Notas iniciais
Olá cares(os/as) leitores! Primeiramente quero esclarecer algumas coisas sobre o Winter, ele, na verdade, é um RPG de Mesa que estou transcrevendo em forma de livro, ele está atualmente a cerca de dois anos (perto de completar três) sendo jogado por mim e meus amigos, sou o mestre e criei o universo inteiro, estamos jogando na 5 edição de "Dungeons & Dragons", por isso o fato de algumas similaridades. Ele obviamente está sendo feito na visão dos jogadores, talvez isso mude com o tempo, ainda não pensei muito bem o que acontecerá, estou usando o Winter para treinar minha escrita num geral e talvez ganhar um público. Por isso espero que perdoem certos aspectos da história. Em segundo lugar, esclarecendo sobre o Winter ser, na verdade, um RPG que está se tornando um livro, gostaria de dizer que em breve estarei lançando mais um livro, dessa vez não vindo de um RPG. Em terceiro lugar, mas não menos importante, irei deixar abaixo o mapa de Dôrmînaegas, como é conhecido o Mundo, ele é em volta de montanhas, e o nome significa "terra entre montanhas", sim, nossos queridos personagens estão presos entre montanhas. Atenciosamente, sua escritora, Mag.

A neve caia em pequenos flocos acima de sua cabeça, suas vestes quentes e pesadas se encobriam em meio a neve, usava peles de urso branco misturado com lã. Já seguia aquela trilha a algumas horas, e só agora começou a ver a orla, “Não a chamam Mata Fechada atoa”, pensou. As árvores começaram a se dispersa. Cada passo seu pé afundava, a neve estava muito fina dando espaço para terra que se transformava em lama molhando suas botas. A escuridão era transposta pelos seus olhos, que conseguia enxergar mesmo na ausência de luz, afinal, ele é um Anão, e Anãos são acostumados à escuridão.

A floresta finalmente acabou. A lua aparecia com toda sua força, sem nenhuma árvore atrapalhando seu caminho, estava cheia, derramava uma forte luz na terra: azul e leitosa. Ele sabia precisava de abrigo, a lua cheia é um agouro.

Avistou o fim da trilha, que dava em uma pequena cidade, conforme as placas, se chamava “Yorko”. As muralhas eram baixas, cerca de 7 metros de pura pedra, sem polimento, sem ordem específica, parece que só foi empilhada e grudada com argamassa. Seu rosto instintivamente se retraiu, dando uma cara e olhar feio para a lamentável estrutura.

No portão, avistou dois guardas conversando embaixo de archotes que queimavam forte, a chama escarlate dançava com o vento fazendo os olhos daquele anão brilharem, estava com frio, e as chamas o atraiam. As chamas faziam a escuridão ficar mais forte, os deuses da disparidade, pensou. E apenas quando as chamas o iluminaram, foi notado.

Sem as árvores, nada parava a neve, apesar dos flocos caírem incessantemente o mar branco que se estendia de leste-oeste cobriram somente seus pés. Perto dos guardas, o calor da chama, o abrir e fechar dos portões, e provavelmente uma pá, faziam o trabalho de impedir o mar de avançar. E ali, apenas terra e lama restavam para quem passava.

Os guardas estavam com couro fervido por baixo de cotas de malha e enrolados em gibões de lã marrom, nada bonito, a cota de malha estavam desgastadas e dava para ver os gibões rasgados aqui e ali. Mas, ele sabia que não deveria esperar a qualidade anã tão ao sul ou a qualidade élfica tão a oeste. Cada um deveria ter uma espada e adaga em seu cinto, além de nas mãos terem lanças e nas costas escudos.

— Alto! Quem vem lá? — disse um dos guardas, com uma voz rouca ao notar sua presença. Eles não esbanjavam nenhum símbolo, nem a cidade tinha bandeiras.

— Sou apenas um anão a procura de abrigo por uma noite! — Disse aproximando-se mais para verem seu rosto. O Anão tinha uma voz retumbante e grossa, como metal recém-saído da fornalha sendo batido por um pesado martelo.

Os capacetes dos guardas protegiam suas identidades

Após uma breve conversa, foi concedida a permissão para o anão atravessar as muralhas. Os portões se fechavam as suas costas e contemplou a cidade. Havia pouca neve no chão, alguém retirou recentemente, mas muita nos telhados, que estavam algo entre branco e azul por conta da Lua. Havia pouca luz proveniente de chamas, o que iluminava era um único estabelecimento no fim da rua. Isso deixou o anão curioso, não parecia ter sinal algum de vida por ali, mas as ruas estavam limpas.

