Winter
6 I am the storm
Notas iniciais
Regina andava de um lado para o outro sem saber muito bem o que fazer, ela precisava respirar, mas o ar não parecia encher seus pulmões completamente. Ela havia checado se as portas e janelas estavam trancadas umas cinco vezes antes de finalmente, sentar em seu sofá com uma garrafa de vinho. Regina sabia que não deveria beber, geralmente ela bebia uma taça ou duas no máximo, mas estar sozinha em casa, dessa vez, fez suas mãos tremerem um pouco. Ela havia garantido a sua mãe e seu filho que ficaria muito bem sozinha, mas agora, depois de tudo o que havia acontecido, ela não tinha mais tanta certeza. Foi difícil para Regina admitir que havia voltado ao trabalho, logo após ao acidente, pelo simples fato de que todo aquele estresse estava fazendo com que ela voltasse com o velho pavor de estar sozinha. Esse pavor existia desde o ano passado, quando alguém que ela uma vez chamou de amigo, havia colocado uma faca em sua garganta. Os médicos diziam que era por conta da situação estressante e os psicólogos queriam que ela falasse sobre aquela noite, mas ela não queria falar, Regina detestava psicólogos e odiava terapia. Quando sua respiração estava quase voltando a normal, seu celular começou a tocar…
“Doutora Mills”
“Hey, Regina.”
“Detetive Swan, eu não sou uma criança, você não tem que se certificar de eu estou viva.”
“Hummm… bom… É sempre bom saber que você está viva, mas não foi para isso que eu liguei”
“Ó… então… O que você quer?”
“Nós encontramos uma nova vítima, bom, ela nos encontrou.”
“Outro corpo?” Regina perguntou,levantando-se rapidamente do sofá.
“Não, essa vítima está viva.”
“Bem, isso é novo.”
“Sim.”
“É muito bom também, para a pessoa e para o caso.”
“É sim.”
“Eu só não entendo o porque de você ter me ligado. Não que eu não tenha ficado agradecida por saber, mas, detetive Swan, eu trabalho com pessoas mortas.”
“Sim, eu sei, mas eu realmente preciso da sua ajuda aqui. É uma garota, Regina, 20 anos. Ela está machucada e apavorada. Ela se recusa a ir para um hospital, então eu sugeri que ela deixasse uma amiga minha olhar seus ferimentos.”
“Amiga sua? Desde quando somos amigas?”
“De todas as coisas que eu disse, foi só isso que você escutou?”
“Eu chego aí em vinte minutos”
“Você não quer que eu vá buscar você? Você estava mal hoje mais cedo e seu carro ainda está aqui.”
“Eu vou pegar um táxi, mas obrigada.”
“Vejo você em vinte minutos?”
“Menos se o trânsito estiver tranquilo”
…
“Ruby?” Emma chamou ao entrar novamente na sala onde Ruby comia e conversava, mais escutava do que conversava, com Hook, David e Abigail
“ Sim?”
“Aquela pessoa que eu falei, a que pode olhar seus ferimentos, ela está vindo."
“Ela poder olhar meus ferimentos aqui mesmo?”
“Sim, ela pode. Assim como nós combinamos. Sua avó está chegando também, ela está louca para ver você.”
“Eunaõqueriaqueelamevisseassim”
“Desculpe, eu não entendi o que você disse, você pode respirar e repetir?”
“Eu..Eu não queria que ela me visse assim.”
“Machucada?”
“Não, meus machucados não são tão visíveis com roupas. Eu não queria que ela me visse assim, como um lixo humano.”
“Querida? Abigail chamou com uma voz doce que surpreendeu Emma. “você não é um lixo humano e ela vai amar ver você, independente de como você estiver. Mas se fizer você se sentir melhor, nós temos um chuveiro no laboratório da doutora Mills, a moça que vai cuidar de você e… bom, eu tenho uma filha, ela tem a sua idade, eu posso pegar algumas roupas para você.”
“Não, eu não quero ser um incômodo para ninguém.”
“Você não é. Eu tenho que passar na minha casa de qualquer maneira. Por que você não vai com a senhorita Swan até a sala da doutora Mills e trago para você algumas roupas?”
