Winter

8 I was not born to drown, baby come on


Notas iniciais
Olá pessoas, olha quem resolveu voltar? Musica: https://www.youtube.com/watch?v=o-mj-2SVMG4 Obrigada The Reason pela recomendação maravilhosa da fic ♥

Ela é sempre tão quieta e um pouco triste. Eu nunca sei direito o que fazer com ela. Eu nunca sei o que fazer quando caminhamos pela rua em completo silêncio. Quando ela olha para mim e não consigo saber se ela está triste ou simplesmente confortável com o silêncio entre nós. Eu sempre tive um fascínio por pessoas silenciosas, porque você nunca sabe se elas estão apenas sonhando, pensando em uma vida em outro planeta, ou carregando o peso e a tristeza do mundo sobre seus ombros cansados. Eu sei que é um pouco triste, mas, no caso dela, acho que é a última opção.

[..]“Mel? O que você está fazendo aqui? Não era para você estar na Espanha?” Regina perguntou encarando mulher loira deitada em sua cama com um livro nas mãos [...]

“Minha pesquisa terminou antes do programado”

“Você está vestindo minha camisola?”

“Sim, tive um problema com minhas malas no aeroporto.” Mel respondeu sem tirar os olhos do livro que segurava

“O que aconteceu?”

“Nada demais, um mal entendido fez com que algumas das minhas malas fossem enviadas para outro país. “

“E você achou que seria uma boa ideia ficar na minha casa e usar minhas roupas, na minha cama?”

“Não é como se eu nunca tivesse feito isso. Então, você vai me falar sobre ela?“ Mel perguntou enquanto Regina procurava seu pijama no armário em frente a cama.

“Sobre quem?”

“Chapeuzinho vermelho”

“Não tenho ideia de quem você está falando, Mel. A viagem deve ter feito mal a você”

“Então quem seria a mulher que está dormindo no que seria o meu quarto?”

“Que eu me lembre, é um quarto de hóspedes, não o seu quarto.”

“Mas eu sou sua única hóspede e desse jeito, querida, você quebra meu coração”

“Aposto que seu coração está inteiro, mas eu posso dar um olhada se você quiser, querida.”

“Você sempre diz as palavras mais gentis.”

“Ela… ela não é ninguém” Regina respondeu sentando ao lado de Mel na cama.

“ Desde quando você traz “ninguém” para sua casa?”

“Ela trabalha na delegacia, é nova por aqui e algo aconteceu com o apartamento dela. Está nevando, eu não quis deixá-la morrer de frio na rua.”

“Então isso tudo foi um surto de generosidade?”

“Basicamente. Eu preciso de um banho”

“E aquele abraço que eu presenciei?”

“Eu… Estamos trabalhando em um novo caso, ele trouxe memórias do passado, do que aconteceu. Ela sabe, eu nunca contei, mas ela sabe.”

“Ela é uma boa pessoa?”

“Ela nãOlo é uma má pessoa, acho. Não sei.”

“Interessante.”

“Interessante, isso é tudo o que você tem para dizer?”

“Você deixou ela dormir aqui, Regina, na sua casa. Isso não acontece nunca, então eu não preciso saber mais sobre ela, pelo menos por agora.”

“O que isso significa?”

“Significa que agora estou mais interessada em saber como você está.”

“Estou bem.”

“Sua última mensagem me diz o contrário” Mel respondeu calmamente, passando a mão pelo cabelo de Regina, fazendo com que ela chegasse mais perto “Você disse que estava se sentindo sozinha.”

“É só que... Às vezes isso só me pega, Mel. Às vezes tudo está bem, mas eu deito na minha cama à noite e me sinto…. sozinha. E é ridículo porque eu tenho amigos, eu tenho meu filho, minha mãe, você. É como se eu tivesse esse buraco em mim e eu só percebesse nesses momentos. É como se eu nunca fosse ficar bem. Eu não entendo porque sinto isso”

“Nós não controlamos sentimentos, Regina, às vezes eles só nos encontram em um semana ruim, um dia ruim, um mês ruim. Acredito que todos nos sentimos sozinhos em algum momento, ou em vários deles para ser honesta. E isso não necessariamente está relacionado com quantas pessoas que você tem ou deixa de ter na vida. Acho que quando você está por sua conta, em seu quarto ou em sua cozinha, jantando sozinha, assistindo um filme sozinha, deitada sozinha, acho que esses momentos nos obrigam a pensar, a sentir o que mantemos guardado dos outros o tempo inteiro, liberta algumas partes de nós que insistimos em deixar trancadas.