Caminhando calmamente em direção aquele estabelecimento, notou que o chão era extremamente deformado, algumas pedras eram mais elevadas que outras, fazendo ele andar bamboleando. Sabia que aquelas estradas não eram feitas para anões passarem, afinal, o que faria um anão tão ao sul? Naquelas terras abandonadas pelo seu próprio povo. “Mudar isso, talvez?”.

— Há! Olha o que temos aqui, se não é um Anão. Devo me curvar para sua raça? Há há! — disse alguém encoberto pelas sombras, rindo, com uma voz forçadamente grossa e bêbada. A voz vinda do nada quase fez o anão pular, e ela rir mais, dessa vez, de verdade.

— Deixe-me ir, o que faço tão ao sul, é problema meu, e apenas. — E ignorando aquele ser, prosseguiu, não devia satisfação a ninguém, ainda mais alguém que se esconde nas ruas de uma cidade morta, boa pessoa essa não é.

Chegara no estabelecimento, uma taverna sendo prensada por duas casas, com vigas e colunas de madeira escura velha e desgastadas, quase como se a qualquer momento fosse ceder. Pedra preenchia o resto do lugar, além de uma grande janela de onde a luz escapava noite afora, uma porta a direita perto da próxima casa dava acesso ao lugar e acima uma placa onde um arco prateado estava incrustado e “Arco Pálido” estava escrito.

Adentrou sem olhar muito para o resto do fim da rua. O local estava quase vazio, com apenas 4 pessoas. Mesas redondas estavam espalhadas com cadeiras pelo local, duas pessoas juntas, e uma separada, todos humanos pelo jeito, o balcão ficava logo à direita de quem entrava e tinha 5 cadeiras, uma delas estava ocupada. Caminhou, dessa vez sem bambolear, até a cadeira do balcão mais próxima. Não muito tempo depois, uma humana veio atendê-lo.

— Noite, O que tem para matar a fome por aí?

— Noite, carne de ovelha, queijo, pão assado e para beber temos vinho e cerveja amarela e preta. O que vai querer? — A voz dela era fina, como uma corda de arco, tinha o rosto de uma camponesa comum, com um nariz arrebitado e olhos negros. Vestia roupas simples, com um avental bege e lã para se aquecer. Apesar das tochas e da lareira, a construção não era muito quente, e apesar de estarem no fim da primavera era frio.

— Carne, queijo e cerveja preta. Irei me sentar em alguma dessas mesas. — A taverneira apenas assentiu e foi em direção a uma porta atrás do balcão que dava para a cozinha.

A carne estava dura, seca e salgada demais, o queijo estava bom, a cerveja até que tragável. Quando estava quase terminando de comer (menos a carne, já que seus dentes não eram feitos de aço), um homem entrou pela porta, alto, nariz fino, humano, branco, barba e cabelos negros, com flocos de neve na cabeça, e uma cicatriz abaixo do nariz, onde não havia barba, vestia roupas negras e marrons, peles pesadas e quentes, havia um símbolo em seu peito, que não conseguiu ver direito. Sentou-se no banco mais próximo à porta, e esperou.

O Anão por algum motivo se encontrou encarando o homem, como se já o conhecesse, e este, ficou olhando fixamente para a porta da cozinha.

Assim que a mulher saiu, suas mãos começaram a tremer, seus olhos procuraram algum apoio pela taverna, e sem achar nada, caminhou em direção a ele. Eles começaram a conversar, e ela olhava para todos os lados da taverna desesperada, pedindo ajuda. Finalmente, ele se levantou, e os dois foram para a cozinha.

Assim que a porta se fechou, o Anão pegou seu prato e copo, e foi até a porta, colocou o olho sobre a fechadura e não viu nada, algo tampava a visão, então colocou sua orelha esquerda contra a madeira.

— Eu não tenho o dinheiro, você sabe como o movimento está fraco, a culpa não é minha se ninguém mais vem a essa cidade. — Disse a fina voz em tom de desespero e medo.

— O problema é todo seu, ou você nos paga, ou não vai ter ninguém para proteger este lugar! — Era a mesma voz bêbada e forçada de antes, dessa vez, a voz estava intimidando alguém, ao menos.

— Como eu vou pagar vocês, se ninguém vem aqui? — Disse ela tentando esconder o medo e levantando a voz.