“Posso?” Perguntou virando-se para Emma.
“Claro que você pode. Regina já está quase chegando, nós podemos esperar lá, mas acho melhor ela olhar seus machucados depois de um banho.”
“Ok… Você vai ficar perto de mim?”
“O tempo todo…”
…
As mulheres não estavam nem há dez minutos esperando quando Regina apareceu. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e o machucado em sua testa parecia pior, muito pior. Mesmo com toda sua postura série, Regina parecia cansada.
“Hey , Regina. Você está melhor?”
“Sim, um pouco”
“Você dirigiu até aqui?”
“Peguei um táxi, e o machucado está melhor do que realmente parece.”
“Se você diz…”
“Olá” Regina sorriu na direção de Ruby. “Eu sou a doutora Mills, mas você pode me chamar de Regina.”
“Olá” Ruby respondeu com uma voz fraca.
“Detetive Swan disse que você tinha alguma machucados, posso olhar?”
“Detetive Swan? Achei que vocês fossem amigas”
“Não somos” Regina respondeu sinceramente. “Mas Swan confia em mim e eu... bom, eu confio nela.”
“Você é bem sincera, não é?”
“Eu tento. Swan… Emma, ela é um ótima pessoa e tem um coração enorme. O fato de não sermos amigas não significa que eu não posso ajudar você.”
“Regina é ótima, ela pode realmente ajudar” Emma comentou, quase mordendo a língua para não fazer alguma piada com o fato de que Regina tinha acabado de elogiá-la”.
“Como você fez isso na testa?” Ruby perguntou passando os dedos pelo machucado de Regina.
“Uma van bateu no meu carro essa madrugada.”
“Fui... eu?”A van que eu estava? Eu sinto muito…
“Sim, a van onde você estava, Ruby, mas não foi sua culpa e meio que foi o acidente que fez você chegar até aqui.”
“Eu sinto muito?”
“Não sinta, fico feliz que você esteja bem”
“Você é médica?”
“Sim, mas trabalho como patologista, na verdade. Você é minha primeira paciente viva em anos.”
“Isso era para ser animador?” Emma perguntou rindo.
“O que?”
“Não é a primeira coisa que você diz quando atende uma pessoa, sabe? “Olá, eu trabalho com pessoas mortas”, não parece muito confiante” Ruby respondeu rindo.
“Pouco tempo com a detetive Swan e você já está fazendo piadas ruins?”
“É bom pelo menos tentar”
“Eu vou precisar que você levante sua blusa ou tire ela. O que deixar você confortável.”
“Eu posso tirar”
“Ok, vamos ver o que podemos fazer nesse corte”
“Vai doer?”
“Um pouco, mas eu prometo fazer com cuidado. Porque você não fala um pouco enquanto eu faço isso? Pode aliviar a dor, como você está se sentindo?”
“Eu não sei? Quer dizer… eu estou feliz, ou eu deveria estar”
“Não, você não deveria” Respondeu rapidamente, fazendo Emma e Ruby olharem para ela. ”Você não deveria sentir nada que você não esteja pronta para sentir, nem felicidade.”
“Mas eu estou aqui enquanto… enquanto eles ainda estão naquele lugar. É egoísta eu não estar feliz ou…”
“Ou?”
“Segura.”
“É difícil, não é? Se sentir segura depois de tudo”
“Sim, mas…”
“Mas?”
“Eu sinto como… Como se fosse bobagem, sabe? Quer dizer, eu estou em uma delegacia, as pessoas estão me tratando bem, cuidando de mim, mas mesmo assim é como… Como se meu cérebro ainda estivesse apavorado.”
“Você passou por coisas ruins, Ruby. Você viu coisas. Não fácil confiar nas pessoas. Está tudo bem ter medo, você pode sentir as coisas
“Mas... e se eu nunca mais confiar em ninguém? E se eu não conseguir fazer minhas coisas, ter amigos?”
“Eu confiei muito em alguém uma vez e, bom, essa pessoa não era quem eu esperava que fosse. Ele fez coisas muito ruins, ajudou pessoas muito ruins e prejudicou muitas vidas inocentes. Um dia, quando todo mundo já havia descoberto o que ele fez, ele foi até a minha casa. Ele estava bêbado e desesperado. Ele colocou uma faca na minha garganta e fez essa cicatriz” Disse tocando distraidamente a cicatriz nos lábios
“O que ele fez?”
