Winter
7 I gave you ride or die and you gave me games
Notas iniciais
Emma acordou com uma luz fraca invadindo seu quarto através de uma cortina mal fechada. Ela não reconheceu o lugar onde estava e, por alguns segundos, seu coração bateu mais forte contra o peito. Assim que a névoa da manhã clareou seu cérebro e ela conseguiu lembrar o lugar onde estava, um grito vindo do final do corredor a fez pular e quase cair da cama. Emma não estava acostumada a acordar com barulhos, ela morava sozinha por muitos anos, quando o segundo grito soou, agora um pouco mais abafado, a loira pegou sua arma e saiu devagar do quarto, prestando atenção em qualquer coisa que pudesse aparecer. Os gritos abafados vinham do último quarto do corredor, o quarto mais longe da escada. Emma reconheceu aquele quarto como o lugar onde Regina havia entrado na madrugada daquele dia. Parando em frente ao quarto de Regina, Emma ajeitou a arma e abriu a porta devagar. A cena a sua frente não era o que ela esperava.
Regina estava deitada na cama, seus punhos puxando o lençol com tanta força que sua cama estava completamente bagunçada, seus olhos estavam fechados e escorriam lágrimas pelos lados de seu rosto. Com o que quer que Regina estivesse sonhando, era algo muito ruim, porque mesmo com os olhos fechados, Emma conseguia ver que ela estava sofrendo.
“Regina…” Emma chamou com a voz calma.
Vendo que a Regina não reagia, Emma colocou a arma na mesinha de cabeceira e sentou delicadamente na ponta da cama, ela queria segurar Regina nos braços, mas sabia que não era algo que se deveria fazer em situações como essa. Ignorando a vontade de limpar as lágrimas que escorriam pelo rosto de Regina, Emma tentou chamá-la mais uma vez.
“Regina, querida, você precisa acordar…”
“Por favor não…” Regina respondeu com a voz fraca
“Regina, sou eu, Emma. Você precisa acordar”
“Está doendo, por favor, me solta…”
“Regina” Emma chamou de um jeito mais firme. “Sou eu, você está bem. Eu não vou machucar você”
“Eu não….Eu não consigo respirar” Regina respondeu abrindo os olhos.
“Você está tendo um ataque de pânico. Eu preciso que você tente ficar sentada. Eu estou aqui com você. Você acha que consegue?”
“Eu não consigo….”
“Sim, você consegue. Olha para mim. Você precisa respirar fundo, ok? Eu vou colocar sua mão no meu peito, então você vai sentir minha respiração e tentar respirar comigo. Tube bem?”
“EU não consigo” Regina repetiu
“Eu vou ajudar você, não vou a lugar nenhum. Aqui" disse levando a mão de Regina para o seu peito. "Tenta respirar comigo, sinta o ar entrando nos seus pulmões. Está tudo bem, você está segura aqui nessa casa, está segura comigo. Eu não vou a lugar algum…
"Está doendo…"
"O que está doendo?" Emma perguntou já sabendo a resposta.
"Meu peito."
"Você vai ficar bem bem ok? É só respirar comigo."
"Está doendo, Emma."
"Regina, olha para mim. Qual o nome do seu filho?"
"O que?"
"O nome do seu filho, o nome completo dele. Vamos lá, confia em mim e responde minhas perguntas."
"Henry… Henry Danniel Mills."
"Onde você trabalha?
“Na delegacia estadual de Nova York”
"Qual o nome da sua mãe?"
"Cora Mils"
“Quantos anos você tem?”
“41”
“Você tem 41 anos?” Emma perguntou chocada, se arrependendo logo depois.
“Você é um encanto, Swan” Regina respondeu sorrindo fraco, sua mão ainda apertando firmemente o peito...
....