E de repente um barulho de couro se chocando com carne, seguido de um baque, fez com que o anão jogasse seu corpo contra a porta, e ela cedeu, o homem estava em pé de costas, o Anão quebrou o prato de madeira nas costas do homem com todas suas forças, que respondeu com um grunhido de dor e se virando puxou uma adaga e enfiou na barriga do Anão perto das costelas.

Pulando para trás e pegando no seu bolso com a mão esquerda. — Raio de fogo. — Gritou o anão em dwarvish (língua anã). Apontando o dedo indicador da mão direita para o rosto homem, sentiu a arcana correr pelo seu corpo como o sangue corre nas veias, o poder estava se unindo na ponta do dedo indicador, toda a arcana acumulada estava sendo tecida em fogo. O raio saiu, correndo pelo ar e se chocando com o olho esquerdo do homem, que levou às duas mãos para o local e jogou seu corpo contra o anão, que caiu, e saiu correndo da taverna gritando que o anão pagaria por aquilo.

— Você está bem? — a mulher se levantou e ajudou o anão. — Ele vai voltar aqui, você não deveria ter feito aquilo, mas foi incrível, nunca vi ninguém daqui desafiando a guilda. Mas, claro, você não é daqui.

— Estou. — Disse puxando a lâmina alojada em sua barriga. — Mas preciso de um curativo.

— Tudo bem. — A mulher pediu para ele se sentar em alguma cadeira pela cozinha e após algum tempo voltou com uma jarra, um copo e um pano. Limpou o ferimento, colocou algo desconhecida pelo anão, e em seguida cobriu com um pano e amarrou.

— Obrigada de verdade, ele sem dúvidas iria me bater até eu desmaiar. Aliás, sou Lohy.

— Eu sou Lufrid. Quanto eu te devo? Digo, pela comida e o curativo.

— Sou eu quem deve a você. Agora vá, antes que ele volte aqui com mais alguém e te mate.

Lufrid saiu da taverna e instantaneamente se arrependeu. O vento frio e gélido da noite bateu nele como um soco, levantou suas vestes, cabelos e barba e depois se acalmou. Mas o frio ficou, enquanto arrumava suas peles e esquentava sua mão com seu bafo, ele ouviu um balir vindo dos portões, um som duro de casco quebrando a neve e afundando na terra molhada, ele olhou para cima e a lua sorriu para ele. Correndo na direção do portão, ignorando as pedras tortas das ruas, entrou na porta à direita dos portões e subiu na muralha o mais rápido que as pequenas pernas anãs conseguiam.

Do alto da muralha avistou: criaturas com cabeça de ovelha, a lã branca estava marrom de sujeira e com várias folhas de pinheiro presas, os olhos eram vermelhos como sangue, quase brilhavam, o corpo era apenas um esqueleto humanoide, os ossos velhos e apodrecidos se movendo em direção a muralha com a ajuda de pés no formato de cascos, alguns ainda esbanjavam carne presa aos ossos pelo frio infernal.

Criaturas da noite, criaturas da lua cheia, ou apenas da lua, depende de onde você vai, elas têm muitos nomes, mas sempre veem durante a lua cheia, são varias, raramente você verá iguais, como se fossem feitas apenas para aquele único dia.

Rapidamente Lufrid puxou seu caderno e começou a desenhar as criaturas com a ajuda de um pedaço de carvão. Quando seu desenho finalmente estava pronto, ele voltou a notar o que estava acontecendo. As criaturas chegaram as muralhas, os dois guardas que permitiram sua entrada fecharam os portões e subiram a muralha, um deles pegou um arco e começou a atirar flechas inutilmente na direção das criaturas, nesse instante, contou mais de 15, o outro guarda pegou um berrante e soprou, o som do berrante ecoou pelo ar e quando estava no fim, soprou novamente, e uma última vez.

O Anão olhou em volta, viu algumas pessoas saindo das casas abaixo, e correndo para as muralhas, pegando arcos e bestas e atirando flechas e dardos nas criaturas, e se juntando a eles, começou a jogar raios de fogo nelas, que a essa hora já estavam se amontoando nos portões ao redor da cidade e empurrando.

Quando acreditou que os portões finalmente cederiam, ele ouviu os trotes dos cavalos, o tintilar do aço, o couro roendo e finalmente viu, vindo dos campos de neve a oeste, uma chuva de flechas e uma tropa inteira galopando, andando e correndo em direção a cidade. Eles apareceram do nada, como as chuvas de granizo no verão, em instantes o sangue escarlate pintava a neve fria e morta, agora viva de vermelho vibrante com os ossos e as cabeças de ovelha que incrivelmente estavam cheias de sangue no lugar de cérebros.