“ Ele disse coisas horríveis. Às vezes, quando eu fecho meus olhos, principalmente à noite, quando tudo está muito silencioso e o mundo parece estar calmo, eu consigo sentir meu coração acelerar por nenhum motivo, eu sinto minhas mão suarem. Eu quase posso sentir o pavor se espalhando pelo meu corpo, à vezes eu sinto. Ele era um homem apenas, e não tem um dia em que eu não sinta o que ele fez. Não desvalorize o que você sente, o que você passou. Não importa se você acha que tem sorte por ter escapado, porque, mesmo que você tenha tido sorte, você ainda sofreu e agora o peso de ajudar todas aquelas pessoas está em você. Não tenta engolir seus sentimentos, é real, e você tem todo direito de sentir.
“E se eu nunca voltar a ser eu mesma?”
“Você é você mesma, mas você não mais a garota que era antes do que aconteceu. Coisas aconteceram e mudaram você. Eu não posso dizer que vai passar amanhã, não posso dizer que eu sei o que você está sentindo, porque eu não sei. Mas eu posso afirmar uma coisa com toda certeza, você pode ficar melhor, seus sentimentos vão ficar mais claros, as coisas que você passou… você nunca vai esquecer, mas elas podem melhorar. Isso eu posso garantir...” O celular de Emma começou a tocar interrompendo a conversa. Regina chegou a se assustar um pouco, por alguns minutos ela esqueceu que não era apenas ela e Ruby na sala
“Desculpe” Emma pediu envergonhada. “mas eu vou ter que atender isso, meu síndico não para de ligar.”
“Quase um mês na cidade e você já irritou até seu síndico, Swan, é um novo recorde”
“Você é sempre um doce, Regina.”
“Eu faço o meu melhor. Aqui Ruby, acho que fechamos esse primeiro machucado”
“Obrigada, doutora”.
“Você pode me chamar de Regina e eu nem comecei ainda”
“Você já começou sim…”
…
Regina continuou cuidando dos machucados de Ruby enquanto elas escutavam a conversa estranha que Emma estava tendo com seu síndico. Às vezes, Emma olhava e sorria para elas, mas Regina sabia que não era um sorriso animado. Ela estava terminando os pontos na barriga de Ruby quando escutou Emma falar com raiva.
“Mas eu não tenho lugar para ir, eu não conheço nada por aqui. Onde você acha que eu vou encontrar um lugar essa hora? Isso deveria ser sua preocupação e não minha. Ok. ok. Eu vejo isso depois” Disse desligando o celular. “Eu sinto muito por isso, gente”
“Não se desculpe” Ruby respondeu sorrindo “é bom ouvir sobre problemas cotidianos, é quase como ter uma vida novamente.”
“Problemas no paraíso?” Regina perguntou olhando para Emma
“Meu vizinho de cima está fazendo uma reforma, parece que tinha uma infiltração e ele…. Eu não entendi muito bem, mas tem perigo de metade do chão da cozinha dele acabar no meio da minha sala. Parece que já caiu um pedaço.”
“Alguém se machucou?”
‘Sim, mas nada grave. Um dos homens que estava trabalhando quebrou o pé.”
“O que você vai fazer?”
“Não tenho ideia. Tudo que eu não preciso é ter que procurar um lugar para ficar nessa cidade infernal.”
“Bom, tem um sofá na delegacia”
“É, você é sempre de grande ajuda, doutora Mills.”
“Eu faço o meu melhor por você, querida”
“É, eu sei, pode ter certeza”
“Então” Ruby chamou baixinho, interrompendo a conversa das duas… há quanto tempo vocês estão juntas?
“O que?” Emma e Regina perguntaram ao mesmo tempo
“Não, só não. Nós…”
“Por que você acha isso?”’ Regina perguntou com calma, ela sabia que Emma não conseguiria terminar nenhuma frase.
