Bem, por que não? Acabamos de aceitar mais de 300 dentro de nossas muralhas, que porra de diferença mais um faria? E já temos a tarefa perfeita para provar seu valor. — "Eu sabia, foram lidos como um livro". A voz retirou sua venda, seus olhos demoraram alguns segundos para se acostumar novamente com a luz.

Uma das vozes segurava uma tocha brilhante, vestes simples de bege que cobriam todo seu corpo e um capuz que escondia seu rosto. E a outra voz usava cota de malha por cima de couro batido pintado de preto, uma espada longa e uma adaga no cinto, um símbolo em seu peito, duas adagas cruzadas com um saco de ouro atrás, seu rosto era quase quadrado, com uma barba preta por fazer, pele empalidecida como quem não toma sol faz muito tempo, sobrancelhas grossas e olhos profundos castanhos.

— Sou a todos os serviços, assim que me soltar e me deixar beber algo.

O outro caminhou até ele, puxou a adaga e cortou as cordas que amarravam ele a uma simples cadeira de madeira, pegou nos pulsos, estava tão apertado que sangrou um pouco.

— Seus pertences estão ali. — Disse o com a tocha, sua voz era abafada, quase sussurrada. Apontou para o único móvel além da cadeira na sala. Uma mesa grande de madeira escura, tudo seu estava ali, exceto suas vestes que estavam consigo. Recolou na mochila seus pertences e suas armas guardou-as consigo. Quando terminou, se virou e a porta estava aberta, o outro havia ido embora sem fazer barulho algum.

O tocheiro o guiou através das galerias sem falar uma única palavra, o local era úmido e frio. Até que:

— Estamos abaixo do solo, essas galerias foram abertas em rocha sólida há muito tempo por anãos. Eles começaram a escavar atrás de minérios, e acharam, mas acabaram por criar uma cidade inteira embaixo da pequena vila acima, e com o tempo a vila se tornou uma cidade, e aqui embaixo outra. Tomamos conta desse lugar após o Winter, quando houve a grande fuga.

“Somos umas das poucas cidades que restaram, mas ainda sim, a Dádiva é nossa, e pretendemos tomar o controle dela inteira, agora que será um futuro membro é bom conhecer nossa história. O atual líder planeja tomar Ork e em seguida toda a Dádiva, cada cidade esquecida, vila, até mesmo a Última Morada e com o tempo, quem sabe até mesmo A Forja.”

“Firmamos uma aliança com os saqueadores sangrentos, logo após capturarmos você, embaixo da luz da lua, e do nosso patrono, a mulher sem rosto. Saberá mais sobre ela a medida que for cabível.”

Quem viesse lá de cima acharia o lugar quente, ele havia guardado suas peles mais quentes na mochila, e ficado apenas com o couro e pano leve. Passaram por várias portas ao longo de corredores, dobrando e descendo, às vezes subindo e atravessando alguma porta que se revelava outro corredor. Depois de um bom tempo, começou a ouvir vozes através das paredes e portas, e o local começou a ficar iluminado por archotes e velas, então o Tocheiro apagou sua tocha e deixou em um barril. Continuaram andando.

— Qual o seu nome? E o que você sabe fazer? É um conjurador? Um lutador?

— Meu nome é Cas, só Cas, não tenho sobrenome. Sou um dos melhores lutadores do norte.

— Claro, claro, vocês sempre são. Sou a mão de Oros. Meu nome não importa e nunca tente descobrir se não amanhecerá com larvas e minhocas na boca.

Cas passou por várias pessoas, a maioria apressada e todos vestidos e com aparências diferentes. Quase todas as pessoas ostentavam símbolos em seus peitos, dois reinavam, as adagas cruzadas e um novo símbolo: incrustado normalmente em cor parecida com ouro, um saco de moedas sangrando com fogo atrás, os saqueadores sangrentos que se auto-denominavam os maiores mercenários do norte e oeste.

A mão de Oros parou subitamente no meio de um corredor bem movimentado e abriu uma porta de madeira. Entraram na sala, todo o lugar era simplesmente um quadrado cavado perfeitamente na rocha pura, não havia nenhuma estética nas paredes, chão ou teto, apenas abriram e colocaram uma porta. No centro da sala uma mesa redonda com cinco cadeiras em volta, papéis em cima, uma pena e tinta preta, não havia mais nada na sala, exceto as pessoas.

