Wind Broken Wings
17 Ventos Trágicos
Notas iniciais
A lua já havia ultrapassado seu ápice, o que significava que Swain estava em seus aposentos, no subsolo do Alto Comando. Era a hora perfeita para entrar na sala pessoal dele sem ser notada. Katarina terminava de acomodar suas facas no suporte preso em suas coxas e estava pronta para partir. Como executava muitas missões noturnas, ninguém estranhou a saída da assassina de casa. Corria rápida e silenciosamente pelas sombras, para não chamar a atenção de ninguém. Poucos minutos depois, já estava de frente para o prédio do Alto Comando. Entrar não seria difícil, mas invadir a sala de Swain sem disparar os alarmes de segurança, sim. Agradeceu mentalmente por saber quais eram as armadilhas, pois já foi responsável por trancar a sala ao fim do dia. O problema seria a demora em desativar todas elas. Perdeu cerca de 20 minutos lidando com as arapucas computadorizadas e destrancou a porta, pegou a chave da cela na primeira gaveta na escrivaninha dele e se dirigiu para onde a cela ficava. Destrancou-a sem fazer qualquer ruído e entrou, posicionou sua adaga próxima ao pescoço de Yasuo e agachou perto dele.
O lutador despertou com o som da bota roçando no chão enquanto ela se agachava. Sentiu a lâmina em seu pescoço e não se moveu, esperando qualquer atitude da pessoa atrás de si para pensar em algum contra ataque. Ouviu apenas um sussurro sedutor próximo de seu ouvido.
– Boa noite, Yasuo...
– Como sabe meu nome?
– Tenho meus meios. Estou aqui apenas para te dar um pequeno recado de uma amiga.
– Amiga?
– Sim. Ela pediu para dizer que gostaria que a você a esquecesse, que você estava livre para amar outra pessoa e ser feliz — Yasuo rapidamente entendeu quem era o remetente — Ela está muito feliz com o casamento e está realmente apaixonada por Darius. Pediu para que você nunca mais aparecesse na frente dela.
– Riven...
– Exatamente.
– Me responde uma coisa. Ela... Ela já teve a criança?
Katarina lembrou do pedido da amiga, mas sentiu o quanto ele queria aquela resposta. Lembrou-se do quanto ela estava feliz quando a encontrou pela primeira vez, sabia que ele a fazia muito bem. Queria vê-los juntos outra vez.
– Sim, nasceu hoje de tarde.
– Eu sabia... — Yasuo sorriu e Katarina pode sentir o quanto ele estava feliz.
– Olha... Sei que vai doer, mas a verdade seja dita. A criança nasceu morta. Se enforcou no próprio cordão umbilical ainda dentro do útero.
– O-O quê? — o sorriso do espadachim morreu no mesmo instante.
– Eu sinto muito. — Katarina se sentia péssima por ter que mentir dessa forma. — Se quiser fugir daqui, a porta da cela está aberta.
Yasuo não pensou duas vezes na oferta da assassina. Acordou Janna, Katarina entregou as armas dos dois, que estavam guardadas em um fundo falso na parede da sala e trancou novamente a cela, deixando tudo como estava antes. A ruiva ajudou o casal, escoltando eles até a saída de Noxus, onde estariam livres para ir embora de vez. Era o mínimo que podia fazer por ele para se redimir pela mentira.
Yasuo não sabia o que fazer. Estava completamente perdido. Riven não o amava mais, a prova de que a amou não estava entre eles, não havia mais nada. Sua vida perdera completamente o sentido, nem mesmo sua vingança era relevante agora. Se arrastava pela estrada sem destino algum, sendo seguido por Janna. A maga estava estava chocada com o que acabara de acontecer.
– Yasuo... Eu... Eu ouvi a sua conversa com aquela noxiana... Eu... Sinto muito... — O lutador se virou para ela, estava chorando, Janna se sentiu ainda pior — Yasuo... — abriu os braços e foi em direção à ele.
O lutador sequer pensou em rejeitar a oferta, estava precisando muito de alguém para ampará-lo naquele momento. Se perguntava se isso também fazia parte do seu castigo por matar seu irmão. Só podia ser. Seu sofrimento era devastador, consumia até mesmo suas forças para se manter de pé. Logo caiu de joelhos, a loira apenas o acompanhou. Yasuo achou que já tinha alcançado o fundo do poço ao perder Yone, mas o que sentia agora era bem pior, precisaria seguir em frente algum dia; se perguntava se conseguiria.