Os portões rangeram e se abriram, várias categorias de pessoas diferentes, a pé, a cavalo, alguns voando estavam adentrando na cidade. Lufrid ficou paralisado. “O que diabos uma companhia inteira está fazendo nessa cidade desolada e tão ao sudoeste?”, isso era o que ele tinha que descobrir.

Várias raças diferentes estavam ali, Humanos em sua maioria, mas também Tieflings, Anãos, Meio-Elfos, Elfos, Halflings, Gnomos, Goblins, Meio-Orcs e raças que O Anão nem conhecia. Todos eles se trajavam diferentes uns dos outros, alguns de armadura completa, meia armadura, apenas as calças de metal, ou capacete e peitoral, alguns só vestes simples, outros com couro, couro batido. Porém, todos que estavam na frente a cavalo trajavam uma veste marrom com um símbolo no peito de uma bolsa com moedas douradas transbordando e sangue saindo em meio as moedas e um fogo em volta de tudo.

A companhia passou pelo arco do portão, entrando naquela cidade morta, finalmente conseguindo se mover, guardou seu caderno e desceu a muralha. Eles conversavam entre si em vários idiomas diferentes, Lufrid distinguiu alguns, Dwarvish, Comum, Elvish, Gnomish, Halfling, Infernal e outras que ele nunca nem sequer ouvira alguém falar.

Enquanto olhava a companhia se aproximando, Lufrid notou que uma pessoa lhe olhava, carrancudo, gigante, nunca vira um humano tão grande, O Anão chutou que ele deveria ter uns 2 metros de altura, seus músculos mediam do tamanho da cabeça do anão, ele esbanjava uma grande barba negra e quase não tinha cabelos na cabeça. Dispunha de um grande machado de duas lâminas em suas costas e usava couro batido por baixo de uma veste com o símbolo das moedas.

— O que tanto olha? — Sua voz não combinada com seu corpo, a voz era afiada como uma espada. O cavalo montado era negro como as noites de inverno sem lua, sua crina esvoaçava, e sentiu-se julgado pelos seus olhos, tal qual como o dono.

— Apenas me perguntando o que uma companhia tão grande faz numa cidade tão pequena e morta. — Respondeu Lufrid com um tom irônico e descontraído.

— Bem, seu anãnico — Disse rindo. — estamos aqui para fazer o que seu pessoalzinho da guilda não pode fazer. Tomar Ork. — Ele começou a rir, bateu suas pernas no cavalo que voltou a galopar, sem deixar espaço para resposta.

E ele ficou ali parado olhando a companhia passar e sem ao menos notar, viu seus pés entrando no meio dela e se deixou levar.

“Tomar Ork, hmph?”. Pensou enquanto andava. Ninguém parecia notar sua insignificância existência em meio a multidão que entrava naquela pobre cidade. Se Yorko estava realmente planejando tomar Ork, isso era algo que ele deveria investigar mais a fundo e saber o máximo de detalhes possível antes de avisar a Forja e a Liga.

A rua da entrada depois do Arco Pálido, dava direto numa pequena praça redonda, com um poço sem proteção feito de blocos de pedra. A praça não tinha nada além do poço, o chão era feito com a mesma pedra da rua, só eram blocos maiores. De lá, dava para ver os 4 portões que a cidade tinha, formando um sinal de “Mais”, o que era bem comum para as cidades na Dádiva.

A praça era simplesmente o centro da cidade, e de lá conseguia ver a taverna do arco pálido, uma igreja com os portões abertos iluminando um pouco a praça e uma estalagem no lado oposto a taverna, fora isso, a cidade ostentava apenas casas frias, sem iluminação vinda de suas portas e janelas fechadas, quase como se não tivesse pessoas. Mas, havia, algumas delas que subiram nas muralhas, estava nesse instante entrando em suas casas e fechando suas portas.

A medida que as pessoas chegavam a praça, ela começou a ser iluminada, eles subiram nos postes de metal e acenderam, além das tochas e algumas luzes mágicas que seguravam. O tumulto lotou a praça inteira e várias pessoas ficaram nas ruas e vielas próximas. Até que alguém gritou em comum:

— VENHAM. AQUI NA IGREJA.

Lufrid não conseguiu ver a pessoa que gritou, mas seguiu as ordens com o resto, e caminhou em direção a igreja. Mas, logo percebeu que não havia escolha, pois foi arrastado para dentro. As portas e o chão da igreja eram de madeira escura, havia bancões dispostos de ambos os lados. Velas, e apenas, iluminavam o local e davam um cheiro de morte, incensos, se pegou pensando, “odeio”. No altar, havia uma estátua feita de basalto, uma mulher sentada de joelhos com um longo vestido bordado com flores, cabelos encaracolados que caiam ao chão, e um véu cobrindo rosto algum.