Um humano esbelto e alto, outro barbudo vestido de preto com uma coruja no ombro, estava conversando com ela, e um meio-elfo claro e baixo para alguém de sangue élfico.

— A missão é simples. — A mão começou a falar antes mesmo de Cas entrar. — Precisam trazer esse anão. — Ele jogou um papel em cima da mesa. — Vivo de preferência. O mais rápido possível. Ele correu em direção ao sul, Lambey, você e sua coruja conseguirá rastrear ele sem muitos problemas, ele é pequeno, mas estava vestido aço e era gordo, então não deve está muito longe. O resto sabem o que precisam fazer quando encontrarem, Lucius já sabe onde fica o armazém, leve Cas até lá e depois vão atrás do maldito. — Terminou batendo nas costas dele e saindo.

— Bem… Quem de vocês irá me levar ao armazém?

Acabou que Lucius era o alto e esbelto, ele só andou para frente e saiu fazendo um sinal com a mão para segui-lo.

— Então… Como vão às coisas por aqui? Acabei de chegar…

Ele parou, se virou tirou seu manto que cobria boa parte de seu corpo, e mostrou o símbolo das moedas sangrentas. — Acabei de chegar também, e fui resignado para ir atrás do Anão.

Com isso não se falaram mais. Caminharam por entre os corredores de pedra, Cas conseguia sentir o peso de alguns lugares acima de sua cabeça, não demoraram muito para chegar ao armazém, passaram por uma grande sala cheia de forjas, por um salão com mesas de madeira gigantes, cabendo cerca de 50 pessoas em cada, e chegaram a uma sala que se bifurcava em quatro (contando a que vieram) e indo para a direita chegaram ao armazém.

Era um retângulo cavado na pedra, havia vários baus, estandartes de armas com mais do que fora feito para caber, armários e caixas com peças de armaduras, armas e bugigangas que poderiam ser uteis. Pegou uma caixa de fogo, havia dentro uma pederneira, aço e mechas de tecido banhado em óleo para pegar fogo, pegou um pé de cabra, duas adagas arranhadas e uma delas estava com um problema de cabo meio solto, e arrancou couro batido de uma peça cortada e perfurada. Usaria o couro para reparar alguns pedaços de sua própria armadura. Guardou tudo em sua bolsa e as adagas no cinto e seguiu Lucius em direção a saída.

— Pelo fato de estarmos aqui, usaremos a entrada principal que ficará aberta para trânsito enquanto durar o contrato, ou tomarmos Ork. — Falou enquanto chegavam perto da entrada. Um corredor maior que os outros dava para uma escadaria e à esquerda de quem saia um salão redondo gigantesco, estavam desconstruindo uma estrutura de madeira improvisada no centro, Cas notou que no teto havia uma abertura redonda. A escadaria dava para a igreja em que havia sido pego.

"Talvez eles tivessem entrado por aqui quando eu me virei… Mas, daria tempo?". Os outros dois estavam esperando perto da saída. Tirou suas peles da mochila, vestiu, verificou seu bastão nas costas, suas adagas, e começaram a andar. Foram pelo mesmo caminho que entrou, a cidade estava extremamente movimentada em comparação à noite anterior, pessoas entravam e saiam aos montes na estalagem, a taverna havia posto um barril do lado de fora onde várias armas descansavam lá, e uma pessoa estava recolhendo e devolvendo as armas. A mesma estava lotada, pessoas de várias raças e tipos comiam e bebiam lá dentro.

"O anão que estou procurando seria o mesmo da noite anterior?" se pegou pensando enquanto olhava o Arco Pálido. Passaram pelos portões que estava sendo guardado por dois humanos de armadura completa, lanças e espadas longas. Poucos metros a floresta avançava sobre a cidade, havia algumas pessoas cortando as árvores mais próximas para queimar a madeira e evitar emboscadas. Lambey e Jorry haviam pegado informações sobre o possível caminho que o anão tomará, os guardas que abriram os portões para ele, foram interrogados e disseram que correra em direção a sudeste. Pegaram aquele caminho começando a andar pela trilha e logo saindo dela. Lambey mandou sua coruja olhar por cima, voar a frente de todos olhando acima das copas e procurando alguma clareira ou movimentação nas árvores.