Janna ardia em ódio por vê-lo sofrer dessa maneira, desejava torturar Riven até a morte, lenta e dolorosamente. Pensando melhor, se ele estivesse ao lado dela, não teria chance de tê-lo para si. Estava decida, curaria a ferida dele com todo o amor que pudesse dar.
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Riven não conseguia dormir, as palavras que instruíra Katarina a repetir martelavam em sua mente, ecoavam como o mais mórbido sussurro de uma criatura sem alma... Alguém como... Aatrox... Nos seus momentos de puro tédio durante a gestação, invadira a biblioteca de Darius e encontrara, em um livro de antigas lendas de Valoran, a história do último Darkin. Tentava ao máximo se convencer de que era a melhor decisão a ser tomada... Mas não conseguia se sentir segura disso. Darius ouviu os pequenos suspiros da lutadora.
– Riven, está chorando?
– N-Não...
– Não precisa esconder — se aproximou da maca e apoiou-se sobre ela — O que houve?
– Eu... Eu.. — não queria magoar Darius dizendo coisas sobre Yasuo — Nada.
– Tem a ver com o ioniano, não é?
– ....
– Eu sabia. Quando quiser falar sobre isso, fique a vontade.
– Obrigada — abraçou o general — Você tem sido um anjo pra mim, Darius...
– Você merece. — beijou a testa da lutadora.
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Depois de algumas palavras de encorajamento de Janna, os dois conseguiram progredir um pouco no caminho, mas só até Yasuo encontrar um bar, o mesmo em que conheceu Sarah e a maga. O lutador gastou tudo o que tinha consigo em bebida, tudo o que queria era esquecer o que ouviu. A loira apenas fez companhia, levando-o depois para a primeira hospedaria aberta que encontrou. Alugou um quarto e o ajudou a desamarrar sua armadura e deitar na cama. Certificou-se de que ele não sairia dali e foi para o banheiro. As condições insalubres a que fora submetida estavam impregnadas em sua pele clara, queria se livrar daquilo o mais rápido possível. Enquanto se ensaboava, pensava se devia dormir no sofá ou na cama. Não sabia ao certo o que ele desejava no momento: solidão ou companhia.
Yasuo apenas se manteve inerte, com os olhos voltados para o teto, perdidos no branco que o preenchia. Não conseguia acreditar nas palavras de Katarina, não queria aceitar que aquela era a verdade. Fechou os olhos e se manteve da mesma forma. Janna se deitou ao seu lado, afagando seu cabelo. Apesar de não sentir nada por ela, seu apoio estava sendo a salvação dele. O lutador caiu no sono rapidamente, a maga continuou acariciando-o e analisando seu semblante de sofrimento, suspirando em seguida. Estava decidida a ficar ao lado dele, mesmo que ele a quisesse apenas como amiga, queria garantir que ele ficaria bem.
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Riven mal podia acreditar no que estava acontecendo, as lágrimas rolavam sem parar, finalmente este dia havia chegado. O pequeno Yone se aninhava em seus braços pela primeira vez, seu semblante se tornou mais calmo após sentir o cheiro da mamãe e se afundar em seu colo. As mãozinhas, bem como a boquinha, tateavam sedentos pelo tórax da lutadora, em busca da sua fonte de vida. A garota se sentia em outro mundo, como se o vínculo entre ela e seu bebê, que sugava vorazmente o leite do seu peito, os transportasse para outra dimensão. Limitava-se a admirá-lo e acariciar sua cabecinha enquanto se alimentava. Os ralos fios castanhos traziam uma grande nostalgia para ela, lembrava-se de quando seus dedos afundavam por entre as madeixas marrons de seu amado e escorregavam pela sua maciez. Yone não tinha herdado apenas os cabelos do pai, mas também os olhos, profundos e cor de avelã; os lindos olhos onde ela se perdia completamente sem se importar com mais nada.