“Vocês brigam e flertam como um casal”
“Nós não…”
“Ruby?” David chamou através da porta, sem perceber para o alívio de Regina. “Tem uma pessoa lá em cima que quer muito ver você.”
“É minha avó? Ela chegou?”
“Sim, ela está louca para ver você.”
“Como... Como ela está?”
“Por que você não vai até lá e pergunta? Aposto que ela vai ficar muito feliz.”
“Eu já posso ir?” Ruby perguntou encarando Regina.
“Claro, mas nós vamos ter que conversar depois que eu receber o resultado dos exames que fizemos hoje. E por mais que eu seja muito boa no que faço, você precisa de exames que eu não posso fazer aqui”
“Tudo bem, podemos falar sobre isso depois?”.
“ Claro”
“Obrigada, Regina, obrigada a vocês duas, por tudo.”
“Vamos lá encontrar sua avó... “
….
O abraço que Ruby deu em sua avó foi uma das coisas mais bonitas que Emma tinha visto em muitos anos. Às vezes, em dias como esse, a loira tinha certeza que escolhera a profissão certa.
“Acho que ela pode estar com TSPT*” Emma comentou para David e Regina que também olhavam para a cena na frente deles.
“O que é ...”
“Transtorno de estresse pós traumático” Regina respondeu antes que David pudesse terminar a pergunta. “É bem provável.”
“Isso é muito ruim?”
“Ela vai precisar de um bom suporte.” Emma respondeu. “Não que ela não fosse precisar de qualquer maneira.”
“Você acha que ela pode ajudar no caso?”
“Muito.”
“Quanto tempo vamos esperar até falar com ela sobre isso, Emma?”
“Só até amanhã.”
“Só isso?”
“Ela comentou sobre a existência de outras vítimas, o que ela falou... nós precisamos agir o mais rápido possível”
“Nós vamos pegar essas pessoas, Emma.”
“Nós temos”
“ Ainda tentando resolver com seu síndico?” Regina perguntou quando notou que Emma não parava de olhar para o celular.
“Sim, mas acho que não tenho muito o que fazer”
“O que aconteceu?” David perguntou;
“Aconteceu algo com o apartamento de cima e agora eu vou precisar procurar um lugar para ficar por pelo menos uma semana e meia.”
“Eu ofereceria minha casa, mas estamos na casa dos meus sogros por um mês até a reforma da minha ficar pronta. Mas você pode usar o sofá até conseguir algo.”
“Obrigada, David, mas acho que já deve ter gente demais na casa.”
“Você não tem nenhum lugar para ir? Alguma pessoa para ficar uns dias?”
“Não, eu não conheço ninguém aqui e eu usei quase todo dinheiro que eu tinha guardado para comprar aquele apartamento.”
“E o dinheiro da sua transferência?”
“Eu tenho que completar um mês aqui, porque vai vir junto com meu salário.”
“Será que sua família não pode emprestar algum dinheiro?”
“É, vou ver se falo com alguém”
“Você sabe que pode contar comigo se precisar.”
“Eu sei, obrigada mesmo, David”
Os três ficaram mais alguns minutos olhando Ruby abraçar calorosamente sua avó, até Hook e Jefferson chegarem e eles começarem a rir e conversar sobre outras coisas. Abigail olhava de longe sorrindo, embora seu sorriso fosse mais para interação da sua equipe do que para Ruby e sua avó. Depois de um tempo, ela achou que era a hora mandar todos para casa..
...
Emma estava saindo da delegacia quando encontrou Regina encostada em seu carro. Nevava em N.Y e a mulher usava um sobretudo grosso e preto que ia até seu joelho, calça preta e uma bota alta e preta também. Toda essa escuridão criava um contraste perfeito, e quase poético, com a neve que descia lentamente sobre seus ombros. Pela primeira vez, desde que havia entrado para a equipe, Emma realmente olhou para Regina. A mulher tinha um rosto quadrado, pálido e cansado, mas, ainda sim, surpreendentemente bonito. Ao olhar diretamente em seus olhos, Emma teve a impressão de que aquela era a mulher mais estranhamente fascinante que ela já havia visto na vida. Seus olhos, assim como suas roupas, eram escuros e opacos, quase sem brilho algum. Esses olhos tão hipnotizantes, junto com seus lábios vermelhos, faziam com que fosse quase impossível não olhar para ela. Os poucos sorrisos que exibia mostravam que talvez, e apenas talvez, ela ainda acreditasse em alguma coisa no mundo, mesmo que seu trabalho a obrigasse a ficar rodeada de corpos sem vida, porém não se sabia ao certo. Nada sobre ela era certo. Porque, mesmo que seu sorriso aparecesse em raras ocasiões, Regina ainda sim se mostrava apática a quase tudo, ostentando, quase sempre, um instigante ar de indiferença.