Demorou quase meia hora, mas Emma conseguiu fazer com que Regina se acalmasse. Dando privacidade para morena, Emma saiu do quarto e foi até o seu para trocar de roupa. Quando voltou para cozinha, quase meia hora depois, encontrou Regina, com a aparência cansada e a postura levemente curvada sobre a bancada da cozinha. Assim que Regina a viu entrar, sua postura voltou ao normal e seus olhos retornaram ao tom escuro de sempre.
“Você vai ficar meio para baixo por algumas horas, talvez se sinta mais cansada que o comum durante o dia. É normal” Emma comentou enquanto sentava na bancada em frente a Regina.
“Eu sei.”
“Não é a primeira vez que acontece?”
“Não.”
“Tem algo que eu possa fazer por você?”
“Sim, parar de me olhar como se estivesse com pena" Regina comentou secamente, oferecendo a Emma uma xícara cheia de café"
“Eu não tenho pena de você... Isso aqui pode estar envenenado?” Emma perguntou encarando a xícara
“Talvez”
“Eu tenho coisas para fazer hoje, não sei se seria uma boa morrer agora”
“Pode se acalmar, seria um péssimo dia para ter um corpo na minha casa”
“Algum dia é um bom dia?”
“Alguém já disse que você fala muito?”
“Sim, é meio que o meu charme. Você faz algum tipo de acompanhamento?”
“Uau, você sabe mesmo como entrar no assunto" Regina respondeu secamente, seus olhos nunca encontrando os de Emma
"Foi uma pergunta séria, Regina"
"Acompanhamento Psiquiátrico?”
“Pode ser também, mas eu estava perguntando sobre acompanhamento psicológico mesmo.”
“Tentando ser minha terapeuta?”
“Não posso, o trabalho na delegacia consome meu tempo.”
“Eu fiz acompanhamento por um tempo depois parei.”
“Por que você parou?”
“Porque…” A explicação de Regina foi cortada pelo toque, quase simultâneo, do celular de ambas as mulheres. “Acho que nossa conversa vai ter que ficar para depois, Swan”
“Parece que você foi salva por pouco dessa vez, mas você não vai se livrar de mim tão fácil, doutora” Emma respondeu sorrindo
"Você trabalha no mesmo prédio que eu e está dormindo na minha casa. Eu tenho medo de nunca me livrar de você, Swan"
“Você tem certeza que está se sentindo bem o suficiente para ir?”
“Ótima como sempre e Swan? Não comente isso com ninguém.”
“Eu não sonharia com isso….”
…
Regina havia saído de casa antes de Emma naquela manhã. Emma tentou oferecer uma carona, mas antes que pudesse terminar sua frase, Regina havia afirmado que já estava bem o suficiente para dirigir e que um pouco de ar a faria bem. Uns 20 minutos após Regina ter saído, Emma pegou sua jaqueta marrom e saiu também. Assim que entrou na delegacia, e viu sua mesa rodeada por sua equipe, um sinal vermelho começou a piscar em sua cabeça
“O que vocês fizeram agora?”
“Nós não fizemos nada, Jefferson fez” David respondeu rapidamente
“O que aconteceu?” Emma perguntou encarando Jefferson. Ela tinha acabado de notar que ele parecia mais magro e cansado que de costume.
“Eu recebi uma ligação hoje cedo. Uma ligação de alguém que poderia ajudar no caso.”
“Isso é ótimo, quem era?”
“Um antigo conhecido. Ele disse que tem informações, mas que precisa de algumas respostas antes de dá-las. E que só responderia para uma pessoa”
“Quem é esse amigo?”
“ Richard Nolan” Hook respondeu no lugar de Jefferson. Seus punhos estavam fechados e ele não parecia nada satisfeito com a situação.
“E com quem ele quer falar?” Emma perguntou temendo a resposta. Quando os três homens ficaram em silêncio, ela percebeu na hora quem era a pessoa que Richard havia solicitado.