Darius a observava transbordar de alegria por ter seu filho nos braços pela primeira vez. As longas duas semanas haviam chegado ao fim, talvez agora era fosse capaz de ter uma noite de sono completa. Ela precisava do máximo de descanso possível, teria apenas mais 15 dias de alta. Aquilo era desumano, qualquer movimento brusco ou pancada poderia arrebentar os pontos e induzi-la a uma hemorragia interna. Custava a acreditar que Swain não sabia de tais riscos. "Não... Ele sabe... Só se ele estiver tentando matá-la fazendo parecer que foi algo natural..." O general trincou os dentes com tal pensamento.
Após Yone terminar de mamar, o médico avisou a Riven que o posicionasse um pouco sentado. Ela obedeceu e o segurou por alguns minutos assim. O neonatologista informou que o pequenino devia ser levado ao berço para dormir, mas a lutadora insistiu em ficar com ele nos braços. Após alguns minutos de discussão, ela conseguiu o que queria e embalou o bebê enquanto cantarolava uma canção. Não demorou muito e o pequeno estava dormindo.
Riven permutava sua atenção, ora olhava para Yone, agora no berço, ora para Sayurin. Queria pegá-la no colo também, dar de mamar e aninhá-la em seu colo. Ela nascera um pouco menor que o irmão, parecia tão frágil, tão pequena rodeada daquelas agressivos aparelhos metálicos que embalavam o ritmo de sua respiração controlada. A lutadora sentia uma vontade descomunal de tirá-los das malditas incubadoras que a impediam de tocá-los.
– Riven — Darius despertou a atenção da lutadora e prosseguiu — Estou indo para o Alto Comando, preciso conversar com Swain.
– Certo...
– Volto em breve.
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Yasuo olhava para a linha do horizonte, escorado em um pé de bambu e com a mente vazia. Fazia uma semana que havia voltado para sua cabana, Janna insistiu em ficar com ele, depois de muito implorar, o lutador acabou cedendo. Não tinha mais ânimo algum para treinar, se limitava apenas em tocar sua flauta quando a saudade apertava além da conta. Passava o dia jogado em algum canto, olhando para o nada, sem saber o que fazer, o que pensar, apenas sentindo o vazio em sua vida se alastrar cada dia mais.
Janna não suportava vê-lo assim, sentia-se triste por ele e mal por não poder aplacar seu sofrimento, a cada segundo, odiava Riven ainda mais. Sentia vontade de trucidá-la e espalhar os pedaços do seu corpo com a Ventania Uivante. Depois de passar esse tempo convivendo com Yasuo, estava certa de que era com ele que queria viver o resto de sua vida. Mesmo que não fosse correspondida, apenas estar ao lado dele era o bastante. Sabia que ele estava magoado, devia ir com cuidado para consertar o estrago que a lutadora exilada havia causado no coração dele.
– Yasuo? — Janna chamou se aproximando
– Hm? — murmurou quase sem som algum
– Eu vou nadar um pouco no lago, quer ir?
– Não.
– Na volta eu preparo o jantar, certo?
– Uhum...
Janna o fitou por alguns segundos antes de se levantar, ele sequer a olhava quando se falavam. Se perguntava se ele a odiava, mas não tinha força de vontade o bastante para expulsá-la de lá ou se era a dor que o deixava inerte daquela forma, alheio a qualquer coisa. Era frustrante notar isso, mas não tinha muito o que fazer a respeito. Estava preocupada com ele, pois ele quase não comia nada. Procurava se esforçar para sempre preparar algo apetitoso o bastante para despertar o interesse de seu estômago, mas seu esforço era quase inútil. O que mais lhe incomodava era a palidez que sua pele estava adquirindo, as olheiras estavam se aprofundando e se tornando cada vez mais roxas. Os cabelos sempre soltos e abandonados, não veriam um pente tão cedo se a maga não se dispusesse a desembaraçá-los. Enquanto boiava, pensava no que mais poderia fazer para animá-lo, ao menos um pouco. Ele estava mal, mais alguns dias nesse ritmo e logo ele precisaria de uma internação. Até mesmo os ossos da maçã do rosto estavam começando a marcar a pele.
Yasuo se perguntava como era possível sentir tanta falta de alguém que nem conheceu, como era capaz de amar tanto uma criança que nunca existiria. As densas lágrimas molhavam seu rosto quando se lembrava da voz de Katarina dizendo que seu filho havia chegado ao mundo sem vida. Era doloroso demais...