“Você acha?”

“Acho que às vezes nos sentimos vulneráveis, melancólicas, com saudade de algo que talvez nem existe. Acho que todos temos esse buraco dentro de nós e insistimos em preenchê-lo, seja com amigos, sexo, amor, comida e quando estamos finalmente sozinhos, nós percebemos que ele não está cheio, e começamos a sentir que falta algo em nós, que nos falta companhia, sexo, felicidade. Mas muitos de nós só sentem isso, porque não aprendemos a viver com nossos próprios buracos, nossos vazios. Todos temos algo faltando, até as pessoas que parecem incrivelmente felizes e realizadas, sempre sentimos que falta algo em nós mesmos e eu não acho que isso seja ruim, não se você entender o que essa falta realmente significa. Essa falta talvez nos mantenha indo, buscando coisas, pessoas, sexo, amor, comida, felicidade. Acho que se estivéssemos realmente completos, pararíamos de viver.”

“Isso é o que você aprendeu na sua pesquisa na Espanha?”

“Não, querida. Isso foi o que eu aprendi com a vida… E dez anos de análise.

“É bom ter você de volta em casa”

“É sempre bom voltar” Mel respondeu dando um beijo no topo da cabeça de Regina. “Agora deixa eu ir buscar um copo de água porque estou com sede e não quis atrapalhar seu momento na cozinha.”

“Não foi um momento” Regina respondeu acertando sua amiga com um travesseiro”

“Foi totalmente um momento…” Mel respondeu rindo antes de sair correndo pela porta...

…

Ainda estava escuro quando Emma acordou, seu sono fora agitado, cansativo e pouco restaurador, sua cabeça doía um pouco e ela estava andando ainda meio dormindo quando entrou na cozinha. Só quando encheu o segundo copo com água que Emma percebeu uma mulher desconhecida sentada tranquilamente na cozinha de Regina, sua mão esquerda foi automaticamente para sua cintura, procurando por uma arma que não estava lá.

“Olá” Mel disse calmamente enquanto lia uma revista e levava uma xícara de café até a boca. “Você deve ser a Emma”

“Eu deveria saber quem você é?” Emma perguntou, sua postura agora estava alerta e defensiva.

“Provavelmente. Eu sou Melanie, Mel para os íntimos” Mel respondeu esticando a mão direita para Emma “Você pode apertar minha mão, sabe, eu não mordo.”

“Deixa ela em paz, Mel.” Regina disse entrando na cozinha

“Regina, querida, eu só estava tentando ser simpática.”

“Hum… Alguém pode me dizer o que está acontecendo?” Emma perguntou confusa.

‘Essa é a Melanie, ela aparece às vezes.”

“Agora eu fiquei levemente ofendida. Eu apareço bastante, sou madrinha do Henry, Regina e eu fomos para escola de medicina juntas e bom, outras coisas.”

“Você é patologista também?” Emma perguntou

“Não, eu prefiro os vivos, querida.”

“Ela é uma cirurgiã” Regina interrompeu. “E essa falta de ar que você provavelmente está sentindo, é o ego dela sugando tudo ao nosso redor.”

“Bem” Mel sorriu virando-se para Regina. “eu sempre fui muito boa em fazer você perder a respiração, querida.”

“Eu vou ignorar o que você acabou de dizer.”

“Mas, você...” Mel comentou voltando-se para Emma “É um prazer conhecê-la, poucas pessoas passam algum tempo nesta casa e sobrevivem para contar a história.”

“O que?” Emma perguntou confusa

“Regina não contou a você?”

“Ok, chega, Mel, deixe ela em paz, sério.”

“Você não é divertida.” Mel comentou voltando os para a revista que estava lendo anteriormente

“huuum. Eu pensei em falar com Ruby hoje, Regina” Emma comentou enquanto bebia seu café, ignorando Mel completamente “Amanhã é o interrogatório dela, talvez ela queira que você esteja por perto.”

“Você quer que eu esteja na sala de interrogatório com ela?”

“Não se você não quiser, mas eu achei que talvez fosse importante para ela, você sabe, ter alguém na nossa equipe em que ela confia”

“Acho que seria bom, se ela me quiser lá, então eu posso estar. E eu já lhe disse, Swan. Nós não estamos na mesma equipe.”