“Não. Nem pensar. Não.” Respondeu firmemente
“Ele pode nos ajudar, Emma” Jefferson disse com a voz calma
“Nos ajudar? Quem foi que deu autorização para você discutir nossa investigação com um condenado?”
“Eu posso ser seu subordinado aqui, Swan, mas eu não sou seu cachorrinho de caça, eu faço meu trabalho e eu reporto a você, mas você não decide como eu o faço. Eu não fui atrás de ninguém, o advogado dele me ligou e me chamou para ir até lá”
“Você não pode tomar decisões como essa sozinho e depois simplesmente nos informar, cara” Hook disse.
“Eu estava tentando obter informações nesse caso, coisa que Swan nos pediu para fazer.”
“Eu pedi para você seguir uma pista que tínhamos e não visitar um condenado, Jefferson. Ela não está indo.”
“Isso é insano, Jefferson, eu estou com a Emma aqui.” David comentou
“Ela não está indo” Emma repetiu
“Essa pode ser a melhor chance que temos. Nós ainda não sabemos de quem era o sangue na Van, nós só sabemos que um pouco era da Ruby, nós não conseguimos nada das famílias das vítimas que foram encontradas, você não conseguiu nada com Ruby até agora...”
“O sangue coletado na van ainda está em processo no laboratório, Ruby vai nos dar o depoimento dela amanhã. As coisas não estão sem ter para onde ir. Você não pode simplesmente tomar uma decisão porque está frustrado. Você não define as coisas aqui, Jefferson.”
“Nem você, Swan.” Regina disse de repente, fazendo todos olharem para trás. Ninguém havia notado sua presença na delegacia. “Eu vou”
“Parece que eu vou ter que lembrar algo que você vive esquecendo, doutora Mills. Eu sou a chefe dessa equipe e eu estou dizendo que você não vai…”
“Acho que eu que você é que sempre faz questão de esquecer algo, Swan, eu não faço parte da sua equipe, eu não trabalho para você e melhor do que isso, eu não recebo ordens de você.”
“Essa cara, ele com você, com todos vocês.”
“E o que você sabe sobre essa cara, Swan?” Regina perguntou
“Eu sei o suficiente para não confiar em você sozinha com ele.”
“E quem está falando em confiança? Isso não é sobre confiar.” Jefferson disse enquanto revirava os olhos. "E ela não vai sozinha."
“Não, eu não vou autorizar isso. Nós temos outras maneiras.”
“Quais?” Jefferson perguntou “Olha, eu não estou dizendo que eu estou certo, ou que essa é nossa única alternativa, mas eu estou pedindo que você olhe para isso com um pouco mais de calma. Eu não estou tentando passar por cima da sua autoridade. Mas me responda uma coisa, se fosse você que ele estivesse chamando, você iria?”
“Por que você acha que ele chamou a Regina? Por que não outra pessoa? Ela não é uma agente, ela não trabalha com isso. Por que não você, Jefferson?”
“Porque Regina era a pessoa mais próxima dele depois de, bem, depois de mim e ele quer falar com ela e não comigo”
“Ele quer jogar com vocês.”
“Eu sei” Jefferson admitiu com um suspiro “Você acha que eu quero ela lá? Mas eu prefiro perder entrando no jogo do que ficar no banco sabendo que eu poderia ter tentado. Ele pode ter informações. Se fosse outro cara, qualquer outro cara, nós não estaríamos tendo esse problema todo”
“Se fosse qualquer outro cara, ele estaria falando com um agente e não com uma médica. Eu não concordo com isso.
“O que você concorda não me interessa e vocês dois podem para de falar como se eu não estivesse aqui.” Regina respondeu friamente. "Eu tive 4 corpos na minha mesa neste caso e até agora nada, se essa conversa puder ajudar, eu vou.”
“Tudo bem. Se é isso que você quer, então tudo bem.”
“Mas?” Hook perguntou
“Mas Regina não vai entrar naquela sala sem mim.”