“Você precisa de uma carona?”
“Também.”
“O que mais eu posso fazer por você, doutora Mills?”
“Ruby vai ficar segura?”
“Sim, ela e sua avó vão ficar em uma casa segura e vigiada até que a gente consiga resolver isso.
“Você vai conseguir?”
“Eu espero que sim”
“Bom”
“Sim. Nós podemos ir agora? Essa neve está congelando meu cérebro.”
“Você tem um cérebro?” Regina perguntou com um sorriso fraco.
“Sério? Você quer perder sua carona?”
“Quanto tempo?”
“O que?”
“Quanto tempo até arrumarem o teto do seu apartamento?”
“Eles disseram que em uma semana e meia, no máximo duas, eu já poderia voltar.”
“Você sabe onde vai ficar?”
“Em um albergue, acho. Eu vi alguns em um site.”
“Esses lugares são horríveis.”
“Obrigada. Não é como se eu tivesse me estabilizado aqui. Eu usei quase todo meu dinheiro para comprar aquele apartamento.”
“Acho que não foi uma das suas melhores escolhas.”
“Quer saber? Eu não sei porque eu ainda tento conversar com você.”
“Meu filho foi viajar com a minha mãe… Eles foram para Paris em uma reunião na empresa da minha mãe e já vão aproveitar para visitar alguns parentes nossos.
“Legal? Quer dizer, deve ser bom para o seu filho, certo?” Emma perguntou confusa
“Sim, eles sempre viajam juntos”
“Humm…. Legal?”
“Você pode vir.”
“Onde? Regina, você está bem? Porque essa conversa toda meio que não está fazendo sentido, sua concussão pode ter piorado e… “
“Eu estou oferecendo minha casa, senhorita Swan. Eu não conheço você, então se meu filho estivesse em casa eu jamais convidaria você…”
“Espera, você está me convidando para ficar na sua casa?”
“Esse lugar que você quer ir é deprimente e perigoso…”
“Eu sei me cuidar, Regina. Eu não sei se você percebeu, mas eu trabalho para polícia.”
“Exatamente. Você não conhece nada por aqui, porque se você conhecesse, você não iria para lá. Olha, você pode pensar que eu estou dizendo isso porque eu não sei do que eu estou falando, porque eu moro em um bairro como aquele. Ou que eu sou alguma daquelas pessoas ricas que acham que qualquer lugar é perigoso.”
“Eu não… “
“Olha, você está certa, você sabe se cuidar. Eu não vou ficar dizendo o que você deveria fazer. Você sabe onde eu moro.”
“Eu… ok? Obrigada por oferecer sua casa. Eu… Eu não quero incomodar você.”
“Você sempre incomoda, mas eu prefiro que você continue viva. Eu estou falando sério, vários corpos que eu recebo no necrotério são de lá. É um lugar barra pesada e eu sei que você sabe se cuidar, mas...”
“Mas?”
“Você é uma mulher e uma policial”
“Eu realmente aprecio sua preocupação, na verdade, estou até surpresa com ela. Mas eu vou dar uma olhada no local antes de tirar conclusões. Mas primeiro, eu vou te levar para casa.”
“Ok”
“Regina?”
“Sim?”
“Obrigada..”
….
Era quase uma da manhã quando Emma parou na frente da casa da Regina. Ela havia ficado duas horas no albergue antes de finalmente admitir que não ia dar certo. Ela podia sentir seu orgulho ser dizimado quando bateu na porta de Regina.
“Então…” Disse sem jeito assim que uma Regina de camisola abriu a porta.” Aquela oferta ainda está de pé?”
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