A estátua mexeu com seu corpo, ele tremeu um pouco ao ver o chão à frente dela se movendo revelando uma escadaria de pedra. A medida que ele descia os degraus, ia ficando mais frio e novamente arrumou suas peles e soprou para aquecer suas mãos. O local no começo era pouco iluminado. Mas, ao chegar perto do fim, começou a ver archotes mútuos. Logo de início um longo corredor à frente, tijolos marrons e bejes estavam grudados nas paredes o chão era feito de pedra e bem nivelado. Na direita uma passagem dava para um grande salão circular, que atualmente, bem no meio dele, haviam duas pessoas em cima de uma mesa redonda iluminada pela luz do luar. Lufrid percebeu que o local era exatamente embaixo da praça, pois o poço estava no alto, entreaberto, deixando a luz da lua entrar.

Dois guardas estavam parados no corredor inicial, não deixando ninguém adentrar mais, a única via possível era para o grande salão.

No centro do salão, eles estavam conversando entre si, não dava para ouvir a conversa pelo barulho das inúmeras pessoas que já estavam ali embaixo, e as que estavam chegando. As pessoas o empurravam para todos os lados, e ele acabou ficando a poucos metros da saída, para não ser incomodado por aqueles que queriam ficar mais perto do centro.

Após alguns minutos, que pareceram uma eternidade, o movimento parou, menos as vozes, que enchiam e ecoavam pelo salão subterrâneo, “pelo menos uma parte viva nessa cidade”, se pegou pensando. Mas seu pensamento não pode se estender.

— SILENCIO. — Disse uma voz vinda do centro. Não conseguia ver direito, pelo seu tamanho e pelas inúmeras pessoas que estavam na sua frente. — Atenção, conhecidos, colegas, companheiros e amigos. Estamos hoje aqui reunidos para firmar uma nova aliança. — A voz parou pela breve e barulhenta comemoração. — Entre nós, a estimada guilda dos ladrões, e os famosos saqueadores sangrentos. Vamos nos aliar por um objetivo em comum, FIRMAR O NORTE. — Vários vivas e comemorações se estenderam pelo salão.

— CALMA, CALMA AMIGOS. Quando eu terminar de falar, nós comemoramos com cerveja e vinho. Eu, atual líder da ancestral guilda dos ladrões, e a atual líder dos saqueadores sangrentos, firmamos hoje, com vocês de testemunha, embaixo da luz da lua cheia, tão estimada por nós. Começaremos tomando Ork, daqui a alguns dias, nossa cidade-irmã será nossa, e depois disso. O NORTE INTEIRO. COMEMOREM, CERVEJA E VINHO POR MINHA CONTA.

Começaram a pular, gritar e comemorar de todas as formas possíveis, batendo nos escudos para fazer barulho, batendo aço com aço, se jogando. Mas aquilo apenas deixou o deixou tonto. Ele percebeu estar no meio de uma conspiração contra a Forja, para tomarem Ork, e toda a Dádiva. A guilda dos ladrões que deveria estar extinta, e o maior bando de mercenários do norte, os saqueadores sangrentos, estavam se reunindo para reivindicar a Dádiva para si.

Forçando a mão a ficar firme. Lufrid pegou seu caderno, e escreveu o mais rápido que conseguiu. “Guilda. Saqueadores. Em Yorko. Tomar Ork. Avisar a Forja. AVISAR A LIGA.” Rasgou a folha, em seu bolso dimensional, um local extraplanar onde seu velho amigo, Remliel, um belo corvo mágico preto com algumas tonalidades em roxo por conta da arcana emanando dele, estava, o puxou, enrolou e amarrou ao tarso o papel e jogou o corvo para o teto. Rapidamente o corvo levantou voo e saiu pelo poço.

Não tendo tempo para pensar, simplesmente deixou seu corpo agir. Tecendo a arcana, fez um som de explosão para desviar os olhos daqueles que viram o corvo, e por está perto da saída simplesmente correu. Os guardas não tiveram reação com ele correndo escadaria acima, pelos deuses antigos e pelas barbas de Barbabronze, estava tudo aberto ainda, correu noite afora, e quando voltou para si, já estava correndo pela floresta.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Podem deixar, criticas construtivas a vontade. Eu não sei pq, mas o site formatou meu texto.