“Você não decide…” Regina começou, mas seu argumento foi interrompido por um pigarreio forte atrás dela, sentada em uma mesa, observando toda discussão, estava a Tenente Abigail Tron.
“Na verdade, ela decide sim, Regina.”
“Abigail…”
“Não, Regina. Eu não vou criar essa discussão, até porque não tem o que discutir. Emma está certa, inclusive no fato de contestar tanto sua ida até lá.“
“Mas…”
“Sem mais. Eu não sei em que momento vocês viraram um grupo de adolescentes, mas Emma está certa. Ou a detetive Swan vai com você, ou esta visita está fora de questão. Isso é uma ordem”
“Por que vocês estão me tratando como um criança que não sabe o que faz?”
“Na verdade” Emma interrompeu “eu estou tratando você exatamente pelo que você é, doutora. Uma médica não uma agente. Eu discordo totalmente dessa tentativa, mas se todos na equipe concordarem que é uma boa ideia, então ok. Mas você não vai sair daqui sem seguir as minhas ordens.”
“Quem você pensa que é para me dar ordens?” Regina perguntou com raiva dando dois passos para frente, seu corpo a centímetros do de Emma.
“Alguém que aparentemente tem um pingo de noção nesse lugar. Você vive repetindo que não está na minha equipe, doutora, mas se você quiser fazer parte desse caso, então eu sugiro que você decida de qual equipe você é. Porque se você quiser ir até lá, se você quiser falar com ele por conta desse caso, então você vai estar interferindo no meu trabalho e terá que seguir minhas regras.”
“Você está adorando isso, não está?” Perguntou em um tom baixo, sua respiração trazendo um arrepio para o corpo de Emma.
“Ele quer brincar com você.”
“Você não sabe nada sobre mim.”
“E a culpa é de quem?”
“Isso é o suficiente” Abigail interrompeu. “Agora eu sugiro que vocês deem um passo para trás e se acalmem. Swan, você pode ler a última atualização do caso enquanto Regina se acalma na minha sala, depois vocês estão livres para ir.“ Seu tom de voz era severo, não abrindo espaço para discussões. Emma balançou a cabeça e saiu irritada da sala enquanto Regina seguia Abigail em silêncio.
...
A viagem de carro até a penitenciaria foi silenciosa e desconfortável. Emma odiava o lugar para onde estava indo. A penitenciária de Auburn ficava em uma cidadezinha de 28 mil habitantes no estado de Nova York. O presídio era conhecido como um dos sistemas mais fechadas do mundo e por ter abrigado a primeira execução em uma cadeira elétrica nos Estados Unidos. Emma sentia arrepios toda vez que pisava naquele lugar, tudo nele era frio, seco e cinza. Regina havia ficado em silêncio a viagem inteira. Toda relação que Emma havia construído naquela manhã estava desfeita.
“Você está pronta para isso?” Emma perguntou enquanto parava o carro no estacionamento quase deserto
“Sim” Regina respondeu
“Você pode falar comigo, você sabe disso, não é?.”
“E o que você acha que eu estou fazendo nesse momento?”
“Mentindo” Emma respondeu saindo do carro.
“Porque você sempre tira conclusões precipitadas sobre mim?”
“Porque minhas conclusões são a única coisa que eu tenho, você não me fornece nada.”
“E o que você espera, detetive Swan? Que eu sente no meu sofá enquanto você faz trancinhas no meu cabelo e nós dividimos nosso segredos sujos?”
“Eu não sei, você tem muitos segredos sujos, doutora?”
“Você não está preparada para descobrir, detetive”
“Por que? Dizem que eu sou ótima descobrindo as coisas”
“Porque existem coisas que se você tem que perguntar, detetive, então é porque você não está preparada para resposta. Podemos ir agora ou você quer continuar com esse bate papo animador?”
“Você só me deixou com mais vontade de descobrir.”