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– Ora, a que devo sua visita, Darius?- Swain se pronunciou ao ver sua porta ser aberta bruscamente
– Ouça, Swain, eu não estou de acordo com a sua ordem para Riven voltar ao campo de batalha em duas semanas. Ela precisa de repouso absoluto por mais dias, e um repouso moderado por mais um mês. Para algo bruto como uma luta, acho que seis meses seria o mínimo aceitável.
– Ela precisa ser útil, Darius, não vou sustentar uma sanguessuga em minha nação.
– Escute bem, ela só voltará à ativa quando EU quiser, pois eu sei o tempo que ela precisa pra voltar sem correr qualquer risco de morte.
– Acha que pode fazer o que bem entende, Darius? Espero que se lembre que quem dá as ordens aqui sou eu.
– E eu espero que se lembre que quem te colocou nessa cadeira fui eu. — deu de costas e saiu andando, parando em frente a porta — E, da mesma forma que coloquei, eu posso muito bem tirar.
Darius bateu a porta e saiu em direção ao hospital novamente. Estava tão nervoso que não percebeu uma pessoa vindo em sentido contrário e esbarrou nela.
– Acho melhor prestar mais atenção ao seu redor, general...
– Hoje eu não estou com paciência pros seus joguinhos psicológicos, LeBlanc. — disse rispidamente e seguiu em frente.
LeBlanc seguiu para a sala de Swain com o palpite de que algo tinha acontecido entre os dois.
– Boa tarde, grão-general Swain... Percebi o Darius saindo um pouco alterado do prédio... — esgueirou-se para trás dele, aproximando-se do seu ouvido — Aconteceu alguma coisa?
– Nada que lhe diga respeito. Se ele acha que eu acato aos pedidos dele por temor, ele está terrivelmente enganado...
Se não fosse pela grande habilidade de LeBlanc com a psicologia das pessoas, jamais perceberia o sorriso maligno de Swain por baixo de sua máscara.
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– Janna.
– Sim?
– Vamos dar uma volta, traga seu cajado.
– Ahn? Certo.
Fazia bastante tempo desde o último treinamento, Yasuo começava a se sentir enferrujado. Caminhou junto com a maga para o local em que costumava treinar com Riven. Uma nostalgia lhe abateu ao ver os bambus cortados, pedaços e mais pedaços de caule jogados por todos os lados. Sentiu saudades das lutas exaustivas que ela lhe proporcionava. O lutador fechou os olhos para se concentrar e estava pronto. Janna fez o mesmo e logo estava envolta por uma camada densa de vento.
– Pode vir. — provocou Yasuo.
– Não se arrependa. — Janna sorriu confiante.
A maga girou, fazendo um redemoinho surgir abaixo de si, correu em direção a ele enquanto se equipava com seu Olho da Tempestade, que lhe conferia mais força nos ataques. Lançou seu Zéfiro enquanto seu tornado seguia em direção à Yasuo, porém, tanto a ave quanto a Ventania Uivante foram bloqueados pela Parede de Vento do lutador, que aproveitou da distração de Janna para avançar sobre ela e desferir uma série de golpes com sua Tempestade de Aço. O lutador achou que tinha levado a melhor até ser lançado para longe durante a invocação de uma aura poderosa que curava os ferimentos da garota, que ficou rodeada por uma ventania por alguns segundos. Com o término da Monção, ela estava completamente regenerada dos danos sofridos. Yasuo sorriu, ela não era frágil como parecia. Avançou rapidamente para cima dela, sendo jogado para cima por um tornado posicionado em seu ponto cego.
Os dois lutaram por horas até caírem lado a lado, exaustos. Yasuo estava satisfeito, fazia tempo que tinha se sentido tão bem consigo mesmo. Talvez castigar seu corpo com árduas batalhas lhe curasse a dor, como fez quando perdeu Yone.
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Riven estava sentada, radiante, embalando Yone num cantarolar suave de uma das músicas que Yasuo lhe ensinou a tocar na flauta. Gostava, especialmente, da que ele tocava sempre que falava de seu irmão. Por incrível que pareça, era com essa mesma música que Yone adormecia mais rápida e calmamente.
O médico analisava o comportamento de Riven com certa preocupação, os primeiros dias de contato mãe e filho haviam sido tranquilos, porém, a lutadora apresentava cada dia mais resistência para colocar Yone no berço, mesmo após ele ter adormecido. Sem que a garota soubesse, um psicólogo foi solicitado a acompanhar a rotina dela e estudar suas atitudes, algo ali não estava bem.