“Não? Engraçado, porque para quem não está na mesma equipe que eu, você aparece bastante, Mills. Você quer elaborar um motivo ou você só gosta de me ver por perto, doutora?” Emma perguntou levantando a sobrancelha

“Ok, eu gostei dela” Mel comentou sorrindo, quebrando a tensão na cozinha

“Vocês podem ficar aí se dando bem, eu preciso sair.” Regina respondeu revirando os olhos

“Você vai para delegacia assim cedo? Eu sei que você ama seu trabalho, mas não são nem 07:00 da manhã.”

“Eu tenho um compromisso”

“Você quer uma carona? Estou indo daqui a pouco também.” Emma perguntou

“Não, eu já consigo dirigir, minha cabeça está bem melhor e eu vou para o lado contrário ao seu. Eu tenho uma... consulta.”

“Você está bem?” Mel perguntou

“Estou. Depois nós conversamos, ok? Eu prometo.”

“Ok. Você quer que eu vá com você?”

“Eu sou bem grandinha, mas obrigada. Eu ligo para você depois ok?” Regina perguntou colocando a mão por cima da de Mel e dando um leve aperto.

“Tudo bem”

“Vejo vocês mais tarde” Regina disse antes de sair pela porta.

"Até" Emma respondeu olhando para a própria xícara de café, tentando não prestar muita atenção na cena que acabara de acontecer na sua frente.

“Bem, eu vou me arrumar para ir para o hospital" Mel disse sorrindo, seu corpo invadindo um pouco e espaço pessoal de Emma "acho que vamos nos dar muito bem, Emma Swan….”

…

Regina dirigiu um pouco nervosa até o outro lado da cidade, não era a primeira vez que ela fazia isso, mas fazia um longo tempo desde que ela havia encarado Doutor Luccas. Ela não tinha pensado muito sobre o assunto, mas então, no dia anterior, em um ato de impulso, ela havia mandado mensagem marcando um horário com ele. Luccas era um homem negro em seus 40 e poucos anos, alto e magro. O psicanalista a conhecia o suficiente para apenas responder com o horário que ele tinha disponível, sem nenhuma pergunta. Depois de ficar vinte minutos parada no carro, decidindo se iria ou não, Regina levantou e decidiu que era a hora de encarar o que ela havia prometido fazer.

“Isso é uma perda de tempo” Regina disse assim que entrou na sala, jogando sua bolsa em um sofá grande, sentando em um menor.

“Olá, Regina. Como você está hoje?”

“Arrependida de estar aqui perdendo meu tempo.”

“Nós temos 50 minutos, você escolheu vir até aqui, Regina, cabe a você decidir como quer gastar seu tempo. Nós já discutimos sobre isso.”

“Já, e eu sempre volto, não é mesmo?”

“Sim. Talvez isso diga mais sobre você do que você quer que diga."

“Não começa com essas suas interpretações ridículas.

“O que traz você aqui nessa manhã?” Perguntou ignorando o comentário de Regina “Faz um longo tempo que não nos vemos.”

“Eu tive um ataque de pânico essa semana. Ontem na verdade.”

“E como foi?

“Como sempre é. Eu achei que estivesse sufocando.”

“E como você lidou com isso?”

“Eu não lidei, foi no meio do meu sono, eu acordei chorando muito e não conseguia respirar. Emma conseguiu me acalmar um pouco.”

“Emma? Eu não acho que a conheço.”

“Ela é… ela não é importante.”

“E essa pessoa não importante ajudou você, em sua casa, enquanto você estava tendo um ataque de pânico?”

“Ela está dormindo lá por uns dias.”

“Se ela não é importante, então quem ela é para você?”

“Ela não é ninguém. É uma nova agente que entrou como chefe da equipe da delegacia. Ela é nova na cidade, está aqui faz um mês mais ou menos, o apartamento dela teve um problema e ela queria ficar em um albergue, você acredita nisso? Ela é uma policial e queria ficar em um lugar desses aqui nessa cidade.”

“E por que ela não ficou?” Perguntou depois de um tempo em silêncio

“Ela tentou, mas aí entendeu o que eu quis dizer para ela e aceitou minha oferta.’”

“O que você disse a ela?”

“Que era um lugar muito perigoso para ela e que ela não conhecia nada por aqui. Ela teve a audácia de dizer que sabia como se cuidar, como se isso fosse suficiente. Eu a convidei para ficar na minha casa essas quase duas semanas que ela precisa.”