Jorry ficou encarregado de olhar para cima caso ele tivesse se escondendo entre os galhos, Cas ficou com a retaguarda, Lucius olhando para os lados e Lambey o chão, procurando pegadas ou qualquer coisa que indicasse alguma criatura humanoide pequena e pesada passando por ali. A Mata Fechada não tinha esse nome atoa, apesar de pouca vegetação rasteira devido ao Winter, trazendo um inverno sem fim, a pouca flora que restara consumiu toda a floresta, as árvores eram muito próximas uma das outras, em certos lugares não dariam nem mesmo para um halfling passar entre elas, seus galhos eram baixo e suas raízes mostravam dedos acima do solo. A vegetação rasteira era composta principalmente de pequenos arbustos com espinhos, o que atrapalha andar, além do cuidado para não tropeçar numa raiz errante, ou tacar a cara num galho baixo demais.

Lambey parecia conhecer a floresta tão bem quanto conhecia sua coruja, o caminho que pegaram as árvores eram mais espaçadas, havia poucos arbustos e plantas rasteiras, e caso precisassem, trouxeram um facão para cortar a mata.

A neve cobria seus pés chegando acima do tornozelo, o que dificultava a caminhada, mas isso significava dificuldade para O Anão também, alguns galhos deixavam cair mais neve sobre o chão quando o peso permitia, e isso poderia encobrir algumas pistas, e havia nevado na floresta noite passada, as árvores tampavam quase toda luz o que deixava a floresta entre tons brancos, pretos, cinzas e sombrio, um medo começou a se instalar em Cas, o que poderia está a espreita por trás daqueles grandes troncos, folhas brancas e espinhos? Ainda mais após uma noite de lua cheia?

Seu pensamento foi interrompido com um sinal de Lambey para o grupo parar. Ele ficou parado por alguns segundos, até que se agachou e começou a mexer num arbusto, cortou ele com uma adaga e começou a andar em direção a nordeste, as árvores foram ficando mais espaçadas, e montes de neve cortadas por pernas começaram a surgir. Lambey fez um sinal para seguirem mais rápido, e por quase uma hora ficaram seguindo as pegadas.

— Parem. — Disse o cara da coruja subitamente. — Notei um padrão, sei para onde estamos indo. — Ele assobiou e a coruja piou, desceu até seu braço estendido, balançou a assas e suas penas subiram, embaixo eram brancas com alguns pontos pretos e em cima um tom entre branco e dourado. Ele piou duas vezes para ela e ela assentiu com a cabeça e piou três vezes. — Ele está indo para Ork. Podemos pegar uma linha reta e captura-lo quando sair da floresta para o mar de neve.

A floresta começou a lentamente se dispersar a medida que chegavam perto da orla. As raízes se afundavam mais ao chão, a flora rasteira diminuía. Ao chegarem nas últimas árvores, Lambey mandou todos pararem e repassou o plano.

— Esperaremos aqui, ela irá voar acima e quando a ovelha sair da mata, usaremos as ondas para nos esgueirar e cortar caminho, pode ser que ele tente usar nossa estratégia contra nós, mas com Horrok não devemos ter problema nenhum de segui-lo ao ar livre.

Cas não tinha problema com espera, muito menos Lambey ou Jorry, mas Lucius estava impaciente desde o momento que as pegadas não o levaram a nenhum outro lugar além de mais pegadas. Cas subiu em uma das árvores e ficou deitado num grosso galho, era magro e leve, o que ajudava muito, não havia neve nesse galho e estava consideravelmente seco. Lucius ficou andando de um lado para o outro por vários minutos até que deve ter se cansado e começou a catar galhos e a madeira mais seca que conseguia achar, abriu um buraco na neve revelando grama pálida, mas impressionantemente viva, arrumou algumas pedras e começou a fazer um círculo com ela, e colocou a madeira no meio, com a grama.