“Você acha que isso é um jogo, não é? Que eu sou um dos seus misteriosos casos a serem descobertos.”
“É exatamente o contrário.”
“O que isso significa?”
“Nada. Você está pronta para ir?”
“Como eu nunca estive em toda minha vida…”
“Regina” Emma chamou quando elas entravam no prédio
“Sim?”
“O que quer que aconteça lá dentro, eu estou aqui para você. No momento em que você quiser sair, nós vamos sair”
“Obrigada...”
…
No momento em que Regina entrou no presídio, logo após mostrarem seus registros profissionais, a morena sentiu um arrepio correr por sua espinha e o pânico ameaçou tomar conta do seu corpo. Quando mais elas caminhavam, mais perto ficava e mais apavorada Regina se tornava. Foi apenas quando Emma parou e colocou a mão em seu ombro, que Regina percebeu que a sala havia finalmente chegado. Disposta a não demonstrar fraqueza novamente na presença de Emma, Regina ergueu a cabeça, respirou fundo e disse para loira que ela estava bem. Emma parecia um tanto cética, mas mesmo assim deu permissão para um dos guardas destrancar a porta. Assim que entrou na sala, mesmo que por poucos segundos, quando os olhos de Regina se encontram com os marrons que ela jurou nunca mais ver, seu coração parecia ter parado de bater.
“Gina, quanto tempo. Eu abraçaria você, mas seu novo cão de guarda aí” Apontou com a cabeça para Emma. “exigiu que eu ficasse completamente algemado a cadeira.”
Richard era um pouco diferente do que Emma lembrava, seu cabelo era castanho claro e comprido, um tamanho que quase tapava seus olhos claros. Mesmo sentado em um cadeira, com suas mãos e pés algemados, era óbvio que se tratava de um homem alto, Emma chutaria 1.85 ou mais.
“Que bom que você está aqui para nos dar informações e não para abraços, não é?” Emma perguntou olhando diretamente nos olhos de Richard. Regina continuava calada.
“Olha só, o cachorro fala.”
“Você quer realmente descobrir o que mais eu sou capaz de fazer?”
“O que você quer comigo?” Regina perguntou interrompendo a conversa entre os dois
“Saber como você está, querida. Faz mais de um ano. Imagina a minha tristeza por saber que minha melhor amiga, minha amante... não veio me visitar.”
“Eu não sou sua melhor amiga, muito menos sua amante. Você é...”
“O que eu sou, Regina?
“O que você sabe sobre o caso que estamos investigando agora?” Emma perguntou bruscamente, tentando focar a conversa onde ela queria
“O que eu sou, Regina?” Richard repetiu ignorando Emma.
“Nós estamos aqui para conversar sobre o caso, se você não puder responder, então vamos embora.” Emma afirmou com a voz calma
“Eu posso responder, dar nomes até, mas só se vocês responderem às minhas perguntas também.”
“O que você acha que é isso, um jogo? Se você não tem nada para nos dar…”
“Calma aí, agente, você sabe como isso funciona melhor do que eu. Vocês me dão algo que eu quero e eu dou algo em troca a vocês.”
“E o que você quer?” Regina perguntou com a voz baixa
“Uma conversa com você. Eu te faço dez perguntas e se você me responder sinceramente eu respondo as perguntas do seu cão de caça.”
“Isso é ridículo.” Emma protestou
“Tudo bem” Regina respondeu quase no mesmo momento que Emma. Sua voz estava forte agora, mas sem emoção alguma. Era quase como se ela tivesse desligado.
“Ele não decide as coisas, Regina.”
“Você tem um ideia melhor, Swan? Você tem dez perguntas” Disse sentando-se em frente a Richard. “Depois disso esse show acaba.”
“Ok, como você está?”