“Você costuma convidar pessoas para ficarem na sua casa?”

“Você sabe que não, que tipo de pergunta é essa?”

“Mas você a convidou, uma pessoa que não é ninguém para você.”

“O que você esperava que eu fizesse? Ela não tinha para onde ir.”

“Um albergue ainda é um lugar.”

“É, se você quiser arriscar sua vida…. Você não entende? Ela não podia ficar lá”

“Por que você ela é tão importante para você?”

“Ela não é”

“Ela parece importante o suficiente para você não querer que ela corra riscos dormindo em um Albergue.”

“Eu não sei… Eu não sei o que falar”

“Por que você não me fala um pouco mais sobre essa Emma? Essa ninguém, como você se sente sobre ela na sua casa?”

“Ela é, não sei. Ela só aparece, sabe? Mesmo que ninguém convide ou de abertura, ela parece sempre estar lá dando opiniões e tentando se intrometer na vida das pessoas. Ela é irritante também e arrogante. Ela me ajudou um vez, quando tive um ferimento na cabeça, ela me levou para casa e perguntou porque eu não gostava dela. Você pode acreditar nisso? Nós nem nos conhecemos.”

“O que você respondeu?"

“Que não era ela, era o que ela significava.”

"E o que ela significa para você, Regina?"

"Eu não sei direito, eu não sei porque falei isso. Eu não a conheço, ela não me conhece."

“Você deu a ela essa chance?”

“E se eu não quiser dar a ela essa chance?”

“ Você foi a única a convidá-la para ficar na sua casa, entre as suas coisas. Talvez você queira”

“Só não faz sentido”

“E você precisa de uma lógica para tudo”

“Até agora deu certo”

“Deu? Então porque você sempre volta aqui, Regina?”

"Eu vim aqui por causa de um ataque de pânico"

"Sim, mas estamos quase no fim da sessão e você só falou sobre a Emma. Tem certeza que você quis vir pelo ataque de pânico ou ele foi apenas uma boa razão para você falar sobre ela?..."

…

Estava no final do turno quando Regina subiu até a delegacia para finalmente ir embora, as palavras do Dr Luccas ainda rodeavam seus pensamentos. Ela odiava terapeutas. Regina estava quase na porta quando seus olhos encontram um tufo de cabelo loiro em um canto mais afastado da sala escura. Emma estava curvada, com os joelhos dobrados e a testa encostada na mesa. Ela parecia menor e mais cansada do que Regina jamais havia visto. Em um impulso, Regina parou antes de sair completamente da sala e disse com a voz calma:

“Eu vou comer algo antes de ir para casa, você quer vir?”

“Eu?’ Emma perguntou confusa enquanto procurava na sala alguém com quem Regina pudesse estar falando

“Não, o fantasma perto de você, achei que ele parecia triste.”

“O que? Você… você está falando sério?”

“Foi uma brincadeira, Swan. Então, você quer ou não?”

“Achei que você fosse querer jantar com a Melanie, ela não vai achar um problema?.”

“Não, ela provavelmente está no hospital essa hora.”

“Ok, eu topo, se você não se importar de esperar alguns minutos, eu preciso arquivar um documento e huum, jogar um pouco de água no meu rosto.”

“Ok, espero você lá fora.”

“Ok” Emma respondeu ainda sentada no sofá sem ter muita certeza do que tinha acabado de acontecer.

...

O restaurante que Regina havia escolhido era pequeno e aconchegante, nada chique e caro como Emma teria imaginado. As mulheres estavam comendo em um silêncio confortável por pelo menos 20 minutos quando Emma arriscou fazer uma pergunta.

“Então… Por que você foi para um ramo tão… hum… peculiar da medicina?”

“Conversa fiada, sério, Swan?”

“O que? Estou genuinamente curiosa, doutora.”

“Por que você escolheu a carreira policial?”

“Bem, me mostre suas razões que eu mostro as minhas.”

“Eu sempre fui um boa aluna na faculdade…”

“Mentira? Jura? Eu jurava que você matava as aulas para fazer sexo por aí”

“Primeiro, você é uma idiota e segundo, eu nunca precisei matar aula para fazer sexo, e posso te garantir, Swan, sexo nunca foi um problema para mim” Regina respondeu levantando a sobrancelha.