— Uma fogueira. Caso precisemos. — Disse ele. Lambey não gostou da ideia, disse que atrairá lobos, criaturas selvagens e o Anão poderia ver a fumaça. Aconselhou comermos carne salgada, pão gelado e queijo duro se ficarmos com fome. Ele chamou Horrok e alimentou ela com um rato morto que trazia consigo e então voltou a voar. Sentou-se no chão, começou a meditar, com as pernas cruzadas e os punhos fechados e se tocando.

— Ele vai se conectar com a coruja. — Disse Jorry. — Ele conseguirá ver o que ela ver, farejar o que ela fareja, sentir o que ela sente, como se ele fosse a própria coruja. É impressionante a ligação desses dois, realmente nasceram um para o outro. Não sei como se conheceram, ele nunca fala sobre isso, mas Horrok é realmente gentil como ele, os dois compartilham da mesma personalidade e gosto pelas coisas. Alguns xingam e dizem ser uma maldição, isso, os sulistas, obvio. Mas, o norte já conhecia esse tipo de gente a muit— um grito repentino irrompeu de Lambey, ele começou a chorar descontroladamente apertando seu peito, como se tivesse sido atingido por algum projetil que ninguém ouviu ou viu. O grito era claramente de dor, grosso, alto e duradouro. Quando finalmente acabou, ele só disse:

— O Filho da Puta ta lá fora… nordeste… não muito longe… — Arfando, e falando aos cortes e caiu para trás.

Ninguém parou muito para pensar, as pernas de Cas simplesmente pularam do galho para um monte de neve que o segurou como os braços de um irmão, e correu em direção a nordeste. Percebeu ser o mais rápido dos três, de Lambey não sabia, pois, o coitado estava caído no meio a neve. Lucius e Jorry também correram atrás dele. Correr no mar de neve era esquisito, em alguns lugares a neve ia até à cintura e em outras apenas no tornozelo. Antigamente ali era uma planície que ia de leste ao mar do sol poente no oeste, as pequenas colinas verdejantes que ele nunca viu, apenas leu uma vez em um livro no seu antigo monastério, a grama subia alto nos lugares onde as pessoas não iam, pelo fato de cobras e às vezes lobos se aventurarem por entre a mata alta, mas, o Winter veio e cobriu toda a planície com um manto branco de neve, por onde ele corria agora.

Ao terminar de subir a colina, viu um ponto branco pegando fogo cair a não mais de 80 metros dali, o ponto caia rapidamente até que a neve o consumiu, e viu lá embaixo um ponto azulado e arruivado correr para trás de outra colina. Correu em cima da colina que já estava, até o lugar que poderia correr reto para onde o ponto azulado abria caminho pela neve.

Quando desceu a colina, percebeu ter perdido o Anão e uma voz atrás dele o chamou.

— Cas. Ele deve ter entrado numa caverna.

Então começou a correr em volta da colina que ele estava tentando arrodear, e achou uma pequena abertura cinza-escura no meio do monte de neve, puxou seu bastão e esperou os outros do lado de fora. Lucius puxou duas adagas e Jorry uma varinha, e então entraram na abertura.

O buraco era pequeno, cerca de 1,70 m de altura e 50 cm de largura, mais dentro ela se alargava, escutava ao longe alguma goteira e sentia o cheiro de água presa. Escutou um arfar e mesmo sem enxergar donde vinha o barulho atacou com seu bastão o lugar. Jorry falou em algo élfico e balançou sua varinha uma luz magica irradiou da ponta de sua varinha e o bastão havia acertado os braços do anão que o erguia para se defender, atacou ele mais uma vez nas pernas.

— Chega. Chega. — Disse o anão com uma voz pesada e grossa. O Anão não era tão pequeno assim, com cerca de 1,35 m, dispunha uma bela barba castanho-ruivo-claro, prendia ela em tranças e seu cabelo também, com um coque atrás, um nariz achatado e um bigode grande e grosso, olhos azuis e grossas sobrancelhas, sua pele branca estava rosada pelo frio e suas orelhas também. — Eu me rendo.

— Se vire. — Disse Jorry, mas antes que o anão pudesse fazer isso o socou, ele cuspiu sangue e se virou. Amarraram os braços dele, nas costas usando cordas, e puseram pano em sua boca, pois tinham a informação dele ser um possível conjurador.