“Maravilhosamente bem…”
…
A volta para casa havia sido completamente desconfortável. Emma não conseguiu nenhuma resposta que fosse realmente relevante para o caso. Ela sabia disso desde o início. Richard só queria testar sua antiga equipe, brincar com Regina e ele havia conseguido. Ele havia perguntado sobre a vida pessoal de Regina, seu filho, sua casa, seus relacionamentos, até mesmo o que havia acontecido na noite em que ele fora preso. Regina respondeu todas calmamente, mas mesmo assim Richard não havia dado nenhuma informação pertinente. Emma tentou puxar conversa no carro enquanto elas voltavam, mas Regina não dissera uma palavra, apenas pediu para que Emma a levasse direto para casa. Assim que chegaram, Regina foi para sala de estar para ligar para o seu filho. Emma sentia-se estranha na casa de Regina agora mais do que nunca, era como se ela estivesse machucado a mulher apenas por estar ali. Ela estava com raiva de Richard, com raiva da sua nova equipe que não parecia apoia-lá, com raiva da sua relação com Regina que sempre parecia dar um passo para frente e dez para trás. Quando a loira parou na cozinha para pegar um copo d'água, um arrepio atravessou seu corpo. Ela era incapaz de tirar da cabeça tudo que havia acontecido com Regina, tudo o que a morena havia passado, tudo o que Richard havia contado naquela sala sobre aquela noite.
“Não foi aqui” Regina disse parando atrás dela. Às vezes Emma tinha a impressão de que Regina podia ler seus pensamentos. Isso era incrível e assustador ao mesmo tempo.
“Eu não estava…”
“Não?"
“Sinto muito”
“Eu morava na minha própria casa quando aconteceu”
“Sinto muito, eu não queria me intrometer.”
“Depois do que você escutou hoje, duvido muito que você possa se intrometer mais.”
“Eu sinto muito.”
“Pelo quê?”
“Por tudo. Por ter sido jogada no meio disso tudo, por ter aceitado que você fosse até lá, por estar aqui.”
“Não sinta, você não teve nada a ver com o que aconteceu. Ir até lá não era uma escolha sua e você está nesta casa porque eu convidei”
“Eu sei, mas às vezes eu sinto que estou te machucando apenas por estar por perto. Eu sei que não faz sentido.”
“Não, não faz.”
“Então me diz, Regina. Por que você sempre me olha como se estivesse prestes a se machucar?”
Regina não respondeu, em vez disso deu um passo para frente e a encarou atentamente por alguns segundos fazendo com que Emma engolisse em seco. Emma não recuou, ela não sabia se Regina gritaria com ela ou a mandaria embora, provavelmente as duas coisas. Mas então, para sua surpresa, Regina fez algo que ela não esperava e, que se contasse para alguém, provavelmente ninguém acreditaria. Em um silêncio completo, Regina deu mais uma passo para frente e a abraçou.
“Obrigada por hoje” Regina sussurrou perto do seu ouvido. Sua voz foi tão baixa que Emma cogitou ter imaginado. Depois, como quem simplesmente deseja bom dia, Regina virou as costas e saiu, deixando Emma estática no meio da cozinha se perguntando se o inferno tinha acabado de congelar...
…
Regina subiu as escadas até seu quarto se perguntando porque ela havia abraçado Emma Swan. Não foi algo premeditado, ela simplesmente fez o que estava com vontade de fazer, sem saber ao certo de onde essa vontade tinha vindo. Foi só quando chegou na porta de seu quarto que ela percebeu que fazia muito tempo desde que havia abraçado alguém, além de seu filho, por vontade própria. Assim que abriu a porta, Regina teve seus pensamentos interrompidos por uma voz conhecida.
“Então, temos uma convidada especial essa noite?”
“Mel? O que você está fazendo aqui? Não era para você estar na Espanha?” Regina perguntou encarando a mulher loira deitada em sua cama. Mel sorriu parecendo muito confortável, vestindo uma camisola e segurando um livro nas mãos....
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