Winter
1 Capítulo 1 - O bilhete borrado
Capítulo 1 – O bilhete borrado
Sherlock levantou-se com as batidas insistentes na porta. Baixas e cautelosas, mas insistentes. Deixou a cama devagar para não acordar a esposa e procurou rapidamente por sua camisa e a vestiu, abrindo a porta em seguida.
– O que houve, Kitty? Muito cedo pra se levantar num dia em que não temos nenhum caso...
– Eu sei, é que... Levantei cedo e vi que há um entregador na porta lá embaixo. Acho que são seus cadeados. Está mesmo aumentando a coleção?
– Sim, fechaduras novas que ainda não tive o prazer de arrombar. Se for atender a porta, leve seu spray de pimenta. Não é porque você tem 21 anos agora e trabalha novamente como consultora que eu e Joan vamos descuidar de você.
– Ela ainda está dormindo?
– Sim.
– Não vai acordá-la?
– Hoje não. Tivemos uma noite muito agitada ontem – ele falou com um sorriso travesso.
– Ok, eu não quero que conte os detalhes disso – ela falou enfaticamente quando Sherlock reprimiu uma risada.
– É melhor correr antes que o entregador desista.
– Certo.
A garota desceu as escadas. Sherlock a olhou até que desaparecesse e voltou para dentro quarto, verificando o entregador pela janela. Kitty ainda não havia chegado lá, mas se tranquilizou ao ver que se tratava do entregador de sempre e voltou para a cama para sentar-se ao lado de Joan. Ela dormia serenamente usando seu calção cor de rosa e a camisa de Sherlock que dizia “I am not lucky, I am good”. O inglês passou longos minutos perdido admirando a beleza de sua mulher enquanto afagava seu cabelo longo, deslizando a mão para acariciar seu rosto. Só então ela reagiu, pondo a mão sobre a dele num aperto suave, ainda sem abrir os olhos.
– Bom dia... – ela falou baixinho.
– Bom dia, querida.
Deitou-se ao lado da chinesa e a puxou para ele enquanto a beijava longamente, sentindo-a enlaçar seu pescoço enquanto as mãos dele passeavam em suas costas. Separam-se uma eternidade depois tentando recuperar o oxigênio.
– Pare com isso ou não vamos sair daqui hoje – ela riu, finalmente o encarando – Nunca dormi tão bem. Mas estou com fome e quero tomar banho e caminhar um pouco. Sabe que eu amo você e que agora não há mais barreiras entre nós. As últimas horas foram maravilhosas e foi só um de muitos momentos.
– Eu te amo, Joan – sorriu para ela antes de beijá-la novamente – Vamos nos levantar então. Adoraria ir com você.
Estavam no começo do inverno e apesar do ar gelado, os dois ainda caminhavam pela manhã enquanto o frio fosse suportável. Os dois levantaram-se e arrumaram o quarto, e após tomarem banho e se aprontarem para o dia Sherlock procurou por Kitty em seu quarto, não a encontrando.
– Kitty!
Sem resposta ele desceu as escadas, com Joan em seu encalço.
– Ela saiu?
– Não... Antes de você acordar ela passou no quarto pra dizer que tinha um entregador na porta. Eu conferi pela janela e era o entregador de sempre. Ela devia estar de volta. Veja... É a caixa que chegou.
Sherlock caminhou até a mesa e abriu a caixa rapidamente, despejando seu conteúdo na superfície de madeira.
– São realmente meus cadeados. Mas onde ela está? – Olhou em volta e começou a correr pelos cômodos junto com Joan, não encontrando Kitty em lugar nenhum.
– Sherlock!!
Ele correu para a porta de entrada vendo que Joan tinha um papel nas mãos. Parecia um bilhete.
– Ela disse que decidiu caminhar de repente e que vai voltar logo. Isso é estranho... Nós acertamos que ela nos avisaria pessoalmente quando fosse sair ou deixaria um bilhete embaixo da nossa porta. Foi realmente ela que escreveu, mas algumas letras estão meio tortas. Acha que isso pode ser uma imitação?
Sherlock tomou o bilhete das mãos de Joan ao verificar que o casaco de Kitty não estava pendurado com os outros.
– Não... As letras não estão só tortas. Ela estava chorando quando escreveu isso.
O britânico mostrou a Joan algumas letras onde a tinta começava a embaçar e no momento seguinte escancarou a porta do sobrado, olhando em todas as direções e não notando nada de anormal.
– Ligue pra, Kitty – ele pediu sentindo um pânico se formar dentro de si.
Joan telefonou enquanto Sherlock descia as escadas da porta da frente para procurar alguma coisa no chão. Havia chovido e apesar de ainda não estar nevando, havia lama no chão.
– Ela não atende, Sherlock.
Imediatamente ele puxou o próprio celular do bolso e ligou para Gregson.
– Que bom que ligou pra cá – o capitão disse do outro lado da linha – Já estava discando o seu número. Acho que deve saber imediatamente. Del Gruner fugiu da cadeia esta madrugada.
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