Winter
2 Capítulo 2 - Pegadas
Capítulo 2 – Pegadas
Sherlock ficou mudo, deixou sua mão cair e desligou o telefone sem conseguir dizer nada a Gregson. Seus olhos se arregalaram, lembrou-se de tudo que Kitty havia passado sete anos atrás, lembrou-se de Joan voltando ao sobrado com os braços marcados por hematomas e sentiu seu sangue ferver de preocupação e raiva.
– Sherlock?! Que olhar foi esse? O que aconteceu? Quem era no telefone?
Ele não conseguiu responder imediatamente. Apenas fez um sinal para que Joan não descesse os degraus e correu pela frente do sobrado analisando a lama no chão.
– Só hás dois tipos de pegadas aqui, nenhum sinal de alguém ter sido arrastado. Uma trilha sai da nossa porta, mas a outra vem e volta e desaparecem no asfalto. E tenho certeza que a que sai é do sapato que Kitty estava usando. A outra também tenho certeza que é do carteiro que sempre vem aqui.
– Está dizendo que o carteiro pode ter sequestrado Kitty?!
– Não, Joan... Gruner fugiu esta madrugada.
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Meia hora depois estavam na delegacia morrendo lentamente de preocupação enquanto Gregson fazia ligações e mandava policiais para alguns lugares. Ele desligou e encarou Sherlock e Joan.
– Gruner fugiu por volta das quatro da manhã, subornou um agente, matou outro e causou um pequeno incêndio em um dos locais da penitenciaria para desviar a atenção enquanto fugia. Saindo de lá, parece que andou por alguns quilômetros e passou horas por aí até amanhecer, que foi quando perceberam sua falta, detiveram o agente subornado e encontraram o corpo do segundo.
– Alguma informação sobre o correio? – Joan perguntou.
Um dos carteiros saiu de manhã bem cedo pra fazer suas entregas, um dos destinos dele foi a casa de vocês. O pessoal da agência não notou nada de anormal quando ele partiu, estava sozinho e sempre foi um funcionário confiável.
– Disso não tenho dúvidas – Sherlock falou – Mas eu não acho que tenha sido ele.
– Qual é sua teoria? Nada encontramos além de um par de pegadas e nada de digitais além das que você confirmou que são de Kitty.
– O par de pegadas que ia e voltava eram indiscutivelmente dos sapatos que o carteiro sempre usa, mas notei uma alteração no modo de caminhar. Eu não o reconheço, mas não era o nosso entregador de sempre que caminhou até a porta pra entregar o pacote à Kitty.
– E o mais estranho é que procuramos por toda parte pelo spray de pimenta dela. Provavelmente ela não o usou, mas também não o deixou pra trás – Joan lhe disse.
– Se Gruner quer uma vingança ele vai fazer tudo pra não deixar rastros, mas felizmente ele não é bom em cometer crimes perfeitos, como você já provou encontrando duas evidências.
Gregson interrompeu a conversa para atender um telefonema e após alguns segundos o desligou.
– A van do correio é rastreada por satélite. Apesar de saber disso, ele deve ter decidido arriscar. Quer dizer que pretende agir rápido. A van foi encontrada vazia alguns quarteirões antes do Zoológico Bronx. Não sinais do entregador ou de alguém mais. Estão procurando, mas não acharam nada até agora. Sugiro que vocês dois corram para lá.
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50 minutos atrás...
Kitty se dirigiu à porta da frente para atender o carteiro, mas o que viu ao abrir a porta fez sua alma congelar e sua respiração parar. O pobre homem estava amarrado e amordaçado jogado dentro da van. Um homem com o rosto coberto por uma touca com buracos para olhos, nariz e boca arrancava os sapatos do pobre carteiro e os calçava. Suas roupas eram estranhas, pela combinação totalmente absurda de peças Kitty deduziu que haviam sido roubadas de algum varal sem vigilância. Tateou o bolso da calça para apanhar seu spray de pimenta quando o estranho se virou lhe apontando uma arma, mas o que fez Kitty entrar em choque foram seus olhos. Aqueles olhos monstruosos que ela tanto odiava. Sentiu seus olhos se encherem de lágrimas e pensou em gritar por Sherlock ou Joan, mas ele atiraria e olhar para cima lhe daria a localização dos quartos. Tentou pensar, mas não vinha a sua cabeça, tentou recuar, mas ele apontou a arma diretamente em seu rosto.
– Se gritar ou voltar pra dentro vai haver uma chacina aqui hoje. E se pegar esse spray no seu bolso vai morrer mais rápido.
Kitty sentiu seu corpo tremer e paralisar quando ele começou a caminhar em sua direção com o pacote do entregador na mão. Gruner encostou a arma em sua cabeça e pôs a caixa em suas mãos, a qual Kitty quase derrubou por estar tremendo tanto.
– Você vai entrar, deixar esse pacote lá dentro e escrever um bilhete pra Holmes e minha velha amiguinha de olhos puxados. Diga que decidiu dar uma volta de repente e que voltará em breve. Não siga minhas sugestões e eu acabo com você, o carteiro e depois com eles dois lá dentro.
A respiração de Kitty tornou-se ofegante e ela conseguiu abrir a porta na terceira tentativa. Deixou a caixa em cima da mesa e escreveu um bilhete para Joan e Sherlock, deixando sua letra torta devido às mãos trêmulas e derramando algumas lágrimas no papel que deixou no chão na frente da porta.
– Pegue seu casaco, quanto menos suspeitas melhor.
Kitty mal terminou de vestir seu casaco e trancar a porta e sentiu a arma contra suas costas quando Gruner a forçou a caminhar até a van e arrancou dirigindo-a para algum lugar enquanto Kitty via o pobre carteiro entrar em pânico e chorava todas as lágrimas que havia guardado por tantos anos.
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