“Você vai me contar sobre isso também?”

“Não. Mas como eu estava dizendo, sempre fui uma boa aluna, sempre tive muitas oportunidades, meus pais sempre tiveram boas condições financeiras então eu tive a chance de participar de muitas coisas ao longo da faculdade. Ao final do internato, Mel estava pronta para entrar em qualquer hospital que a quisesse enquanto eu ainda não sabia bem o que fazer. Um dia eu recebi um e-mail sobre uma palestra sobre Patologia Forense que seria realizada perto da faculdade onde eu estudava. Escutei Dr. Gideon por 3 horas e fiquei apaixonada. Todos os meus amigos acharam estranho, mas bem, eles já me achavam estranha de qualquer jeito. Agora, 15 anos depois, estamos aqui.”

“Eu acho que nunca conheci algum médico que não quisesse ir para o hospital antes de qualquer coisa.”

“Nunca foi meu sonho, acho. Minha mãe é médica, ela é obstetra, eu cresci em hospitais, acho que fiz mais por hábito do que por paixão. Mas aí eu conheci a patologia forense e realmente me apaixonei. Mas e você, por que desistiu de ser terapeuta?”

“Eu trabalhei por algum tempo em consultório, gostava muito, ainda gosto, mas não tem a mesma emoção quer ser policial tem, pelo menos para mim.”

“Por que você saiu de Washington?”

“Minha posição aqui seria melhor, o salário seria melhor e eu vivi por muito tempo em Washington, não estou acostumada a parar muito tempo em algum lugar.”

“Então sua posição aqui é temporária?”

“Não sei ainda, não comemore antecipadamente.”

“Eu não ia, acho que estou me acostumando com você por aqui.”

“Cuidado, alguém pode escutar você, Regina.”

"Melhor não, porque aí eu teria que matar essa pessoa, Swan"

…

O caminho de volta para casa havia sido tranquilo e silencioso, Regina havia sugerido que elas voltassem caminhando, já que o restaurante era relativamente perto de casa e o dono, um antigo conhecido da família de Regina, não se importaria com seus carros no estacionamento. Emma concordou, a loira sempre gostou de caminhar à noite. Emma estava feliz por Regina ter deixado-a chegar perto, pelo menos um pouco, mesmo que esse “perto”, ainda desenhasse uma distância segura. Regina intrigava Emma, enquanto Emma estava sempre agitada, animada e brilhante, Regina era basicamente o oposto, calma, focada, quase tão escura quanto a noite. Regina parecia capaz de ficar horas sem dizer uma palavra, mesmo quando acompanhada de muitas pessoas. Emma possuía anos de experiência clínica, o silêncio geralmente não era um incômodo para ela, mas o de Regina a tocava de uma maneira diferente. Não era desconfortável, não demandava uma necessidade de preenchê-lo, mas fazia com que Emma prestasse mais atenção. Elas seguiram em completo silêncio até entrarem na casa, quando Emma sugeriu brincando que assistissem um filme no sofá e, para sua surpresa, Regina aceitou. Depois de um banho de vinte minutos, elas sentaram no sofá com um pouco de vinho e um balde de pipoca. Emma não sabia o que havia acontecido, mas ela iria aproveitar enquanto durasse.

…

Cora estava voltando para casa quando ouviu algo que parecia estranho ao seus ouvidos. Algo que ela não escutava há muito tempo. Entrando lentamente pela casa, Cora seguiu uma risada alta e incomum que parecia vir da sala, que parecia vir de sua filha. Chegando ao cômodo, ela se deparou com algo que havia perdido nos últimos anos e isso fez com que seus lábios sempre tão rígidos, se esticassem em um largo sorriso. Sentada tranquilamente no sofá da sala estava Regina, rindo facilmente de algo que assistia na TV, a cena era tão incomum que Cora quase perdeu o fato de que sua filha tinha companhia. Uma mulher loira estava sentada no mesmo sofá que Regina e, embora não se tocassem, os espaço entre elas era relativamente pequeno. O olhar curioso de Cora seguiu a loira desconhecida e suas sobrancelhas levantaram em surpresa ao perceber que, enquanto sua filha ria para o que havia na televisão, a outra mulher, bem, ela parecia ter encontrado em Regina algo muito mais interessante de se observar.

“Mãe…” Regina chamou surpresa, tirando Cora de seus pensamentos.

"Olá, filha, parece que temos companhia...."