Durante uma semana, o psicólogo a observou minuciosamente em cada detalhe, cada ação feita, cada diálogo com os médicos, tudo que lhe pudesse servir de fonte de informação era profundamente estudado. Os resultados não eram muito bons.
– Senhorita Riven, devo pedir que me acompanhe, por favor.
– Algo errado?
– Permita-me colocar Yone no berço.
– Não, eu quero ficar mais tempo com ele.
– A senhorita será conduzida à um exame médico, por favor, deixe Yone aqui.
– Exame? Que exame? Eu não tinha nada agendado!
– Por favor, apenas me acompanhe.
A lutadora olhou para Darius e ele apenas assentiu, preocupado. A conversa que tivera com o médico dias antes estava lhe preocupa do seriamente. "General, sua esposa vem apresentando um comportamento anormal em relação às crianças... Temo que seja algo grave"
– Seja bem vinda, senhorita Riven — apontou para a cadeira — Sente-se, por favor.
– Algum problema comigo?
– Bem, infelizmente, sim.
– Mas eu me sinto ótima, não vejo razões para mais exames.
– Explicarei com calma. — pigarreou para continuar — A senhorita vem apresentando alguns sintomas de um pequeno distúrbio psicológico que acomete uma porcentagem considerável das mães. Eu acredito que seu problema seja um caso de depressão pós-parto.
– Depressão? Mas eu estou feliz.
– Vamos analisar alguns pontos. Quanto tempo a senhorita passa com Yone no colo, em média.
– Pouco tempo.
– Na verdade, não. Eu observei seu comportamento por uma semana, a senhora passa, em média 6 horas com ele nos braços. Isso é muito, é exaustivo tanto para ele quanto para você.
– Mas eu passei muito tempo sem ter contato com ele, esperei mais de sete meses para ter ele comigo!
– Quantas vezes, do tempo em que ele passa fora do berço, a senhorita o entregou para o pai segurá-lo?
– Er... — Riven se assustou com a pergunta — Eu não sei.
– Nenhuma, senhorita. Você, quando o pega no colo, não se levanta para comer, beber água ou ir ai banheiro. Isso não lhe faz bem, visto que uma dieta saudável possui refeições de 3 em 3 horas. Como pretende dar aos seus filhos um leite rico em nutrientes se não se alimenta adequadamente? — a lutadora se manteve em silêncio e o médico prosseguiu — Eu gostaria de descobrir agora o estopim que provocou essa depressão. A senhorita poderia dividir um pouco dos seus problemas comigo?
Riven pensou se deveria, contar todo o seu passado a um completo estranho não lhe parecia uma boa ideia, além de que havia certos detalhes que lhe garantiriam uma bela morte em praça pública caso chegassem aos ouvidos de Swain.
– Não será necessário... Eu sei o motivo... E não quero contá-lo.
– Seria ótimo para mim saber, auxiliaria muito no seu tratamento.
– É apenas... A falta de... Uma pessoa muito querida.
– Hm... — anotou os dados recebidos — Bom, eu irei lhe prescrever um tratamento medicamentoso, e lhe acompanharei clinicamente durante todo o período. — terminou de escrever os nomes na receita, carimbou, assinou e entregou para ela — Aqui está, você deve vir duas vezes na semana para uma terapia e tomar corretamente todos os remédios indicados.
– Certo...
– Está liberada.
Riven se negava a acreditar que estava com depressão. Sempre fora muito segura de si, racional, controlada, jamais se abateu por problemas psicológicos. Talvez ser mãe estivesse deixando-a mais frágil.
Faltavam apenas mais alguns dias para que Sayurin pudesse ir para casa. Decidiu se concentrar nisso e espantou quaisquer pensamentos negativos. Riven ficou observando-a pela incubadora. A pequena estava agitada, mexia os bracinhos como se quisesse coçar os olhos, depois de coçá-los um pouco, ela os abriu pela primeira vez. A lutadora estava estagnada, presa à beleza e graciosidade de sua filha.
– Eu não disse que seriam iguais aos seus? — Darius a surpreendeu, abraçando-a por trás.
– Sim... Você tem razão.
– Ela é linda, Riven, meus parabéns.
– Obrigada...
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